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la théorisation conceptuelle et le projet "démonstratif"

Partie 1 - Des méthodes

E. Les opérations productrices de connaissance(s)

2. la théorisation conceptuelle et le projet "démonstratif"

O aproveitamento dos mais diversos recursos renováveis e o engenho para tirar cada vez mais proveito dos mesmos são estratégias necessárias para responder aos desafios energéticos e ambientais atuais. Nos caso dos sistemas de aproveitamento de energias renováveis muitas vezes não são inteiramente renováveis necessitando de outras fontes de energia para operar, como os painéis fotovoltaicos ou sistemas de aproveitamento de energia geotérmica (Sassi, 2006). Na arquitetura vernacular a limitação tecnológica não permitia este tipo de sistemas pelo que a sua capacidade de aproveitar energia era conseguida de forma inteiramente renovável usando a força do vento, dos rios e das marés. Outra vantagem destes sistemas vernaculares reside no facto de possuirem baixa energia incorporada na sua construção — com materiais de aprovisionamento local e várias vezes renováveis, como a madeira — e de não ter emissões de CO2 associadas à sua operação. A sua desvantagem prende-se com a intermitência irregular de alguns fenómenos físicos. No entanto, há potencial de evolução e de adaptação à atualidade destes sistemas de aproveitamento de recursos renováveis contribuindo para uma sociedade menos dependente de energia fóssil mas também preservando a memória dos sistemas vernaculares e servindo para a preservação deste património edificado, tecnológico e cultural numa vertente também produtiva e não apenas museológica.

• Moinhos. Os moinhos, nas seus variados modos de funcionamento, são os melhores representantes dos sistemas vernaculares de aproveitamento de energia renovável. Se estes sistemas de produção eram

normalmente construídos em locais com potencial energético, como zonas com ventos fortes em várias direções e junto aos cursos de água, provavelmente esses locais continuam a possuir esse potencial energético que não está a ser aproveitado porque a moagem por estes meios se deixou de fazer em detrimento da moagem mecânica. No entanto, continua a existir um potencial de energia que pode ser aproveitado e os moinhos podiam ser reconvertidos para sistemas de produção de energia elétrica, até mesmo serem sistemas bivalentes que continuassem também a servir para moagem de cereais. Apesar da moagem de cereais com estes sistemas tradicionais não ter viabilidade concorrencial face aos sistemas mecânicos, em muito devido à escala de produção, novos produtos que valorizem comercialmente o facto de serem produzidos utilizando energias renováveis pode ser uma forma de incentivar o uso destes pequenos sistemas de moagem espalhados pelo território nacional. À semelhança do que acontece com os produtos de agricultura biológica e os produtos designados de “Gourmet” também pode haver um potencial de mercado para a produção com energia renovável, pelo que são necessários estudos nesta área. Outra vantagem dos moinhos como sistemas produtores de energia prende-se com o facto de a sua escala deste edifícios é mais humanizada e como tal têm menos impacte na paisagem que as atuais torres eólicas, apesar de possuirem menos capacidade de produção que estas últimas. A sua proximidade aos povoados permite assim um aproveitamento de um potencial de produção de energia que pode ser usado localmente reduzindo as perdas de transporte pela rede.

A reabilitação e reconversão dos moinhos, tanto de vento como de água e maré, são importantes para a salvaguarda do património edificado, tecnológico e mesmo de memória cultural. Por exemplo, a Câmara Municipal do Seixal adquiriu em 1981 dois moinhos com o objetivo de os proteger como edifícios históricos que testemunham a atividade moageira pré-industrial no concelho (C. M. Seixal, 1981). Mas no estuário do Tejo, e mesmo no resto país, existe um vasto conjunto de moinhos de maré que podiam ser reconvertidos para uma nova funcionalidade que usasse o mesmo método de aproveitamento de energia das marés. Para além de poderem contribuir ativamente com outras funções que não as originais, como a produção de energia, constituem também um contributo importante para a sustentabilidade e conservação dos ecossistemas em que estão inseridos (Silveira, 2009). Segundo Silveira (2009) a conjugação da conservação do património edificado com a recuperação dos ecossistemas envolventes pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento local.

As estratégias apresentadas podem ter viabilidade e contribuir positivamente para a produção de energia com reduzidas emissões de dióxido de carbono, como atesta o exemplo da cidade de Freiburg, Alemanha, com a instalação de várias mini-hídricas para a produção de energia elétrica (Figura 241). Algumas das mini-hídricas usam as rodas de água que costumavam fazer mover os moinhos existentes (Sassi, 2006). As mini-hídricas não têm as desvantagens ambientais dos sistemas de maior escala e são dos sistemas de aproveitamento de energia com menores impactes ambientais associados, funcionando apenas com a força do curso do rio sem necessitarem de represas de água (Sassi, 2006).

Os sistemas movidos pela força do vento, como são mais intermitentes e imprevísiveis que as marés, podiam ser incrementados com tecnologia atual, usando sensores e sistemas automáticos semelhantes aos aplicados nas torres eólicas de grande dimensão, que posicionassem as velas do moinho à feição do vento por forma a tirarem o máximo proveito do potencial energético do local.

• Elementos vegetais. Os elementos de origem vegetal foram sempre muito utilizados na arquitetura vernacular — madeira, palha, caniços, etc. — e pelo facto de serem um recurso renovável periodicamente continuam a poder ter um lugar na construção sustentável. Na obtenção destes recursos é importante

garantir que a exploração dos mesmos é feita de forma sustentável não colocando em causa outras espécies e ecossistemas. As vantagens destes materiais de origem vegetal estão indicadas nos capítulos 3.3.9 e 3.3.11.