IV. RECOMMANDATIONS
4. UN PROJET GLOBAL CONFIE A UNE INSTITUTION RESPONSABL E
O Chefe do Departamento sugeriu que a disciplina poderia tratar o tema Hospital já que não existia, até esse momento, uma pesquisa aprofundada sobre um equipamento tão importante para a população e, ao mesmo tempo, pouco tratado pela escola. A partir daí começou a surgir, em alguns alunos, o interesse por desenvolver o tema no Trabalho Final de Graduação (TFG, segundo a Diretriz Curricular do MEC) ou, como ele é chamado na escola, Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
No primeiro semestre trabalhou-se com as condicionantes da situação pré-existente com mais rigor. Os alunos tiveram grandes dificuldades para definir um partido e resolvê-lo com clareza. O extremo rigor colocado na conservação dos edifícios existentes e, ao mesmo tempo, ter que adaptá-los para um programa altamente complexo e extenso que exigia articulações com novos edifícios criados, foram algumas das causas da baixa qualidade geral das propostas. Já no seguinte semestre os alunos tiveram mais liberdade, podiam demolir partes dos edifícios existentes e, em contra partida, trabalharam com uma área maior ao anexar um grupo de residências que ficavam nos fundos da maternidade com frente para uma rua paralela á do acesso principal. Conseqüência das novas condicionantes, as propostas dos alunos foram mais ousadas e ampliou-se o leque de partidos, ou seja, resultou numa experiência de projeto que viabilizou o resultado final.
Nesse sentido a equação processo-resultado era avaliada pelo professor na hora de determinar o grau de complexidade do exercício de projeto e aí era visível que inter-atuava tanto a experiência do professor como projetista nos temas escolhidos quanto a de professor na fase.
Nos exercícios sobre hospital e aeroporto os alunos trabalharam em duplas desde o levantamento das informações até a entrega final. A primeira etapa de levantamento e diagnóstico incluía a conceituação do tema; a escolha e análise de exemplos de equipamentos hospitalares; estudo de cada setor e seu fluxograma; análise das relações funcionais e a quantificação das áreas dos ambientes com o objetivo de expressar graficamente um programa detalhado que permita uma visualização global das atividades do equipamento através de suas dimensões e relações. Outra fonte de informações muito usada pelos alunos foram os trabalhos de TCC arquivados na biblioteca setorial.
Para facilitar a etapa de levantamento dos dados e sua classificação e quantificação, o professor entregava desde o início um modelo de roteiro para orientar a pesquisa dos dados prévios à etapa do programa e um modelo de quadro que uma vez preenchido constituía o programa preliminar de necessidades e pré-dimensionamento. Nas linhas representavam-se as atividades e nas colunas as diferentes variáveis que as definiam: o setor; a unidade; a definição da atividade; as dimensões e quantidade dos ambientes; mobiliário; localização dentro do edifício; as relações funcionais diretas e indiretas entre os ambientes; as condicionantes técnicas, funcionais e espaciais podendo incluir esquemas de fluxogramas parciais por grupos de atividades. Assim quase sem perceber o andado, o aluno chegava ao final do quadro com o cálculo das áreas nas escalas do local, da unidade e finalmente do edifício (ver Anexo C).
Este modelo podia ser adaptado pelos alunos às necessidades de cada pesquisa e programa. A preparação do programa no formato de quadro detalhado era importante devido ao número elevado de atividades e de ambientes com características diferenciadas e relações complexas e diversas que precisavam ser hierarquizadas. Segundo o nível de detalhamento das informações contidas e seu tratamento posterior, o quadro podia representar o estágio do
conhecimento atingido até o inicio do processo de projetação propriamente dito congelado nesse ponto ou, melhor ainda como sugerido pelos professores, um registro gráfico da evolução que, o conhecimento sobre o tema ia adquirindo. Esse quadro devia ser atualizado segundo a evolução do projeto até o final, constituindo uma memória do processo de grande utilidade para quem no futuro quisesse andar o mesmo caminho.
Toda esta etapa contou com o assessoramento de um arquiteto do Departamento Autônomo de Edificação (DAE) da secretaria de Obras do Governo do Estado de Santa Catarina e de dois membros da Comissão do Projeto do Hospital da Mulher, um funcionário administrativo e uma enfermeira que, ao longo do processo foi se revelando a principal assessora. A participação destes profissionais foi vital na hora de fazer um diagnóstico da situação atual tanto da instituição ‘maternidade’ quanto do funcionamento do edifício, como também durante o levantamento das necessidades futuras. O que significava que os alunos trabalhavam a partir do reconhecimento da realidade tal como era apresentada pelos técnicos- usuários e não a partir de meras hipótese ou suposições abstratas de gabinete.
A Maternidade Carmela Dutra funciona num edifício construído nos anos 40 que mantém intacta a fachada original, mas que no seu interior sofreu múltiplas intervenções para se adaptar ao crescimento da demanda e às mudanças tecnológicas. Estas intervenções não respondiam a um planejamento global e surgiam como resposta a situações pontuais. Portanto, o exercício importava a dupla complexidade de reordenar as atividades do prédio existente e articula-las com o novo edifício do Hospital da Mulher que devia ser proposto. Para resolvê-la a maioria das equipes optou por manter a maternidade no edifício existente mudando o centro cirúrgico e as salas de parto para as novas edificações, levando em consideração que aquela não podia suspender o atendimento das parturientes durante a execução das obras. O abandonado pequeno edifício do ex Hospital Infantil era demolido e, em geral, as propostas propunham integrar o acesso principal com o grande vazio existente na frente do Hospital Celso Ramos incluindo os pequenos comércios pipocados na rua Irmã Bemwarda.
O levantamento das primeiras informações é uma etapa de relativa curta duração e rápida que introduz o aluno no problema. Vem depois uma pesquisa mais aprofundada e direcionada segundo as diferentes interpretações e interesses específicos de cada equipe de projeto. Esta estratégia era fundamentada em que os alunos das últimas fases já sabem desenvolver uma pesquisa e, como não era esse objetivo da disciplina, optou-se por direcioná- la segundo iam aparecendo as necessidades de projeto.
Para entender a complexidade deste tema proposto no semestres 2000/1 e 2000/2, se faz necessário a leitura do texto que o grupo de alunos responsáveis pela conceituação do tema apresentou ao seminário de integração das informações levantadas:
“Trata-se de um centro hospitalar de grande referência que supra a demanda vinda não só da Grande Florianópolis, como também de toda a região sul, sendo considerado a melhor opção entre os locais destinados à saúde da mulher a nível regional.
É um hospital que foge aos conceitos tradicionais e que pretende inovar no que se refere ao próprio tratamento do paciente, fazendo-o da forma mais humana possível. Tal objetivo interfere na vida do dia a dia dentro do estabelecimento e, além disso, na própria arquitetura, que deve ser pensada e tratada de modo a melhorar o bem-estar das pessoas que ali estão e colaborando para com as inovações propostas.
Propõe-se que seja um hospital vinculado unicamente ao SUS (Sistema Único de Saúde), passando-nos a certeza de que é um equipamento destinado a toda a população, que terá um tratamento igualitário, ou seja, inexistindo a possibilidade de escolha de equipamentos, quartos ou qualquer outro utensílio, com exceção do corpo médico, para nenhum indivíduo.
Segundo a Portaria 400, revogada pela Portaria 1884, do Ministério da Saúde, esta unidade ligada à mulher é definida assim: é um estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência médica em ginecologia e obstetrícia em regime de
internação, de emergência e ambulatorial ás pacientes deferidas pelos estabelecimentos de menor complexidade.
Da definição acima, da entrevista e de materiais pesquisados, vemos que deve conter equipamentos que, no seu conjunto, venham a tratar da saúde, do corpo e da mente da mulher e do recém-nascido como um todo, sem que nada venha a faltar, e, além disso, que faça um trabalho eficiente no campo da prevenção. Deve oferecer como serviços; os preventivos como divulgação, informação, vacina, cursos, etc.; os assistenciais, tanto assistência interna quanto externa, bem como unidades de tratamento intensivo tanto para mulheres quanto para recém- nascidos, e ainda a possibilidade de partos alternativos, os quais se encontram no objetivo de se humanizar o atendimento; ambulatoriais; os emergenciais; os psicológicos e os ‘escolares’, no sentido de se tornar um hospital-escola, com cursos, seminários, etc.; e como especializações profissionais: obstetra, ginecologista, mastologista, infectologista, pediatra, neonatologista, oncologista, cirurgião, psicólogo, nutricionista e urologista.
Nos assessoramentos participavam uma equipe de alunos, o professor da disciplina e o autor. No primeiro momento os alunos faziam a exposição da sua interpretação sobre o tema e a área recorte para depois colocar suas hipóteses de projeto, intenções e idéias diretrizes expressadas em desenhos e maquete volumétrica.
Uma das dificuldades mais visíveis nos alunos era a carência de uma cultura do Ateliê que se expressava na pouca participação nos assessoramentos dos colegas, momento considerado vital pelos professores na hora de refletir, cada um, sobre sua própria obra a partir do confronto com as idéias dos outros. Esta participação ativa dos alunos nas orientações do professor ou mesmo no debate entre grupos com ou sem a participação daquele, eram consideradas essenciais, para desenvolver o espírito autocrítico a partir do exercício da crítica coletiva. Era uma preocupação permanente do professor o pouco conhecimento que os alunos traziam sobre sistemas construtivos e conforto ambiental e sugeria que os alunos das primeiras
fases precisavam receber uma visão geral desses temas direcionada à resolução de problemas concretos de projeto. Nestes pontos uma referência fundamental para o tema era o estudo dos edifícios projetados pelo arquiteto João Filgueiras Lima (Lelé) para a rede hospitalar Sarah Kubitchek.