9.3. LE RÉSEAU ROUTIER EN TRAVERSÉE D'AGGLOMÉRATION
9.3.3 L’agglomération de Saint-Paul-du-Nord/Sault-au-Mouton
No começo foi um Espiritismo que tinha por meta final a implantação do evangelho nas consciências, surgindo através de falanges aguerridas[...]falanges sempre dirigidas por vigorosos mentores: Caboclos, índios, Pretos-velhos que deixaram indeléveis recordações em trabalhos realizados de limpeza, de desobsessão e de pioneirismo espiritual[...] esses trabalhadores do Invisível limparam o terreno para o evangelho. (Silvia Alessandri)
A história da Umbanda se confunde com a história do Espiritismo20. Em 1935
“um grupo de operários fundaram um Centro em um barracão de tábuas, ás margens do Botafogo” (VELOSO, 2010, p.117). Segundo a literatura Espírita, este seria o início do Espiritismo em Goiânia. Neste Centro, o doutor Alcenor Cupertino que era agrimensor nas obras e assessor de Pedro Ludovico, vendo as péssimas condições do Centro religioso conversou com Pedro Ludovico e conseguiu um terreno para a construção de um novo templo, na Rua 3, no Setor Central, para ser a nova sede do Centro Espírita. Assim, no dia 08 de março de 1938 inaugurou-se oficialmente o primeiro Centro Espírita de Goiânia que recebeu o nome Centro Espírita Aprendizes do Evangelho. Esse mesmo assessor do interventor esteve presente na inauguração, anos mais tarde, do Centro Eclético Espiritualista Tenda do Caminho. Os nomes dos operários fundadores do Centro de madeira e palha são desconhecidos. Ficou a memória do patrão, filho de uma família de elite da cidade de Goiás que se articulou com o interventor do estado Pedro Ludovico. Os fundadores do Espiritismo em Goiânia estão até hoje no anonimato e no esquecimento.
20 No dia 15 de março de 2017 o prefeito municipal Iris Rezende sancionou a lei 10.022 e incluiu no
calendário oficial de eventos da cidade a Semana Espírita Municipal a ser realizada na primeira quinzena de junho de cada ano. Assim, em abril do mesmo ano, houve uma homenagem em sessão especial na Câmara dos vereadores ao Dia do Espirita (dia 18 de abril) e lá compareceram espiritas, candomblecistas e umbandistas. Disponível em: https://www.dm.com.br/politica/2017/05/o-abraco-de-
Figura 10: Centro Espírita Estudantes do Evangelho em 1949.
Disponível em: http://blogdadonadidi.blogspot.com/2011/06/historia-do-espiritsmo-em- goiania.html. Acesso em 09.set.2018.
Em novembro de 1943 é criada a Agremiação Espirita Dr. Adolfo Bezerra de Menezes21 e foi nesta agremiação que foi fundada, em 1950, a Federação Espirita do Estado de Goiás-FEEGO, que naquela época recebeu o nome de União Espírita Goiana. (No conselho fiscal empossado jazia como membro o coronel Francisco Ferraz de Lima, que dezenove anos depois, em 1969 esteve presente nesta mesma sede para discutir com outros líderes umbandistas a fundação de uma Federação de Umbanda do Estado de Goiás). Ewane Loyola, que foi presidente da Agremiação conta que:
Este Centro, ele foi o primeiro Centro, um dos primeiros Centros de Umbanda branca, de Umbanda branca que nasceu em Goiânia. Ele foi o primeiro. Ele é de 15 de dezembro de 1943. Dele, deste Centro saiu a Irradiação Espirita Cristã (...) o Dr. Colombino de Bastos, ele foi arquiteto deste prédio, na Avenida Contorno. Está lá até hoje o prédio. Então ele criou, ele junto com mais outra equipe, criou esse Centro e tinha o Kardecismo e tinha uma Umbanda, uma Umbanda de mesa, aquela Umbanda de mesa antiga que pouco se fala dela hoje (DEPOIMENTO DE EWANE, 2018, p.1).
21 Não foi possível encontrar documentos escritos referentes à Agremiação Espírita Dr. Bezerra de
Menezes. A história do Espiritismo não o menciona e houve um incêndio no Centro queimando as atas de reuniões, fotografias, iconografias, e demais documentos.
Essa informação de Ewane parece ser mais coerente com os fatos históricos, pois parece muito difícil que operários que moravam nas margens do Botafogo, que eram migrantes trabalhando na construção da cidade nos primeiros anos e possivelmente iletrados pudessem fundar um Centro Espírita para estudar os livros de Kardec22. Como se poderia legitimar um Centro de Umbanda naquele contexto? Também não sabemos se o patrão fora chamado porque era Espírita ou se porque sendo agrimensor era quem cuidava da ocupação da terra naquele contexto. O que se sabe é que o primeiro Centro recebeu atenção do espírita Alcenor Cupercino.
Até os dias de hoje, os Centros de Umbanda em Goiânia, com algumas exceções, se chamam ‘Centro Espíritas’ e poucos acrescentam a palavra ‘Umbanda’ ao seu registro. Nas atas da FUEGO encontram-se registrados nomes de dirigentes e representantes de ‘Centros Espíritas’. Como distinguir naquela época um Centro espirita de orientação Kardecista de um Centro Espírita de orientação umbandista? Onde essas fronteiras se separavam na história da Umbanda em Goiânia? Parece que não se separavam e não parece ter sido um problema nas primeiras décadas ter um Centro Espirita que unia a tradição kardecista com a tradição umbandista. Eram religiosos práticos, voltados para tratamentos espirituais, principalmente de saúde e onde havia incorporações de entidades voltadas para isso: “Então nós tínhamos casos de curas impressionantes, que a Umbanda é capaz de fazer e Centro Espírita não sei se faz” (DEPOIMENTO DE ANTONIETA, 2008, p.2).
O Espiritismo sofreu muita incompreensão social no fim do século XIX e na primeira metade do século XX. Houve inúmeras e persistentes perseguições das leis republicanas. Um artigo no código penal de 1890 confundia a prática Espírita com magia:
Artigo 157: "É crime praticar o Espiritismo, a magia e seus sortilégios, usar de talismãs e cartomancias, para despertar sentimentos de ódio ou amor, inculcar cura de moléstias curáveis ou incuráveis, enfim, para fascinar e subjugar a credulidade pública. Pena: prisão celular de 1 a 6 meses e multa de 100$000 a 500$000."(CÓDIGO PENAL, 1890).
Apesar da existência de deputados declarados Espíritas como Bezerra de Menezes, o artigo se manteve assim até 1940 quando teve a reforma do código penal.
Alcenor Cupertino de Barros era sócio da construtora ETC. fundada por Colombino Augusto de Bastos que era da cidade de Goiás e que se formou em engenharia e arquitetura no Rio de Janeiro em 1941. Veio para Goiânia em 1945 e fundou a empresa. Como chefe de obras, Colombino cuidava dos operários, mas começou a ter ‘ataques de nervos’, maltratando-os e dispensando-os do trabalho por motivos banais. Diante disso, seu sócio Alcenor resolve levá-lo para tratamento espiritual no Centro Espírita Estudantes do Evangelho23, já situado na Rua 3 no natal
de 1945 e lá: “Na segunda vez que Colombino participou da reunião, incorporou”(VELOSO, 2012, p.106). Porque incorporou? Porque havia possibilidades para isso? Será que o Centro tinha rituais que possibilitavam esse tipo de manifestação? Também não fica claro se o Centro Espirita acima citado o aceitou com sua mediunidade, ou se o próprio Colombino achou melhor não se misturar com os membros que organizavam o Centro. O que se sabe é que a partir disso, Colombino começou a atender em domicílios. O fato de atender nas casas das pessoas e nelas fazer as reuniões onde trazia seus guias, talvez acene para a dificuldade que o Espiritismo tradicional teve para aceitar as incorporações de Colombino.
A incorporação sempre foi motivo de controvérsia entre kardecistas e umbandistas. Alan Kardec admitiu a incorporação confundindo-a com possessão. No livro dos espíritos, Kardec afirma que não é possível coabitar dois espíritos num mesmo corpo, mas que a alma pode se encontrar na dependência de outro espírito, sempre subjugada ou subsidiada. Isso foi entendido como obsessão. Assim “a palavra possesso deve ser entendida apenas como a dependência absoluta em que a alma possa se encontrar em relação aos espíritos imperfeitos que a subjugam” (KARDEC, 2012, p.251). Mais tarde, retificou essa perspectiva entendendo que havia a possibilidade de incorporação na medida em que o médium podia permitir que um espírito se comunicasse em seu corpo através da voz. A isso ele chamou de psicofonia. (KARDEC, 2003, P.578).
23 A literatura menciona ‘Centro Espírita Aprendizes do Evangelho’ e ‘Centro Espirita Estudantes do
Evangelho’. Deve ser o mesmo Centro, pois ora se nomeia assim, ora de outra forma. Talvez quando o Centro se mudou para a rua 3 a palavra ‘aprendizes’ tenha sido trocada para ‘estudantes’.
Figura 11: Incorporação numa gira de umbanda. Foto de arquivo da FUCEGO
Ora, desde as primeiras manifestações da Umbanda enquanto sistema religioso, no Rio de Janeiro, estar possuído por um Caboclo, como foi o caso do Caboclo Sete Encruzilhadas que se manifestou no corpo de Zélio Fernandino de Moraes e mais tarde, de um Preto-Velho que se identificou como Pai Antônio de Aruanda, pareceu aos kardecistas uma religião que exaltava e seguia espíritos imperfeitos e maléficos. Nas crenças culturais brasileiras e no kardecismo de tradição positivista, os indígenas, africanos ou descendentes de africanos no Brasil, eram representantes de povos atrasados, selvagens, incultos e imorais. A Umbanda, neste sentido, representou por muito tempo a religião do retrocesso e da involução.
Na sua ultima obra, Kardec diferenciando possessão de obsessão, admitiu a existência de possessão de espíritos bons num corpo encarnado:
Na possessão pode tratar-se de um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente lho empresta, como emprestaria seu fato a outro encarnado. Isso se verifica sem qualquer perturbação ou incômodo, durante o tempo em que o Espírito encarnado se acha em liberdade, como no estado de emancipação, conservando-se este último ao lado do seu substituto para ouvi-lo (KARDEC, 2013, p. 260).
A religião umbandista assumiu essa perspectiva do ‘espirito bom’ que toma o corpo do médium por livre e expressa vontade deste de querer essa incorporação. Alexandre Cumino, sacerdote de Umbanda, entende que:
Quando incorporamos, nosso espírito não sai do corpo para outro entrar, eles coabitam o mesmo corpo, por isso que o médium deve aprender a ficar quieto e não interferir para que seu guia possa se manifestar (CUMINO, 2018, p. 40).
Já W.W. da Mata e Silva, na década de 60, falava de incorporação enquanto alteração de consciência. As entidades trabalham irradiando a sua luz e se manifestando através do corpo do médium, permitindo a comunicação da entidade. Ela pode acontecer de modo totalmente inconsciente onde as partes psíquicas, sensoriais e motoras do médium são totalmente dominadas e ou de uma forma semiconsciente onde:
Dá-se uma espécie de desprendimento involuntário da vontade sobre o sistema nervoso do médium, que deixa de controlar em 70% (cálculo relativo) o seu corpo físico, ou seja, os seus órgãos, principalmente o vocal e fica com o seu consciente ou psiquismo, assim como que “alheio” ou sem força para interferir diretamente (SILVA, 1984, p. 70).
Colombino, em sua missão curadora, esteve na casa do amigo Francisco Ribeiro Scartezini que tinha um bazar de livros e materiais escolares na Rua 4, e lá tratou de sua esposa, dona Alice, no ano de 1947. O tratamento espiritual foi feito na casa de Francisco onde
Na corrente formada em torno do leito violenta falange tomou os médiuns atirando-os contra a parede e moveis, dominada enfim, pela direção espiritual que sempre surgia através da mediunidade de Colombino (VELOSO, 2012, p.107).
Colombino recebia uma entidade que se apresentava com o nome de ‘O velhinho’ (CASTRO, 1995, p. 29). Era um Preto-Velho que se apresentava por esse codinome. Será que numa sociedade tão segregadora seria possível se apresentar como ‘Preto-Velho’, que fora escravizado na época colonial e agora vinha como ‘espirito evoluído’ para ensinar a humanidade?
Francisco Ribeiro Scartezini se empolgou com a cura de sua esposa e passou a acompanhar Colombino em sua jornada espiritual, convocando inclusive pessoas para se reunir com ele em residências dos membros do grupo, pois “os Pretos- velhos, índios e Caboclos nem sempre eram bem recebidos pelos dirigentes dos
Centros” (CASTRO, 1995, p.30). Essa informação revela que já existia um conflito entre o Kardecismo e a Umbanda desde o início. A mesma dificuldade que se encontrou no Rio de Janeiro em aceitar as entidades da Umbanda, se revelava aqui também. Por outro lado, essas entidades foram importantes naquele momento para aquelas famílias.
Juntou-se ao grupo, vindos do Rio de Janeiro, o coronel Joaquim de Souza Junior, conhecido como Quinzinho e sua esposa Margot que tinham experiência com a Umbanda. Vão sugerir que se crie um Centro de Umbanda e assim nasce em 20 de janeiro de 1951 a Tenda do Caminho, tendo Colombino Augusto de Bastos como presidente. Ele ficou por oito anos.
Figura 12: Centro Eclético Espiritualista Tenda do Caminho em 1954
Disponível em: https://blogdadonadidi.blogspot.com/search?q=tenda+do+caminho. Acesso em 28 ago.2018.
Este Centro era espirita e umbandista, sendo original na cidade e em 06 de fevereiro de 1954 foi inaugurado oficialmente com o nome Centro Espiritualista Eclético Tenda do Caminho, e contou nesta festa com a presença do fundador de Palmelo, tida como a maior cidade espirita do Brasil, Jerônimo Cândido Gomide. O Centro se considerou eclético porque tinha as entidades da Umbanda, como os Pretos-velhos e os Caboclos, mas ao mesmo tempo tinha a leitura das obras de Alan Kardec como base doutrinária do Centro. A obra integrava em suas fileiras
pessoas de tradição espirita como as irmãs Maria Antonieta e Silvia Alessandri e, também, pessoas de elevada classe social portando curso superior:
O grupo inicial, constituído quase todo de pessoas portadoras de curso superior, teria, a par da conquista da humildade, a mais difícil das virtudes a ser adquirida, segundo Santo Agostinho, a de curvar a cabeça com respeito e reverência para ouvir a mensagem simples e abalizada dos mestres espirituais na linguagem afetiva dos Pretos-velhos, índios e Caboclos (CASTRO, 1995, p.33).
De fato, a alta sociedade passou por este Centro. Figuram nomes como Olinto Manso Pereira, José de Andrade, José Crispin Borges, Ernani Cabral de Loyola Fagundes, Alcenor Cupertino, etc. Eram médicos, professores universitários, advogados e engenheiros, profissões essas consideradas nobres e com poucos representantes em Goiânia na década de 50. Também participou o jornalista Geraldo Araujo Vale que depois escreveu Tenda do caminho: mensagens espiritualistas.
As mulheres se dedicaram à parte social da entidade, coletando fundos para construir uma sede definitiva para o Centro e para construir obras de assistência aos menos favorecidos. Eram jantares beneficentes, festividades, barracas de exposição na Agropecuária, campanha para novos sócios, etc... Assim, o Centro Eclético construiu várias obras sociais24, sob a batuta de Colombino, que aos domingos de manhã colocava o ‘velhinho’ em terra para dar palestras e atendimentos aos presentes, bem como desenvolver novos médiuns como Silvia Alessandri e dona Geraldina Araujo, a dona Didi.
Havia o guia maior que era o mentor da casa, o Manoel Maior, também entidade de Colombino e que provavelmente era um Caboclo. Era ele que abria a sessão e coordenava os trabalhos que aconteciam três vezes por semana e nos domingos pela manhã. Consistia em reuniões abertas que se iniciava com a prece do Velhinho. Seguia com hinos e orações. Alguns hinos foram recebidos ‘por via mediúnica’ como o hino à Matilde, hino ao Emmanuel, e Hino à Mocidade
24 Dentre essas obras têm a escola profissional Casa da Pequena Costureira em 1952; a Creche
Tenda do Caminho, também de 1952 e inaugurada em 1957; a Obra do Berço fundada em 1954; o Ambulatório Bezerra de Menezes desde 1952; em 1953 foi fundado o grupo escolar ‘Humberto de Campos’ e em 1954 a Mocidade Espirita Aprendizes do Caminho. Todas criadas e dirigidas pelas mulheres. Colombino irá desenhar e supervisionar, tanto materialmente como espiritualmente, essas obras.
Aprendizes do Caminho (CASTRO, 1995, p.61). Após isso havia a palestra do Velhinho e se lia o Evangelho segundo o Espiritismo de autoria de Alan Kardec.
As incorporações ocorriam em caráter reservado25, bem com os tratamentos espirituais. Com o passar do tempo foram surgindo cursos de evangelização aos domingos que, inicialmente era apenas para os membros do Centro e depois para todo o estado de Goiás. Então a radio Brasil Central abriu um espaço para um programa infantil que foi intitulado “Era uma vez...” e que ia ao ar aos domingos de manhã, contando histórias para a criançada.
Em 1958, com apenas 45 anos de vida, Colombino faleceu e então Antonieta Alessandri26 assumiu a presidência do Centro e das obras. Ficou na direção por 28 anos. Ela vinha de um lar espirita de Minas Gerais, era formada em filosofia e dirigia o departamento de assistência social do Centro. Por intermédio dela, o Centro recebeu diversas subvenções municipais entre os anos de 1960 a 1968, principalmente para a creche Tenda do Caminho27.
Foi com Antonieta que o Centro deixou de ser eclético para se tornar apenas um Centro de orientação Kardecista. O ritual de Umbanda que coexistia no Centro terminou. O nome da instituição mudou em 1961 e se tornou Centro Irradiação Cristã. As obras sociais também mudaram de nome. Antonieta era uma mulher empreendedora. Na primeira diretoria do Centro Eclético ela assumiu o Departamento de Assistência. Era casada com o primeiro médico cardiologista de Goiânia, Clóvis Figueiredo, muito conhecido na alta sociedade goianiense. Como ela não tinha necessidade de trabalhar para seu sustento material, dedicou sua vida a construir obras sociais e fundar Centros Espíritas, tanto em Goiânia, quanto em outras cidades, inclusive em outros países:
E como eu acho o Espiritismo uma coisa importante, eu tinha filho na Europa, a Raquel Teixeira, minha filha né, morava na Europa, fui pra lá,
25 Essa perspectiva de incorporação em local reservado que não ficasse à vista dos participantes, foi
mantida em alguns centros de umbanda de Goiânia. Depois que os médiuns estão incorporados, é que a assistência pode adentrar no recinto para conversar com as entidades.
26 Maria Antonieta Alessandri era do triangulo mineiro, da cidade de Monte Alegre. Filha de uma
família tradicional e influente. Fez o magistério na sua cidade e seguiu com o curso de filosofia na USP em São Paulo. Posteriormente fez pedagogia na UFG em Goiânia. Sua família era espirita e criou Centros Espiritas e obras sociais na cidade local inspirada na obra do mineiro Eurípedes Barsanulfo.
27 Pode ser que essa prática já houvesse na década anterior, mas os diários oficiais do município
apenas serão publicados a partir de 1959. É nos diários oficiais que se encontra a doações que a prefeitura fazia para a creche e para o Centro Espirita.
fundei lá 6 Centros Espíritas, nos Estados Unidos, lá em Washington, Miami, em todo lugar, depois fomos lá pra outro lugar, lá na Alemanha, fundamos Centro Espírita, até na Rússia eu fundei um Centro Espírita (DEPOIMENTO DE ANTONIETA, 2008, p. 2).
A obra iniciativa de Colombino e de suas entidades religiosas passou para Antonieta que a destituiu da religião umbandista. Nem todos aceitaram essa decisão. Geraldina Araujo, a dona Didi começou a receber mensagens do guia da casa, Manoel Maior e resolveu junto com seu marido e mais outros médiuns se retirar do Centro Espirita Irradiação Cristã. Nasceu assim, em 1962, o Centro Espiritualista Irmãos do Caminho.
1.5. NASCE UMA CLASSE MÉDIA E A UMBANDA BRANCA: O KARDECISMO E