Effet de l'évitement sur la composition sociale de la population des élèves
L E RENFORCEMENT DES CONTRASTES SOCIO SPATIAU
A análise do objeto de pesquisa contou com dois tipos de informação: dados secundários, coletados pelo Censo Agropecuário 2006 (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2006), Instituto de Economia Agrícola (IEA) e outras publicações na forma de artigo e livro; e, dados primários, coletados em entrevistas presenciais com pecuaristas do estado de São Paulo. Esta seção descreve a amostra e a forma de coleta dos dados.
4.1.1. Dados do Censo Agropecuário 2006
O Censo Agropecuário de 2006 trouxe, pela primeira vez, informação sobre a rastreabilidade na pecuária bovina brasileira. Solicitou-se uma tabulação especial para dois grupos de estabelecimentos agropecuários: aqueles que possuíam bovinos com finalidade de corte e responderam ter animais rastreados e aqueles que possuíam bovinos com finalidade de corte e responderam não ter animais rastreados. Ambos com 50 ou mais cabeças de bovinos. Para cada grupo foram solicitadas informações sobre o produtor: condição fundiária do produtor, classe de idade do produtor em anos, associação à entidade de classe e cooperativa, atividade fora do estabelecimento rural, principal dirigente do trabalho no estabelecimento rural, nível de instrução do dirigente, experiência na atividade rural e local de residência do dirigente. Informações sobre o estabelecimento e sua gestão foram também obtidas: qualificação da mão de obra, a freqüência de orientação técnica, presença de computador e acesso à internet, tamanho da propriedade, tamanho do rebanho, crédito rural e adoção de algumas práticas zootécnicas capazes de definir o nível tecnológico, a exemplo da suplementação alimentar, adubação de pastagens e terminação em confinamento, caracterizam o sistema de produção adotado.
A análise destes dados visou identificar fatores que diferenciam propriedades que tiveram animais rastreados em 2006 daquelas que não tiveram. A identificação desses fatores a partir dos dados secundários é vista como uma etapa preliminar ao estudo sobre os determinantes da adoção da certificação SISBOV/TRACES. Deve-se atentar que em 2006, ano de referência dos dados censitários, houve mudanças nas regras do SISBOV23. O SISBOV assumiu caráter voluntário e o status de Estabelecimentos Rurais Aprovados (ERAS) no SISBOV foi criado com as regras reformuladas. O Censo Agropecuário 2006 foi realizado no ano de 2007, considerando as informações do estabelecimento rural até 31 de dezembro de 2006. Portanto, o universo estatístico do Censo ainda contemplava as propriedades rurais que adotavam o antigo SISBOV24.
Assim, alguns resultados encontrados a partir do Censo Agropecuário 2006 podem não refletir exatamente os resultados da análise realizada com os dados primários coletados em 2011 nesta pesquisa.
4.1.2. Dados primários
4.1.2.1. Amostra
Dados transversais (cross-sectional data) são amplamente usados em economia e outras ciências sociais para testar hipóteses microeconômicas e avaliar políticas econômicas. O conjunto de dados transversais foi obtido junto a uma amostra de indivíduos no período entre fevereiro e agosto de 2011. O período de referência dos dados foi o ano de 2010.
Uma sub-amostra de pecuaristas certificados foi obtida aleatoriamente a partir da população de fazendas certificadas e habilitadas para exportação para a União Europeia no
23 Naquele ano foi publicada a IN 17 (13 de julho de 2006). 24 Conforme descrito na IN 17:
―Art. 75. Até 31 de dezembro de 2007 coexistirão duas situações:
I - Estabelecimentos Rurais Aprovados no SISBOV, com os procedimentos operacionais regulamentados por este Anexo – Norma Operacional do Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos - SISBOV;
e II - bovinos e bubalinos identificados com base no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina, definido pela Instrução Normativa nº 1, de 9 de janeiro de 2002, e localizados em estabelecimento não habilitado como Estabelecimento Rural Aprovado no SISBOV.‖
estado de São Paulo (BRASIL, 2010a). Em fevereiro de 2010, 137 propriedades rurais do estado de São Paulo participavam da Lista TRACES, sendo sua maioria localizada na região oeste do estado, onde se concentra a produção pecuária.
Uma sub-amostra controle foi também obtida aleatoriamente nas mesorregiões do estado de São Paulo que continham fazendas certificadas. Após a identificação das fazendas certificadas que seriam entrevistadas e respectivo município a que pertenciam, foram contatados os sindicatos rurais locais destas mesmas regiões para que pudessem indicar uma lista de pecuaristas na região que não fossem certificados SISBOV/TRACES. Dentre os critérios solicitados para a composição da lista estavam: pecuária como a atividade principal da propriedade rural, e, trabalhar com a fase de terminação de bovinos (não, necessariamente, de forma exclusiva). A partir da lista de contatos, foram sorteados os pecuaristas para a participação da sub-amostra controle, em geral, respeitando um número proporcional e equivalente ao de pecuaristas certificados na mesorregião. A Figura 12 apresenta a dispersão geográfica da sub-amostra de certificados e da sub-amostra controle.
Adotou-se o critério de selecionar pecuaristas que tenham a fase de terminação de bovinos em função do desenho da legislação vigente para a certificação SISBOV/TRACES. A legislação exige um tempo mínimo de 90 dias de permanência do animal na propriedade certificada. Dessa forma, a maior atratividade para a adoção da certificação encontra-se na fase da produção animal que faz a entrega para o abate, ou seja, a engorda ou terminação de bovinos. Assim, apenas pecuaristas que trabalhavam com a fase de engorda, não de forma exclusiva, foram selecionados.
Figura 12. Distribuição geográfica da amostra.
Fonte: elaborado pela autora a partir de dados do Censo Agropecuário 2006 (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2006) e dados da pesquisa.
4.1.2.2. Coleta de dados
A coleta de dados primários constituiu-se de duas fases. Na primeira, foram realizadas sete entrevistas presenciais com os seguintes agentes da cadeia de produção da pecuária de corte:
Duas entrevistas com gerentes (de mercado, de compra de animais e de operação) de dois frigoríficos habilitados para a exportação para a União Europeia.
Uma entrevista com a fiscal federal responsável pelo SISBOV no estado de São Paulo. Uma com um fiscal da defesa agropecuária responsável por auditorias do SISBOV. Duas entrevistas com pecuaristas participantes da lista TRACES.
Estas entrevistas foram realizadas por meio de roteiros elaborados a partir da revisão de literatura. Esta fase da pesquisa teve por objetivo compreender o funcionamento da certificação SISBOV e da lista TRACES, desenhar e descrever os arranjos institucionais entre os segmentos de produção e processamento e identificar um perfil prévio do pecuarista certificado SISBOV/TRACES sob a ótica destes agentes. Este material serviu de base para elaborar o questionário estruturado utilizado na fase seguinte da coleta de dados primários.
Na segunda fase de coleta de dados primários, um questionário estruturado foi validado após seis entrevistas presenciais com pecuaristas certificados SISBOV/TRACES e não certificados. O instrumento modificado e validado foi utilizado para realizar as demais entrevistas presenciais (APÊNDICE D). A estrutura lógica do questionário seguiu uma divisão por blocos conforme a organização dos determinantes revisados na literatura: (a) características do indivíduo, onde incluem as informações referente a idade, conhecimento formal, histórico familiar, experiência de vida e profissional, associativismo, participação em eventos agropecuários e fontes de informação; (b) características estruturais, incluindo informações sobre a propriedade rural e produção, comercialização, renda e crédito; (c) o processo de certificação; e, (d) variáveis comportamentais. Foram construídos dois tipos de questionários, sendo um mais completo para os pecuaristas certificados e outro para os não certificados. O bloco (c) do questionário é composto por questões direcionadas aos pecuaristas certificados. Este bloco teve como objetivo captar de forma qualitativa investimentos específicos realizados para a certificação, impacto da certificação nas estratégias de compra e venda de animais, a percepção do indivíduo em relação ao sistema SISBOV e pontos de melhoria. Estas questões não foram aplicadas nas entrevistas com os pecuaristas não certificados.
No total, foram realizadas 86 entrevistas presenciais com pecuaristas no estado de São Paulo, sendo 32 entrevistas com pecuaristas certificados SISBOV/TRACES e 54 entrevistas com pecuaristas não certificados. Duas entrevistas realizadas com pecuaristas não certificados foram retiradas da amostra, pois os mesmos não realizavam a fase de terminação de bovinos. Assim, consideraram-se na análise 52 entrevistas com pecuaristas não certificados. O Quadro 4 apresenta a freqüência da amostra (certificados SISBOV/TRACES) e contra-amostra (não certificados) por mesorregião do estado de São Paulo, comparativamente com a freqüência das propriedades certificadas SISBOV/TRACES do estado de São Paulo, em outubro de 2010.
Mesorregião Araçatuba 24 14,0% 4 12,5% 17 31,5% Assis 9 5,2% 0 0,0% 1 1,9% Araraquara 2 1,2% 0 0,0% 1 1,9% Bauru 37 21,5% 6 18,8% 7 13,0% Campinas 1 0,6% 1 3,1% 1 1,9%
Macro Metropolitana Paulista 4 2,3% 1 3,1% 0 0,0%
Marília 8 4,7% 3 9,4% 2 3,7%
Piracibaba 1 0,6% 1 3,1% 0 0,0%
Presidente Prudente 24 14,0% 4 12,5% 12 22,2%
Ribeirão Preto 14 8,1% 5 15,6% 8 14,8%
São José do Rio Preto 45 26,2% 7 21,9% 5 9,3%
Vale do Paraíba Paulista 1 0,6% 0 0,0% 0 0,0%
Itapetininga 1 0,6% 0 0,0% 0 0,0%
Litoral Sul Paulista 1 0,6% 0 0,0% 0 0,0%
TOTAL 172 32 54
SISBOV/TRACES Amostra (certificado)
Contra-amostra (não certificado)
De forma geral, foram feitos contatos telefônicos prévios com os pecuaristas para verificar o interesse em participar da pesquisa e para o agendamento da entrevista. O tempo de entrevista variou entre uma hora e três horas, em média. No momento da entrevista, ficou claro que estaria assegurado o sigilo irrestrito sobre os dados dos informantes e o uso das informações única e exclusivamente para fins de pesquisa.
Quadro 4. Distribuição da amostra por mesorregião do estado de São Paulo.
Fonte: elaborado pela autora.