• Aucun résultat trouvé

3. Structure, organisation, composition et réactivité hémostatique de

3.3. Composition de l’artère saine

3.3.1. La cellule endothéliale

Os questionamentos que desencadearam a presente pesquisa surgiram da observação empírica, por ocasião da participação da autora, na IV Conferência Nacional Infanto-Juvenil para o Meio Ambiente (IV CNIJMA), em 2013. Esta Conferência foi desenvolvida pelo Ministério da Educação (MEC), junto da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEEDF), por intermédio de seu Núcleo de Educação Ambiental (NEA).

A Conferência tem como documento base uma publicação do MEC chamada, Vamos cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis: educando-nos para pensar e agir em tempos de mudanças socioambientais 20, e prevê etapas de elaboração e execução de projetos de Educação Ambiental nas escolas para que se transformem em espaços sustentáveis. Os conceitos de sustentabilidade são considerados em seu nível amplo, incluindo como elementos fundamentais das escolas a acessibilidade, o respeito mútuo, a gestão democrática, o envolvimento comunitário e outros. Em tal documento também se valoriza a produção de conhecimento pelas comunidades locais e a adaptação dos modos de vivência aos recursos e cultura locais, tendo na escola o espaço difusor da potencialidade de desenvolvimento comunitário.

20

Há também mais uma publicação formulada para apoiar a ação das Conferências Infanto-Juvenis para o Meio Ambiente, a Formando a Com-Vida e construindo a Agenda 21 na Escola, também do MEC (Ministério da Educação), de 2012. Esta, contudo, não será avaliada profundamente visto que apenas detalha melhor os passos para se formar a Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (Com-Vida) na escola e não apresenta elementos muito distintos dos já observados na publicação avaliada.

Em 2013, o NEA organizou a Conferência Infanto-Juvenil de Meio Ambiente em sua etapa Distrital. Foram enviadas mensagens às escolas solicitando que estas elaborassem um projeto de Educação Ambiental, conforme as orientações dadas pela equipe do Núcleo e a publicação do MEC citada acima. Foram inscritos 38 projetos escolares. A pesquisadora, geógrafa de formação, foi responsável pela elaboração de um dos projetos, desenvolvido na escola em que lecionava. Este fato caracteriza a presente pesquisa como de Observação Participante. No caso de pesquisa com esse caráter há a fusão do sujeito pesquisador com o objeto da pesquisa, visto que ele é membro integrante do contexto sob sua observação, como nos contam Ghedin e Franco (2011).

Enquanto professora de geografia e admiradora da ciência geográfica justamente por seu caráter de percepção complexa da realidade, consideraram-se as propostas da Educação Ambiental destacadas no documento do MEC Vamos cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis: educando-nos para pensar e agir em tempos de mudanças socioambientais, condizentes com os pressupostos da teoria crítica da Geografia, dada a reflexão sobre a espacialidade local evidenciada em tal publicação. Ao recorrer à teoria da Educação Ambiental e ampliar o entendimento sobre as potencialidades formativas de tal prática identificaram-se, em sua linha crítica, entrelaçamentos também significativos com ambos. No documento há também ênfase sobre o caráter construtivo do conhecimento e a valorização de processos investigativos, considerando ambiente em seu nível mais amplo, vinculado aos aspectos socioculturais.

Ao participar da Conferência e dialogar com os outros professores que também haviam se envolvido naquele processo, teve-se a sensação que os aspectos considerados relevantes, que se entrelaçavam entre Educação Ambiental e Ciência Geográfica, contemplados pelo MEC, não haviam sido muito explorados, especialmente no quesito da espacialidade. Teve-se, naquela ocasião, a sensação de que os projetos consideravam Educação Ambiental em seu conceito mais restrito, assumindo um caráter mais conservacionista e focado numa visão naturalista de ambiente.

Esta ocasião suscitou o questionamento: conduzir práticas de Educação Ambiental tendo como ponto de partida a espacialidade potencializa seu caráter transformador? Como evidenciado no capítulo anterior, encontrou-se no procedimento de ensino Estudo do Meio uma organização da prática pedagógica que nos possibilitaria conduzi-la a partir da espacialidade, assumindo caráter de emancipação do pensamento e autonomia na resolução de problemas.

Temos que a noção de espacialidade, mesmo que não sob essa conceituação, é central na proposta do MEC para a realização da Conferência, assim como a formação do pensamento autônomo por intermédio do processo investigativo. Ambas representam elementos fundantes na construção crítica do pensamento e consequente transformação social, como visto teoricamente. Nesse sentido, considerou-se que a prática pedagógica organizada como um Estudo do Meio constitui estratégia para a efetivação prática dos projetos escolares sob a ideia da Conferência, fortalecendo a tendência crítica da EA.

A partir desta observação, formulou-se a problemática da presente pesquisa: os Estudos do Meio podem contribuir para que a prática da Educação Ambiental assuma seu caráter de transformação social? No entanto, mesmo havendo todo o processo orientador conduzido pela equipe do MEC envolvida, assim como pela equipe do NEA, estas características pareceram haver sido negligenciadas nos projetos apresentados na etapa distrital, o que suscitou o interesse em avaliar os projetos para verificar em que nível eles contemplavam aquelas características e, ao contemplá-las, se isso ampliaria o caráter crítico e transformador de suas propostas.

Enquanto pesquisa qualitativa, de caráter dialético, assumem-se procedimentos metodológicos diversos a fim de interpretar o contexto complexo no qual se dá nosso fenômeno de pesquisa. Recorre-se a revisão teórica, análise documental, realização de entrevistas e análise de dados. A revisão teórica, realizada no capítulo anterior, apoia o entendimento do contexto no qual a Educação Ambiental se desenvolveu, assim como os fundamentos da ciência geográfica crítica e a relação entre ambas. Ainda, apresentaram-se também os elementos fundamentais dos Estudos do Meio, a fim de verificar sua adequação para projetos de Educação Ambiental focados na espacialidade local.

A análise documental, a ser realizada no presente capítulo, se faz sobre a publicação Vamos cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis: educando-nos para pensar e agir em tempos de mudanças socioambientais globais, do MEC. Nesta, demonstram-se os elementos que a autora identificou se vincularem fortemente à categoria espaço, da geografia, e ao desenvolvimento de Estudos do Meio sob a ótica construtivista da educação.

A entrevista foi realizada com o ex-coordenador do Núcleo de Educação Ambiental (NEA), professor Henrique Torres, que esteve à frente de todo o processo desenvolvido para a realização da Conferência. Por fim, optou-se por analisar os 38

projetos inscritos na Conferência a fim de verificar se os elementos verificados teoricamente pela autora e entendidos como relevantes na condução de processos em Educação Ambiental com cunho de transformação social foram contemplados nas propostas.

De antemão, ressalta-se compreender que a observação não-participante de um projeto que tivesse sido conduzido a partir da realização de um Estudo do Meio nos forneceria elementos empíricos relevantes para a verificação de nossa hipótese. No entanto não foi identificado nenhum projeto que assumisse essa característica. O processo da pesquisa nesse sentido foi repleto de intercorrências que dificultaram identificar alguma escola que explicitamente conduzisse tal prática. Assumiu-se, então, como estratégia, a avaliação dos projetos para verificar se eles contemplavam os elementos aqui avaliados teoricamente, ou seja, aqueles que adotavam procedimentos similares a um Estudo do Meio.

5.2 Vamos cuidar do Brasil com Escolas Sustentáveis: educando-nos

Documents relatifs