A. Le groupe des patients
1. L’entretien avec Mr A
Tentei ainda na escolha dos instrumentos de recolha de dados não perder de
vista
os objetivos definidos para este estudo, os propósitos das atividades programadas, tentando gerir, com flexibilidade e criticamente todas as adaptações que se foram revelando necessárias. Desta forma, existiram alguns instrumentos que foram adaptados ao contexto em si, sendo que se diferenciam um do outro.dez-18 | Página 50
Assim, no contexto de PES em 1º Ciclo do Ensino Básico foi utilizado ainda como instrumento de recolha de dados um questionário que foi colocado aos alunos no final do estágio, em que estes crianças puderam expressar as suas aprendizagens e a sua opinião sobre os momentos experienciados mais significativos para esta temática, de forma a que eu pudesse ter maior consciência se estes momentos contribuíram ou não para aprendizagens com mais significado social e ao mesmo tempo perceber se os alunos tomaram consciência de que estão a desenvolver simultaneamente conteúdos dos programas a serem trabalhados. Usei para este questionário a ser colocado às crianças questões de resposta aberta, permitindo ao inquirido construir a resposta com as suas próprias palavras, favorecendo, desta maneira, a liberdade de expressão. A aplicação do questionário permitiu-me recolher uma amostra significativa dos conhecimentos e opiniões dos alunos.
Enquanto isso, na educação pré-escolar foi utilizada, no mesmo sentido, uma entrevista às crianças em que estas puderam expressar as suas aprendizagens e a sua opinião sobre os momentos experienciados mais significativos para esta temática, de forma a que eu pudesse ter maior consciência se estes momentos contribuíram ou não para aprendizagens com mais significado social.
A entrevista é uma das estratégias mais utilizadas na investigação educacional. Esta corresponde a um ato de conversa intencional e de forma orientada, o que implica que exista uma relação pessoa, em que os participantes são responsáveis por desempenhar papéis fixos, sendo que o entrevistador tem a tarefa de perguntar e o entrevistado de responder (Máximo- Esteves, 2008). Geralmente, este instrumento de recolha de dados é utilizado quando se pretende conhecer e compreender o ponto de vista do outro em relação ao que está em causa para o estudo (Máximo-Esteves, 2008).
A pedagogia da participação dá à criança um papel mais ativo na construção do conhecimento sobre a infância e, por isso, é também possível inclui-la neste processo de entrevista, embora tendo alguns cuidados em relação à mesma. Neste sentido, a entrevista deve seguir a modalidade semiestruturada, reunindo um conjunto de características que permitam utilizá-la como um instrumento metodológico adequado, que permita dar voz às crianças, dando-lhe a oportunidade de se tornar participante ativa na (re)construção do conhecimento científico (Máximo-Esteves, 2008).
Para qualquer investigação que se baseie em entrevistas existe uma estrutura metodológica com características básicas comuns, no entanto, no que toca às entrevistas as crianças, existem algumas particularidades que devem ser tidas em conta, visto que esta deve ser adequada às crianças, que deixam de ser objetos de estudo passivos para se tornarem ativas neste processo. Graue e Walsh (1998, citado em Máximo-Esteves, 2008) apresentam- nos, assim, genericamente, algumas dessas particularidades:
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a) o desempenho do entrevistador – sendo que este deve ser dotado de alguma experiência no que toca ao diálogo com crianças, ter conhecimento e acreditar nas capacidades da criança como competente. Para além disso, o entrevistador deve ter um especial cuidado na linguagem que utiliza, uma vez que esta deverá ser adequada às crianças, tanto no que diz respeito aos conteúdos como à faixa etária dos entrevistados.
b) o papel agencial da criança – reconhecendo-lhe os seus direitos como um ser ativo e com voz sobre si mesma.
c) a relevância do contexto – uma vez que este deve ser familiar à criança, pois, como já foi demonstrado, ao realizar a entrevista num contexto familiar as crianças tem narrativas mais ricas.
De forma a preparar melhor a entrevista a realizar na PES em Educação Pré-escolar, tive em consideração um conjunto de procedimentos referidos por Graue e Walsh (1998, citado em Máximo-Esteves, 2008) no sentido de se obterem respostas mais ricas e detalhadas. Para além disso, com os procedimentos sugeridos por estes autores é possível reduzir alguns enviesamentos provocados pelo contexto, neste caso pela formalidade da situação (Máximo- Esteves, 2008).
• Agrupar as crianças em grupos de pares ou tríades — uma vez que junto de outras crianças, estas relaxam um pouco mais, ajudam-se umas às outras e controlam a fidelidade das afirmações umas das outras, exprimindo os seus pontos de vista mais à vontade
• Contar com objetos de apoio — sendo que estes podem ser utilizados para que a criança se concentre e se envolva melhor na entrevista.
• Formular questões hipotéticas
• Formular questões na terceira pessoa — tentando não intimidar as crianças com as questões colocadas e permitindo-lhes alguma liberdade no modo de responder.
• Manter um modo de conversar tendo em conta uma entrevista informal — sendo que esta deve ser também muito curta.
• Atender ao momento mais apropriado — não realizando a entrevista no período de atividades que mais interessam a criança.
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Assim, as crianças foram entrevistadas segundo um guião previamente estruturado (apêndice 1), a trios (pequenos grupos) por proximidade de idades, um grupo com duas crianças de 4 anos e uma de 3 anos e outro grupo com crianças com 5 anos, que apresentavam uma capacidade de comunicação e expressão mais desenvolvida. Estas entrevistas serviram essencialmente para dar voz às crianças e tentar compreender o seu ponto de vista relativamente aos momentos selecionados e, assim, compreender como promover o envolvimento das crianças na gestão do currículo em processos negociados de planeamento e avaliação e se os tempos da ação educativa selecionados contribuem ou não para essa participação ativa da criança e para a aprendizagens com mais significado social. As entrevistas foram realizadas na última semana de estágio, durante o lanche não privando as crianças dos momentos de brincadeira, dentro da sala, para que estas pudessem observar os instrumentos no seu contexto de utilização, embora numa mesa à parte da mesa do lanche para que nos pudéssemos concentrar no processo da entrevista. Falei com as crianças sobre esta entrevista aquando a realização do Plano do dia, para que pudéssemos planear este momento à semelhança dos outros que não se encontram no Mapa de Atividades do grupo.
Antes de iniciar a entrevista com o grupo expliquei às crianças o porquê de a fazer preparando uma pequena introdução à mesma:
- Olhem, como vocês sabem a Cláudia está a aprender ainda a ser professora. Estou a fazer um trabalho para a universidade e precisava de saber o que é que vocês acham sobre as reuniões de conselhos que fazemos, sobre o momento de mostrar, contar, escrever e das comunicações, sobre o nosso mapa de atividades e sobre os nossos projetos… Acham que me podem ajudar? A vossa opinião é muito importante para eu perceber como é que estas coisas funcionam aqui na sala.
Na entrevista, adaptada de Folque (2012), foram apresentados às crianças como materiais de apoio à mesma “instrumentos de pilotagem” utilizados na sala como um Diário, uma fotocópia de um mapa de atividades, um plano do dia, as folhas de inscrições dos momentos de mostrar, contar, escrever e comunicações e algumas produções suas que remetam para os projetos realizados (“O que são urtigões?”, “As formigas para a área das ciências” e “Vamos fazer um filme!”.
De forma a realizar as entrevistas tive delineei o seguinte objetivo:
• Conhecer o ponto de vista das crianças sobre os momentos em que têm uma participação mais ativa no desenvolvimento do currículo e tomada de decisões na sala, assim
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como alguns instrumentos, para compreender o que pensam e de que forma se sentem parte deste processo e este contribui (ou não) para aprendizagens com mais significado social.
Neste sentido, formulei as seguintes questões que foram colocadas em jeito de conversa atendendo aos diferentes suportes da entrevista, sendo que as mesmas são apenas uma semiestrutura da entrevista o que me permitiu depois guiar as interações:
• Produções dos projetos “O que é isto?” – Identificação
“Para que é que fizemos isto?” – Finalidade
• Mapa de atividades, folhas de inscrições dos momentos de Comunicações e de
Mostrar, Contar, Escrever e Plano do dia
“O que é isto?” “O que está aqui escrito?” – Identificação “Para que é que serve isto?” – Finalidade
“Quem escreve aqui?”; “Quando?”; “Como é que vocês usam isto?” - Papéis do educador e das crianças e as regras percecionadas.
• O Diário
“O que é isto?” “O que está aqui escrito?” – Identificação “Para que é que serve isto?” – Finalidade
“Quem escreve no Diário?”; “Quando?”;“Como é que vocês usam isto?” – Papéis do educador e das crianças e as regras percecionadas.
No fim as crianças foram elogiadas pela sua capacidade para me explicar tudo e agradeci-lhes a sua colaboração. O registo da entrevista foi realizado através da gravação áudio da mesma, o que permitiu o registo integral da conversação e que eu me sentisse com mais liberdade para me concentrar no tópico e na dinâmica da entrevista.