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L’évolution de l’analyse des coques minces par éléments finis :

Chapitre 3. Théories des coques

3.3.4. L’évolution de l’analyse des coques minces par éléments finis :

Enquanto a oposição manteve uma postura favorável em relação aos protestos, considerando um direito consagrado na Constituição do país, o partido no poder e algumas das suas principais figuras, tiveram sempre uma atitude crítica e negativa em relação aos protestos. O nervosismo tornou-se visível em algumas figuras dos quais se destacam o próprio Presidente da República José Eduardo dos Santos, o Secretário-geral do MPLA, Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, o secretário provincial de Luanda, Bento Francisco Sebastião Bento e o ministro dos antigos combatentes, general Kundi Paihama.

Foram na verdade estas reações que deram a amplitude ao movimento de protesto. Mostrou que o governo não estava preparado para lidar com uma situação semelhante e trouxe a tona as fragilidades do regime.

No dia 15 de Abril de 2011, na abertura da I Sessão Extraordinária do Comité Central do partido MPLA, o Presidente da República acusava as potências ocidentais de estarem por detrás desta onda de protestos com o objetivo de o derrubar e colocar fantoches no poder, que sirvam aos interesses desses países. Mas, mais importante do que isto,

182 De acordo com CORDEIRO, Ana Dias – Movimento em Angola Pode Trazer Abertura mas não

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Eduardo dos Santos reconhecia que a primavera Árabe estava a ter também reflexos em Angola. Segundo o Presidente,

Hoje há uma certa confusão em África e alguns querem trazer essa confusão para Angola. Devemos estar atentos e desmascarar os oportunistas, os intriguistas e os demagogos que querem enganar aqueles que não têm o conhecimento da verdade. Temos que ser mais ativos do que eles para

vencermos a batalha da comunicação da verdade. 183

Meses depois, o presidente acabaria por dar uma entrevista ao canal português SIC Notícias, voltando a fazer referência direta a primavera Árabe como o modelo que muitos jovens viram para tentar ameaçar o seu regime. De acordo com o presidente angolano,

Eles tentaram, tentaram logo depois das revoltas na Tunísia, no Egipto e depois do conflito que eclodiu na Líbia, tentaram aqui também incitar a juventude para realizar grandes manifestações. Utilizaram as redes sociais para comunicar as suas mensagens e estabelecer mecanismos de mobilização e sensibilização, mas a verdade é que não pegou porque há uma ação positiva no sentido de se melhorarem as condições de vida dos cidadãos, no

sentido de trabalhar para o bem comum.184

A informação sobre o que acontecia no norte de África foi vital para os manifestantes e Eduardo dos Santos teve igualmente esta perceção. Sabia que se regimes semelhantes ao seu estavam em queda como peças de dominó, e num período apenas de semanas e meses, isto poderia servir também de motivação para os jovens angolanos continuarem com os protestos mantendo a crença de que ele também podia abandonar o poder. Daí a razão dos órgãos de comunicação público ao falarem das revoltas árabes evitarem certas expressões como “ditadores”, limitarem em poucos segundos as imagens da praça Tahrir, e acusarem frequentemente a NATO de ter assassinado o Coronel Kadhafi. Ao darem destaque a instabilidade naquela região, o regime procurou mostrar as pessoas que as manifestações poderiam trazer o país de volta a guerra. Foi esta posição assumida particularmente pelo secretário do MPLA em Luanda, Bento Bento. Para ele as manifestações são fomentadas por partidos da oposição, nomeadamente a UNITA, que querem levar a juventude a fazer um protesto de massas tipo Líbia, Egipto ou

183 DOS SANTOS, José Eduardo citado por MUKUTA, Coque; FORTUNA, Cláudio – Ob. Cit. p. 89 184 SIC – Entrevista de José Eduardo dos Santos 2013.

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Tunísia. Num tom mais agressivo o governador acrescentou que “Angola não é Líbia, Angola não é Egipto, Angola não é Tunísia”.

A estratégia do partido no poder foi clara: desinformar e descredibilizar a ação dos manifestantes de modo a persuadir a opinião pública de que se tratavam de jovens arruaceiros, impedir que outras pessoas se juntassem igualmente a causa e em função disto, acabariam por orientar a polícia e os Serviços de Informação e Segurança do Estado (SINSE), a prenderem, espancarem e executarem os supostos líderes destes movimentos. Enquanto o MPLA criticava os movimentos de protestos, do outro lado incentivava aos seus militantes saírem às ruas em apoio ao Presidente da República e com cobertura, por vezes em direto, da TPA e RNA.

Com o intuito de desincentivar a participação da população, o partido no poder, Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), organizou uma campanha destinada a desacreditar os protestos contra o governo como tentativa de fazer o país regressar a uma guerra civil. A 15 de Março, o

partido dirigente organizou uma marcha pela paz à escala nacional.185

A imagem da guerra civil que o país atravessou desde 1975 até 2002 ainda está viva na memória de muitos angolanos que testemunharam os horrores dela, e por causa da cultura do medo que se instalou e a falta de uma cultura de reivindicação e de manifestação, fizeram com que muitos angolanos acreditassem na versão oficial. Se por um lado os jovens manifestantes se inspiravam nos sucessos da Primavera Árabe, por outro lado, as imagens da Televisão Pública de Angola que davam particular destaque ao conflito na Líbia e na Síria, dissuadiram outros jovens a se juntarem a ela, mostrando que as manifestações resultaram na guerra e no caos, e os beneficiários foram as potências internacionais e não os povos daquela região. Houve uma verdadeira batalha de informação entre o regime e os manifestantes no sentido de enfraquecer tanto a imagem de um lado como do outro para ganhar legitimidade sobre as suas ações quer interna como externamente. O que evidencia a importância que a informação havia assumido nesta batalha para difundir ou conter as manifestações pelo resto do país e não só.

A manifestação de 7 de Março teve fraca adesão ora porque a mensagem não chegou a todos – precisamos destacar que muitos angolanos ainda não têm acesso a internet que era o principal veículo de mobilização – ora porque a campanha de desinformação teve

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os seus efeitos. Geralmente o número de jovens que saíam às ruas rondavam entre os 200, 300. Outros órgãos falavam em milhares (dois a três mil) não passando disto. Mas apesar da fraca mobilização, importantes ilações foram tiradas a propósito das manifestações que pela primeira vez no país, exigia a demissão do presidente. É Rafael Marques quem faz a seguinte observação:

Em Angola, o movimento contestatário liderado pela juventude, com o propósito de pressionar a resignação do Presidente José Eduardo dos Santos e acabar com o seu longevo consulado de 32 anos, obteve alguns sucessos importantes, apesar da sua incipiente capacidade para mobilizar para além das centenas. Primeiro, durante o ano passado (2011), o regime teve de usar força desproporcional para reprimir pequenos grupos de manifestantes, provando assim o seu apego à violência para rechaçar qualquer oposição que incomode o Presidente. Segundo, os jovens forçaram o regime a dispender consideráveis recursos financeiros e humanos na realização de contramanifestações regulares para reafirmar o seu apoio ao presidente… terceiro, a imagem do regime ganhou um cunho mais autoritário à luz da

opinião pública.186

As informações que o governo geralmente procura esconder do público, os seus crimes e a sua verdadeira natureza acabaram por vir à superfície. «Estes movimentos tornaram muitas coisas visíveis. Coisas que aconteciam em Angola sem (quase) ninguém saber. E que alguns sabiam mas ignoravam: as prisões, as ameaças de morte. Isto foi exposto e o medo desapareceu»187. Apesar da violência brutal por parte da polícia nacional, a detenção arbitrária dos manifestantes e jornalistas que cobriam os eventos, o surgimento de grupos a paisana que com a cumplicidade da polícia agrediam fisicamente os manifestantes, as manifestações continuaram e continuam um pouco por todo país. Pode-se notar a cumplicidade do governo no apoio a estas agressões contra os manifestantes pois, não houve de sua parte qualquer condenação oficial e nem fora feito nenhum apelo à polícia para que esta respeitasse a lei. Mas ao contrário da atitude do governo, algumas organizações da sociedade civil tomaram uma postura diferente. A organização Human Rights, no seu relatório denunciava os excessos cometidos pela polícia e apelava ao governo a abrir um inquérito para apurar a verdade e punir os seus

186 MORAIS, Rafael Marques – O Poder e a Sucessão de José Eduardo dos Santos. 2012, p. 12 187 De acordo com RIMLI, Lisa. Citada por CORDEIRO, Ana Dias. Ob. Cit. p. 8-9.

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infratores. O apelo também se estendia a polícia que era aconselhada a agir com moderação.

A sensação de que o regime estava perdendo o controlo da situação tornou-se ainda mais visível com o rapto e o assassinato de dois ativistas na sequência das manifestações agendadas para Maio de 2012, e que levariam à uma mobilização sem precedentes na história recente de Angola, exigindo que se fizesse justiça pelas mortes de Alves Kamulingue e Isaías Cassule que foram raptados nos dias 27 e 29 de Maio. De acordo com o portal de notícias Club-K, que foi o primeiro a tornar pública a informação, Cassule e Kamulingue foram mortos e jogados no rio Dande, numa zona habitada por jacarés onde os seus corpos terão sido devorados. A informação gerou uma nova onda de protestos no país e levou a demissão do diretor do SINSE, Sebastião Martins, e a detenção de outras 8 pessoas ligadas a polícia nacional e aos serviços de segurança. Internamente a imagem do presidente e do seu partido ficaram seriamente comprometidas. O governo em reação, manteve o silêncio.

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