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1.3 Techniques de diagnostic des engrenages

1.3.3 L’analyse temps-fréquence

O conceito de desenvolvimento local apóia-se na idéia de que as comunidades e territórios dispõem de recursos económicos, humanos, institucionais, ambientais e culturais, além de economias, de escala e de âmbito, não exploradas, que constituem seu potencial de desenvolvimento. As estratégias e as iniciativas de desenvolvimento local propõem-se a estimular a diversificação da base económica local. O significado conceitual e real do desenvolvimento local pode ser encarado pelo menos sob as três seguintes óticas relacionais:

 a da relação do mundo desenvolvido com suas próprias periferias, carências e pobrezas interna e socieconómicamente desequilibradoras;

 -a da atual relação de dependência e subjugo do mundo subdesenvolvido ao mundo

desenvolvido;

 a da relação do mundo subdesenvolvido com suas próprias chances efetivas de emancipadamente se desenvolver (tornando-se capaz de romper as amarras tanto internas quanto externas que o prendem ao subdesenvolvimento), a partir de comunidades-localidades concretas e bem definidas.

O desenvolvimento local endógeno é um processo de crescimento económico e de mudanças de paradigmas, liderado pela comunidade local, ao utilizar seus ativos e suas potencialidades, buscando a melhoria da qualidade de vida da população. O conceito de empoderamento e fortalecimento da comunidade são essenciais para a compreensão do desenvolvimento local endógeno. Assim, contempla valores como autonomia, democracia, dignidade da pessoa humana, solidariedade, equidade e respeito ao meio-ambiente. A estratégia de apoio ao desenvolvimento local num determinado território/comunidade tem como eixos a construção de capital social, o fomento adequado aos micro e pequenos empreendimentos e o fortalecimento da governança local, através da cooperação, da construção de parcerias e da pactuação de actores por um projeto coletivo de desenvolvimento com mais equidade.

O entendimento relativo ao desenvolvimento local abre-se assim aos domínios do desenvolvimento social, ambiental, cultural, político e humano. Para tanto, é preciso realizar investimentos em capital humano, social e natural, além dos correspondentes ao capital económico e ao capital financeiro. O enfoque do desenvolvimento local possui uma

visão integrada de todas essas dimensões, já que não é possível separar a interdependência existente entre elas.

O entendimento de local, no que tange ao território, é considerado relativo, sendo assim, um bairro é local em relação a uma cidade, e, uma região, em relação ao Estado ou a um país. Trata-se de um espaço socialmente construído com base territorial delimitada (segundo critérios geoeconómicos, geopolíticos e geoambientais). O local é visto também como um espaço social onde se conformam comunidades e constroem-se identidades territoriais. Para um processo de desenvolvimento local sustentável, tem-se definido como referência geopolítica o município. Esta definição ocorre principalmente pela existência de autoridades locais, com legitimidade política conferida através de processos eleitorais para a organização dos serviços públicos e a regulação de assuntos de interesse local.

O município mesmo tendo sido utilizado como referência é sempre abordado, principalmente em termos económicos, suas relações com a região e os potenciais internos de cada comunidade. Olhando sob esse prisma, podemos ver configuradas três escalas de desenvolvimento local – regional, municipal e comunitário – as quais determinam formas de integração diferenciadas entre os diferentes actores sociais. A escala regional recupera o potencial de integração e identidade territorial dos municípios de uma região, com a formação de mercados regionais e de integração do marketing público.

Está muitíssimo claro que o desenvolvimento local envolve fatores sociais, culturais e políticos que não se regulam exclusivamente pelo sistema de mercado vigente. O crescimento económico é uma variável essencial, porém não suficiente para ensejar o desenvolvimento local. Considerado como projeto (PERROUX, 1961), caminho histórico (SACHS, 1993), pluridimensional (BARTOLI, 1999), o desenvolvimento local é sabidamente marcado pela cultura do contexto em que se situa.

O interesse pelo desenvolvimento local nas últimas décadas está associado a razões económicas, sociais e políticas. A geração de trabalho e renda através do incremento de pequenos empreendimentos locais vem ganhando consistência como alternativa possível para os países em desenvolvimento e de economia periférica, sobretudo quando considerada a fragilidade dos Estados para continuar empreendendo políticas económicas convencionais. Quanto ao aspecto social, os indicadores nesses países vêm refletindo os efeitos do insuficiente crescimento económico, com o consequente aumento da pobreza, que, por sua vez, vem sendo enfrentado por políticas sociais compensatórias, nem sempre

suficientes para superar os problemas sociais decorrentes. Sob o aspecto político, as comunidades, assim como as instituições locais, estão sendo mobilizadas e compelidas a se habilitarem como sujeitos do desenvolvimento, realizando ações ou criando condições para sua realização com vistas ao desenvolvimento sustentável.

Alguns passos metodológicos são necessários para se chegar ao desenvolvimento local, delineando as principais dimensões desse processo, assim como a programação e operacionalização do que denomina "ciclos de trabalho cooperativo". É interessante verificar o papel atribuído ao agente de desenvolvimento local nesse processo, comparado ao de um pedagogo-sócio-comunitário que auxilia as comunidades localizadas a encontrar e trilhar seus próprios caminhos do desenvolvimento, amparados - agentes e comunidades - pela metodologia do "aprender a aprender" em conjunto e partilhadamente (ÁVILA, 2005). O desenvolvimento local, ainda segundo ÁVILA (2005) é em última análise, a única forma capaz de romper as amarras do subdesenvolvimento, é endógeno democratizante e democratizador, integrante e integrador, além de auto-sustentável. O avanço nessa direção pode ser praticado por qualquer coletividade, não importa a que divisão ou categoria inventada pertença no universo sub/desenvolvido. Para o autor, o importante é que ela consiga se sensibilizar diante dessa nova ótica, demonstrando capacidade para se mobilizar e se organizar de forma cooperativa, cultivando a autoconfiança e o poder de discernimento, para ir ao encontro das soluções possíveis. Resulta, portanto, em desenvolvimento sociocultural como ponto de partida, que respeita e aproveita as peculiaridades e potencialidades locais. E dessa forma, o desenvolvimento local pode tanto consistir na transformação do momento presente em oportunidade de mudança, contrapondo-se à globalização massificante, como também tornar-se caminho para se atingir maior equilíbrio entre o mundo desenvolvido e subdesenvolvido.

No Brasil, terreno favorável a essa modalidade de desenvolvimento foi-se preparando desde a "Conferência Mundial Sobre Meio-Ambiente", conhecida como "ECO-RIO/92", realizada no Rio de Janeiro em 1992, mas a idéia propriamente dita de desenvolvimento local, de fato passou a ser disseminada principalmente a partir de 1996 (ÁVILA 2003).