A dimensão social apresenta-se, no âmbito da discussão sobre a sustentabilidade, como uma das vertentes de extrema relevância no desenvolvimento turístico.
As questões sociais inerentes à atividade turística vêm sendo amplamente discutidas na literatura sobre o turismo. Ao analisar a questão da sustentabilidade turística no contexto dos países em desenvolvimento, em face do fenômeno da globalização, Cabral (2006, p. 36) observa que, “[...] a dinâmica da globalização constitui uma questão central para a reflexão sobre a atividade turística”. O autor argumenta que
os destinos turísticos, particularmente nos países em desenvolvimento, se confrontam com o desafio de gerir o impacto do aumento do turismo internacional, dinâmica que elimina o envolvimento das comunidades locais em detrimento dos interesses das empresas multinacionais. (CABRAL, 2006, p. 36).
De fato, a característica da estrutura socioeconô mica dos países em desenvolvimento exige uma capacidade de resposta maior aos problemas atrelados ao turismo, por parte das instâncias governamentais. Acredita-se ser importante, a presença antecipada de estratégias de gestão capazes de prever os fatos contrários a este fenômeno.
Existem situações em que as implicações causadas pelo fenômeno do turismo, não são previstas, isto é, não houve um planejamento antecipado por parte dos agentes que coordenam este setor, no sentido de prever os impactos negativos que um turismo pode causar. Diante disso, torna-se difícil reverter o quadro, quando as ações implementadas nesse setor, particularmente pela iniciativa privada, já se encontram em estágio avançado. Barbosa e Zamot (2004, apud SANTOS; TEIXEIRA, 2009, p. 237) afirmam que:
a maioria das vezes o turismo é apresentado como um setor capaz de promover a aceleração econômica e o incremento das áreas social, cultural e ambiental. No entanto, a opção pelo desenvolvimento e a regulamentação por meio do turismo é mais complexa do que parece, pois, além de ser uma atividade multisetorial traz, com seu desenvolvimento, diversos impactos positivos e negativos, necessitando, assim, de políticas públicas eficazes para que se sustente ao longo do tempo.
Ainda, seguindo esta mesma linha, no contexto dos debates sobre as relações entre atividade turística e sociedade, estão os autores que discutem sobre os benefícios do turismo para a comunidade local. Entre estes, pode-se destacar o argumento de Mendonça e Irving (2004, p. 13), que afirmam:
pela necessidade de se pensar o desenvolvimento de um segmento da economia global, comprometido com as questões sociais e ambientais e, baseado em princípios éticos, o turismo deve partir da premissa que nem a conservação dos recursos naturais, nem os lucros empresariais devem desrespeitar as populações locais ou impedir o seu acesso aos benefícios gerados pelo seu desenvolvimento.
A sustentabilidade social está intrinsecamente ligada ao bem-estar da comunidade receptora. Assim, os interesses do capital privado e dos governos, não devem se sobrepor aos das comunidades locais. Acredita-se que a busca pelo consenso entre esses atores nos processos de decisão é a melhor estratégia a ser adotada. Importa, portanto, não só a geração de recursos, como também que estes venham a ser distribuídos de forma igualitária no destino como um todo.
A maior parte da literatura que aborda as dimensões de sustentabilidade, associa a dimensão social à cultural. Alguns denominam esta dimensão de sociocultural, considerando relações diretas entre os dois subconceitos. Neste sentido, ao analisar a dimensão cultural da sustentabilidade referida ao turismo, Delamaro et. al., (2007, p. 106) afirmam que:
importa o fato de as práticas turísticas trazerem em si, como uma potencialidade que lhes é inerente, a possibilidade do encontro com o outro. Não apenas o visitante é levado ao encontro de outra cultura e outro lugar, os próprios nativos são também levados a reconhecer nos atrativos turísticos elementos diversos e notáveis, que servem de base para uma identidade cultural talvez esquecida ou pouco valorizada.
Assim como a literatura sobre a sustentabilidade turística evidencia a relação próxima entre a dimensão social e a cultural, assim também alguns autores associam a dimensão
cultural à vertente histórica. Isto é, para alguns autores, a questão histórica também deve ser considerada nas análises deste âmbito. É neste contexto de discussão que alguns optaram por propor a dimensão histórico-cultural, que ainda não está consolidada. É o caso de Delamaro e outros (2007, p. 106), para os quais, o turismo pode ser um meio de afirmação da identidade local, conscientizando os nativos do valor da cultura autóctone.
A segurança constitui também um dos elementos importantes quando se analisa as relações sociais. Em 2001, o mundo foi surpreendido com o caso do ataque às Torres Gêmeas nos Estados Unidos, um dos motivos para a significativa queda na demanda internacional em 2002, como mostrado na Figura 4, apresentada no Capítulo 2. Neste estudo, a infraestrutura de segurança é entendida como uma questão abrangente, isto é, ela envolve não só as guerras entre países ou indivíduos, mas também a saúde do turista durante todo o seu percurso pelos diferentes pontos do destino e, sobretudo, o bem-estar da comunidade local.
De fato a segurança constitui um dos fatores determinantes, quando se escolhe um destino turístico. Segundo Silva (2008, p. 4):
o turismo envolve riscos de distintas naturezas, para que a atividade turística de uma determinada localidade se desenvolva, são necessárias condições básicas de infraestrutura, qualificação profissional, empreendimentos adequados, segurança e qualidade no atendimento. Neste sentido, a segurança, se constitui em uma condição primordial para quem viaja e para quem reside no entorno considerado turístico. Consideramos a segurança como um fator de grande valor para o turista na escolha de uma destinação, sendo também uma forma dos pólos turísticos atraírem uma maior demanda.
Acredita-se que é também através de investimentos na infraestrutura de segurança, considerada uma das condições básicas no setor, que se torna possível a construção de uma imagem positiva de um destino, o que favorecerá, internacionalmente, a projeção do destino.
A questão da segurança deve ser analisada não só na ótica dos turistas, mas também da população. Quando se aposta no turismo é preciso considerar a capacidade do território em sustentar a prática no longo prazo, sem comprometer os recursos disponíveis para população. Nunes (2009, p. 59) argumenta:
qualquer atividade, e o turismo não é exceção, produz impactos positivos e negativos no território onde se desenvolve. Estes impactos podem ser socioculturais, econômicos ou ambientais, ser reversíveis ou irreversíveis e verificarem-se a maior ou menor escala (temporal e espacial). Devem ser tidas em conta sempre que se planeja algo susceptível de provocar impactos consideráveis que possam comprometer o desenvolvimento e, a uma escala maior, a paz ou a segurança de um país.
A reflexão sobre as questões da segurança tanto dos turistas como da população local, constitui um dos aspectos ainda mais quando se trata de ilha s de pequenas dimensões, e ou países pobres, onde os recursos naturais são geralmente escassos.
A seguir apresenta-se a dimensão econômica do conceito de sustentabilidade turística.