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l’intégration technologique sur la sensibilité des composants

2.1 La roadmap technologique et ses conséquences

2.1.1 L’intégration technologique des composants

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Atualmente são várias as questões lançadas sobre a obra arquitetónica produzida para integrar as dinâmicas turísticas. Muitas vezes vista como alheia à restante cidade, é considerada como uma nova tipologia e metodologia de operar no projeto arquitetónico. Esta arquitetura, julgada principalmente pela sua afinidade com o turismo e o lazer, está também fortemente relaciona com as novas opções políticas. Estas últimas, tendendo cada vez mais para uma produção arquitetónica do espetáculo e do escândalo, são as que maior impacto têm para esta derivação. As escolhas políticas são, então, as principais impulsionadoras da redefinição da arquitetura segundo os novos conceitos. Optando por soluções visualmente mais fortes com a capacidade de atrair capitais, reforçam desta forma a economia da cidade e do país. Com esta análise depreendemos que a arquitetura é tida como um instigador económico, sendo instrumentalizada pelas classes dominantes de forma a tornar-se produto consumível. A arquitetura, inserida no novo contexto turístico, parece ter perdido a sua carga enquanto disciplina organizadora de espaço para uma disciplina de publicitação da cidade através do marketing assente na imagem.

Os equipamentos culturais são agora as produções de topo que refletem a modernidade de uma determinada cidade, espelhando neles próprios a aptidão turística dos lugares. Deste modo, a arquitetura do turismo e do lazer pode distinguir-se em significado da restante arquitetura civil, deixando de responder primordialmente ao propósito utilitário. O urbanismo deixou de ser feito segundo a produção de habitação, sendo transferida a sua preocupação para a exibição e exposição da capacidade turística e cultural. As cidades e as arquiteturas funcionam essencialmente como pontos que repercutem aquilo que o turista procura e não aquilo que a sociedade necessita. Parecem apresentar-se como conjuntos arquitetónicos desligados do seu contexto social, contribuindo de forma escassa para o funcionamento da cidade e da sociedade. Talvez o turismo não seja o produto do museu, mas sim o museu seja o produto do turismo, refletindo nele as suas principais motivações - a produção de capitais. Naturalmente este tenderá a enquadrar-se na cidade, conquistando ao longo do tempo o estatuto de novo sinal urbano pela sua força simbólica e iconográfica. Mas este, mais do que representar as características autóctones do lugar, revela as características globais da modernidade. Apropriando-nos da expressão de Charles Jencks, estes são os sismógrafos131 simbólicos que, criados inicialmente sem nenhuma coerência com

a envolvente urbana, espontaneamente herdam essa ligação conseguindo inserir-se na memória

131 JENCKS, Charles, The iconic building: the power of enigma, London: Frances Lincoln, 2005.

Arquitetura e espaço público do turismo e do laz

er

Discursos turísticos da cidade de P

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coletiva da sociedade. O cerne fundamental da questão passa pela compreensão da importância com que estes novos objetos arquitetónicos, enquanto elementos singulares, contribuem para a totalidade da cidade. São edifícios que intervêm no espaço público, reforçando o construído. A estratégia parece passar pela valorização visual de certos espaços urbanos, pontuando-os com arquiteturas com a capacidade de os integrar nelas próprias. São os momentos de simbiose entre o interior e o exterior, a arquitetura e o espaço urbano, a cultura e a público.

Os dois casos de estudo apresentados refletem as premissas transportadas pelo turismo para arquitetura. Embora através de estratégias diferentes, o fim atingido foi o mesmo - a valorização cultural, turística e urbana da cidade de Paris. O Grande Museu do Louvre alcançou o seu objetivo pelo reforço cultural de uma zona da cidade onde a realidade do museu já era existente. Foi essencialmente pela revalorização de um conjunto arquitetónico de grande valor simbólico que essa afirmação se fez. Inserindo um novo ícone no conjunto, criou-se um sinal da cultura e da contemporaneidade - são estes os fundamentos suficientes para atrair o turismo. O Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou por sua vez vem inserir a cultura numa área onde essa realidade nunca tinha sido experimentada. A arquitetura é, mais uma vez, a instrumento utilizado para a sua divulgação. Vem revitalizar toda esta área urbana pela inserção de novas dinâmicas artísticas e culturais, fazendo deste ponto da cidade um novo polo cultural. Embora ambos unidos pela força da imagem e pela difusão da cultura, os efeitos que provocam são distintos. Enquanto o primeiro apela para o seu interior, pelo seu shopping e pelas suas obras distintas, o segundo apela para o seu exterior, pelas relações que este resgata entre a arte, o espaço público e a cidade.

A presente dissertação procurou responder àquilo que caracteriza a arquitetura produzida especificamente como atração turística, podendo a resposta ser formulada com base nas diferentes preposições da sua criação e das suas motivações.

Ao analisar as arquiteturas resultantes das dinâmicas turísticas tornou-se imperativo compreender que as motivações políticas, mais que as novas dinâmicas turísticas, foram essenciais para alcançar o estatuto que a arquitetura do turismo e do lazer alcançaram até hoje. A compreensão da produção simbólica e visual altamente reconhecida no meio da malha urbana da cidade revelou-se, então, inevitavelmente necessária para a distinção de estatuto entre as diferentes arquiteturas.

A bibliografia tomada tornou-se fundamental para a compreensão do tema, tendo sido indispensável a transversalidade entre diferentes áreas científicas para além da arquitetura, como a sociologia e a antropologia, de forma a ser possível o entendimento tanto a nível da definição arquitetónica como dos seus impactos na sociedade onde se insere.

A questão que surge depois de formulada a presente dissertação será a seguinte: alguma vez a arquitetura do turismo conseguirá aproximar-se das características da sociedade e da cidade onde se instala sem que perca a sua capacidade maior de atratividade visual? Ou a sua arquitetura tenderá cada vez mais à distinção pela imagem, tornando-se cada vez mais estranha à sua envolvente? Acreditamos que esta questão só poderá ser respondida dependendo da evolução das dinâmicas turísticas. Dependerá se os turistas continuarão a procurar signos da moda que não

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encontram em lugares comuns, ou se começarem a procurar aquilo que é típico e tradicional de cada lugar.

Embora autores, como Françoise Choay, se tenham apresentado como acérrimos críticos do turismo nas cidades, definindo-os como o principal causador da destruição das mesmas, a cidade parece depender do turismo mais do que nunca, isto porque este se tem revelado até agora como a melhor forma de revitalização e reciclagem urbana, mantendo a imagem da cidade limpa, moderna e atrativa.