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: La séparation structurelle des activités à risque

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 103-122)

Considerando a multiplicidade de dados e as relações que se estabelecem entre os sujeitos, os objetos e o espaço, compreendemos que as estratégias da análise interacional na qual a mediação semiótica das interações estabelecidas entre os sujeitos através de registros, discursos, artefatos e gestos, nos permitem caracterizar os tipos de relações estabelecidas entre os docentes participantes do nosso estudo e a relação estabelecida entre eles e o ambiente da sala conceito usada durante as práticas descritas no capítulo de método (JORDAN e HENDERSON, 1995).

De acordo com Meira (2010), a Análise Interacional é comumente empregada em estudos antropológicos e cognitivos nos quais se busca construir um entendimento sobre as formas de ação e comunicação entre indivíduos participantes de uma atividade qualquer. Apesar de nosso estudo não ter um caráter etnográfico clássico, compreendemos que a relação estabelecida nos oito encontros e todos os artefatos produzidos para esta pesquisa e usados pelos/com os docentes, em especial a própria configuração e uso da sala de aula conceito, necessitou de um olhar analítico mais sistematizado, por isso a opção pela análise interacional.

Como pressuposto básico, assume-se que os discursos, os artefatos, os gestos e os registros que construímos e fazemos uso formam “campos semióticos” (GOODWIN, 2000; JORDAN e HENDERSON, 1995), tornando-se relevantes para compreendermos qual impacto que um espaço flexível de aprendizagem pode apresentar para os docentes no Ensino Superior na relação espaço, método e experiência.

Nossa intenção não foi apenas registrar os modelos de espaço flexíveis de aprendizagem propostos pelos docentes, mas também identificar o sentido atribuído pelos sujeitos a partir da interação com o espaço. Desta forma a Análise Interacional, enquanto método que focaliza múltiplos aspectos da interação humana nos permitiu ter uma visão mais detalhada das ações efetuadas. Alguns elementos significativos das relações e das imagens e, em especial, o olhar dos próprios sujeitos sobre as ações empreendidas na sala de aula conceito trouxe a tona elementos das relações com os objetos (artefatos) e com os alunos em um dado contexto. Isto nos possibilitou compreender melhor nosso objeto de pesquisa, equacionando um olhar sobre a relevância do espaço sobre o fazer pedagógico.

De acordo com Jordan e Handerson (1995) a Análise Interacional tem por objetivo identificar as regularidades nas formas pelas quais os indivíduos utilizam recursos do mundo social e material no qual eles operam. Mais que uma técnica, a Análise Interacional envolve um conjunto complexo e coordenado de perspectivas analíticas e teóricas e possui alguns aspectos que constituem focos deste modelo de análise. Dentre estes, elencamos aqueles que tratam mais de perto as especificidades do nosso objeto de pesquisa e dos nossos objetivos, os quais são explicitados a seguir.

Estrutura: eventos são normalmente segmentados e possuem uma estrutura que é reconhecida e mantida pelos participantes. O foco repousou sobre as formas pelas

quais os participantes tornaram esta estrutura visível para si mesmo e para os outros, ou como indicam que a fronteira de um segmento interacional se aproxima e que o próximo segmento de interação terá um novo caráter. Neste estudo o uso do mini kit mobiliário (MKM) possibilitou aos docentes possíveis configurações de sala de aula, trazendo para o campo visual, concreto, algo que seria mais difícil para os/as docentes fazerem mentalmente. Assim, a estrutura relacional inicial pode ser revelada, pois trouxe uma configuração planejada pelos docentes implicando outras pessoas e suas relações com a estrutura que montaram. Ao mesmo tempo as interações em sala de aula, baseadas em um modelo previamente pensado e testado, podem apresentar indicadores de estruturas diferenciadas do modelo convencional de aula, quando ministrada em sala de aula convencional. A própria estrutura da sala de aula conceito, revela novas formas de se relacionar com este espaço e simultaneamente com os sujeitos.

Organização temporal, ritmo e periodicidade: sequências repetitivas permitem o desenvolvimento de rotinas estáveis e uma infraestrutura durável no contexto da qual as quebras na ação podem ser gerenciadas, fazendo emergir certa preditibilidade na ação. A Análise Interacional busca tanto os aspectos repetitivos da ação quanto sua variabilidade, a mudança e a novidade. Aspectos importantes observados no planejamento e na execução das aulas permitiram distinguir os movimentos dos professores diante do ineditismo de se trabalhar sobre uma perspectiva não muito conhecida por eles em uma sala de aula diferente do modelo tradicional com o qual estão habituados.

Estruturas de participação: processo de engajamento e afastamento da situação interacional caracterizado por alinhamento corporal, usualmente face-a-face, contato viso-ocular regular e tom de voz apropriado para a situação. Aqui consideramos fortemente as imagens captadas em vídeo, uma vez que este recurso nos permitiu detectar não apenas o movimento no espaço, mas também algumas interlocuções entre alunos e docentes que revelaram aspectos de como as relações foram estabelecidas a partir de intenções planejadas pelos docentes e as ações executadas, permitindo detectar aspectos mais sutis realizados durante as aulas. Focalizamos nosso olhar para aspectos da mobilidade no espaço planejado.

Quebras e reparos: a análise de quebras no sistema de regras interacionais disponível é um dos melhores métodos para entender como o mundo se apresenta do ponto de vista do outro. Os movimentos de quebras refletem um caráter mais comportamental; ocorrências de regras não faladas que impactam na forma das pessoas agirem com os outros e com o ambiente, seja na fala, seja no uso de artefatos. Nesse aspecto observamos as dinâmicas de movimentos dos alunos, aqui considerados como „os outros‟, mas também consideramos as ações dos docentes no que tange às suas próprias maneiras de se posicionarem em uma sala de aula flexível. As quebras ou problemas que os docentes tiveram durante o planejamento, também fizeram parte da nossa observação e análise neste critério.

Organização espacial da atividade: o corpo humano, suas habilidades sensório- motoras e suas formas compartilhadas de orientar-se para o mundo social e material permitem certos usos do espaço ao mesmo tempo em que dificultam ou impedem outros. Como o objeto chave da nossa investigação é a própria sala de aula e a dinamicidade que a mesma proporciona, neste critério buscamos identificar como os/as docentes fizeram as configurações do espaço e agiram sobre o mesmo, em especial quando na prática de aula com seus alunos.

Artefatos e documentos: Um dos principais interesses da Análise Interacional está em compreender a emergência e manutenção de atividades e interações em função da presença de diferentes artefatos e tecnologias. Nos encontros de formação dos sujeitos desta pesquisa usamos técnicas de design thinking, com uso de artefatos específicos para o trabalho de planejamento de aulas, criando possibilidades para que inserissem em suas aulas artefatos da tecnologia digital ou outros para fins de execução e/ou mediação dos processos de ensino-aprendizagem. Desta forma pudemos observar se aparecem e como aparecem estes artefatos nas aulas planejadas e executadas na sala conceito, permitindo avaliar os modelos utilizados.

Mudanças de turnos: este aspecto aborda a alternância entre falas dos sujeitos, as mudanças com corpos e mudanças com artefatos. O foco de análise na nossa pesquisa não perpassa sobre este aspecto específico, pois a qualidade da dinâmica interacional entre os sujeitos, apesar de ser muito importante, não se constitui objetivo deste trabalho. Entretanto não descartamos a relevância deste aspecto para investigações

mais focadas em análises sobre as relações entre os sujeitos em espaços flexíveis de aprendizagem.

A perspectiva da Análise Interacional permitiu construir um entendimento dos modos de interação emergentes entre os participantes em uma atividade pedagógica, considerando a experiência deles com as configurações de sala de aula e os métodos desenvolvidos pelos docentes. Assim observamos mais detalhadamente o movimento de combinação da tríade espaço, método e experiência, na sua adequação ou aproximação com algum estágio de inovação, na qual as personas deram seus próprios sentidos e criaram compreensões sobre a importância de se pensar o espaço nas práticas docentes.

Descrevemos graficamente (Gráfico 1) a forma pela qual tratamos sobre a relação da tríade espaço, método, experiência, compreendendo esta sob a perspectiva desses docentes – personas – em como (re)significam suas práticas tendo em vista a inovação pedagógica, seja ela com uso ou não de tecnologias, mas fortemente associadas às experiências dos sujeitos envolvidos na dinâmica da aula.

Gráfico 1 - Representação da tríade: espaço, método e experiência

Apresentaremos e discutiremos as propriedades ou características de configurações do espaço flexível de aprendizagem, elaboradas e executadas por cada persona, considerando as características próprias da análise interacional (AI) em confronto com os conceitos da built pedagogy e de learning spaces. Após este momento de análise de cada persona

individualmente, concluiremos com nossas considerações sobre os aspectos convergentes entre eles, revelando características que emanaram da tríade acima representada.

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