3.3 Méthodes d’estimation de la phase instantanée
3.3.3 La méthode ESPRIT
3.3.4.3 Application de WLSE sur le modèle numérique d’engrenages 86
Para chegar até a aldeia São Pedro, a partir da cidade de Capitão Poço, é necessário seguir uma estrada alternativa à que vai no sentido da aldeia SEDE, uma estrada de terra mal conservada, sempre entre fazendas. Nesta área a floresta já desapareceu quase por completo, registrando-se apenas a presença de pequenas ilhas de florestas esparsas e raras. A aldeia de SÃO PEDRO se avista ao longe, pois fica situada no local mais alto da margem direita do rio Guamá, em uma ribanceira com cerca de 20 metros de altura. A margem do rio se apresenta sem a mata ciliar, está completamente desmatada, pois ali era área de fazenda e a floresta foi derrubada para a formação de pasto.
Foto 11 – Vista da Aldeia SÃO PEDRO
Da aldeia avista-se, com certeza o lugar mais bonito da TIARG do Guamá. Sentar no banco de madeira na aldeia, e ver o rio do alto é sem dúvida alguma ver uma paisagem deslumbrante, inesquecível que por si só, já valeria uma viagem para aquela região. O que se vê são praias de areia branca formando várias coroas que penetram em águas verdes azuladas. Essas praias são molduradas pelo verde escuro das árvores nas ilhas no meio do rio. Jovens e crianças brincam e nadam no Rio Guamá, com toda a liberdade que os cerca.
Nenhum adulto vigia as crianças, mesmo os mais pequeninos. Também ali o vôlei é praticado dentro d’água por rapazes e moças. A rede estava presa a postes dentro do rio. Algo novo e interessante que bem poderia ser adicionada aos próximos jogos indígenas. A aldeia é moderna construída em volta de um campo de futebol de terreno irregular fazendo com que um dos cantos do campo fique situado em uma pequena ladeira. Possui luz elétrica direta, levada pelo programa do governo federal luz para todos e operado pela Rede Celpa. Não há iluminação pública, alguns moradores instalaram uma lâmpada na frente de suas casas. A água chega a todas as casas, é tratada e é retirada de um poço artesiano construído pela FUNASA com caixa d’água para 10.000 litros, a água é tratada e operada pelo AISAM de nome Israel Tembé que já foi cacique da aldeia. No mês de Dezembro se faz racionamento da água. Um pouco de água é fornecida pela manhã e outra pequena quantidade à noitinha. A água é gratuita, a energia elétrica não.
Note-se que embora a aldeia se situe nas margens do rio Guamá, rio de grande caudal, a sua água não pode ser utilizada por falta de infra-estruturas de captação e tratamento. A aldeia São Pedro é o pólo principal da Associação das Aldeias Tembé do Triângulo do Alto Rio Guamá (ADATARGMA). É presidida por Sandro Tembé, aluno do terceiro ano da escola de ensino médio da aldeia e que fará vestibular para o curso de engenharia ambiental ofertado pela UFPA dentro das cotas para indígenas implantadas neste ano de 2009. Fazem parte da ADATARGMA, além da aldeia SÃO PEDRO, as aldeias PIRÁ, JAKARÉ, MURYCITY ou MURUCITU e Y’TAWA.
A aldeia conta com um posto médico onde mora e atua um técnico em enfermagem que passa 20 dias na aldeia, folga 10 dias e é substituído por outro técnico, à semelhança do que se registra em outras aldeias. Um enfermeiro visita regularmente a aldeia. Os casos graves e as consultas médicas são direcionados para a cidade de Capitão Poço onde fica a sede do posto de saúde mantido pela FUNASA.
A Escola de Ensino Fundamental e Médio da aldeia é sem sombra de dúvida, belíssima e muito bem construída, coberta com telhas de barro e ventilada, toda decorada com motivos indígenas, foi construída pela SEDUC na administração do governador Almir Gabriel. Os professores são contratados e pagos pela SEDUC. A escola ainda é um anexo da escola estadual de Capitão Poço, mas estão finalizando o seu Planejamento Político Pedagógico (PPP), buscando a autonomia e colocando em prática um currículo diferenciado para o ensino indígena. Os professores moram em um prédio de madeira onde funcionava a antiga
escola da aldeia. As acomodações não são muito boas, esperam a construção de um alojamento mais adequado, já que permanecem por toda a semana na aldeia.
Há também um barracão aberto, entre um pequeno bosque e a margem do campo de futebol que serve para todos os tipos de reuniões sociais, e também para as festas da aldeia. A aldeia cria gado, o vaqueiro e tratador é o índio Marcelo Tembé. Ele toma conta do gado pertencente a uma Associação de adultos. Tem pasto cercado e curral para os bois. Os jovens também tinham uma Associação e gado, porém por discordâncias internas resolveram terminar a Associação e vender o gado. Para conseguir o gado, os Tembé tiveram que fundar duas Associações, uma de adultos e outra formada pelos jovens da aldeia. O governo federal entrou com as matrizes, medicamentos e recursos financeiros para a formação de pastos. A proposta era a participação dos Tembé no trabalho de tratar o gado de forma coletiva. Tanto a Associação dos adultos quanto a dos jovens receberam seus próprios bois e vacas, que passaram a pertencer a todos os membros de cada uma das Associações. No entanto, a falta de acompanhamento técnico conduziu ao desinteresse dos índios pela criação de gado. O fato de não terem tradição nem experiência nessa área contribuiu assim para o seu insucesso. Mesmo os que ainda mantêm o gado não tem grandes perspectivas de se converterem em criadores bem sucedidos.
7.6.1. CACIQUE KOAKRAI TEMBÉ
Foto 12 – Cacique Koakrai Tembé
É um dos mais jovens caciques Tembé do Guamá, 24 anos. Nasceu na aldeia SEDE em 1985. De nome Koakrai Oliveira Tembé, conhecido como Moenda, filho de Sebastião
Tembé. Koakrai em Tembé quer dizer “casca de pau” ou “palha velha”. É cacique desde o ano de 2008 substituindo seu tio o ex-cacique Israel Tembé e devido às obrigações de líder da aldeia, parou de estudar. Viaja muito, porém o lugar mais longe que já conheceu foi Belém que fica cerca de 200 km de sua aldeia. Um trator de esteira é mantido e operado pelo cacique Koakrai para as atividades da aldeia. Esse trator foi confiscado aos madeireiros invasores das terras indígenas. Com ele são construídas barragens, açudes e estradas.
7.6.2. REUNIÃO NA ALDEIA SÃO PEDRO
A reunião aconteceu na Escola da aldeia. Participaram desta reunião, além do cacique Koakrai e da liderança Sandro Tembé, Dona Dedé, liderança da aldeia Murucytu representando a cacique Sueli Tembé que não pode estar presente, a liderança Conceição Tembé, esposa do cacique Santana Tembé da aldeia Y’tawa (a mais distante de SÃO PEDRO, a cerca de 10 km); Participaram também Catito Tembé, cacique da aldeia Pirá, e o cacique Neto Tembé, da aldeia Jakaré, e Sebastião Tembé, pai do cacique Koakrai. Portanto todas as aldeias filiadas a ADATARGMA estavam representadas. Prestigiaram a reunião, os ex-caciques Israel Tembé e Jorge Tembé. Na reunião discutiram-se o projeto do IPHAN, um levantamento do Patrimônio Cultural dos Tembé, e a participação dos Tembé no comércio dos créditos de carbono.
A escola estadual de ensino fundamental e médio onde reunimos era uma escola muito bem construída, nova com amplas salas de aula e bem cuidada, coberta com telhas de barro. Padrão das escolas construídas pela SEDUC no governo Almir Gabriel, com tijolos vazados e parede que não chegavam até em cima, facilitando a circulação do ar tornando a temperatura interna bem agradável. O que mais impressiona quem a vê pela primeira vez são os desenhos nas paredes, nas colunas, sobre as portas e no interior das salas de aula, de elementos da fauna, da flora e dos costumes Tembé, como por exemplo a pintura corporal dos Tembé. Ao lado escola, situada no terreno cercado da escola, fica uma igrejinha católica onde decorrem as atividades e festividades religiosas.
Sandro Tembé falou a respeito da fundação e gerenciamento da ADATARGMA, seus projetos atuais e futuros, a proposta de fundar aldeias para ocupar o espaço dos Tembé e consolidar bases avançadas de vigilância em todo o território da TIARG. Por estas paragens, apenas uma mulher exerce a função de cacique ou capitoa, é a senhora Sueli
Tembé, da aldeia Murucytu. No Gurupi dona Verônika Tembé é a capitoa da aldeia TekoHaw.