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4.4 L'Extraction d'Information

4.4.3 La tâche d'Interprétation

O livro é dividido em seis partes principais: Processos de Comunicação, Co- municação de massa, Efeitos da comunicação, Comunicação científica, Difusão de inovações, Divulgação científica, reunindo textos de distintos autores e do próprio Marques de Melo, cujas ideias centrais serão abordadas a seguir.

Apesar da riqueza das obras por ele destacadas, daremos maior ênfase e deta- lhamento ao artigo de sua autoria “Mutações no jornalismo científico no Brasil: estudo de caso da imprensa diária do Rio de Janeiro e de São Paulo”, apresen- tado ao V Congresso Ibero-americano de Jornalismo Científico (Valença, Espa- nha, 1990). Tal opção deve-se ao fato desta ser uma pesquisa que traz profundas contribuições teóricas e metodológicas ao campo do Jornalismo Científico no Brasil e, ao mesmo tempo, ser um material de difícil acesso, disponível apenas em bibliotecas especializadas localizadas em grandes centros6.

a) Processos de comunicação

O autor inicia o livro apontando a necessidade de se conceituar “Comunica- ção”, tomando como parâmetro a própria estrutura do processo, independente dos efeitos provocados na vida social. Dessa forma, trazendo contribuições da perspectiva estrutural, define comunicação como o processo de transmissão e recuperação de informações. “Trata-se portanto de um processo, um ato con- tínuo, que nunca se interrompe. Ou seja, de algo em constante movimento” (MARQUES DE MELO, 1992, p.7).

O autor apresenta os principais modelos do processo de comunicação e reto- ma Berlo (1963), em cuja opinião nos comunicamos para influenciar. Sob essa ótica, uma comunicação eficaz é planejada, a partir da definição prévia da inten- ção do comunicador e do seu alvo, visando determinado resultado. O seu suces- so depende cada vez mais da precisão e rigor científicos, e não da criatividade.

b) Comunicação de massa

O autor apresenta os objetivos e funções da CM, destacando o modelo de Lasswell (1948), que propôs três categorias: informação, persuasão, educação,

6. Disponível para consulta no Acervo do Pensamento Comunicacional Latino-America- no, José Marques de Melo, Cátedra UNESCO de Comunicação para o Desenvolvi- mento Regional, à Universidade Metodista de São Paulo.

e Wright (1968), que acrescenta uma quarta finalidade ao processo: entreteni- mento. Nesse sentido, Marques de Melo pontua que ainda persiste a diferen- ciação entre mensagens informativas (educativas), persuasivas (propaganda) e diversionais (entretenimento), admitindo-se a possibilidade de intersecção entre elas. “Essa distinção quase sempre obedece a uma tentativa de classificação das mensagens nos meios massivos, mas o verdadeiro objetivo de cada mensagem depende da intenção de quem comunica ou da percepção de quem recebe a mensagem” (MARQUES DE MELO, 1992, p.10).

c) Efeitos da comunicação

Neste capítulo, são delineadas as principais teorias dos efeitos, dividindo-as em três fases fundamentais, propostas por Denis McQuail (1983). Até 1930, predo- mina a tese de que os mídia possuem um poder imenso para conformar a opinião, mudar hábitos e moldar comportamentos. De 1930 a 1960, os estudos realiza- dos nos EUA admitem que os meios não atuam autonomamente na sociedade, mas operam dentro da estrutura e contexto sociocultural preexistentes. Nos anos 1970-1980 os estudos passam a analisar mudanças a longo prazo. As teses oscilam entre aquelas que concebem os meios como todo-poderosos ou como comparti- lhando com outras instituições sociais o poder de formar atitudes.

d) Comunicação Científica

Nesta seção, após traçar uma breve história da relação ciência e comunica- ção, o autor apresenta a tipologia desenvolvida por Antonio Pasquali (1978), que propõe três categorias de Comunicação Científica: 1) Difusão: informar, esparramar livremente. Envio de mensagens elaboradas em códigos ou lingua- gens universalmente compreensíveis, dirigidos à totalidade do universo receptor em uma unidade geográfica, sociopolítica e cultural. 2) Divulgação: vulgarizar, tornar acessível ao público. Envio de mensagens elaboradas mediante a trans- codificação de linguagens especializadas para linguagens compreensíveis à tota- lidade do universo receptor disponível. 3) Disseminação: semear seletivamente no lugar mais apropriado. Envio de mensagens elaboradas em linguagens espe- cializadas, dirigidas a receptores restritos.

e) Difusão de inovações

O autor destaca que a comunicação é decisiva para a mudança social, enten- dida como o processo de alteração na estrutura e função de um sistema social. O grande desafio do difusor de inovações é a superação das barreiras entre in-

terlocutores, o que se dá por meio de conhecimento prévio dos atributos dos receptores, identificação do campo de experiência comum para reduzir a inco- municabilidade e avaliação do impacto provocado pelas inovações.

Marques de Melo evidencia também as missões do divulgador científico, segundo Calvo Hermano e José Reis (1977): destacar o valor da ciência em geral, valorizar o ensino de princípios e atitudes científicas, dar atenção aos fa- tos científicos nacionais, enfocar os aspectos históricos da ciência e tecnologia, estabelecer relações entre ciência e sociedade e dar ao público uma ideia fiel do cientista como um dos fatores do progresso social, mas não o único. A relação entre cientistas e jornalistas é marcada, muitas vezes, pela tentativa de controle dos pesquisadores sobre a informação e por repórteres que temem a censura decorrente de interesses pessoais e de determinantes político-institucionais.

f) “Mutações no jornalismo científico no Brasil: estudo de caso da imprensa diária do Rio de Janeiro e de São Paulo”, de José Marques de Melo

O autor parte da hipótese de que há uma fronteira tênue entre informação e opinião também no noticiário científico, área notadamente envolvida pelo caráter factual e objetivo. As indagações buscam apontar a natureza da notícia científica, protagonistas, fontes, gêneros jornalísticos e os limites entre informação e opinião.

O corpus da pesquisa é formado pelas edições dos jornais diários das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, durante uma semana em 1984. Destacamos que, passadas quase três décadas, o estudo permanece atual e pertinente, configurando- -se como relevante contribuição para a compreensão da ciência enquanto obje- to jornalístico. De acordo com o autor, na década de 80 houve crescimento no espaço dedicado à ciência e tecnologia, justificado pelo maior investimento de recursos públicos na área e abertura política, criando condições para que cientistas divulgassem suas pesquisas e participassem do debate sobre políticas para C&T.

Marques de Melo adota um conceito abrangente de Jornalismo Científico, ultrapassando as concepções de Calvo Hernando e José Reis, que tomam como critério a sua finalidade educativa. Apesar de não desmerecer a validade dessa mis- são, inclui na análise todas as unidades de informação cuja temática foi ciência e tecnologia, independentemente de seu objetivo. O autor emprega a tipologia da Comunicação Científica proposta por Pasquali (conforme exposto anteriormente). Segundo Marques de Melo, a categoria da Comunicação Científica mais iden- tificada com a natureza do jornalismo é a difusão, pois realiza a tarefa de informar em linguagem universal o que ocorre no mundo da ciência, tornando-a acessível ao público. No caso da disseminação, o entendimento fica restrito ao segmento do público que domina o jargão em que a mensagem foi elaborada. Já a divulgação,

que pressupõe tradução da linguagem e simplificação do conteúdo, só se efetiva quando os produtores possuem competência científica e comunicativa.

A categoria predominante nos jornais analisados é a difusão. A presença da divulgação e disseminação científicas mostra-se mais expressiva quanto mais sintonizada com a composição sócio-econômica-cultural dos jornais. Nesse sentido, os jornais populares demonstraram mais sensibilidade para acolher os textos de divulgação científica, enquanto os de elite têm maior propensão para matérias de disseminação de conhecimentos especializados.

A análise também aponta que a cobertura científica não ocupa espaço pró- prio e definido, encontra-se dispersa, atomizada, sem coordenação editorial. No que diz respeito à angulagem das matérias, houve hegemonia da narração con- vencional, entretanto notou-se, nos jornais cariocas, propensão para enfatizar ângulos pitorescos e sensacionais dos acontecimentos.

Apesar de predominarem os gêneros informativos sobre os opinativos, o mes- mo não ocorre em relação ao enfoque ideológico. Segundo o autor (1992, p.82), nos periódicos do Rio de Janeiro os recursos de adjetivação, focalização de per- sonagens, orientação explícita do sentido para leitura das notas, notícias, repor- tagens e entrevistas são mais comuns que em São Paulo. “A cobertura científica da imprensa paulista camufla com mais habilidade suas tendências editoriais nos textos informativos, o que não significa que são despidos de matizes ideológicas”.

Marques de Melo afirma também que há correlação entre uso de fontes institucionais e propensão editorializante. Quando as matérias focalizam prio- ritariamente as instituições, elas se alimentam de declarações gestadas por as- sessorias de imprensa, cuja função é transferir valores da empresa. Por outro lado, quando os atores são individualizados e não institucionalizados, há menor comprometimento ao produtor da informação.

Numa outra perspectiva, o autor aponta que os protagonistas institucionais que mais se destacam são os centros de pesquisa, figurando em posição inex- pressiva os órgãos governamentais de fomento à pesquisa, o que é revelador, considerando a pequena participação do segmento empresarial na produção de conhecimento. Esse tipo de matéria, cuja fonte é uma organização da iniciativa privada, afirma, contém menos a difusão do saber do que o registro de processo de transferência tecnológica.

A pesquisa também revelou alteração no comportamento temático da im- prensa, com crescimento do espaço humanístico e redução das tecnologias, principalmente das ciências agrárias. Para quantificar esse aspecto, o autor to- mou a classificação oficial do CNPq. Nessa perspectiva, os jornais populares revelaram maior interesse pelos temas ligados ao homem e à vida, já nos jornais de elite houve maior diversificação entre as áreas do conhecimento.

A investigação detectou também uma predominância de informações de ori- gem nacional. Essa reversão da expectativa indica que as fontes produtoras de co- nhecimento científico em nosso País estão abrindo suas portas à imprensa. Todavia, aponta o autor, essa postura nacionalista assume um viés localista. A ênfase nos fatos regionais só é quebrada com informações de Brasília ou de outra grande metrópole brasileira, enquanto as demais regiões são silenciadas. Já o noticiário internacional privilegiou informações procedentes da Europa Ocidental ou América do Norte, em detrimento de países que integravam o então bloco socialista e terceiro mundo.

Conforme pondera Marques de Melo (1992, p.69), “Esperamos que os re- sultados obtidos possam servir como fonte de apoio para os novos jornalistas que divulgarão os fatos científicos e como estímulo para os jovens pesquisadores que vislumbrarão outras facetas do Jornalismo Científico praticado no Brasil”. Sem dúvida, o estudo é uma proposta teórico-metodológica atual, que possibi- lita nortear reflexões, novas pesquisas e práticas no campo do jornalismo sobre Ciência e Tecnologia, em diferentes contextos e regiões deste país.

Considerações finais

As reflexões trazidas na obra “Teoria da Divulgação Científica” apontam que, no campo da comunicação social, mais do que reproduzir reflexões teóri- cas, é necessário a observação empírica da realidade e crítica da prática jornalís- tica para se construir teorias validadas.

Ao buscar contextualizar a obra de José Marques de Melo, somos lançados numa extensa e multifacetada produção intelectual, de um homem que abriu caminhos na pesquisa da Comunicação no Brasil e, generosamente, semeou campos para que novos talentos se aglutinassem na solidificação da área. Ressal- tamos, entretanto, que não pretendemos esgotar o assunto aqui, mas destacar a riqueza da obra e a atuação decisiva do professor Marques de Melo também na consolidação da pesquisa da comunicação em Ciência e Tecnologia.

Referências

CALDAS, Graça e MACEDO, Monica. A formação de jornalistas científicos no Brasil. Revista Pesquisa Fapesp. Edição 47, outubro de 1999.

GOBBI, M. Cristina (Org.). Grandes nomes da comunicação: José Marques de Melo. Recife: Unicap, 2001.

HOHLFELDT, Antonio (Org.). José Marques de Melo: construtor de uto- pias. São Paulo: INTERCOM, 2010.

MARQUES DE MELO, José. Teoria da Divulgação Científica. São Paulo: ECA- USP. 1992.

NAVA, Rosa M. Fundação da INTERCOM. In: GOBBI, Maria Cristina (Org.). Grandes nomes da comunicação: José Marques de Melo. Recife: Uni- cap, 2001, p. 185-202.

VIANNA, Ruth Penha Alves. Pra não dizer que não falei das flores: a mo- dernidade do projeto pedagógico fundador do curso de jornalismo da ECA e seu impacto nacional. III ENCONTRO NACIONAL DA REDE ALFREDO DE CARVALHO, Anais do III Encontro Nacional da Rede Alfredo de Car-

valho, Novo Hamburgo, RS – 2005. Disponível em: www.redealcar.com.br.

Incentivo aos novos pesquisadores e