items correspondant au même objectif :
B- L’importance d’une observation fine et rigoureuse pour être dans
Antes de proceder à recolha de dados, e tendo o tópico do estudo escolhido, formula-se a pergunta de investigação adequada a um estudo fenomenológico. No caso particular desta dissertação, que estuda o ambiente hospitalar nos cuidados de Enfermagem, relembra-se que a questão central é a compreensão da complexa interdependência pessoa / ambiente para que, na prática, o enfermeiro possa melhorar a sua intervenção a este nível. Para estudar e compreender este fenómeno ainda pouco explorado, considerou-se necessário desenvolver dois estudos, o primeiro para conhecer a experiência das enfermeiras gestoras neste âmbito e a estrutura significativa atribuída ao ambiente hospitalar em relação aos cuidados de Enfermagem e o segundo para conhecer a vivência dos doentes e a estrutura significativa que atribuem ao ambiente hospitalar no quadro da prestação de cuidados de Enfermagem. Em cada estudo respetivamente serão retomadas e especificadas as questões ligadas à investigação.
Sabendo que o estudo de fenómenos consiste em descrever o universo percetual de pessoas que vivem uma experiência que interessa à prática clínica e que o investigador tem que se aproximar desta experiência para poder descrevê-la, explicá-la e comunicá-la a partir das palavras dos participantes, a escolha dos mesmos para a obtenção dos dados terá que obedecer a critérios de inclusão relacionados com a experiência que se pretende descrever e analisar (Fortin, 1999).
Os dados da investigação fenomenológica correspondem às descrições, no âmbito do senso comum, de experiências vividas por indivíduos. Habitualmente a amostra é pequena, depende da profundidade da descrição pretendida e pode variar entre alguns sujeitos, menos de 10 e uma trintena (Fortin, 1999). À pergunta “Quantos sujeitos eu preciso inquirir?” - Kvale (1996, p. 101) responde “tantos quanto forem necessários para encontrar o que se pretende conhecer”. O número de sujeitos depende do estudo que se tenciona desenvolver. O mesmo autor explica que se o número de sujeitos não for muito elevado não se podem testar hipóteses, nem inferir resultados mediante generalizações estatísticas e se o número de sujeitos não for muito reduzido
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não se consegue uma interpretação em profundidade dos dados, ainda acrescenta que se o objetivo da investigação for por exemplo, compreender o mundo pela experiência de uma pessoa específica, então nessa altura, será necessário apenas este participante (Kvale, 1996).
São escolhidos participantes que verdadeiramente vivem a experiência e que possam fornecer descrições detalhadas e concretas da mesma. Os dados podem ser obtidos através de depoimentos escritos diretos, de entrevistas ou pela combinação destes dois meios de recolha; de referir que os depoimentos costumam ser mais curtos e organizados enquanto as entrevistas apresentam-se mais dispersas quanto ao conteúdo, mas com a vantagem de serem mais espontâneas (Giorgi & Sousa, 2010).
Nos dois estudos relacionados com a presente investigação, optou-se pela entrevista.
Diferente da entrevista estruturada e dos questionários organizados e fechados em que se procuram colher dados objetivos e evitar ao máximo o enviesamento pela subjetividade, a entrevista fenomenológica, na ótica de Giorgi não é apenas a aplicação de um instrumento de colheita de dados, mas “reflete em si mesmo, uma conceção diferente de produção de conhecimento, de construção de significado sobre a ação humana” (Giorgi & Sousa, 2010, p. 80).
A entrevista qualitativa, na qual se enquadra a entrevista fenomenológica, obedece a princípios próprios e segue uma estrutura diferente em relação a outros instrumentos de recolha de dados. Giorgi apoia-se nos trabalhos de Kvale (1996) que definiu as estruturas essenciais da entrevista qualitativa para estabelecer os pressupostos da entrevista fenomenológica. Uma vez que se procurou seguir as linhas sugeridas por Giorgi & Sousa (2010) e Kvale (1996) na realização das entrevistas dos dois estudos e com o intuito de clarificar as particularidades da entrevista qualitativa, os aspetos a ter em conta e as caraterísticas que devem ser valorizadas, as mesmas são reportadas aqui: O Mundo da Vida que considera o mundo vivido do entrevistado na sua experiência quotidiana e na sua relação com o mundo; – o Sentido: atendendo que a entrevista pretende uma descrição dos temas centrais do mundo de vida dos participantes, é importante que sejam clarificados os aspetos menos nítidos e observar de forma atenta como é dito e os aspetos não-verbais, a postura corporal entre outros; – Qualitativa: os dados colhidos são qualitativos e expressos em linguagem de senso comum, o objetivo
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não é de colher dados quantitativos; – Descritiva: pretende-se obter dos participantes uma descrição aberta e detalhada da sua experiência; - Específica: procuram-se alcançar descrições de situações e ações específicas e não opiniões gerais; – Suspensão de Pré-
conceitos: o investigador precisa de suspender o conhecimento, e de se manter aberto às informações e fenómenos novos que possam surgir sem estabelecer categorias prévias ou esquemas interpretativos; – Focada: a entrevista está focada num determinado tema, mas não é estruturada, nem contem questões estandardizadas; – Ambiguidade: podem surgir contradições e ambiguidades nos dados expressos pelos participantes relativos à sua experiência e sua relação com o mundo; - Mudança: sendo um momento propício para um processo reflexivo, o entrevistado pode, durante a entrevista, expressar novos pensamentos sobre o tema em estudo e até mudar significados já estabelecidos; -
Sensibilidade: diferentes entrevistados podem expressar diferentes descrições do tema abordado, de acordo com a sua sensibilidade; - Situação Interpessoal: na entrevista estabelece-se uma interação entre os intervenientes e é também desta interação que emergem as descrições recolhidas e o conhecimento que delas deriva; - Experiência
Positiva: o momento da entrevista pode revelar-se uma experiência positiva para o entrevistado, permitindo-lhe alcançar novos conhecimentos sobre a sua vivência (Kvale, 1996, pp. 30-31).
O mesmo autor delineou as competências que o investigador na área da investigação qualitativa deveria possuir para conduzir uma entrevista e que Giorgi segue em parte no caso da entrevista fenomenológica. O entrevistador deve ser conhecedor, tem conhecimento aprofundado sobre o tema em estudo, apesar de fazer uso da redução fenomenológica; é estruturante, o entrevistador, além de introduzir o propósito da entrevista, explica o que se pretende com a investigação e deixa tempo ao entrevistado para colocar questões, mesmo se a entrevista fenomenológica é aberta; é claro, não usa conceitos científicos, mas uma linguagem de senso comum; é adequado, segue o ritmo dos participantes, demonstra recetividade a eventuais emoções que possam surgir durante a entrevista; é sensível, numa atitude empática, ouve com atenção, captando as
nuances relativas aos significados expressos nas descrições; é aberto, aos aspetos importantes ou novos que emergem da entrevista, procurando relacioná-los com o tema em estudo; ele dirige, atendendo ao tempo da entrevista, ajuda o participante a voltar a focar-se no tema, caso ele se dispersar ou afastar; ele relaciona ao longo da entrevista os diversos aspetos ditos e abordados pelo participante, procurando aprofundar as
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descrições e os seus significados (Kvale, 1996; Giorgi & Sousa, 2010). Os autores deixam ainda duas recomendações relativas à perspetiva crítica e interpretativa, determinando que se deve evitar a crítica no sentido de testar a veracidade ou de avaliar o que foi descrito, mas procurar esclarecer os aspetos expressos pelo entrevistado e que na entrevista fenomenológica, quando se pretende um aprofundamento dos significados expressos, deve-se recorrer à clarificação e não tanto à interpretação.