LES EFFETS DE L’APPARTENANCE PROFESSIONNELLE SUR L’ÉLIGIBILITÉ DES MÉDECINS
3. DE LA POSITION SOCIALE DE LA PROFESSION MÉDICALE DANS L’ÉLIGIBILITÉ DES MÉDECINS ÉLUS LOCAUX
3.3.3 L’adoption de la perspective humanitaire par les acteurs de la vie internationale
42 Ciência que estuda os signos da linguagem verbal e não-verbal: o significante (som e imagem do signo) e o significado (o conceito associado ao significante).
A Moda é explicada, por Cristina L. Duarte na sua obra de 2004, intitulada O que é Moda, como sendo um fenómeno social, “uma das manifestações da vida em sociedade” (Duarte, 2004, p.39), estudada através de modos de pensar, de sentir e de proceder. A Moda não se limita somente ao “eu”, como se vivesse à parte da sociedade, a Moda é o “nós” que necessita de ser vista pelos outros a fim de ser comentada, apreciada e distinguida. A Moda sendo um processo colectivo, absorvida por uma cultura, “integra o indivíduo na sociedade e na história” (Duarte, 2004, p.40). A autora depara-se com o fenómeno da imitação que Simmel e Veblen, entre outros estudiosos, em suas teorias, já o tinham referido e que foram criticados, porém é observável que o individuo sinta a vontade de se diferenciar dos demais, que anseie realizar feitos notáveis com o intuito de ser glorificado perante a sociedade, conduzindo este a um grupo social que aprova as suas acções e o integra. Esta diferença adquirida é possível que se torne em rivalidade, muitas vezes analisada no seio das elites sociais, e é nestes casos que “A imitação poderia designar-se como uma transição psicológica, com a transição da vida do grupo para a vida individual” (Simmel, 2014, p.23), a imitação é observável porque os indivíduos querem sobrepor-se uns aos outros, a fim do reconhecimento pessoal. Duarte (2004) refere ainda que uma análise sociocultura da Moda nas sociedades actuais é o mais sensato, o que implica que haja um estudo diacrónico44 deste fenómeno, porque é a partir da história do vestuário que se constrói e se percebe a Moda, sendo ela uma função que une e diferencia indivíduos e grupos sociais.
A mudança que se fez notar ao longo da história, mais precisamente do século XX e do século XXI, perante o conceito de Moda foi a maneira como os investigadores contemporâneos orientaram as suas pesquisas empíricas, sobre o tema. Baldini (2015) define Moda como oposição da tradição, à medida que a Moda se afirma na sociedade o traje vai sendo ultrapassado e ficando no passado. O deslumbramento pela Moda e pelas suas publicações que prometem “beleza, juventude e sedução” (Baldini, 2015, p.59) tornou, desde muito cedo, a sociedade consumista e pronta a abraçar novas tendências, publicitando o narcisismo45. A Moda e o narcisismo estão intimamente ligados, assim sendo a Moda para ser novidade necessita de indivíduos que a imitem a fim de criar uma nova Moda estando sempre em renovação, e o mesmo acontece com o narcisismo que necessita de uma audiência para que se torne grandioso, para o narcisista os olhares das pessoas em seu redor são importantíssimos para que ele se sinta importante “A função de comunicação do corpo se acentuou no século XX, com a força de uma cultura da imagem, tornando-se meio de expressão de subjectividade, revelação do eu. Se vista e diga-me quem é” (Mota, 2008, p.26).
44 Estudo das mudanças sociais ao longo do tempo (termo inicialmente usado por Ferdinand de Saussure para o estudo das mudanças da língua ao longo do tempo).
2.4. A Moda Vogue
A noção de Moda tem várias percepções, como sendo um método de imitação, um objecto simbólico, uma prática social, um estudo na área da história ou um estudo na perspectiva estruturalista e da semiologia, um método de produção cultural, na lógica da produção e consumo de Moda que se apresenta através de publicações, no caso da Vogue, por via de produções visuais e de conteúdos de Moda. A produção visual assume-se como um procedimento de selecção colectiva de produtos de consumo, os acessórios, o vestuário, o calçado, os produtos de beleza, bens que são impostos e divulgados como Moda. A edição mensal de cada publicação apresenta o produto final que espelha o gosto dos produtores e a influência que têm na identidade colectiva da publicação.
A Vogue é uma das instituições mundiais mais importantes que certifica, caracteriza e difunde a Moda em diversos países através da produção de tendências estilísticas, novas imagens e novidades, e cria, visual e culturalmente, a Moda de inúmeras maneiras. Segundo Kawamura (2004), a Moda é um sistema que revela as diferenças entre Moda e vestuário, afirmando que a Moda é um produto simbólico intangível ao revês do vestuário que é um produto material e tangível. A Moda tem função estatuária e precisa de ser oficializada, produzida e difundida culturalmente, e o vestuário tem como função a sua utilização e pode ser encontrado em qualquer sociedade. Para a autora o sistema de Moda trabalha na diferenciação entre Moda e o vestuário e nesta perspectiva a Vogue responsabiliza-se por essa conversão estatuária, sendo “uma das principais instituições mundiais que legitimam e caracterizam a moda, tornando o vestuário em produtos simbólicos e de consumo” (Rocha, 2011, p.12). A Vogue é uma indústria que cria modas e o seu principal objectivo é a produção de novas imagens, diferentes tendências e inovações estilísticas a fim de elevar a imagem de Moda e satisfazer o consumidor.
Rocha (2011) na sua obra reflecte no sentido em que o estudo das publicações, na área da Moda, pode ser realizado na perspectiva da produção visual, por via do styling [estilo], da fotografia, da direcção editorial e da direcção artística, porque todas estas funções concebem uma edição final, é o caso da Vogue que é editada mensalmente ao público. A Vogue faz parte de uma brand [marca], presente em diferentes países, que depende de factores institucionais que restringem a linguagem visual do artigo, e que a ajustaram ao longo do seu percurso histórico. O autor alude ainda que o procedimento de produção de Moda, visual e textual, é delimitado por uma estrutura hierárquica que envolve indivíduos para a concretização de um produto final. O vestuário, que é um processo de manufactura material, é examinado e autenticado por vários profissionais, como directores de arte, editores, stylists [estilistas], testado em manequins, actores e em inúmeras figuras públicas que cooperam para a divulgação da Moda.
A Vogue teve um percurso histórico46 notável sendo possível uma observação da sua evolução, não só enquanto brand [marca] mas, também enquanto criadora de Moda para o mundo. Com as suas primeiras publicações, retractadas em desenhos da sociedade, é possível analisar a evolução da Vogue, da Moda, da fotografia e a emancipação feminina. O desenvolvimento da fotografia e anos depois com a inovação da fotografia de Moda, que tornar-se-ia numa arte, a
Vogue teve uma grande mudança devido ao contributo de fotógrafos que tiveram uma enorme
importância, desde o início, para “o desenvolvimento de uma identidade visual da publicação” (Rocha, 2012, p.39). A implementação da fotografia, nas publicações da Vogue, inovou totalmente a perspectiva da Moda “(…) com o objectivo de converter a fotografia em algo evidente e unir o excesso de significante a um único significado”47 (Bourdieu, 2003, p.271) produzindo metáforas visuais que auxiliam o consumidor, à identificação do objecto, gerando neste o desejo de alcançar o que vê.
De acordo com Barthes (1981), a Vogue produz edições através de uma forte denotação prescindindo da retórica demonstrando, deste modo, que as suas publicações são destinadas a um público socialmente distinto; contrariamente a outras publicações, destinadas a um leitor mais popular, que demonstram a utilização de uma forte retórica que desenvolve a importância cultural. Segundo Barthes (1981):
Esta oposição tem uma explicação: poderíamos dizer que quanto mais elevado é o nível de vida mais o vestuário proposto (por escrito) tem possibilidades de ser realizado, e a denotação (de que já vimos o carácter transitivo) readquire aqui os seus direitos; inversamente, se o nível de vida é mais baixo, o vestuário é irrealizável, a denotação torna-se vã e, então, é necessário compensar a sua inutilidade por meio de um sistema de forte conotação, cuja característica é permitir o investimento utópico: é mais fácil sonhar com o vestido que Manet teria gostado de pintar do que fazê-lo ou adquiri-lo.
(Barthes, 1981, p. 137)
A Vogue tem como função divulgar Moda e também celebridades, e é neste contexto que Barthes (1981) explica o modo de como a revista é apresentada e a intenção com que é publicada, sendo uma revista de luxo, a denotação implica um vestuário caríssimo, com inúmeras modificações, dispensando a retórica, ao invés das outras revistas populares que apresentam uma denotação pobre, fotografando um vestuário barato, considerado acessível. Estas publicações de luxo interligam celebridades e Moda, aproveitando-se do seu valor simbólico, perante o público, a fim de produzir novas tendências, estilos, looks [visual] e novas imagens.
As revistas que são vendidas ao público podem orientar percursos positivos mas também negativos na vida de cada indivíduo. A ideia que a magreza é glamour [encanto] e ambicionada pela maioria das mulheres surgiu devido às revistas de Moda, principalmente à