2.2 Présentation des objectifs
3.1.2 L'existant pour les séquences d'animation
MARQUES DE MELO, José. Comunicação Comparada: Brasil e Espanha, São Paulo: Loyola, 1990.
O livro de José Marques de Melo vem reforçar que a comuni- cação comparada é uma forma de sentir e conhecer diferen- ças de formatos e atuações no mundo, ou seja, as maneiras de atuar sobre o mundo e sobre o mundo da comunicação. Estas formas estão fundamentadas em uma avaliação comparati- va de nossa cultura com outros países. Estas análises fazem parte do sistema de comunicação internacional, a forma que observamos através da leitura do texto de JMM. E assim, encantada em reler tudo isso que me foi passado e que, de certa forma, me traz a lembrança do professor desde o início de minha trajetória na comunicação social.
Ler os livros de JMM foi uma forma de chegar perto do autor referência, dos estudos da comunicação que mais tarde, quase dez anos depois de conhecê-lo através da literatura, conheci- -o pessoalmente e logo pude entender ainda mais, através da conversação uma enormidade de informações técnicas sobre a comunicação. Sua prática e sua teoria agora estavam ali jun- to de mim. O “Timoneiro da Comunicação”, logo faria parte de uma história e de uma forma de estudar.
7.1
Falar sobre este livro é falar de minha experiência como pesquisadora em ter- ras espanholas e claro que não poderia deixar de estar sob a inspiração constante das teorias nacionais e sempre que possível, mesmo que empiricamente, fazer sempre uma observação comparada dos formatos e estilos da comunicação.1
Segundo JMM, os estudos de Comunicação Comparada, (1990, p. 5-6)
ainda não avançaram significativamente no Brasil. Apesar de ser disci- plina obrigatória no currículo dos cursos universitários de Comunicação Social, poucas têm sido as pesquisas realizadas com a finalidade de com- preender as semelhanças ou diferenças entre os sistemas brasileiros de comunicação e seus congêneres estrangeiros.
Quando Marques de Melo privilegiou o tema da midiologia comparada no ano de 1990, foi basicamente pela convergência midiática ensejada pela revolução digital, “Como a nossa tradição investigativa ancorava-se no estudo isolado de cada meio de comunicação, percebi que era indispensável construir indicadores com- parativos, que dessem conta dessa convergência prévia de formatos, conteúdos, estratégias”. Levando em conta sua experiência balizada pelos estudos de jornalis-
1. Doutorado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo, UMESP (2002), mestrado profissionalizante Master em Ciência, Tecnologia e Sociedade: Co- municação e Cultura pela Universidade de Salamanca, Espanha (2000), mestrado em Administração Rural pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) - Uni- versité de Sherbrooke, Canadá (1994), especialização em associativismo pela Universi- dade Federal Rural de Pernambuco (1991), graduação em Pedagogia pela Universidade Federal de Pernambuco, UFPE (1982). Professora do Programa de Pós-Graduação em Extensão Rural e Desenvolvimento Local - POSMEX na Universidade Federal Rural de Pernambuco, UFRPE, professora titular e pesquisadora do Núcleo de Pesquisa (NU- PEM) da Faculdade de Ciências Humanas - ESUDA. Tem experiência na área de Co- municação, com ênfase em metodologia de ensino e pesquisa, atuando principalmente nos temas: educação, comunicação e cultura, comunicação científica e tecnológica, pro- cessos comunicacionais, folkcomunicação e desenvolvimento local. Coordenadora do GT de Folkcomunicação da Associação Latino Americana de Investigadores em Comu- nicação - ALAIC. Ex-presidente e Membro do conselho deliberativo da Rede Folkcom - Rede de Estudos e Pesquisa em Folkcomunicação da Cátedra UNESCO-UMESP de comunicação para o desenvolvimento regional. Editora convidada da Revista Rázon y Palabra- Instituto Tecnológico de Monterey - México. Diretora da Revista Internacio- nal de Follkcomunicação - UEPG. Avaliadora do Sistema Nacional de Ensino Superior - SINAES. Consultora ad-hoc da Comissão de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior - CAPES. Prêmio Luiz Beltrão 2012 categoria: liderança emergente.
mo comparado, dando sequência no Programa de Pós Graduação - POSCOM da Universidade Metodista de São Paulo – UMESP, à exploração iniciada na ECA- -USP, comparando sistemas nacionais de comunicação de massa, onde podemos encontrar esta primeira incursão através dos estudos contidos nesta coletânea.
Os estudos sobre comunicação comparada, não são, portanto, uma linha independente, mas uma atualização do caminho que o autor percorre desde o início de seus estudos acadêmicos.
Tanto seu trabalho de iniciação científica quanto a sua monografia de pós- -graduação adotaram o método comparativo. No primeiro caso, o estudo foi a comparação do noticiário policial na imprensa diária da cidade do Recife (esse trabalho, publicado em 1965 pela revista “Comunicações & Problemas”, foi reproduzido pela revista “Idade Mídia”, n. 3, São Paulo, UniFiam, 2003). No segundo caso, o estudo era comparar três jornais brasileiros (esse trabalho está publicado no livro de estreia na vida acadêmica “Comunicação Social: teo- ria e pesquisa”, Petrópolis, Vozes, 1970). Essa continuidade e coerência podem ser detectadas no livro “Midiologia para iniciantes” (Caxias do Sul, Editora da UCS, 2005), justamente pelo caráter biográfico que determinou a redação de alguns dos seus capítulos.
Na perspectiva científica “quase positivista” na comunicação comparada, apresentada por Marques de Melo, torna-se valiosa quando analisamos os aspec- tos da comunicação na Espanha e em outros países ibéricos e lusófonos, dando visibilidade a outros aspectos e que através da comunicação de massa e da co- municação midiatizada se faz necessário ampliar os estudos sobre estas técnicas. Por um lado, os estudos da comunicação comparada fornecem novos meios para o aperfeiçoamento da ciência da comunicação, por outro lado, liberaria o estudo comparativo da influência de políticas, da onipotência da religião, do preconceito e do despotismo. E mais, ajudaria a construir nações. Sem dúvida, o estudo comparativo da comunicação e seu objetivo: em primeiro lugar, dá vida à ideia de transferir uns aos outros aquilo que pode ser adequado e útil em suas culturas; e em segundo lugar, estabelece e consolida uma unidade política por meio do desenvolvimento das trocas de informações.
O texto consiste na conceituação e a contextualização dos estudos compara- tivos entre Brasil e Espanha, que historicamente pode ter similaridades quando comparadas e assim apresentar de forma elaborada a construção de novos estu- dos que compõem a teoria da comunicação. Para tal comparação, fatos relativos aos períodos mais recentes em que Espanha e Brasil viveram, como experiências de autoritarismo, mesmo que tenham sido de abordagens e estratégias distintas, na perspectiva ideológica e/ou política. Além disso, é verificada o modelo de produção jornalística nos dois países.
O interesse pelos estudos comparativos tem também suscitado no âmbito das tecnologias avançadas de comunicação, pelo fato de se poder planejar o desenvolvimento de novas atividades, dentro da perspectiva comunicacional em países que adotaram o modelo de comunicação digital. Esta metodologia se encaixa muito bem dentro da perspectiva da Folkcomunicação.
O estudo da comunicação que cada vez mais, passa pela mediação tecnológica, ou seja, a comunicação interpessoal face a face está a cada dia mais escassa nos ambientes formais e também informais. Usamos computadores e outros sistemas para desenvol- ver o processo da comunicação ao vivo. Isso também tem sido favorável para vários tipos de comunicação, que também não foi substituída completamente.
Observa-se que sistema de comunicação entre países espanhóis e brasileiros são similares, todavia a abertura destes formatos serem similares, os temas são distintos quando se referem a conhecimento científico.
A primeira tarefa que comporta a representação midiática do acontecer so- cial é a seleção do modelo de comunicação a ser utilizado. A questão é a seguinte: quais são os critérios que guiam a seleção dos modelos e formatos, concretamen- te na ideologia e os interesses que se encontram implícitos no produto final? O formato jornalístico explica em parte porque um evento pode ser convertido em notícia, reportagem ou até mesmo editorial.
Podemos até mesmo questionar se a mídia conhece a variedade da cultura de uma nação e quando a divulga muitas vezes transforma-a em um espetáculo, um produto comercial. É importante que os profissionais da mídia saibam lidar com as expressões populares para que não modifiquem o real significado das culturas e assim os estudos jornalísticos tenham cunho científico.
Para muitos, a mídia precisa ouvir e aprender com os mestres detentores da cultura popular. Corre-se o risco de achatamento da diversidade cultural globa- lizado e do não diálogo e do reforço dos estereótipos, produzindo desta forma a alienação e a exclusão social.
Apesar disto, a mídia tem apresentado avanços em mostrar a diversidade da cultura especificamente de culturas que não sejam as hegemônicas, vide exem- plo as estratégias de marketing como a etnografia no processo de compreen- são da cultura. Podemos, desta forma, apresentar estudo da comunicação entre programas de televisão e quadros apresentados em canais de televisão aberta, trazendo consigo uma maior divulgação e valorização da cultura.
E esta compreensão se estende agora à relação das pessoas com os bens de consumo. O fato é que consumo é uma prática cultural e só quando entendido sob este ângulo, tais atitudes assumem contornos mais claros e inteligíveis com o crescimento do poder aquisitivo das classes mais baixas, essa categoria de produto e serviço tem ampliado seu mercado-alvo (target) às classes menos favorecidas.
Outro ponto focal de desenvolvimento das atividades de pesquisa da Rede Folkcom diz respeito aos processos de desenvolvimento local. Busca, dessa for- ma, entender o empoderamento das comunidades alijadas da modernidade, como forma de promover a sustentabilidade destes grupos, através do desen- volvimento de estudos de estratégias de comunicação nas políticas públicas, organizações não governamentais, associativas e empresariais no âmbito do de- senvolvimento local.
Nessa perspectiva, são contempladas as culturas populares e suas diferentes manifestações de hibridização da cultura “folk” e a cultura massiva; os estudos de recepção de mídias e programas de intervenção social; além das análises dis- cursivas e os impactos das novas tecnologias de informação, fortalecendo os estudos da midiologia comparada e a comunicação na sociedade contemporâ- nea. Esses aspectos buscam investigar as modificações operadas no cotidiano das populações rurais, verificando a importância dessas tecnologias nos processos de desenvolvimento local.
De acordo com JMM a temática da midiologia comparada foi privilegiada em função da tendência evidente da convergência midiática ensejada pela revo- lução digital.
Como a nossa tradição investigativa ancorava-se no estudo isolado de cada meio de comunicação, percebi que era indispensável construir in- dicadores comparativos, que dessem conta dessa convergência prévia de formatos, conteúdos, estratégias. Como a minha experiência ante- rior fora balizada pelos estudos de jornalismo comparado (o que pode ser identificado no meu livro “Estudos de Jornalismo Comparado”, São Paulo, Pioneira, 1972), tratei de dar sequência na UMESP à exploração iniciada na ECA-USP, comparando sistemas nacionais de comunicação de massa (esta primeira incursão pode ser comprovada através dos estu- dos contidos na coletânea “Comunicação Comparada: Brasil/Espanha”, São Paulo, Loyola, 1990).2
Não se trata, portanto, de uma linha independente, mas de uma atualização do caminho que venho percorrendo desde o início dos meus estudos acadê- micos. (esse trabalho, publicado em 1965 pela revista Comunicações & Proble-
2. Entrevista concedida pelo professor José Marques de Melo a Marcela Rocha - Grupo UniFiam Faam - 4º semestre JO (30/04/2005) Disponível em: http://www2.metodis- ta.br/unesco/GCSB/Entrevista_entevistajmm.htm
mas, foi recentemente reproduzido pela revista Idade Mídia, n. 3, São Paulo, UniFiam, 2003). No segundo caso, estudei comparativamente três jornais brasileiros (esse trabalho está publicado no meu livro de estreia na vida acadê- mica Comunicação Social: teoria e pesquisa, Petrópolis, Vozes, 1970). Essa continuidade e coerência podem ser detectadas no meu livro Midiolo- gia para iniciantes (Caxias do Sul, Editora da UCS, 2005), justamente pelo caráter biográfico que determinou a redação de alguns dos seus capítulos.3
E JMM confirma que, as principais dificuldades são aquelas peculiares a to- dos os grupos acadêmicos brasileiros: recursos escassos, barreiras institucionais, problemas de relacionamento humano entre pesquisadores etc.
Contudo, o maior obstáculo que identifico tem sido a resistência ao tra- balho holístico, coordenado, sequenciado. As novas gerações são vítimas, a meu ver, de um forte individualismo, o que produz uma atomização dos objetos pesquisados, sem que a acumulação dos conhecimentos seja orgânica e prospectiva. 4
Na perspectiva de estudar a comunicação comparada através da análise de grandes grupos econômicos nacionais e internacionais e também dan- do foco nas políticas de informação e comunicação.
Mas antes de começarmos e entender esta ideia, vale a pena rever o con- ceito de comunicação que Rabaça e Barbosa (2001, p. 157) apresenta um conceito etimológico mais abrangente:
[....] a origem da palavra Comunicação introduz a ideia de comunhão, comunidade. Como diz Wilbur Schramm, quando nos comunicamos, tratamos de estabelecer uma comunidade, isto é, tratamos de comparti- lhar informações, idéias, atitudes. Sérgio Luiz Velozo endossa ao afirmar que Comunicação é fazer participar, é trazer para a comunidade o que dela estava isolado. Comunicar significa, assim, estabelecer comunhão, participar da comunidade, através do intercâmbio de informações e Mar- condes Filho (2009, p. 68) afirma que, etimologicamente, o vocábulo Comunicação origina-se na língua latina, da palavra communicatio, a qual poderia ser entendida como “estabelecer uma relação com”.5
3. Ibidem 4. Ibidem
A importância que o Estado possui no controle da informação, importante res- saltar sua participação na elaboração de leis de concessão e censura. Estes são pontos marcantes nos estudos das mídias entre o Brasil e Espanha, bem como os estudos da comunicação, frente aos desafios da globalização, no que tange ao nacionalismo e regionalismos existentes, como pauta de discussão na academia e na sociedade.
O valor que é dado à comunicação, num mundo em transformação, mais exata- mente relacionado ao uso das novas tecnologias e das redes sociais. Dando um novo sentido aos veículos de comunicação e a formação de receptores, como podemos avaliar a mudança de comportamento da sociedade, desta forma busca-se estabelecer a discussões e o debate sobre a televisão hoje: pública x privada; aberta x fechada.
Enfim buscar um entendimento amplo da comunicação e a constituição do público, esta segmentação da audiência, que hoje se torna tão evidente nos pa- íses independentemente do nível de desenvolvimento. Os debates sobre ques- tões éticas da comunicação e como estes veículos de comunicação e linguagens apresentam semelhanças e diferenças no mundo globalizado, é assim que JMM contribui com a sua incansável forma de promover os estudos da comunicação.
Referências
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MARQUES DE MELO, José (Coord.). Comunicação e classes subalternas. São Paulo: Cortez, 1980. 203 p.
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