Chapitre II : Analyse de la structure financière et son équilibre
Section 3 L’analyse de l’activité et de la performance
Pode t ambém ser adot ado um pont o de vist a alt ernat ivo, segundo o qual o “ produt or” em quest ão não é o clube individual, mas sim a f ederação de f ut ebol, sob cuj a égide os t imes f uncionam em regime de cooperação. Diversos aut ores1argument am que a
cooperação ent re clubes é caract eríst ica f undament al do f ut ebol, por ser condição necessária para a realização de part idas, ou de campeonat os, considerados “ j ust os” e, port ant o, int eressant es para as t orcidas. Há t ambém quem afirme2que a cooperação
at ua como def esa dos clubes cont ra a supervalorização no mercado do principal insumo do qual depende o produt o f ut ebol: a mão de obra de j ogadores e t écnicos.
19HU SRU H[HPSOR .HUQ 7KH (FRQRPLFV RI 6SRUWV
8SMRKQ ,QVWLWXWH IRU (PSOR\PHQW 5HVHDUFK
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O pont o de part ida para a análise econômica do f ut ebol deve ser a compreensão da cadeia produt iva do set or. Tal cadeia t em seu pont o f ocal na relação ent re clube e t orcedor, que adquire ingressos para part idas e produt os dePHUFKDQGLVLQJ. Vale not ar que cada um dos grandes clubes dispõe, por meio de sua t orcida, de uma expressiva efiel base de client es, que t ipicament e t ranscende f ront eiras de renda e é capaz de gerarfluxos est áveis de receit a, ao menos quando j oga em casa. Embora est a sej a a relação cent ral, o set or inclui diversos out ros mercados de produt os dist int os, como a Figura 1 permit e const at ar. Os principaisfluxos de renda se est endem desde o t rei- nament o e negociação de passes de j ogadores at é a venda de cot as de pat rocínio, direit os de t ransmissão de part idas, licenciament o de produt os com a marca do clube e publicidade.
C A D E R N O S F G V P R O J E T O S : F U T E B O L E D E S
Apesar de cont ar com um relevant e component e de apt idão inat a do indivíduo, a habi- lidade de um j ogador (ou t écnico) é, em boa part e, o result ado de cust osos invest imen- t os realizados ao longo de sua f ormação. Trat a-se, port ant o, de um at ivo int angível de alt o valor e f ácil t ransf erência ent re clubes. Frent e ao cresciment o do ‘ negócio f ut e- bol’ e à compet ição com t imes est rangeiros pelos melhores t alent os, os clubes t êm-se vist o crescent ement e dispost os –ou obrigados, –a remunerar seus at let as e t reinadores com somas vult osas. Assim, est e mercado se t ransf ormou em uma indúst ria de alt íssima lucrat ividade, superaquecida e replet a de especulação – f at o evidenciado pelos inúme- ros casos de j ogadores com cont rat os milionários cuj aSHUIRUPDQFHse revela aquém das expect at ivas. De f at o, muit os clubes, especialment e dent re os chamados “ clubes de massa” (com alt a capacidade de gerar receit as de bilhet eria ePHUFKDQGLVLQJ), t êm a maior part e de suas receit as advinda de sua at ividade nest e mercado secundário de mão de obra, criando verdadeiras “ linhas de produção de j ogadores” para t erem seus passes vendidos.
Vale mencionar que, apesar de consist irem economicament e em empresas pro- dut oras de bens de consumo, os clubes de f ut ebol em geral não podem ser considerados
firmas maximizadoras de lucro, no sent ido clássico. Ist o se const at a empiricament e pelo f at o de que cert os clubes dos mais variados perfis regist ram sist emat icament e
GHÀFLWVanuais, enquant o out ros, similares em t orcida e receit as, são capazes de gerar
VXSHUDYLWVconsist ent ement e. Essa discrepância ent re modelo e realidade pode ser at ri- buída a diversos mot ivos, dent re os quais:
Dist orções de incent ivos geradas por arranj os inst it ucionais inadequados (as dificuldades associadas ao processo elet ivo para as posições de dirigent e; o problema dos passivosfiscais dos clubes, em uma versão brasileira doWRR ELJ WR IDLO; ou o próprio modelo do t ime de f ut ebol como clube); e
Vieses cognit ivos sist emát icos, do t ipo f requent ement e const at ado em pesqui- sas de economia comport ament al, possivelment e exacerbados pelo carát er passional da at ividade-fim do clube, que pode dar pret ext o para decisões ext remadas.
Muit o embora a cadeia produt iva do f ut ebol est ej a longe do modelo clássico de máxima eficiência e compet ição perf eit a, t rat a-se inegavelment e de um set or que, além de grande import ância na economia brasileira, demonst ra rápido cresciment o, em f unção da evolução crescent e na capacidade de consumo e dist ribuição da renda
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dos brasileiros, da profissionalização do j ogo e da progressiva consolidação de diversas compet ições profissionais que geram público e renda (por exemplo, no âmbit o sul-ame- ricano, os principais campeonat os est aduais, Campeonat o Brasileiro, Copa do Brasil, Copa Sul-Americana e Torneio Libert adores da América).
De f at o, em 2008, os 21 clubes com maiores receit as do f ut ebol brasileiro ge- raram, conj unt ament e, receit as t ot ais no valor de R$ 1,4 bilhão, represent ando uma evolução de 69% ao longo de cinco anos3. A t ais receit as devem ser somados os va-
lores agregados pelos demais agent es econômicos em f unção da venda de produt os licenciados ePHUFKDQGLVLQJ, da t ransmissão de part idas (com consequent e receit a de publicidade), das lot erias, da exposição de marca obt ida por pat rocinadores dos clu- bes, além dos valores moviment ados no mercado secundário de cont rat os de j ogadores e t écnicos.
Ademais, a moviment ação diret a de recursos em f unção do f ut ebol t em t am- bém como consequência impact os indiret os sobre out ros set ores da economia, vist o que clubes, pat rocinadores e out ros agent es do f ut ebol consomem insumos (mat eriais de t rabalho, equipament os et c.), produzidos por out ras empresas, e empregam mão de obra, que, por sua vez, t ransf orma part e dessa renda em consumo. Assim, ocorre um ef eit o mult iplicador, no qual o valor agregado pelo set or t ermina por reverberar indire- t ament e, em maior ou menor grau, por t odos os segment os da economia. Esse processo de dist ribuição e mult iplicação dos impact os, t radicionalment e modelado para out ros segment os da economia at ravés de mat rizes insumo-produt o e modelos de equilíbrio geral comput ável, encont ra-se resumido na Figura 2.
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