CHAPITRE 5 PORTRAIT DES REPONDANTS
5.2 L E PORTRAIT DES PROJETS MENES
bibliográfica”. 2011.
Este artigo consiste numa revisão sistemática e tem como objectivo investigar os benefícios da reabilitação neuropsicológica em idosos com DCL. Os autores seleccionaram 15 artigos, publicados entre 2002 e 2009 e realizaram uma descrição pormenorizada das intervenções aplicadas aos idosos e dos resultados.
No artigo consta uma breve introdução aos conceitos de DCL e de Reabilitação Neuropsicológica, seguindo‐se a descrição da metodologia utilizada e dos resultados encontrados. Os achados foram agrupados em subcapítulos para uma melhor exposição e análise.
Os resultados mais relevantes da revisão sistemática dos 15 estudos estão apresentados no quadro 7, utilizando‐se a divisão em subcapítulos sugerida pelos autores:
Subcapítulos em análise Principais resultados encontrados Critério diagnóstico de DCL
• 13 estudos utilizam a definição de DCL de Petersen et. al (2001). • 1 estudo utiliza a definição de DCL de Flicker et. al (1991). • 1 estudo não citou referências ao definir DCL.
Perfil dos
Participantes • Nº de participantes varia entre 1 a 84. A maioria dos estudos integra pequenos grupos de participantes. • Idade dos participantes compreendida entre 62 a 78 anos. • Escolaridade dos participantes compreendida entre 8 a 15 anos.
• Leve predominância do sexo feminino entre os participantes. Desenho
Experimental • Estudos experimentais: 10 estudos controlados e 5 não controlados. • Todos os estudos realizaram avaliações neuropsicológicas antes e após as intervenções. Quadros
clínicos dos participantes
• Diferenças dos quadros clínicos estudados: DCL, Demência de Alzheimer leve e moderada, demência leve não especificada, indivíduos saudáveis.
Propostas de Intervenções Reabilitação cognitiva (utilizada em 2 dos 15 estudos abordados)
• Utilizada em 2 estudos, ambos com duração de 8 semanas, existindo uma sessão por semana num estudo e duas sessões por semana noutro.
• Objectivo: melhorar a funcionalidade da vida diária dos participantes.
• Intervenções: reabilitação cognitiva orientada por metas (planeamento de metas a atingir pelos próprios participantes); treino das estratégias apreendidas no domicílio; uso de estratégias para a aprendizagem de novas informações e associações (elaboração semântica, mnemónicas visuais simples e método de recuperação espaçada); uso de auxiliares externos de memória (agenda, calendário, funções do telemóvel, entre outros).
• 1 estudo incluiu os familiares, nos últimos 15 minutos de cada sessão. • 1 estudo forneceu material educativo sobre o tema.
Treino cognitivo (utilizado em 12 dos 15 estudos abordados)
Treino cognitivo computadorizado:
• Utilizado em 3 estudos experimentais controlados.
• Objectivo: Avaliar e comparar os resultados obtidos com o treino cognitivo computadorizado com outras intervenções, nomeadamente, terapia ocupacional, terapia comportamental e terapia medicamentosa.
• A duração dos programas variou entre 3 semanas a 2 meses, sendo o número de sessões entre 4 a 5 por semana.
Treino cognitivo e ensino de estratégias:
• Utilizado em 3 estudos experimentais, controlados e em grupo.
• 1 estudo abordou com o grupo práticas de resolução de problemas, self assertiveness, estratégias de memória, auxiliares externos de memória, exercícios motores, ensino e prática de técnicas de relaxamento e monitorização de stress, estimulação da criatividade e realização de um grupo semanal informativo de apoio para familiares ou cuidadores.
• Outro estudo abarcou técnicas de orientação para a realidade, revisão de notícias actuais, exercícios cognitivos e aplicação de estratégias cognitivas; terminando as sessões com a recordação das informações apreendidas.
• No terceiro estudo, o treino cognitivo estimulou uma única função por sessão (memória, atenção, linguagem, habilidades visuais e espaciais, cálculos e funções executivas), utilizando técnicas de orientação para a realidade, exercícios psicomotores e treino de actividade de vida diária relacionadas com a função estimulada em cada sessão.
• Um estudo realizou sessões diárias durante um mês; os outros realizaram 2 ou 3 sessões por semana, num período de 3 a 12 meses.
Treino cognitivo e ensino de estratégias com foco na memória: • Utilizado em 6 estudos experimentais com grupos controlo.
• 3 estudos forneceram material educativo e realizaram treino de memória e ensino de estratégias compensatórias.
• 1 estudo utilizou a “técnica de associação nome/face”.
• 1 estudo utilizou um treino focalizado num sistema de calendários e notas. • 1 estudo aplicou a técnica da aprendizagem sem erro.
• O número de sessões variou de uma até doze. • Apenas 1 estudo incluiu a participação da família. Psicoterapia
(utilizada em 1 dos 15 estudos abordados)
• Utilizada em apenas 1 estudo.
• Objectivo: adquirir conhecimentos e habilidades para aprender a lidar com os sintomas associados ao DCL.
Quadro 7: Apresentação dos principais achados da revisão sistemática.
• O programa abrange os indivíduos com DCL e os seus familiares/cuidadores.
• Realizadas 10 sessões de 2 horas/cada. Nos primeiros 90 minutos familiares e utentes são divididos em dois grupos distintos e discutem separadamente temas similares; nos últimos 30 minutos, os dois grupos são associados e são discutidos em conjunto os principais tópicos da sessão. Os temas abordados nas sessões são variados e estão relacionados com o quotidiano dos participantes. Em algumas sessões foram treinadas habilidades sociais com recurso a role‐playing.
Análise de resultados dos estudos
Reabilitação cognitiva
Os estudos que utilizaram esta estratégia concluíram que:
• As intervenções que têm em vista metas pessoais trazem maiores benefícios cognitivos e funcionais.
• Aspectos cognitivos ‐ melhorias na aprendizagem.
• Aspectos funcionais ‐ melhoria no desempenho de metas e no desempenho ocupacional, na aquisição e uso de estratégias para lidar com as dificuldades cognitivas, aumento da satisfação com a qualidade de vida.
Treino cognitivo • Treino cognitivo computadorizado ‐ melhorias para a memória episódica e operacional, raciocínio abstracto, praxia construtiva e aprendizagem psicomotora, melhoria do humor, redução de sintomas de ansiedade e depressão.
• Treino cognitivo e ensino de estratégias ‐ benefícios ao nível das actividades de vida, da memória episódica verbal/não verbal e memória/aprendizagem associativa e o grupo experimental apresentou manutenção ou melhora da cognição relativamente ao grupo controlo.
• Treino cognitivo e ensino de estratégias com foco na memória – benefícios para pessoas com DCL, melhoria na memória episódica e prospectiva, aumento da satisfação dos participantes com a própria memória, melhoria da percepção sobre a própria memória, aumento da independência, auto‐confiança, bem‐estar e humor. A família demonstrou maior conhecimento sobre estratégias de compensação de memória. Psicoterapia • Taxa de presença nas sessões elevada, o que pressupõe uma grande motivação dos
participantes.
• Aumento do nível de aceitação dos participantes acerca do comprometimento da memória.
• O trabalho em grupo foi fundamental para a partilha de experiências, pensamentos e emoções e para os participantes assimilarem que existem mais pessoas em situações idênticas e com estratégias adaptativas diferentes.
• Os autores verificaram um aumento significativo no nível de aceitação do DCL e na satisfação marital, por parte dos participantes, bem como um aumento da consciência sobre os problemas de memória e comportamentais.
Follow‐up • Realizado em 7 dos 15 estudos, com intervalos de tempo diferentes, variando desde 1 mês até 6 meses. • 4 destes estudos descrevem manutenção dos benefícios adquiridos com os programas; 3 estudos observam um
pequeno declínio, mas melhor que a situação anterior aos programas; 1 estudo aponta para a perda dos benefícios do programa, sugerindo a realização de sessões auxiliares para manter os ganhos.
64 A revisão sistemática levada a cabo pelos autores aponta de forma inequívoca para que a reabilitação neuropsicológica pode acarretar benefícios para indivíduos com DCL; uma vez que, por possuírem boa parte das capacidades cognitivas preservadas, estes utentes demonstram boa aprendizagem de novos conhecimentos.
Este tipo de intervenções demonstra maiores benefícios em estádios pré‐demenciais, o que aponta para a necessidade de intervenção precoce.
Nos estudos referidos verifica‐se o
“desenvolvimento de determinadas habilidades e aprendizado de novas estratégias para lidar com as dificuldades do quotidiano (…), melhora cognitiva em todas as intervenções, em especial nas seguintes esferas: memória episódica, memória operacional, praxia construtiva, raciocínio abstracto, aprendizado psicomotor e velocidade de processamento” (Simon e Ribeiro, 2011: p.113).
O treino cognitivo computadorizado demonstrou‐se uma intervenção útil, que possibilita adaptar o nível de dificuldade dos exercícios às características cognitivas de cada utente e fomenta a sociabilização e a autonomia dos participantes. Também a utilização dos auxiliares de memória demonstrou bons resultados para os indivíduos com DCL.
A revisão sistemática demonstrou que
“intervenções com foco psicoterapêutico, que lidem com aspectos emocionais e comportamentais, mostraram‐se necessárias para pessoas com DCL e seus familiares (…). Estas intervenções podem prover um apoio emocional e auxiliar em uma maior aceitação das dificuldades, trazendo melhoras no relacionamento familiar e contribuindo para uma melhor qualidade de vida” (Idem: p.114).
Os autores concluíram que os vários tipos de intervenções cognitivas, se realizadas conjuntamente, enfatizam os ganhos funcionais, o aumento da independência e, consequentemente o aumento da qualidade de vida das pessoas com DCL e suas famílias. Estes resultados apontam para a importância de incluir a família e cuidadores nas estratégias de intervenção na cognição.
Artigo 2: KURZ, A.; POHL, C.; RAMSENTHALER and SORG, C. – “Cognitive rehabilitation in patients with mild cognitive impairment”. 2009.
Este artigo apresenta os resultados de um estudo experimental controlado, cujo objectivo foi explorar os benefícios de um programa de reabilitação cognitiva multi‐variado em pacientes com DCL.
O estudo teve lugar num hospital de dia psiquiátrico universitário e contou com 40 participantes (30 com DCL e 10 com demência em estádio inicial). Dos participantes com DCL, 18 participaram efectivamente no programa e 12 ficaram numa “lista de espera” controlo.
Os participantes foram seleccionados com base nos seguintes critérios: apresentavam deterioração das capacidades cognitivas comprovada através de testes objectivos; tinham preservação das suas capacidades para executar as actividades de vida diária, mas apresentavam algum défice na realização de tarefas mais complexas e não estavam em estádios avançados de demência.
Variável Participantes com DCL na “lista de espera” controlo (n= 12)
Participantes com DCL (n=18) Participantes com demência (n=10)