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O planejamento e a gestão de recursos hídricos dependem basicamente de informações técnicas reais e confiáveis tanto no que diz respeito à oferta como a demanda de água. Essas informações são essenciais para um adequado desenvolvimento dos recursos hídricos dentro de bases sustentáveis. A ausência de informações aumenta a incerteza de decisões e dos resultados dos usos e impactos dos recursos hídricos. Na prática, o custo devido a ausência de informações é muito superior ao da sua obtenção na análise final de um projeto.

Segundo Rebouças et al (1999, p.637) em Águas Doce no Brasil as informações básicas necessárias para a gestão de recursos hídricos consideram:

• as características físicas dos sistemas hídricos como relevo, hidrografia, geologia, solos, vegetação, ações antrópicas, dentre outras;

• os comportamentos hidroclimatológicos sendo em séries históricas bem como em tempo real de variáveis climáticas, fluviométricas, sedimentometrias e qualidade da água;

• dados socioeconômicos como dados censitários sobre a população, indústrias, produção e ocupação do solo e dados referentes ao uso e impactos sobre os recursos hídricos;

Como agentes responsáveis por esse banco de dados temos o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como responsável pelos dados socioeconômicos, que através de mapas em escalas 1: 50.000, 1:100.000, 1: 250.000, 1: 1.000.000 das diversas regiões do país; o monitoramento das águas atmosféricas é de responsabilidade do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), que opera um conjunto de estações meteorológicas distribuídas em 720 pontos do país. As águas superficiais estão sob responsabilidade da Agencia Nacional de Águas (ANA), que opera uma rede hidrológica constituída de 3.253 estações fluviométricas e pluviométricas em todo o continente brasileiro. São fatores importantes para o planejamento e gestão dos recursos hídricos o monitoramento de precipitação e evaporação uma vez que através destes se realizam o balanço hídrico das bacias hidrográficas. Este monitoramento pode ser obtido através de estações de superfícies ou através de sensoriamento remoto, por satélites e radares meteorológicos. A quantificação de precipitação a partir de imagens de satélite é possível. Esta coleta de dados tem sido realizada através do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais de São José dos Campos - SP (INPE) e suas informações disseminadas através do Centro de Pesquisas em Meteorologia (CPTEC) localizado em Cachoeira Paulista - SP.

O intenso uso da água e a poluição gerada pelas ações antrópicas, como desmatamentos, uso inadequado do solo, projetos de irrigação e barragens, lançamentos de efluentes líquidos ou sólidos “in natura” nos rios e lagos, contribuem para agravar sua escassez e aponta para a necessidade de acompanhamento das alterações da qualidade da água. Deve ser observado na gestão dos recursos hídricos o controle ambiental, de maneira a impedir que problemas decorrentes da poluição da água venham comprometer seu aproveitamento múltiplo e integrado e de forma a colaborar para a minimização dos impactos negativos ao meio ambiente. Ultimamente novos problemas ambientais têm sido detectados em uma velocidade maior que os organismos responsáveis pela gestão, as agências ambientais, possam resolver em um tempo mais curto os velhos problemas (escassez, demandas). Como exemplo disso temos as alterações climáticas de curto prazo como as flutuações sazonais com o El Nino e recentemente, os períodos de seca mais extensos na Bacia Amazônica. O gerenciamento de qualidade de águas precisa dessas respostas para que as ações tomadas sejam eficientes na redução dos danos ao meio ambiente, atuais e futuros. Segundo Rebouças et al (1999) os objetivos que justificam o monitoramento da qualidade da água são diversos onde destacamos:

• avaliar a qualidade dos corpos de água e a diversidade das concentrações das variáveis de interesse ao longo do tempo;

• determinar os tipos de ação necessários para a manutenção da qualidade nos padrões adequados, definidos por lei;

3.3 - QUALIDADE DA ÁGUA EM ÁREAS URBANAS

Esteves (1988) relata que os processos metabólicos conhecidos ocorrem necessariamente sob a ação direta ou indireta da água. Sendo assim, o homem tem uma íntima relação com a água, dependendo inclusive dela para reações intracelulares, uso doméstico e atividades econômicas.

Rocha (2000) defende que a água é um recurso natural finito, de extrema importância para a vida animal e vegetal e não pode mais ser considerada um bem livre, como o ar, e passa a ser vista como um bem natural, de uso regulado. O abastecimento humano e a dessedentação dos animais devem ter a mais alta prioridade entre os usos competitivos da água. A água nunca é pura, possui sais e gases que permitem a vida no meio aquático. Sua composição depende da estrutura geológica das rochas subjacentes, das chuvas arrastando partículas do ar e do solo, e da ação antrópica na respectiva micro-bacia hidrográfica.

Segundo Branco e Rocha apud Camargo e Pereira (2003, p.49):

o que chamamos de água é uma série infinitamente variável de soluções aquosas de diferentes substancias ou compostos químicos. Deste modo a qualidade da água é um termo relativo e que depende diretamente do uso ao qual se destina e não necessariamente das características da solução aquosa.

A água utilizada para ingestão humana é denominada água potável. Deve ser de boa qualidade, isto é ter boa aparência, estar isenta de partículas em suspensão, microorganismos patogênicos e substâncias orgânicas dissolvidas. Abastece também nossas cidades sendo utilizada nas indústrias e na irrigação de plantações onde para este último não há necessidade da água possuir tão boa qualidade quanto a água potável (BRAGA E CARVALHO, 2003).

Conforme estimativa das agencias concessionárias de água potável a quantidade de água utilizada pode variar de acordo com o uso a que se destina. O consumo médio de água

para ingestão humana é de apenas 2 litros por pessoa dia e em atividades domésticas como cocção, lavagem de roupas, utensílios de cozinha e higiene pessoal , estima-se que o consumo seja de 250 litros de água por pessoa dia. No setor industrial o consumo de maior relevância demanda em média 1500 litros por pessoa dia e possui uma variação enorme conforme o tipo de indústria e o tipo de produtos elaborados com destaque para as atividades que demandam o uso de resfriamento de equipamentos como as usinas siderúrgicas e em processo de industrialização como as que produzem alimentos (CAMARGO E PEREIRA, 2003).

O consumo de água varia também em função da disponibilidade, do nível econômico da região ou população e das condições climáticas. Sobre o tripé disponibilidade, qualidade, e demanda se determina o custo da água para cada setor.

Quanto ao custo ou valoração da água temos que a água mineral ser a de maior custo, pois devido sua escassez na natureza ocorrer em pequenas quantidades, em alguns poucos afloramentos ou em grandes profundidades sendo necessário tecnologias de perfuração para sua obtenção.

A maior parte da água superficial está contida em rios, lagos e represas e possuem impurezas e necessitam de tratamento realizado em estações denominadas estações de tratamento de água (ETA), para atingir padrão de potabilidade.

Atualmente, o valor cobrado pelas concessionárias de água potável é devido ao sistema de captação, tratamento e distribuição e não pelo custo da água em si. Embora o custo da água potável seja em média muito inferior ao da água mineral comercializada no país, a escassez dos mananciais de água superficiais e a crescente poluição devido a lançamento de esgotos urbanos sem tratamento, têm afetado a qualidade da água e elevado as tarifas cobradas pelo tratamento para sua utilização.

De acordo com Sioli apud Camargo e Pereira (2003), os ambientes aquáticos são extremamente vulneráveis aos impactos provocados pelas atividades humanas, ações

antrópicas, incluindo o processo de urbanização. As cidades são grandes centros consumidores de água e o intenso processo de urbanização leva a um aumento da demanda do uso de água e também de perda de qualidade pelos efluentes produzidos.

A água do esgoto contém muitas impurezas tais como resíduos do corpo humano (fezes, urina), sabões, restos de comida e uma qualidade enorme de substâncias e elementos químicos provenientes da limpeza em processos industriais. Soma-se a isso o fato de que apenas uma pequena fração dos esgotos urbanos serem tratados antes de seu lançamento em corpos d’água. Na cidade de Anápolis embora tenha implantado sua Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) em 1992, apenas 49% dos esgotos produzidos pela população são atendidos por este benefício segundo informações do Serviço de Abastecimento de Água e Esgoto do Estado de Goiás (SANEAGO), Plano Diretor de Água e Esgoto Sanitário para a cidade de Anápolis.

A poluição dos ecossistemas aquáticos pelo lançamento de esgotos domésticos se deve pela elevada carga orgânica presentes nestes efluentes. Segundo Schafer apud Camargo e Pereira (1985, p.53) os esgotos domésticos são uma miscelânea de grande quantidade de substâncias orgânicas biodegradáveis e de poucos nutrientes inorgânicos em solução dissolvidos ou em suspensão na água. Essas substâncias orgânicas promovem um desequilíbrio das comunidades aquáticas pois ocasionam uma incorporação supra-alimentar para os organismos decompositores fazendo com que estes organismos cresçam demasiadamente. Estes organismos são constituídos de bactérias e fungos que degradam a matéria orgânica. Para esta decomposição os organismos consomem o oxigênio dissolvido na água impossibilitando a sobrevivência de organismos aeróbios como os peixes. Além da redução da concentração de oxigênio, a decomposição da matéria orgânica altera diretamente as características da água como a turbidez, a cor, o pH, a condutividade elétrica aumentando também a concentração de amônia promovendo a liberação de gases como o gás sulfídrico e o

metano . O gás sulfídrico por sua concentração provoca odor e toxidez na água eliminando diversos organismos aquáticos.

Os sabões e detergentes não biodegradáveis provocam o aumento das concentrações de fosfatos favorecendo o crescimento de algas. Como fruto do aumento destes organismos se faz sentir diretamente no sabor e odor de barro na água potável, pois são toxinas produzidas por algas e não eliminadas nas estações de tratamento de água (ETA). O aumento da quantidade de algas incrementa a produção primária dos ambientes aquáticos e este processo de aumento de produção de um sistema aquático através de fontes externas de nutrientes é denominado de eutrofização artificial que é o processo pelo qual favorece a proliferação de macrófitas aquáticas e fitoplantoon, que prejudicam o uso da água para atividades turísticas, aquáticas, geração de energia hidroelétrica , pesca e etc (ESTEVES, 1998). Para Laws apud Braga e Carvalho (2003), a eutrofização altera a relação de competitividade natural entre as espécies e conseqüente redução da biodiversidade no ambiente aquático.

O lançamento ‘in natura “dos esgotos domésticos sobre os rios provocam sua poluição e dificulta o acesso à água potável demandando cada vez mais oneroso o sistema de abastecimento e provocando a escassez das águas superficiais. Assim os investimentos em tratamentos das águas servidas aliadas ao uso racional da água e conservação dos recursos hídricos devem ser implementados na política de gestão ambiental.