Durante a revisão da literatura para o presente estudo, constatou-se a não existência de questionários específicos em português para coletar dados sobre a integração de CALL. Sendo assim, como ponto de partida para o desenvolvimento de um instrumento para o contexto brasileiro, decidiu-se usar os questionários já utilizados anteriormente em estudos aplicados em outros países que não o Brasil. Optou-se, então, pela tradução, não dos questionários na íntegra, mas de alguns itens e/ou escalas. Essas escolhas já foram detalhadas na seção 3.1.1.
O uso de questionários ou itens previamente usados em estudos validados ou reconhecidos pela área acadêmica é, em geral, preferível ao desenvolvimento de novos itens. Em parte porque o uso real desses itens pode ser visto como um pré- teste e porque a replicação fornece oportunidade para a comparação das descobertas. Só é possível ter uma interpretação internacional e uma análise dos resultados em comum se os dados coletados forem semelhantes. Os novos dados coletados contribuem assim para a validação e reputação do instrumento. (HARKNESS; SCHOUA-GLUSBERG, 1998).
Brislin (1986) também vê vantagens no uso de questionários existentes, mas alerta que também existem desvantagens: o risco de perder aspectos de um fenômeno como vistos por pessoas de outras culturas; a imposição de conclusões baseadas em conceitos que existem na cultura de origem, mas não na da língua alvo ou são em parte incorretos; a não criação de instrumentos novos que poderiam chegar a novas descobertas; entre outras.
O autor recomenda, então, que para evitar esses problemas, sejam feitas modificações e adições de itens que devem explorar aspectos adicionais de um fenômeno além dos indicados no teste original.
A tradução de textos, de maneira geral, tem como objetivos transmitir as informações baseadas em fatos ou os propósitos emocionais ou a intenção comunicativa do texto de origem. São esses objetivos que determinam o produto. Em levantamentos os objetivos concretos da tradução são raramente articulados (HARKNESS; SCHOUA-GLUSBERG, 1998). O que se tem são traduções
geralmente feitas seguindo o modelo Ask the Same Question84 (ASQ). Ou seja, a tradução deve fazer as mesmas perguntas e oferecer as mesmas opções de respostas que o texto de origem (HARKNESS, 2003). Correta ou incorretamente, a expectativa é que isso ocorra por meio de uma versão quase igual ao questionário de origem.
A tradução de questionários de pesquisa tem, portanto, suas especificidades próprias, problemas e dificuldades que devem ser relevados na preparação de um instrumento. Contudo, essa questão tem sido frequentemente marginalizada e tratada como um adendo quando no seu desenvolvimento (DÖRNYEI; CSIZÉR, 2012; HARKNESS, 2003). Muitos livros sobre metodologia de pesquisa nem ao menos mencionam tal assunto. Isso apesar da tradução ser uma prática cada vez mais comum em diversas áreas.
Harkness (2003) afirma que questões sobre tradução são os problemas mais frequentemente mencionados em pesquisas. A autora explica também que uma ampla literatura sobre diversos aspectos da tradução de questionários se encontra espalhada por diversas disciplinas, principalmente em pesquisas sobre saúde, qualidade de vida e campos correlatos, educação e avaliação cognitiva e psicológica. O problema é que todo esse material é bastante heterogêneo e diretrizes para a tradução de instrumentos de coleta de dados ainda são limitadas.
Alguns autores na área do ensino de línguas também demonstram preocupação com esse tema (DÖRNYEI; CSIZÉR, 2012; GRIFFEE, 2001), mas ironicamente essa não parece ser uma preocupação importante e geral das pesquisas na área de línguas e mais especificamente das pesquisas sobre CALL.
O principal desafio ao se traduzir um questionário está em conciliar dois critérios a princípio contraditórios: (1) a necessidade de produzir uma tradução próxima do texto original para que se possa afirmar que as duas versões são equivalentes e (2) a necessidade de produzir um texto que pareça natural na língua alvo. Em geral, para a maioria das partes de um questionário, é possível encontrar soluções simples para esse desafio, mas para algumas partes uma tradução literal ou próxima não irá expressar bem o significado real e a função pragmática do texto (DÖRNYEI; CSIZÉR, 2012).
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Além disso, a tradução de um questionário envolve outras questões complexas: seu caráter duplo (é um texto e também um instrumento de medida); a brevidade das questões e as mudanças rápidas entre tópicos (ou seja, as seções anteriores raramente podem ser usadas para interpretar as seções seguintes); os objetivos são raramente articulados; a necessidade de informações e das especificações das tarefas (por parte dos tradutores); entre outras (HARKNESS; SCHOUA-GLUSBERG, 1998).
Sendo relativamente fácil ou não de ser traduzido, um questionário de pesquisa envolve decisões e escolhas, e envolve também tanto diferenças quanto equivalências (HARKNESS; SCHOUA-GLUSBERG, 1998). É importante destacar que a tarefa de traduzir um instrumento de coleta de dados deve ser vista como um processo que engloba a participação e a cooperação de diversas pessoas com habilidades e experiências profissionais complementares e é constituído também de uma série de etapas (PAN; LA PUENTE, 2005). Ou seja, não basta um planejamento cuidadoso para a construção do questionário e depois no momento da tradução se contentar com uma tradução simples e direta, deixando de lado questões importantes como a preservação das ideias, do significado, da forma, entre tantas outras.
Harkness (2003) afirma que a pesquisa sobre tradução de questionários está estabelecendo diretrizes sólidas para o campo, mas, medidas importantes ainda precisam ser tomadas, medidas tanto práticas quanto conceituais. Muito ainda precisa ser investido nos processos de tradução e avaliação dos questionários. Essa busca por diretrizes, entretanto, tem se tornado uma necessidade cada vez maior.
O Census Bureau é a agência governamental americana encarregada pelo censo nos Estados Unidos e também pela coleta de outros dados econômicos e demográficos desse país (CENSUS BUREAU, 2012). Ou seja, é a principal fonte de dados sobre o povo e a economia americanos. Com o aumento do número de pessoas que moram nos Estados Unidos e que não falam o inglês, se tornou essencial desenvolver e testar a tradução de instrumentos de coleta de dados (PAN; LA PUENTE, 2005). Por essa razão o Census Bureau precisou desenvolver diretrizes para a tradução de seus questionários de pesquisa que garantam que tais documentos sejam confiáveis, completos, precisos e culturalmente apropriados. Além de atender esses critérios, os autores anteriormente citados explicam que
diretrizes foram também desenvolvidas para assegurar que os instrumentos tenham equivalência semântica, conceitual e normativa.
Pan e La Fuente (2005) explicam que o resultado dessa necessidade do Census Bureau é um guia fundamentado em uma extensa pesquisa sobre traduções de questionários. A revisão se baseou nos estudos disponíveis sobre métodos de tradução, na literatura mais limitada sobre tradução de levantamentos e também nas orientações sobre tradução de levantamentos fornecidas por agências oficiais de estatística, americanas e de outros países. A principal descoberta é que poucas orientações são fornecidas sobre os passos necessários para a tradução de um instrumento de pesquisa. A exceção são alguns poucos pesquisadores que conduzem estudos transculturais.
A pesquisa transcultural é a área de pesquisa que mais desenvolve diretrizes para traduções válidas de questionários. Além disso, aborda várias estratégias para a elaboração de questionários em diversos idiomas. Segundo Brislin (1976), a pesquisa transcultural é aquela que desenvolve estudos empíricos entre membros de diversos grupos culturais que tiveram experiências diversas que levam a diferenças de comportamento previsíveis e significantes. O autor complementa que na maioria dos estudos os grupos investigados falam línguas diferentes.
A metodologia usada nessa área não difere daquela usada, por exemplo, nas pesquisas sociais. A diferença é que atingir os objetivos em pesquisas transculturais é dificultado em função das diferentes línguas com as quais os pesquisadores precisam trabalhar. A adoção sem modificação de instrumentos de pesquisa escritos em uma língua e aplicados em outra realidade leva a resultados que podem ser falsos ou imprecisos (BRISLIN, 1976). A tradução, então, tem um papel crucial que não pode ser ignorado. A experiência da pesquisa transcultural com a tradução de instrumentos de pesquisa serve para embasar o trabalho em outras áreas e evitar assim resultados não confiáveis dos questionários.
De acordo com a revisão feita pelo Census Bureau, os enfoques e métodos a serem utilizados para a tradução de um instrumento de coleta de dados dependem na maioria das vezes dos objetivos da pesquisa e dos recursos disponíveis (PAN; LA PUENTE, 2005). Isso leva a uma combinação de métodos. Há dois enfoques principais a serem seguidos inicialmente: a adoção ou a adaptação do instrumento para a língua alvo.
A adoção é um enfoque simples, rápido e relativamente barato, mas sua utilidade e valor soam questionáveis. Estudos mostram que uma tradução direta de um questionário não significa necessariamente que o instrumento traduzido mede adequadamente os construtos do questionário de origem. Por isso esse não é um enfoque recomendável (PAN; LA PUENTE, 2005). Entretanto, de acordo com Griffee (2001), essa é a conduta na maioria dos estudos que fazem uso de questionários no ensino de línguas.
A adaptação usa o questionário de origem como base, mas permite que os componentes sejam modificados. Ela reconhece e explica as diferenças semânticas, conceituais e outras diferenças que existem entre as línguas. Isso ajuda a assegurar que as perguntas meçam o mesmo construto ou um similar (equivalência de construto) e evita o viés de conceito. Nesse caso, a literatura mostra que os questionários adaptados são mais propensos a fornecer informações confiáveis, completas, acuradas e culturalmente apropriadas do que os instrumentos desenvolvidos usando outras técnicas. (PAN; LA PUENTE, 2005). O que também está de acordo com as recomendações de Brislin (1986) quando do uso de questionários já existentes.
Depois da decisão inicial pela adoção ou adaptação do questionário vem a etapa mais importante, que é a condução da tradução propriamente dita.
Vários autores concordam que essa etapa é mais bem empreendida se for feita envolvendo um grupo de pessoas. Isso ajuda na tomada de decisões subjetivas sobre qual versão é a melhor, por e xemplo (HARKNESS, 2003; HARKNESS; SCHOUA-GLUSBERG, 1998; PAN; LA PUENTE, 2005).
De acordo com Harkness (2003), três grupos diferentes de pessoas são necessários para produzir a tradução final de um questionário: os tradutores, os revisores e os juízes.
Os tradutores devem ser profissionais qualificados que receberam treinamento sobre a tradução de questionários (HARKNESS, 2003) ou aqueles que não passaram por um treinamento formal em tradução, mas que tem a experiência, a habilidade e o conhecimento indispensáveis para a conduta de tradução de levantamentos e que são necessários para produzir um instrumento de coleta de dados profissionalmente traduzido (PAN; LA PUENTE, 2005).
Os revisores precisam ter habilidades linguísticas tão boas quanto os tradutores, mas também precisam conhecer os princípios de construção de
questionários assim com o design e o tópico do estudo (HARKNESS, 2003; PAN; LA PUENTE, 2005).
Os juízes são os responsáveis pelas decisões finais sobre as opções de tradução a serem adotadas e devem trabalhar em cooperação com os outros membros. Devem ser fluentes tanto na língua de origem quanto na língua alvo. Dependendo do estudo, o corpo de juízes pode ser constituído de apenas uma pessoa, por exemplo, o principal pesquisador, que fica com a responsabilidade final da versão (HARKNESS, 2003; PAN; LA PUENTE, 2005).
As duas formas principais de trabalho em grupo usadas na tradução de questionários são o enfoque do comitê e o enfoque do time de especialistas (HARKNESS, 2003):
Enfoque do comitê – com exceção das traduções iniciais boa parte do trabalho é feita em grupo.
Enfoque do time de especialistas – o trabalho é feito mais individualmente ou em duplas.
Uma alternativa para o enfoque em grupos é ter um tradutor para produzir uma tradução que depois é avaliada de diversas maneiras. Harkness (2003), no entanto, alerta que apesar do uso de um único tradutor ser mais barato, simples e rápido, depender de apenas uma pessoa é problemático. Principalmente se não for feita uma avaliação em grupo da tradução posteriormente. Sozinho o tradutor não tem oportunidade de discutir e desenvolver alternativas e lidar com variações regionais, interpretações idiossincrásicas, etc.
O número de pessoas que devem fazer parte do trabalho em grupo da tradução depende de uma série de fatores chave que são únicos e específicos de cada caso. Esses fatores incluem: os fundos disponíveis, o alcance do trabalho, o tempo para a sua realização. Pan e La Puente (2005) recomendam que no mínimo participem dois tradutores para a condução da tradução propriamente e da revisão, um especialista no assunto, uma pessoa com conhecimento sobre o design de questionários e sobre pré-testes e um juiz.
Existem várias técnicas de tradução mencionadas na literatura da área: tradução direta simples, tradução direta modificada, descentralização, entre outras. Não se entrará em detalhes sobre o que são e como são desenvolvidas essas técnicas já que esse não é o foco deste estudo. Convém, no entanto, mencionar a
back-translation (às vezes traduzida como retro tradução, mas normalmente usada em inglês).
A back-translation é um procedimento bastante usado na pesquisa transcultural (BRISLIN, 1976). Envolve basicamente três passos: (1) um profissional bilíngue faz a tradução do questionário para a língua alvo, (2) outro profissional bilíngue o traduz às cegas de volta para a língua de origem, (3) o questionário de origem é comparado com essa segunda tradução para a língua de origem. Se surgirem muitas diferenças nessa comparação então modificações devem ser feitas para eliminar as diferenças. O processo é repetido até que se chegue a um instrumento bem próximo do original (PAN; LA PUENTE, 2005).
A principal vantagem dessa técnica é que ela dá aos pesquisadores algum controle sobre o estágio de desenvolvimento do questionário uma vez que eles podem examinar o original e as versões retro traduzidas e assim fazer inferências sobre a qualidade da tradução (BRISLIN, 1976). Ela foi criada para resolver uma situação difícil nas pesquisas transculturais onde é bastante comum os pesquisadores não conhecerem a língua alvo (HARKNESS, 2003). Com a back- translation eles podem fazer alguns julgamentos sobre a qualidade da tradução (BRISLIN, 1976; 1986).
Essa técnica tem limitações: bons tradutores automaticamente podem compensar textos mal traduzidos e assim mascarar os problemas (BRISLIN, 1976); as línguas não são isomorfas, portanto não se pode esperar exatidão nas duas versões obtidas (HARKNESS, 2003), entre outras.
A back-translation é muitas vezes erradamente confundida com um enfoque de tradução. Ela é na verdade um procedimento de avaliação da qualidade de uma tradução. E, é possível que alguns problemas de tradução surjam por meio da back- translation. Por outro lado, é importante observar que, como a back-translation é um termo bastante conhecido, ela é às vezes usada para descrever procedimentos de avaliação que incluem uma etapa de back-translation, mas esses procedimentos são, na verdade, consideravelmente mais detalhados do que apenas o procedimento de traduzir, retraduzir e comparar versões na língua de origem (HARKNESS, 2003). Ou seja, ao se avaliar a qualidade da tradução de um questionário pode se usar a back-translation, mas não apenas esse procedimento.
Não existem guias ou orientações sobre como conduzir o processo de tradução de questionários na área de CALL, portanto, convém que se verifique as diretrizes sugeridas em outras áreas.
Harkness (2003) sugere cinco procedimentos básicos para produzir a versão final da tradução de um questionário. Ela chama esse processo de TRAPD (Figura 11):
T = Translation, R = Review, A = Adjudication, P = Pretesting e D = Documentation85.
Figura 11 – Cinco procedimentos básicos para produzir a tradução final de questionários:
TRAPD.
Fonte: Harkness (2003, p. 38).
A autora explica que todos ou alguns desses procedimentos podem precisar ser repetidos em diferentes estágios. Por exemplo, depois do pré-teste pode ser necessário fazer revisões, o que leva a uma nova testagem. Mesmo quando o trabalho é feito em grupo é recomendado seguir esses procedimentos.
Para o Census Bureau, o processo de tradução também deve ter cinco passos: Prepare, Translate, Pretest, Revise e Document86. Cada um desses passos está detalhado no relatório escrito por Pan e La Fuente (2005). O guia para tradução de questionários produzido pelo Census Bureau também enfatiza as seguintes recomendações: a tradução deve ser conduzida por um grupo de pessoas (tradutores, revisores, juízes, além de especialistas no assunto e pessoas com conhecimentos sobre questionários e pré-teste de instrumentos); traduções diretas
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Tradução, Revisão, Adjudicação, julgamento (decidir por uma versão, neste caso), Pré-testagem Documentação.
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ou individuais e a técnica da back-translation não devem ser usadas; e o instrumento não deve ser aplicado se não tiver sido feito o pré-teste.
A questão da documentação é enfatizada tanto por Harkness (2003) quanto pelo guia do Census Bureau (PAN; LA FUENTE, 2005). Este reforça que, apesar da documentação ser o último passo do processo de tradução, é necessário que isso ocorra em todas as outras partes também. Harkness (2003) também destaca a importância de documentar a tradução e as revisões. A consulta desses documentos pelos revisores e juízes ajuda na tomada de decisões. A autora sugere também que todas as versões recebam números, o que facilita o processo de análise e assegura que todas as diferenças sejam levadas em conta. Contudo, a documentação do processo de tradução não é uma prática corrente nas pesquisas.
As diretrizes sugeridas por Harkness (2003) e pelo Census Bureau (PAN; LA FUENTE, 2005) são similares. Apesar das etapas não serem as mesmas o que se tem na essência é a importância de se considerar a tradução de um instrumento de coleta de dados um processo que deve ser conduzido por um grupo de pessoas que deve se comunicar durante todo o processo e documentar tudo tendo sempre por pano de fundo o objetivo do instrumento. Dessa maneira, o produto resultante desse processo é um questionário confiável, preciso e apropriado.
O processo de tradução do presente questionário procurou seguir as recomendações feitas pelos autores (BRISLIN, 1976, 1986; DÖRNYEI; CSIZÉR, 2012; GRIFFEE, 2001; HARKNESS, 2003; HARKNESS; SCHOUA-GLUSBERG, 1998; PAN; LA FUENTE, 2005). Foi feita uma adaptação das sugestões mencionadas nesta seção, uma vez que não existem diretrizes específicas para a tradução de questionários para pesquisas na área de CALL. Levou-se em conta o objetivo do questionário, o tempo e os recursos disponíveis.
Seguiu-se o enfoque da adaptação e o enfoque do comitê. As pessoas envolvidas estão detalhadas na Figura 12. A técnica da back-translation foi usada como reforço para a avaliação do questionário, mas não foi a única estratégia de avaliação usada. Os detalhes sobre a validação do instrumento estão na seção 3.1.3. Todas as versões, alterações e ajustes feitos durante o processo de tradução foram documentados.
O primeiro passo do desenvolvimento do processo de tradução do presente questionário começou com a escolha inicial dos itens. Depois foi feita uma seleção dos itens que seriam usados na íntegra e dos que, em virtude das diferenças
culturais e de contexto, serviriam para embasar a criação de novos itens. Só foram encaminhados para tradução os itens da língua de origem que foram usados na íntegra (ver seção 3.1.1).
A primeira tradução foi feita pela autora, profissional da área de língua inglesa. O trabalho também foi encaminhado para dois outros tradutores e também da área de ensino de inglês. Após a finalização das três traduções chegou-se a três documentos diferentes. Apesar das diferenças terem sido pequenas obteve-se resultados diversos.
Esses resultados foram então encaminhados a um grupo de estudos sobre o trabalho docente composto de diversos profissionais da área da educação, a sua maioria do ensino de línguas87. Depois de diversas discussões chegou-se a uma versão (versão 1) que foi mais uma vez revisada e avaliada e resultou na versão 2. Essa nova versão (versão 2) foi então encaminhada para outro tradutor, que não os dois anteriores, para que fosse feita a back-translation.
A versão na língua de origem do questionário e a back-translation foram comparadas e não houve necessidade de grandes modificações, apenas alguns ajustes. Chegou-se assim a versão 3 que foi encaminhada para o painel de especialistas para validação de aparência e de conteúdo (próxima seção). A Figura 12 mostra os passos seguidos durante o processo de tradução.
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GETRAD – Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Trabalho Docente. O grupo, certificado pelo CNPq, foi criado em 2009. Ele está inserido na linha de Pesquisa Mediações e Culturas do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR. Esse grupo tem como objetivo realizar estudos e pesquisas interdisciplinares sobre o desenvolvimento profissional dos docentes em diferentes níveis e modalidades de ensino.
Figura 12 – Processo de tradução do questionário e as pessoas envolvidas. Fonte: Autoria própria (2012).
O detalhamento do processo de tradução feito aqui nesta seção se deu pelo fato de se perceber a carência de estudos que considerem esse processo como uma