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CONCLUSION DU TITRE 1

Chapitre 1 L’ASSISTANCE INTERNATIONALE AUX PROCESSUS ELECTORAUX

RODRIGUES, Diego Palmeira Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) [email protected] FREITAS, Silmara Terezinha Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) [email protected]

Eixo temático 2: Estado, sociedade e políticas educacionais

RESUMO

Este trabalho objetivou discutir o documento do Banco Mundial emitido em 2011 e a internacionalização da educação superior. O estudo foi desenvolvido por meio de análise documental. Conclui tecendo considerações sobre os desafios da universidade em ações de internacionalização, caracterizando não um processo de relações internacionais mediadas pelo capitalismo e intervenções neoliberais, mas sim, ações integralizadas para potencializar e dinamizar a expansão da ciência e do conhecimento.

Palavras-chave: Internacionalização da Educação Superior. Organismos Multilaterais.

Políticas educacionais.

1 INTRODUÇÃO

A internacionalização da educação superior é uma temática consideravelmente recente no cenário nacional, a partir dos anos 1990 se intensificou pela globalização,1 sua incorporação na universidade surge como critério e estratégia de aprimoramento da qualidade e da produção do conhecimento científico nas Instituições de Educação Superior (IES) para atender os desígnios de Organismos Multilaterais (OM) como o Banco Mundial (BM), por exemplo. Desta maneira, fortalecida por iniciativas que atendem às demandas capitalistas, faz com que as instituições de ensino e pesquisa confiram prioridade aos conhecimentos com valor de mercado.

Neste contexto, os documentos produzidos por OM e que influenciam o sistema educacional mencionam que as políticas a serem implantadas buscam a qualidade de ensino. A questão que surge é: qual qualidade de ensino? Aquele que se atrela a qualidade com certificação para o mercado de trabalho?

Este trabalho teve como objetivo discutir o documento do Banco Mundial emitido em 2011 e a internacionalização da educação superior.

O estudo foi desenvolvido por meio de análise documental onde se trabalhou com o documento intitulado “Aprendizagem para todos: investir nos conhecimentos e competências das pessoas para promover o desenvolvimento” (BANCO MUNDIAL, 2011). Por meio dessa análise documental se buscou compreender quais são os interesses presentes no documento que influenciam a educação, mais especificamente o processo de internacionalização da educação superior.

Esse estudo justifica-se, pois, na contemporaneidade, na qual a educação serve para responder aos interesses do mercado em um processo de mercadorização do conhecimento, a área educacional apresenta-se como um serviço de elevada rentabilidade, e o documento em questão apesar de apresentar um caráter humanitário, faz recomendações nesse sentido, atreladas ao viés econômico.

2 DESENVOLVIMENTO

As redefinições dos sistemas educacionais em países considerados em desenvolvimento se configuram no bojo das reformas estruturais orientadas por Organismos Multilaterais (OM) como Banco Mundial. Segundo Krawczyc (2008) no caso das reformas que atingem as universidades, elas são consequência das influências dos organismos internacionais e de políticas dos órgãos governamentais

Desta forma, as intervenções desses OM nas políticas educacionais influenciam significativamente as concepções e finalidades educativas as quais seguem a lógica economicista. E a partir do entendimento de que estas intervenções ocorrem em conformidade com os contextos sociais, políticos, econômicos e culturais em que está inserida a educação, que necessitamos compreender a hegemonia presente nos discursos de tais documentos.

O Banco Mundial (BM)2 define a internacionalização como uma estratégia para inserir os países em desenvolvimento no contexto competitivo mundial no que tange ao ensino. No contexto da internacionalização, as políticas e as diretrizes dos governos para a educação em todas as instâncias, são submetidas às mesmas regras capitalistas do setor financeiro e produtivo, a qual é guiada com os instrumentos próprios da economia na condução da educação e isso incide diretamente nas suas finalidades e objetivos, nas formas de gestão, etc.

Esse papel de articulação política vem sendo desenvolvido pelos OM, especialmente pelo BM, em um contexto regulatório de inserção da educação privada.

O documento analisado e discutido neste estudo é o Learning for All: Investing in People’s Knowledge and Skills to Promote Development - World Bank Group Education Strategy 2020 (WORLD BANK, 2011), que traduzido para o português significa “Aprendizagem para todos: investir nos conhecimentos e competências das pessoas para promover o desenvolvimento” (BANCO MUNDIAL, 2011). Optou-se por analisar este documento por ser a estratégia do BM para área educacional para todo o decênio 2011 – 2020 e que trata da aprendizagem desde o jardim-escola até o mercado de trabalho conforme será exposto a seguir.

Neste documento, cumprindo seu papel de interventor, mas mascarado como um benevolente investidor que se preocupa com uma educação igualitária, o BM estabelece as metas e estratégias para o setor da educação até o ano de 2020. Inicia suas recomendações no sumário executivo, com a abordagem de a educação ser fundamental para o desenvolvimento e o crescimento de uma nação e justifica que o acesso à educação é um direito humano e também um investimento estratégico no desenvolvimento como um todo.

Também salienta que o objetivo global a ser alcançado é a aprendizagem, “dentro e fora da escola, desde o jardim-escola até ao mercado de trabalho.” (BANCO MUNDIAL, 2011, p. 1). Para que seja possível alcançar tal objetivo o BM estabelece como estratégias duas direções: a reforma dos sistemas de educação dos países a serem “assistidos” e o desenvolvimento de uma base de conhecimento de alta qualidade a ser utilizada nessas reformas. Com estes artifícios é possível perceber ainda no início do documento, a escancarada intenção do Banco (guiada pela regulação de mercado, especialmente orientada para “os países em desenvolvimento” entre eles Brasil, Chile, Correia do Sul, etc.) em consolidar o espírito mercantilista e desenvolver o setor privado para financiar a Educação.

Ao tratar da reforma do sistema educacional “para além dos recursos”, o documento mascarando sua intervenção, menciona que a agenda de reformas mesmo parecendo exigente, a abordagem não ordena que se reformem todas as áreas da política ao mesmo tempo e usando um discurso emergente afirma:

[...] o investimento em conhecimentos e em dados permitirá ao Banco e aos decisores políticos “analisar no nível global e agir no nível local” – ou seja, avaliar a qualidade e a eficácia de muitos domínios da política, mas concentrarem a ação em áreas onde os melhoramentos podem trazer uma maior recompensa em termos de resultados de escolaridade e aprendizagem. (BANCO MUNDIAL, 2011, p. 6).

Com tal afirmativa percebemos o estabelecimento de uma relação direta entre financiamento e resultados em que o setor privado em educação ganha espaço de desenvolvimento dentro e fora do sistema educacional.

Não se pode deixar de mencionar a parte em que o documento foca a questão do reforço à base do conhecimento, de maneira provocativa para demonstrar preocupação em “ajudar” a desenvolver uma base de conhecimento de elevada qualidade, são levantas questões sobre como a estratégia apresentada pelo Banco de investir avaliações de sistemas, aferição de impactos e verificação da aprendizagem e de competências podem resultar em conhecimentos que crianças e jovens realmente necessitam.

De forma sutil o BM vai impondo suas determinações e destaca que a abordagem ao sistema educacional pela avaliação centra-se em promover responsabilização e melhorar resultados que se estendem desde a avaliação dos estudantes e de professores, à equidade e inclusão, educação terciária e desenvolvimento de competências. Desta forma após apresentar um quadro teórico contendo todas as estratégias (que já foram sintetizadas ao longo deste texto) para a educação até 2020, o documento é finalizado com a afirmação de que “investir cedo, é investir com inteligência e para todos”, num movimento de esforço compensatório sendo que “quando as crianças aprendem, a vida melhora e os países prosperam.” (BANCO MUNDIAL, 2011, p. 9).

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante das reflexões feitas acerca das recomendações contidas no documento analisado, percebemos um discurso que trata de uma “Educação Ideal” de pedagogia humanitária, em um contexto de erradicação da pobreza. É importante destacar que, tanto o BM, quanto os demais OM (como a OCDE e a UNESCO) representam os interesses da elite burguesa e servem para o desenvolvimento e acumulação do capital. Dessa forma, os discursos dos OM denotam alinhamento com uma educação neoliberal que enfatiza a mercantilização, a redução das responsabilidades do Estado sobre a educação, possibilitando espaço para a atuação do setor privado. Enfim o foco central é guiado pelo viés econômico e apenas o que interessa são os padrões de desempenhos (performatividade), ou seja, rankings dos sistemas educativos que demonstrem o quanto o país tem eficiência em gestar a educação e com isso alcançar desenvolvimento econômico.

Ao fim deste texto, não cabem conclusões definitivas, no muito há possibilidade de considerações exploratórias. Por meio da imposição de “recomendações” para a educação, o BM busca validar seus conceitos de qualidade e neste contexto a

internacionalização se faz presente, devido a atualidade da intensificação da globalização de bens e serviços culturais. Neste sentido os desafios no cerne da universidade no que tange a internacionalização na educação superior são vários, gerando um vasto campo de ações e possibilidades, onde estas possam caracterizar muito mais que um processo de relações internacionais mediadas pelo contexto da globalização, do capitalismo e das intervenções neoliberais, mas sim, que sejam ações integralizadas para potencializar e dinamizar a expansão da ciência e do conhecimento.

REFERÊNCIAS

BANCO MUNDIAL. Aprendizagem para todos. Estratégia 2020 para a Educação do Grupo Banco Mundial. Resumo Executivo. Washington, 2011.

DALE, Roger. Globalização e educação: demonstrando a existência de uma “ Cultura Educacional Mundial Comum” ou localizando uma “Agenda Globalmente Estruturada para a Educação”? Educação; Sociedade, n.87, p.423-460, 2004.

KNIGHT, Jane. Em modelo de internacionalización: respuesta a nuevas realidades y retos. In: DE WIT, Hans et al. Educación Superior em América Latina: la dimensión internacional. Bogotá: Banco Mundial, 2005.

KRAWCZYC, Nora Rut. As Políticas de Internacionalização das Universidades no Brasil: o caso da regionalização no Mercosul. Jornal de Políticas Educacionais, n. 4, jul./dez. 2008. MOROSINI, Marília Costa. Estado do conhecimento sobre internacionalização da educa- ção superior – conceitos e práticas. Educar, Curitiba, n. 28, p. 107-124, 2006.

SILVA, Maria Abádia da. Intervenção e consentimento: a política educacional do Banco Mundial. Campinas, SP: Autores Associados: São Paulo: Fapesp, 2002.

UNESCO. Conferência Mundial sobre Ensino Superior 2009: As Novas Dinâmicas do Ensino Superior e Pesquisas para a Mudança e o Desenvolvimento Social. Paris: UNESCO, 2009.

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