2.2 La partie <EXPLOIT>
2.2.2 La section <ATTACK>
Como dito anteriormente, a Ação Educativa para professoras da rede municipal de educação de Feira de Santana se inseriu em uma perspectiva de formação em serviço.
Assumo aqui a noção de formação em serviço como aquelas experiências que se realizam com uma intencionalidade formativa profissional, após a aquisição da certificação inicial e durante a inserção do sujeito na vida do trabalho.
Essas experiências de formação profissional em serviço podem ser promovidas em diferentes espaços, tempos e instituições e em diferentes modalidades, sejam através de cursos, seminários, programas/projetos, oficinas, círculos de estudos.
No campo da formação profissional encontram-se diferentes denominações e compreensões para designar a formação após a aquisição da certificação inicial e durante a inserção do sujeito na vida do trabalho: formação permanente (IMBERNÓN, 2005), contínua (ALARCÃO, 1998; FORMOSINHO, 1991; NÓVOA, 2002), em contexto (OLIVEIRA- FORMOSINHO; KISHIMOTO, 2002).
Silva (2000, p. 96) identifica outras designações para a formação contínua, que remetem para diferentes orientações, tais como: profissionalização em exercício; desenvolvimento em equipe; educação permanente; desenvolvimento profissional, desenvolvimento de professores, instrução de professores em exercício. Não vou discutir cada uma delas, apenas trago-as para situar que vou preferir usar a denominação formação em serviço, embora possam aparecer estas outras denominações ao longo do texto, quando referendadas aos seus respectivos autores, para tratar da formação profissional em serviço.
Sobre a valorização da ação educativa na formação de adultos, remeto a Nóvoa, já mencionado neste capítulo, para lembrar que “a formação contínua deve ser entendida como uma contribuição exterior que pode modificar certas trajetórias de vida através das quais os adultos se constroem pouco a pouco” (NÓVOA, 1988, p. 120).
Tomando por referência o trabalho de Honoré (1992), Warchauer (2001, p. 146 -148), trata de ações de formação como aquelas que possibilitam ao indivíduo o desvelamento da formação em sua existência.
O desvelamento da formação se dá quando o sujeito busca em seus atos e pensamentos a explicitação do caminho de sua obra pessoal, inserida na obra coletiva do mundo, de modo que suas atividades tenham sentido (HONORÉ, 1992).
Algumas ações de formação elencadas por Warschauer (2001, p.146) favorecem esse desvelamento:
a) Colocar as práticas em questão, refletindo sobre elas buscando sua compreensão;
b) Descobrir o sentido formador essencial de toda prática (as práticas exprimem a capacidade humana de conhecer e transformar o mundo, em conjunto com as práticas dos outros e suas aspirações. As práticas possuem um valor simbólico, suporte de sentidos, que cria uma nova unidade existencial significativa e interativa);
c) Descobrir a origem interformativa de toda prática (as práticas são desenvolvidas em um espaço social de pertencimento, de falas, de gestos e de atitudes, que revelam o modo de coexistência de uma comunidade;
d) Deixar a presença se manifestar à situação (esperar a presença do outro em situação de acolhimento e acompanhamento da experiência, na tensão entre seu passado e seu futuro, o que foi e o que pode vir a ser);
e) Encontrar situações de uma interpelação mútua, eu-outro. Saída de si para o encontro com as coisas e os outros na totalidade da existência de cada um.
A ação Educativa pautou-se na valorização da teoria e das práticas educativas das professoras, refletidas coletivamente, em articulação com os contextos organizacionais e sociais mais amplos.
A importância da teoria na constituição do saber docente dos professores tem sido assinalada por Pimenta (2006, p. 24), pois ela dota os sujeitos de variados pontos de vista para uma ação contextualizada e oferece perspectivas de análise para que os mesmos
compreendam os contextos históricos, sociais, culturais, organizacionais e de si próprios como profissionais.
A Ação Educativa foi pensada de modo que possibilitasse às professoras, através do estudo de referentes teóricos, a reflexão de suas concepções e práticas e a definição das diretrizes teórico-práticas de um projeto de formação para as crianças na educação infantil da rede municipal.
Alguns pressupostos nortearam a Ação Educativa:
a) A valorização dos saberes teóricos articulados aos saberes da prática docente; b) A reflexão partilhada das professoras sobre as suas concepções e práticas, contextualizadas;
c) A criação de um contexto participativo, integrativo entre as professoras da DEI/SME, as professoras cursistas e professoras das respectivas escolas onde as cursistas trabalhavam;
d) A valorização de um projeto de identidade local na elaboração das diretrizes teórico- práticas da proposta curricular para a educação infantil.
A Ação Educativa envolveu três grupos, distintos e interligados, de professoras: o Grupo da Divisão de Educação infantil – DEI/SME; o Grupo de professoras cursistas e o Grupo de professoras assistentes dos seminários temáticos3.
A Ação foi estruturada com base no estudo de algumas temáticas. Envolveu as concepções de criança, da função social da escola de educação infantil, do papel da professora, do ensino, aprendizagem e avaliação na educação infantil, da seleção de conteúdos escolares para o trabalho com as crianças, do desenvolvimento infantil, do conhecimento, da organização do tempo e do ambiente escolar, da educação inclusiva e da proposta curricular.
A escolha dessas temáticas se deu a partir dos dados de um diagnóstico, em que foram colhidas as concepções das professoras sobre alguns dos conteúdos específicos de formação profissional para o trabalho com crianças pequenas, conteúdos tais que subsidiariam a discussão da proposta curricular.
3
As professoras da DEI/SME são chamadas no âmbito do próprio Grupo de professoras formadoras e neste trabalho assim se mantém, bem como as professoras da rede municipal que participam dos cursos de formação em serviço são chamadas de professoras cursistas.
A metodologia proposta compreendeu: estudo e discussão de textos; registro das reuniões de estudo e leitura pública desses registros; sistematização das discussões das diretrizes da proposta curricular de educação infantil; apreciação e discussão dessas diretrizes após a sua sistematização e realização de seminários temáticos.
Os textos eram lidos previamente pelas professoras da DEI/SME e planejava-se uma consigna para trabalhá-los com as professoras cursistas. Cada consigna previa perguntas que suscitassem as reflexões das professoras, sobre as ideias veiculadas no texto em estudo, em confronto com as concepções das próprias professoras explicitadas no primeiro encontro geral. Nesse espaço coletivo de reflexões, as professoras davam corpo a uma noção referente à temática do estudo.
Após compatibilizadas as concepções apresentadas pelos grupos, a síntese retornava para ser apreciada no coletivo. Uma vez aprovada, iria compor as diretrizes teórico-práticas da proposta curricular.
A Ação Educativa promoveu um encontro de professoras de diferentes escolas com o Grupo da DEI, em que se estabeleceu um contexto de liberdade e de responsabilidade. A discussão das concepções e práticas dessas professoras, em confronto com os textos estudados, colocou em ação mecanismos reflexivos em um processo de reflexão partilhada.
Essa reflexão partilhada possibilitava a reorganização do aprendizado das professoras cursistas, pois os textos eram reestudados e subsidiavam outras discussões nos seminários temáticos, numa ação de formar e de formar-se.
O procedimento formativo de apresentação do seminário para as colegas que não participavam diretamente da Ação Educativa, não só reorganizou o aprendizado das professoras cursistas mas, também, buscou um espaço de interlocução das discussões realizadas no Curso com as escolas onde trabalhavam as mesmas.
A Ação Educativa se realizou no período de abril a novembro de 2008, teve a duração de 180 horas e foi ministrada pelas professoras integrantes da DEI e professores convidados.
Foram feitos 15 encontros quinzenais, de 8 horas cada, com as professoras cursistas e 7 encontros mensais de 4 horas com as professoras da rede municipal para a realização dos seminários temáticos. Na DEI ocorreram 32 reuniões semanais com, no mínimo, 4 horas de duração.
Na última semana de novembro desenvolveram-se oficinas didáticas, em que se discutiram práticas específicas na educação infantil em diferentes campos do conhecimento. A saber: brincar; diversidade cultural e inclusão escolar; música; matemática na educação
infantil; artes; falando de convivência e dilemas sócio-morais na educação infantil. As temáticas trabalhadas nesta semana de Curso foram definidas, no processo, pelas professoras cursistas e não serão objeto de análise neste trabalho.