• Aucun résultat trouvé

L ’ EXISTENCE DU CRITÈRE DE RATTACHEMENT IMPORTANT DU

Dans le document COUR SUPRÊME DU CANADA (Page 8-32)

PARTIE III – ARGUMENTATION

C. L ’ EXISTENCE DU CRITÈRE DE RATTACHEMENT IMPORTANT DU

Há uma evidência substancial em várias espécies de que os níveis de actividade declinam com a idade (Kirkwood e Finch, 2002b; Siwak et al., 2003). Nos seres humanos, as medidas indirectas sugerem este declínio (Black et al., 1996), sendo porém um dogma comum dos seres humanos com idades avançadas.

Envelhecer também afecta o estilo de vida. Wilmore e Costill (2001), consideram que a participação voluntária em actividades físicas realizadas regularmente é um padrão comportamental incomum e que não é observada na maioria dos indivíduos mais velhos. Afirmam também que os seres humanos tendem a diminuir a sua AF à medida que envelhecem, o que faz prevalecer o sedentarismo nos idosos e que Spirduso (1995, 2005), considera

ser mais o resultado de imposições culturais e sociais do que uma capacidade funcional da sua sustentação. Esta diminuição e os seus baixos níveis estão associados a um pobre desempenho funcional concorrendo com o risco aumentado na dependência na sua vida diária (Paw et al., 2003; Voorrips et al., 1993; Bath e Morgan, 1998). É devido a este facto que Westerterp e Meijer (2001), consideram que as mudanças associadas à idade estão bem documentadas ao nível da AF. Esta é definida pela totalidade das acções de todos os dias, incluindo as rotinas de trabalho, as actividades da vida quotidiana, o lazer, os exercícios físicos e as práticas desportivas; sendo os seus efeitos mais optimizados quando a prática desta é introduzida mais cedo no ciclo da vida do que tardiamente, na velhice (WHO, 1996). Shephard, (2002), considera-a um termo detalhado que abrange uma variedade de actividades tais como, o exercício de vários tipos, assim como jardinagem e actividades domésticas. Barata (2003), por sua, vez também a traduz por um conceito bastante abrangente, pois considera tudo aquilo que implique movimento, força ou manutenção da postura corporal contra a gravidade e implique consumo de energia. Tem um espectro muito vasto, quer em relação ao tipo, quer em relação à intensidade. A AF é classificada em dois grandes grupos, (1) Actividade física espontânea ou informal e (2) Actividade física organizada ou estruturada, com complementaridade entre si. A primeira é considerada a que está integrada nos hábitos da vida diária (tais como deslocações a pé, subir escadas, entre outras) e a segunda obedece a um esquema prévio, tem objectivos, regras de intensidade e de progressão (Barata, 2003).

O envelhecimento leva ao decréscimo dos níveis de habilidade funcional e como consequência, a um decréscimo das capacidades físicas inerentes à aptidão física, a qual Casperson (1985) define como o conjunto de atributos que um indivíduo apresenta ou adquire, relacionados com a capacidade de realizar AF, não sendo apenas determinada inteiramente por esta última, pois depende de outros factores (ambientais, sociais, genéticos, idade, género, raça e classe social).

Segundo Silva (2002), a aptidão física é um conceito multifactorial referindo-se a esta numa perspectiva de performance desportivo-motora e de ligação à saúde e bem-estar, partilhando de características comuns: (1) aptidão física associada ao rendimento motor (“capacidade funcional”, “tarefa física”, “execução de tarefas diárias”, “desempenho de actividades físicas”, “trabalho muscular satisfatório”); (2) aptidão associada à saúde (“actividades diárias com vigor”, “ausência de fadiga”, “satisfação das necessidades de tempo livre e de lazer”, “função orgânica óptima”, “combate às doenças hipocinéticas”, “desenvolvimento da capacidade intelectual”).

A aptidão física é composta por várias componentes. Entre estas destacam-se; a agilidade, coordenação, equilíbrio, força muscular, resistência, flexibilidade, composição corporal, velocidade e ritmo (Petroski, 1999; Dantas, 1998). Em 1991, Weinek define as principais formas de exigências motoras ao nível da aptidão física de, capacidades condicionais (resistência, força e velocidade) e capacidades coordenativas (ritmo, diferenciação espacial, relação espaço-temporal, equilíbrio). As capacidades condicionais, baseiam-se em torno de que as qualidades que determinam a condição física derivam sobretudo dos processos energéticos, enquanto que as coordenativas derivam de processos de regulação e controle que têm a sua sede no Sistema Nervoso Central (SNC). Em geral, as capacidades condicionais representam a base material para as coordenativas (Valdivielso, 1998). Camiña (2004), define-as também de, habilidades físicas (condicionantes e coordenativas), em que inclui as capacidades de força, de resistência, de flexibilidade, de equilíbrio, de coordenação e de velocidade; conferindo-as de valor integrante na funcionalidade. Contudo, considera a velocidade como a habilidade menos relevante na funcionalidade do idoso.

A presença de alterações antropométricas, neuromusculares e metabólicas, com implicações na condição física são verificadas com o envelhecimento, o que leva os investigadores a assumirem este processo como multidimensional. Carvalho e Mota (2002) consideram o envelhecimento ao nível físico e fisiológico e psicológico e social. No domínio físico e fisiológico referem as alterações físicas gerais e das capacidades físicas, estando nestas

últimas incluída a capacidade aeróbia, força muscular, equilíbrio, coordenação e flexibilidade.

Tanto os homens como as mulheres perdem altura, porém as mulheres perdem mais e mais rápido. Contudo, parece ocorrer mais precocemente nos homens (aproximadamente aos 40 e 43 anos nos homens e nas mulheres, respectivamente). No idoso, 1/3 desta diminuição resulta de modificações próprias do esqueleto em consequência da idade (fragilidade muscular, alterações posturais, cifose, escoliose, osteoporose, deterioração e compressão dos discos intervertebrais) (Fragoso e Vieira, 1999).

Tal como a estatura, também o peso diminui com a idade (Fragoso e Vieira, 1999), o que é confirmado nos homens idosos (Roubenoff e Hughes, 2000), mas de forma não consistente nas mulheres idosas (Suominen, 1997). Contudo, até aos 60/65 anos é verificado um aumento de peso (Fragoso e Vieira, 1999; Guo et al., 1999).

Porque o envelhecimento está associado com as exigências de energia diminuídas e aumentadas de proteínas, acresce o potencial para mudanças da composição corporal e consequências adversas que ocorrem com o tempo. Além da diminuição do consumo de energia em actividades físicas (tarefas incluindo recreativas, relacionadas com trabalho e domésticas), assim como mudanças nos tipos e nas intensidades da AF estruturada, podem exacerbar as mudanças da composição corporal associadas com o envelhecimento biológico e os factores nutritivos (Singh, 2002).

Os padrões típicos de mudança na composição corporal ocorrem; a nível (1) ósseo (diminuição do cálcio corporal total, diminuição da densidade mineral óssea, aumento da fragilidade óssea), (2) muscular (diminuição do potássio corporal total, diminuição da água corporal total, diminuição da massa muscular e percentagem da massa corporal, diminuição da qualidade muscular, aumento de volume de tecido conjuntivo, diminuição do azoto corporal total e conteúdo proteico) e (3) tecido adiposo (aumento da gordura corporal total e percentagem de massa corporal, aumento da acumulação de gordura central e visceral) (Singh, 2002).

Estas profundas alterações na composição corporal, em que a principal componente é a diminuição da massa muscular (Evans e Cyr-Campbell, 1997; Hughes et al., 2002; Vandervoort, 2002) e a perda da força, que ocorre mesmo em idosos saudáveis (Doherty, 2003), relaciona-se com um significante declínio da função neuromuscular e da performance, como tem sido largamente referido (Doherty, 2003; Vandervoort, 2002).

Para descrever as alterações que ocorrem com o músculo esquelético associadas à idade, nomeadamente, nos efeitos centrais e periféricos ao nível da enervação do sistema nervoso, no estado hormonal, nos efeitos inflamatórios e alterações calóricas e proteicas adquiridas, surgiu o conceito sarcopenia associado ao envelhecimento biológico. Estes múltiplos factores que contribuem para esta, caracterizam a fraqueza e atrofia do músculo- esquelético, ambas consideradas factores determinantes para a perda funcional, mobilidade e independência, presentes em muitos adultos idosos (Roubenoff, 2001). Rosenberg (1989), foi o pilar no termo sarcopenia, que advém do Grego, e que significa em termos literários “pobreza da carne”, que corresponde à perda de massa muscular esquelética associada à idade. A prevalência da sarcopenia nas populações é tão elevada quanto 30% para os indivíduos com idades V60 anos e, tende a aumentar nos muito velhos (Doherty, 2003).

Há uma perda gradual do volume de massa muscular com o avanço da idade: cerca de 10% deste volume perde-se até aos 50 anos e a partir destes estima-se uma aceleração significativa. Passa a acontecer a uma taxa de 12 a 14% por década e após os 80 anos esta perda acontece a uma taxa muito superior (30% por década), ocorrendo a perda de força na mesma ordem de grandeza (ACSM, 1998;Mazzeo e Tanaka, 2001). Durante a sétima e a oitava década de vida, a força máxima voluntária diminui uma média de 20 a 40%, tanto no homem como na mulher. Também a diminuição da força associada à idade por unidade de massa muscular, ou, qualidade muscular, pode desempenhar um papel determinante (Doherty, 2003).

Finalmente, a inactividade é um factor significativo da sarcopenia associada à idade, sendo considerado o desuso do sistema musculo-

esquelético, que resulta na atrofia, o primeiro factor que está na sua origem (ACSM, 2000). Está bem estabelecido que homens e mulheres mais velhos que sejam fisicamente menos activos têm menos massa muscular esquelética e maior prevalência de incapacidade funcional (Evans e Cyr-Campbell, 1997; Porter et al., 1995; Roubenoff e Hughes, 2000; Hughes et al., 2002; Vandervoort, 2002; Kamel, 2003).

Sumariando, e tal como descrito na literatura, a existência de numerosas potenciais etiologias para a perda consistentemente observada da massa muscular com o envelhecimento, os mediadores prováveis desta sarcopenia incluem: (1) perda ou disfunção neuronal, (2) perda de estímulo anabólico (estrogéneos, testosterona, hormona de crescimento), (3) doença catabólica (congestiva do coração, artrite reumatóide, doença pulmonar crónica obstrutiva), (4) medicação (corticosteroides), (5) subnutrição (proteína, energia, vitamina D), e (6) atrofia por desuso (Hughes et al., 2002; Kamel, 2003).

As consequências inerentes a esta condição, segundo ACSM (2000) e Mazzeo e Tanaka (2001), são fundamentalmente: uma maior susceptibilidade às quedas e fracturas; dificuldade em regular a temperatura corporal interna; decréscimo do metabolismo; deficiente regulação da glicose e diminuição da capacidade funcional.

A perda de massa óssea, depois de atingido o seu pico no fim da maturação do esqueleto, é lenta e gradual em ambos os sexos. Na mulher a partir da menopausa, observa-se uma perda óssea a um ritmo rápido, que chega a ser de 2 a 3% por ano nos primeiros anos da menopausa, enquanto os homens não perdem, em geral, mais do que 0,5% anualmente (Queiroz, 2002a). Logo, acentua-se nos anos perimenopausa, com declínios continuados com o avançar da idade (Glynn et al., 1995). Padrões similares são verificados nos homens, embora sem a aceleração associada à perda da função dos ovários nas mulheres (Nguyen et al., 1994). Tal como as perdas de tecido muscular, muitos factores genéticos, do estilo de vida, os nutritivos e a doença e a medicação participam na predição da densidade do osso com a idade (Ward et al., 1995; Ilich e Kerstetter, 2000).

Barata (2003), considera ao nível físico que é a velocidade de deslocamento, a massa muscular, a massa óssea e o metabolismo em repouso as que mais declinam com a idade. Claro que, para além de demarcar a perda progressiva das capacidades diversas, desde as intelectuais e de foro neuro- psíquico, as psico-motoras que envolvem a coordenação e o equilíbrio também têm extrema importância pelo impacto nas quedas e fracturas neste grupo etário (Cho e Kamen, 1998). Na origem destas alterações está descrita uma perda de estabilidade postural, problemas sensoriais tais como o visual e vestibular e do sistema nervoso central (Spirduso, 2005).

Porque o processo do envelhecimento afecta o osso e todos os tecidos, incluindo, articular e ligamento-muscular, a flexibilidade também diminui significativamente com a idade, logo a função motora reduz (ACSM, 1998; Holland et al., 2002; ACSM, 2003) na medida em que diminui a amplitude do movimento realizado por uma ou mais articulações predispondo para lesões nesta(s) e tecidos adjacentes (ACSM, 2003; Spirduso, 2005).

Howley e Powers (2000), referem que uma grande maioria das pessoas apresenta um declínio constante do consumo máximo de oxigénio (VO2máx), de modo que em torno dos sessenta anos, a sua capacidade de realização de actividades normais de forma confortável é reduzida, desencadeando um ciclo vicioso que acarreta níveis cada vez menores da função cardiorespiratória, a qual pode não lhes permitir realizar as tarefas rotineiras.

O envelhecimento afecta a capacidade aeróbia e a capacidade cardiovascular durante a realização de exercícios. O peak de consumo máximo de oxigénio e o peak de exercício diminuem com a idade. A capacidade aeróbia diminui em 50% e a utilização de oxigénio (O2) periférico reduz-se em cerca de 25%, como resultado da redução de massa muscular e da força muscular. Outro mecanismo possível considera a ineficiente distribuição do sangue pelos músculos e a diminuição da capacidade de extracção e utilização de O2 por unidade muscular (Beers, 2004). Surgem assim, em situação de desempenho dos idosos em esforços de natureza aeróbia: (1) Redução do VO2max, de 5-15% por década, devido a decréscimo do débito cardíaco máximo e decréscimo da diferença arterio-venosa em oxigénio, aquando são sujeitos a

esforço máximo (ACSM, 1998; 2000); (2) Decréscimo do débito cardíaco e aumento da pressão arterial, aquando sujeitos a esforço submáximo (ACSM, 1998).

Os músculos esqueléticos vão sofrendo uma destruição progressiva com o envelhecimento. Em parte devido às alterações mecânicas que alteram a forma do tórax, os músculos tornam-se progressivamente mais pequenos. Esta situação influencia negativamente a sua capacidade de contracção/ relaxamento e a sua capacidade para realizar o trabalho mecânico da respiração. Há uma deterioração progressiva da função respiratória com diminuição da elasticidade pulmonar, incluindo uma diminuição da sua capacidade vital e um aumento do volume residual. Verifica-se também que há uma tendência para as vias respiratórias colapsarem durante a expiração, com diminuição do fluxo expiratório máximo e diminuição da capacidade ventilatória máxima. A mistura dos gases inspirados torna-se mais pobre, há uma diminuição da capacidade de difusão pulmonar, e um aumento substancial no trabalho respiratório. Este aumento do trabalho respiratório está também associado á diminuição da mobilidade da caixa torácica (Shephard, 1993).

Dans le document COUR SUPRÊME DU CANADA (Page 8-32)

Documents relatifs