Partie 2 - Applications
1. Entre-deux et diversité. Des Sciences de la Nature au territoire
Existem várias metodologias de avaliação de sustentabilidade de um edifício, promovendo o equilíbrio entre as considerações ambientais, económicas e sociais. Os sistemas de certificação e classificação servem para promover a construção sustentável integrando as preocupações ambientais, económicas e sociais nos critérios de decisão de projeto. Os vários sistemas existentes apresentam perspectivas distintas, através da seleção de diferentes critérios mas têm em comum o objetivo de promover a diminuição dos impactos negativos da construção sobre o Homem e a sociedade (Trusty e Horst).
Assim, todos os sistemas têm objetivos comuns, como a otimização do local de implantação, a preservação da identidade regional e cultural, minimização do consumo energético, utilização de materiais eco-eficientes, a proteção e conservação de recursos, a promoção de condições de saúde e conforto, a otimização de práticas de utilização e manutenção e a minimização de custos envolvidos, tanto de investimento como de utilização (Bragança e Mateus, 2011).
Um dos pontos mais frágeis destes sistemas é o critério de seleção de materiais, tendo em consideração que a própria definição de material sustentável é um pouco subjetiva. A integração de técnicas e ferramentas apoiadas na avaliação LCA fazem parte da solução para este problema, ainda que seja necessário introduzir outros critérios relevantes na avaliação da sustentabilidade, mas que são mais difíceis de definir e quantificar, como sejam os critérios económicos e sociais. O problema tem como base o contexto em que os critérios e as pontuações são atribuídos na classificação dos sistemas
no que diz respeito à escolha do material. A atribuição de créditos surge, em muitos casos, de um entendimento consensual e convencional, nem sempre alicerçado numa análise objectiva. Um dos exemplos desta situação pode verificar-se na utilização de materiais reciclados, assumindo que inevitavelmente implicam uma redução de cargas ambientais. No entanto, isso pode não ser verdadeiro em todos os casos, pois o processo de reciclagem pode implicar a utilização de mais energia e provocar mais impactos no ambiente do que a produção do material novo (Trusty e Horst). A questão não é a maior importância de um factor em relação a outro mas as suposições comuns que podem induzir a erros nas tomadas de decisão. O problema da reciclagem pode ser associado, desta forma, à expressão: os meios justificam os fins. De qualquer maneira, a reciclagem teve sempre como objetivo a redução dos fluxos de e para a natureza mas a evolução técnica pode por em causa este objetivo em algumas situações (Trusty e Horst).
Outro exemplo de critérios utilizados nos sistemas de avaliação é o uso de materiais rapidamente renováveis. A intenção é compreensível, sendo dada importância à redução do uso e esgotamento de materiais que necessitam de muito tempo para se renovarem. A definição de “rapidamente renovável” está relacionada com um período de tempo de menos de 10 anos, na metodologia LEED, o que desde logo levanta o problema da ausência de justificação deste critério, surgindo um pouco arbitrária. Por outro lado, este critério ignora o valor da terra como recurso finito, bem como as implicações de fertilizantes, pesticidas, insecticidas, etc., que podem ser utilizados na produção de materiais rapidamente renováveis mas que implicam efeitos negativos não considerados (Trusty e Horst). Existem problemas similares na classificação do uso de energia, ao promover o uso da energia mínima sem se preocupar com a forma de energia em si e as suas implicações secundárias.
A avaliação da sustentabilidade do edifício como um todo, feita por metodologias como o BREEAM ou o LEED, permite classificar o desempenho ambiental, económico e social, servindo de demonstração e inspiração para a prática de uma construção sustentável nos três pilares da sustentabilidade.
O tratamento da informação sobre os materiais varia de sistema para sistema, indo de uma simples “checklist” até à integração de uma análise LCA de todos os produtos envolvidos na construção. Desta forma, todos integram a consideração do impacto ambiental dos produtos construtivos, mas utilizando diferentes estratégias para o avaliar, atingindo resultados incomparáveis e até, muitas vezes, contraditórios. A maioria destes programas considera o impacto ambiental global de um edifício resultante do somatório do
Um dos programas mais utilizados é o BREEAM (Building Research Establishment´s Environmental Assessment Method), desenvolvido nos anos 90. Este programa faz a avaliação do comportamento de um edifício nas seguintes áreas: gestão, utilização energética, saúde e bem-estar, poluição, transporte, utilização do território, ecologia, materiais e água. A utilização destes dados é feita através de diferentes pesos, de maneira a procurar dar o valor correto a cada um dos factores. Para atribuir valores de avaliação aos impactos, o BREEAM utiliza um guia, o Green Guide, desenvolvido pelo BRE (Building Research Environmental) para ajudar a encontrar as soluções mais sustentáveis para os edifícios. Uma parte da classificação, cerca de 12%, do BREEAM está associada a créditos sobre materiais, na perspectiva de encorajar o uso de materiais de construção com reduzidos impactos incorporados (http://www.breeam.org).
Outros dos programas mais reconhecidos para a avaliação da sustentabilidade é o
LEED, desenvolvido pelo US Green Building Council, em 2000. A abordagem do ciclo de
vida integrada neste sistema começou por ser feita através de uma “cheklist” que avalia o conteúdo reciclado, renovado e o abastecimento local. Esta abordagem podia simplificar a avaliação LCA, levando por isso a conclusões com algum grau de incerteza. Por esta razão, versões mais recentes do programa incluem um sistema LCA, o EcoCalculator, que avalia as principais componentes do edifício e compara-as com resultados de referência (http://www.leed.net).
No panorama nacional surgem duas ferramentas principais: o LiderA e o SBToolPT-
H. O programa LiderA surge em 2005 como uma ferramenta voluntária de certificação de edifícios sustentáveis e já certificou mais de 1000 edifícios no território nacional. O sistema, adaptado à realidade portuguesa, pretende apoiar o desenvolvimento de projetos sustentáveis, em todas as etapas do ciclo de vida, de maneira a promover o valor da sustentabilidade no mercado de construção. A avaliação é feita segundo uma classificação entre A e E, sendo o nível E referente às práticas existentes, e as classificações entre A e C consideradas positivas (http://www.lidera.info).
O SBToolPT-H é a adaptação à realidade portuguesa de uma metodologia
internacional SBTool (Sustainable Building Tool). O SBTool é um sistema internacional de avaliação da sustentabilidade de edifícios, tendo sido desenvolvido pela associação iiSBE (international initiative for the Sustainable Built Environment) aplicado em mais de 20 países, entre a Europa, a Ásia e a América. Esta ferramenta tem como objetivo apoiar os intervenientes na fase de projeto de edifício de habitação e fazer a avaliação e certificação da sustentabilidade de edifícios novos e renovados. Este sistema permite também
reconhecer as soluções que conduzem ao desenvolvimento de edifícios sustentáveis (Bragança e Mateus, 2009).
Em relação a outros programas, a metodologia SBToolPT-H procurou simplificar a lista de indicadores, reduzindo-os para 25 parâmetros, distribuídos por 9 categorias, referentes às três principais dimensões da sustentabilidade: ambiental, social e económica. A integração da dimensão económica e principalmente da dimensão social é outra das diferenças deste sistema para outros similares, que muitas vezes reduzem a análise à dimensão ambiental. O SBTool procura distinguir o tipo de edifício na sua avaliação e por isso desenvolve diferentes metodologias para cada um. É por esta razão que em Portugal apenas está disponível o sistema para a habitação, sendo que diferentes tipos de edifícios estão a ser preparados.
Apesar do desenvolvimento e avanço constante destes programas, a implementação de uma avaliação e certificação sustentável tem ainda problemas a serem resolvidos, como a complexidade dos edifícios, a multidisciplinaridade da análise do ciclo de vida, a elevada quantidade de materiais e sistemas existentes no mercado ou o prolongamento da esperança de vida dos edifícios. A generalização destes sistemas tem ainda obstáculos resultantes das diferenças politicas, tecnológicas, culturais e socioeconómicas existentes entre países (Bragança e Mateus, 2011).