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L’implication de l’Etat dans la définition de la gestion de la diversité

CHAPITRE 2. L’EMERGENCE DE LA GESTION DE LA DIVERSITE EN FRANCE

2. LA MISE SUR AGENDA POLITIQUE

2.3. L’implication de l’Etat dans la définition de la gestion de la diversité

O fato do acervo ser basicamente composto de textos que apresentam os laureados e suas ações torna-se um desafio para a curadoria do museu. O grande volume de informação textual, pode, se não bem executado, transformar a visita ao museu em uma experiência entediante. Contudo, o museu tira partido de aparatos tecnológicos para tornar a experiência mais aprazível. Duas instalações se destacam: os “Campos de Nobel” e “Papel de Parede”.

Os campos de Nobel (The Nobel Fields)

Com informações sobre todos os contemplados com o Prêmio Nobel da Paz, esta instalação é vista como o coração do museu (FIG. 31). Um jardim executado com cerca de mil hastes com iluminação em fibra ótica ambientam a exibição. Aproximadamente cem pequenas telas apresentam um pequeno texto descritivo e uma imagem de cada um dos ganhadores do prêmio. De maneira conjunta, as telas de LCD (FIG. 32), as hastes e o som reagem à proximidade do visitante, e revelam um dos ganhadores do prêmio. De tempos em tempos, Capítulo 5

os elementos da sala combinam luz, som e imagens, como uma metáfora à vida independente deste lugar.

No vídeo promocional no site do museu, a empresa nova iorquina Small Design, responsável por sua criação, afirma que os Campos de Nobel são um jardim virtual que cresce a partir da atividade do visitante21. Aqui, novamente,

podemos questionar o uso do termo virtual, que neste caso é utilizado para descrever elementos que ora reagem à presença, ora explodem em uma combinação de som, imagem e luz já pré-programados no sistema.

Novamente, esta instalação utilizou, em 2005, tecnologias correntes de maneira inovadora, no sentido de criarem uma ambientação agradável para a apresentação dos premiados. Embora a interação seja meramente reativa, ela instiga o visitante a explorar uma instalação que é, basicamente, formada de apresentações dos laureados e suas filosofias. Embora a exposição seja visualmente leve para o visitante, a disposição dos elementos na instalação não facilita a busca por dados específicos caso o visitante assim deseje, isto porque não há leitura clara de qual é o contemplado que é apresentado em cada tela.

The Nobel Chamber (O cômodo Nobel)

O cômodo contém uma tela, sistema de caixas de som, suporte e um livro que mescla elementos físicos e digitais. Um projetor projeta imagens no livro e Museus Contemporâneos e o Uso das Tecnologias

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21 http://vimeo.com/4664843. Acesso em 13 Mai. 2011

FIGURA 31 – Campos de Nobel Fonte: NOBEL PEACE CENTRE [200-].

FIGURA 32 – Tela de LCD do Nobel Fields Fonte: Autora, 2011.

outro em uma tela fixada à p a r e d e , q u e a p r e s e n t a informações relacionadas ao conteúdo principal. As páginas, todas em branco, são passadas manualmente pelo visitante, e o conteúdo é projetado, sendo formado por textos, imagens e vídeos sobre a vida Alfred Bernhard Nobel (FIG. 33). O aparato que lê o movimento é preso no teto e mapeia a posição da ponta dos dedos para “clicar” e acessar as informações. A instalação combina a utilização de imagens em movimento e som com a leitura linear de um livro, apresentando a possibilidade de criação de hyperlinks e permitindo que a informação seja acessada em diferentes níveis .

Papel de Parede (Wall Paper)

Os chamados “papéis de parede eletrônicos” são constituídos por cinco conjuntos de telas que permitem o acesso a mais de 2800 artigos e 1500 imagens, assim como centenas de vídeos e animações22.

Embora toda a informação seja exibida em meio digital, a forma de acessá-la é totalmente manual, através da manipulação de alavancas (FIG. 34). Essa instalação apresenta uma maneira interessante de explorar informações concentradas em meio digital e permitir o acesso quando desejável, mas vai além do modelo “página de internet”, ao engajar o visitante fisicamente na busca. Uma única ferramenta, uma espécie de

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153 22http://nobelpeacecenter.org/english/?aid=9074346, acesso: 20.02.2011

FIGURA 33 – Visitante acessando as informações no livro da Instalação.

Fonte: Autora, 2011

FIGURA 34 – Informações de Liu Xiaobo acessadas no Papel de Parede

alavanca deslizante, permite a navegação e determina a língua na qual o material será mostrado, i.e. inglês ou norueguês. Pode-se acessar o conteúdo por diversos critérios, como por exemplo ano de premiação e ordem alfabética. Depois de selecionado o metagrupo, então pode-se selecionar um laureado, e a partir daí, diversos tópicos relacionados a cada um deles. A interação do visitante com a obra exposta é somente reativa, mas o acesso à informação é claro e criativo, relacionando de forma interessante o analógico e o digital. Em uma situação, em que a instituição tem que lidar com um acervo composto de uma quantidade imensa de informação em duas dimensões, montar uma exposição que seja interessante e não cansativa visualmente é tarefa difícil e se relaciona principalmente com a estratégia curatorial.

Museu Topografia do Terror (Berlim, Alemanha): caso comparativo

O museu Topografia do Terror (Topographie des Terrors) em Berlim, por exemplo, seguiu uma linha curatorial diferente, expondo grande parte do seu material impresso em grandes painéis em a l e m ã o e I n g l ê s . A n t e s d a construção do seu edifício sede, a exposição se encontrava nos escombros de diversas centrais nazistas, como a SS e a GESTAPO (FIG. 35). A exposição se encontra na sede desde a sua inauguração, em outubro de 2010 (FIG. 36). Grande parte da informação é apresentada impressa no centro de documentação. Outras formas de mídia como os vídeos da época são Museus Contemporâneos e o Uso das Tecnologias

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FIGURA 35 – Exposição Topografia do Terror antes da construção da sede

Fonte: TOPOGRAPHIE DES TERRORS [n.d.]

FIGURA 36 – Edifício sede do Centro de Documentação Topographie des Terrors

exibidos em totens que também p e r m i t e m q u e o s o m s e j a individualizado por fones de ouvido.

No caso do Topografia do Terror, o conteúdo impresso associado à arquitetura agradável garantem uma ambiência visualmente interessante mas, muitas vezes, as imagens ficaram muito pixeladas, pela baixa qualidade do arquivo original. O texto, por sua vez, é longo por ser apresentado em inglês e alemão.

A leitura geral do museu é explorada por totens laranjas que apresentam os grandes temas (FIG 37). Mas como todos os textos são apresentados em sua totalidade, é difícil para o visitante decidir em que se concentrar. Para aprofundar em determinado assunto, o visitante deve percorrer grande parte do percurso e ler um volume considerável de textos para localizar o que deseja. A visita dessa forma, torna-se mais longa e exaustiva.

Ao comparar a estratégia do Centro Nobel da Paz e a do Topografia do Terror, concluo que, em termos de conteúdo, ambas as instituições tem que lidar com a quantidade excessiva de informação visual que demandam a concentração do visitante. O conteúdo exposto em ambos poderia, desta forma, ser disponibilizado em outras mídias sem grande prejuízo de informação (como o seria, se estivéssemos falando de museus de arte, por exemplo).

Existe, inclusive, no caso do Topografia do Terror, um livro à venda que contém grande parte da informação impressa no centro. Neste caso, o diferencial da visita está no lugar em que o Centro de Documentação foi implantado, porque este contém uma carga histórica grande e foi contemplado com uma arquitetura agradável e bonita. No centro Nobel da Paz, por outro lado, a experiência do acesso e contato com a informação é muito mais intensa. A Capítulo 5

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FIGURA 37 –Totens laranjas garantem a leitura geral no Topographie des Terrors

maneira como foi disposta convida o participante a engajar seu corpo no processo de investigação.

O Centro Nobel da Paz, que lida com conteúdos de caráter global, poderia estar localizado em qualquer lugar. O Topografia do Terror, por outro lado, possui fortes laços históricos com o sítio. A maneira como a informação foi tratada nestas duas instituições inverte esta mesma relação da informação com o lugar, enfraquecendo-a no caso do Topografia do Terror, e fortalecendo-a no Centro Nobel da Paz.