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Chapitre 2 – La préservation du patrimoine vidéoludique

2.2 Quoi et comment conserver

2.2.1 L’émulation comme panacée ?

O envolvimento com mulheres da área é comum. A interação e a possibilidade de vinculação afetiva não acarretam perda de status moral na profissão. Porém, em alguns contextos, o envolvimento com mulheres pode resultar em policiais enrolados. Nesse caso, o rolo pode transbordar de sua carreira profissional para a vida pessoal dos PMs133.

132 As estaturas morais são acionadas, também, nas interações face-a-face entre PMs e moradores. A fala do PM

evoca as implicações da classificação entre interactantes. Ele revela, assim, estratégias de desempenho para redefinir o engrandecimento, convertendo-o no encolhimento do actante adversário. Esse processo é revelador das relações de poder entre o “policial” e o “vagabundo”, produzidos como figuras adversárias, em certas ocasiões, engajadas nos usos simbólicos dos PMs.

133 Alguns dos policiais envolvidos nas “operações de paquera” são casados. Eles podem “se enrolar” em

decorrência das traições serem descobertas por suas companheiras. Esta, no entanto, não é única possibilidade desse tipo de acarretamento.

Alguns escândalos flagrados pelas câmeras das viaturas noticiados pela mídia impressa e digital em circulação no estado do Ceará, revelaram “atos libidinosos em plena viatura”. Os episódios resultaram no afastamento dos policiais envolvidos da PM, sob a acusação de “desvio de função”.

Cotidianamente os policiais podem se enrolar quando há relação entre se envolver com mulheres e alguma forma de “omissão”. Se envolver com mulheres ligadas ao crime também pode agregar riscos em termos de envolver-se com atividades ilícitas, ser descoberto e se enrolar.

Cara, assim, esse negócio de mulher se atrair pela farda existe. Eu sabia que existia, mas não que era tanto. E cada dia que passa me convenço mais que é uma questão de mágica, a mulher quando vê a farda ela não vê o policial que está dentro. Aí, é que explica o cara ser muito feio e, mesmo assim, conseguir muita coisa. Realmente, é uma coisa impressionante, a atração natural que as mulheres sentem pela farda. E do ronda mais ainda, só que é diferente. Agora, já acostumaram com a gente, mas no começo cara, no começo... é porque eu não era muito fã dessas coisas, se eu quisesse, no começo, era uma por dia ou até mais.

Como acontece?

De toda forma que você imaginar, elas param a viatura, chamam para tomar café, às vezes, inventa ocorrência pra você ir. Ou você para. Porque, dentro do programa, tem a visita comunitária, né? Aí né...o cara solteiro, vamos dizer os solteiros para não comprometer os casados, aí você para, tem uma moça bonita, ela olha pra você e dá um sorrisão, chama você para tomar o café, dá o telefone, pede o telefone. Aí você não vai dar por que? Você é solteiro. Só não pode é fazer assim: “vem aqui pra você passear na viatura, pra eu lhe mostrar a área” aí não tem lógica. Mas aí, se ela quer dar o telefone pra você, será que a gente não tem direito de achar uma mulher bonita, de se encantar com uma mulher? Moça, oi tudo bem, tu moras aqui, pois aqui o telefone da viatura, se precisar da gente, meu telefone aqui, também, se você quiser. O cara não é casado... não tá desviando da função, até porque somos obrigados a parar. Se a gente para nesses trailers para lanchar, aí a garçonete é bonita, ela sorri pra você, você não pode dar um bilhetinho pra ela convidando pra se verem mais tarde depois do trabalho. Não há lógica em você querer condenar isso. Achar um argumento que vá contra a naturalidade da vida. Só por que somos militares e estamos trabalhando? Se nós pararmos para deixa de atender ocorrência, pra tá pegando o telefone de alguém ou estar paquerando aí está errado, se você, no momento não está em ação, não tá em abordagem, e você pode marcar, pedir, ou sei lá o que, algo depois, não vejo problema nenhum, desde que a pessoa não seja, criminosa, envolvida com o crime... “ah a filha do traficante ali é tão bonitinha...” aí não rola. Naquele trecho só o que tem é gata, são gatas que você não pode se aproximar, por que não dá certo. Às vezes, dá até para encontrar uma joia no meio do lixo, mas é difícil, entendeu? Aí entra a questão de preconceito social, quer dizer que só por que a menina mora ali perto de onde não presta que ela não presta também. Pode estar lá a sua futura esposa, mas isso é uma coisa do destino, ninguém sabe. Uma coisa não tem nada a ver com outra. [SD Dario]

Existem classificações sobre “a beleza” das mulheres escolhidas para investidas afetivas dizendo respeito ao seu estatuto moral. Envolver-se com algumas mulheres e de

maneiras “erradas” pode enrolar os policiais. Eu conversei em certa ocasião com um interlocutor, cuja identidade não revelarei nem ficticiamente. Ele desabafava comigo, descontente com alguns de seus colegas, após conversarmos sobre sua curtição na noite anterior. Ele mencionou ser diferente dos outros policiais e não gostar de “usar a farda para pegar mulher”. Prosseguiu: “isso é coisa de gente com a cabeça fraca, sem falar que só traz problema, você pode se enrolar”. Ao dizer isto relatou o caso de um colega seu, o PM aproximou-se de uma mulher do Bairro 2, trocando contatos e marcando o encontro futuro. Depois da troca de carícias entre os dois a mulher revelou sua identidade “eu sou mulher do fulano de tal”. O seu esposo era um “vagabundo”, traficante, homicida e assaltante conhecido do PM. Eles haviam, inclusive, brigado numa das situações de flagrante do morador inaugurando uma “rixa” entre o “vagabundo” e o PM. Ao tomar conhecimento disto o policial comentou ter “brochado na hora”, finalizando o encontro e nunca mais se encontrando com a mulher em questão.

Além de se envolver com uma “mulher do crime”, o policial acirraria a “rixa” já inaugurada com o “vagabundo” rival. Traria o conflito agora para o campo das relações de honra, cuja dimensão é ainda mais violenta e consequencial para o PM. Ele corria o risco duplo de se enrolar, tanto pela parte profissional como pessoal.

As formas de “se enrolar” expandem-se, em alguns casos, da carreira moral profissional para a esfera privada da vida dos PMs, agregando igual significado, ressignificando as percepções do seu modo de vida, modulando as apresentações do self, suas relações recíprocas através das categorizações obtidas no meio profissional.