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L’entretien semi-dirigé

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CHAPITRE II. Étude

C. Présentations des résultats

3. L’entretien semi-dirigé

O estudo decorreu de outubro de 2013 a setembro de 2014, englobando dois momentos de recolha de dados, através de dois instrumentos. O primeiro momento de recolha de dados, iniciou-se em fevereiro de 2014, sendo dirigido à mãe da criança entregando o instrumento de colheita de dados relativo aos seus comportamentos. O segundo foi dirigido aos comportamentos da criança descritos pela sua mãe, após dois meses da mãe ter respondido ao seu questionário, decorrendo até maio de 2014. Esta estratégia visou minimizar a influência nas respostas que as mães apontaram para os seus comportamentos e para os comportamentos dos seus filhos.

De acordo com os objetivos propostos para o estudo, as varáveis foram medidas através de várias questões utilizando questionários (Hernández Sampieri, Fernández Collado e Baptista Lucio, 2006).

Para a abordagem do comportamento alimentar das crianças foi adotado o

Questionário do Comportamento Alimentar da Criança [Child Eating Behaviour

Questionnaire] construído e validado por Jane Wardle, Carol Guthrie, Saskia Sanderson e Lorna Rapoport (2001, versão para investigação traduzido e adaptado por Victor Viana e Susana Sinde, 2008) validado para a população portuguesa na faixa etária deste estudo (ANEXO I). Para tal, foi obtida autorização dos autores para a sua utilização (APÊNDICE I).

Este questionário permite avaliar os comportamentos alimentares ou os estilos alimentares das crianças com diferentes valores de IMC no que concerne a oito dimensões: a resposta à saciedade (SR), a ingestão lenta (SE), a seletividade (FF) e a

sub-ingestão emocional (EUE), que traduzem comportamento de evitamento da comida.

A resposta à comida (FR), o prazer em comer (EF), a sobre-ingestão emocional (EOE) e o desejo de beber (DD) traduzem comportamentos de atração pela comida (Viana e Sinde, 2008). As siglas relativas ao questionário referem-se às iniciais dos conceitos em inglês.

A dimensão resposta à saciedade determina e avalia a capacidade da criança em auto regular a ingestão e o seu apetite, ou seja, o estabelecimento de uma regra aquando da vontade de comer, como forma de contrapesar a refeição anterior. A ingestão lenta relaciona-se com a falta de interesse pela comida. A dimensão seletividade refere-se à falta de apetite e preferência por uma panóplia muito limitada de alimentos, não sendo detentora de características do comportamento alimentar das crianças obesas, estando mais associada às características das crianças não obesas, e até mesmo a perturbações alimentares na infância (Viana e Sinde e Saxton, 2011). A sub-ingestão emocional relaciona-se com a inibição do apetite. Na dimensão resposta à comida, que avalia o interesse pela comida, refere-se à influência dos atributos externos dos alimentos, ou de fatores de índole social, no que concerne ao apetite e ingestão. No que respeita à dimensão prazer em comer as características reavaliam o interesse pela comida. A

sobre-ingestão emocional avalia a reação emocional à comida que se relaciona com o

aumento da ingestão alimentar, face a fatores de origem stressora. O desejo de beber refere-se ao interesse por bebidas açucaradas (refrigerantes e sumos) (Viana e Sinde, 2003).

As oito dimensões distribuem-se por 35 itens que são avaliados numa escala do tipo Likert de 5 pontos, em que 1 corresponde a “Nunca” e 5 corresponde a “Sempre”. Os itens 3, 4, 10, 16 e 32 são cotados numa escala inversa dos restantes e os resultados em cada subescala são as pontuações médias dos itens que as compõem (Viana e Sinde, 2008). A investigação dos comportamentos alimentares das crianças é realizada através das respostas dos pais ou cuidadores das crianças ao Questionário do Comportamento Alimentar da Criança (CEBQ).

Para a abordagem do comportamento alimentar das mães, foi adaptado pela investigadora o CEBQ, mantendo as mesmas dimensões e itens, de modo a ser auto- preenchido pelas mães, denominando-se Questionário do Comportamento Alimentar da Mãe. Foi aplicado pré-teste a 11 mães que reuniam as mesmas características das mães que integraram o estudo. Em relação às alterações realizadas, estas decorreram da

aplicação do pré-teste para avaliar a compreensão das questões, sendo estruturada a versão final do mesmo (APÊNDICE III).

Procedeu-se à análise da consistência interna dos questionários CEBQ e Questionário do Comportamento Alimentar da Mãe para a amostra obtida, verificando se as variáveis medem ou não os mesmos conceitos (Pestana e Gageiro, 2005). A consistência interna de cada uma das subescalas dos questionários foi investigada através do coeficiente de consistência interna alpha de Cronbach (Tabela 2).

Relativamente à consistência interna dos questionários de avaliação dos comportamentos alimentares pode observar-se que para a criança a EOE, DD e FR apresentam boa consistência interna e as restantes subescalas apresentam consistência interna média (segundo os valores definidos por Pestana e Gageiro, 2005). Já no que se refere à mãe, a EF e FR apresentam boa consistência interna, a EOE, SE e DD apresentam média, a SR má e as restantes apresentam valor razoável (segundo os valores definidos por Pestana e Gageiro, 2005).

Tabela 2 – Consistência Interna dos instrumentos de colheita de dados Alfa Quest. Criança Alfa Quest. Mãe Alfa CEBQ (Viana e Sinde, 2008) EF Prazer na comida 0,78 0,81 0,89

EOE Sobre-ingestão emocional 0,84 0,77 0,77

SR Resposta à saciedade 0,73 0,55 0,79

SE Ingestão Lenta 0,75 0,73 0,88

DD Desejo de bebida 0,88 0,74 0,82

FF Seletividade 0,79 0,63 0,73

EUE Sub-ingestão emocional 0,76 0,68 0,70

FR Resposta à comida 0,82 0,83 0,88

Para além dos itens que constituem os questionários dos comportamentos alimentares das crianças e das mães, estes incluíram um conjunto de itens referentes às variáveis sociodemográficas e antropométricas.

A colheita de dados decorreu no período de fevereiro a maio de 2014 após o parecer favorável da Comissão de Ética para a Saúde da Administração Regional de Saúde do Norte (ANEXO II).

Foi solicitada a colaboração dos assistentes administrativos das unidades de saúde onde as crianças estavam inscritas. O primeiro contacto e a solicitação da colheita de dados relativa à mãe, decorreu na unidade de saúde aquando da consulta de

vigilância dos 3 anos da criança, após a verificação dos critérios de inclusão e exclusão. Os enfermeiros de família ou de referência e os assistentes administrativos das dez unidades de saúde informaram a mãe da realização do estudo, objetivos e procedimentos, bem como da sua livre vontade em participar ou não. Após a aceitação livre e convenientemente esclarecida, foi solicitada a autorização da mãe para o fornecimento do seu contacto à investigadora, obtido o Consentimento Informado (APÊNDICE V) onde constavam os procedimentos para a colheita de dados bem como os contactos da investigadora para quaisquer informações e esclarecimentos. Neste momento, foi preenchido pela mãe o Questionário do Comportamento Alimentar adaptado para a Mãe. Nas crianças sem consulta de enfermagem agendada, o primeiro contacto foi estabelecido pelo administrativo e posteriormente, pelo enfermeiro de família ou de referência da criança que entregou o questionário da mãe, solicitando o Consentimento Informado e o contacto para a investigadora.

Os dados sociodemográficos e antropométricos da mãe e da criança foram recolhidos neste primeiro momento, constantes no questionário do Comportamento Alimentar adaptado para a Mãe. As mães realizaram o auto preenchimento do questionário ao qual foi atribuído um código alfanumérico. Aproximadamente 2 meses depois, o CEBQ foi entregue à mãe, após o contacto telefónico da investigadora pelo código alfanumérico atribuído ao primeiro questionário, de cada criança para esta responder em função do comportamento alimentar do seu filho. Em alternativa ao CEBQ em suporte papel, foi também disponibilizado o CEBQ eletrónico enviado para o endereço de correio eletrónico fornecido pela mãe, quando assim esta o desejou.

Avaliação Antropométrica

Para a avaliação do peso e altura das crianças e mães, foram definidos princípios orientadores apresentados no manual de Instruções para a Avaliação Antropométrica (adaptado de Duarte, 2011) e que foi divulgado com os enfermeiros de família ou de referência das unidades que integraram o estudo (VER APÊNDICE IV).

Foram, portanto, considerados os valores de peso e altura para a criança e para a mãe medidos no momento da colheita de dados ou na consulta de enfermagem aos 3 anos de idade. Após a avaliação antropométrica o IMC foi calculado através da fórmula de Quelet: IMC=Kg/m2.

Para a classificação nutricional das crianças foi utlizada a calculadora antropométrica para cálculo do IMC para sexo e idade e obtenção do respetivo percentil, utilizando a calculadora antropométrica da WHO5. Para classificar o estado nutricional da

5

criança foram adotadas as curvas de crescimento da OMS (Child Growth Standards, WHO, 2006).

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