• Aucun résultat trouvé

L’ÉGARD DES COLLABORATEURS

Dans le document Rapport de gestion en images et en sons (Page 76-81)

Afora o aspecto material, as próprias relações intra familiares se adaptam às necessidades que emergem da falta de emprego e das dificuldades que surgem em razão da desigualdade social, havendo uma participação intensa dos avós, seja na parte financeira ou no trato de seus netos, cujos pais se encontram em precárias condições, não têm oportunidade de acesso ao mercado de trabalho, bem como em casos de separação ou divórcio. De qualquer modo, “os padrões referentes a esse cuidado e a essa relação são, portanto, construídos cultural e socialmente” (VITALE, 2005, p. 95).

Isso demonstra existir uma tendência de o idoso – entendido como a pessoa com mais de sessenta anos de idade pela Organização Mundial de Saúde - passar a sustentar o respectivo arranjo familiar (VITALE, 2005, p. 96/97), o que acarreta a convivência, nem sempre pacífica e harmoniosa, de diversas gerações em um mesmo espaço familiar (VITALE, 2005, p. 98/99).

Isto porque, conforme constatado pelo IBGE, “se em 1980 existiam cerca de 16 idosos para cada 100 crianças, 20 anos depois essa relação praticamente dobra,

15

Embora não seja objeto deste estudo, é oportuno trazer o alerta de Cunha Pereira (2003, p. 38/39): “A questão da homossexualidade é mais profunda e mais complexa e a sua discriminação não pode ser resolvida com a valorização das identidades sexuais, pois tal fato seria um reforço de que essa identidade teria muita importância na vida moral dos cidadãos, ou seja, seria um reforço dos valores culturais sexistas”.

passando para quase 30 idosos por cada 100 crianças.” (BRASIL, 2002, p. 11). Do total de 14.536.029 de idosos brasileiros, o Censo de 2000 verificou que 55,1% eram mulheres, cuja justificava é a média da expectativa de vida do sexo feminino ser oito anos maior em relação ao sexo masculino (BRASIL, 2002, p. 14). Por sua vez, PNAD realizada em 2007 aponta a existência de 8,9 milhões de pessoas com setenta anos ou mais de idade, representando 4,7% do total da população (BRASIL, 2008, p. 22), bem como indica que a esperança média de vida ao nascer, em 2007, era de 72,7 anos de idade, sendo 76,5 anos para mulheres e 69,0 anos para os homens (BRASIL, 2008, p. 23).

E o que confirma ser o idoso, em muitos casos, arrimo de família é outro dado trazido pelo aludido Censo, qual seja, de que “62,4% dos idosos eram responsáveis pelos domicílios brasileiros” (BRASIL, 2002, p. 16), com rendimento mensal médio de R$ 657,00 (BRASIL, 2002, p. 25). Complementando esses dados, PNAD realizada em 2007 afirma que “no Brasil, 45% dos idosos viviam com seus filhos na condição de chefe do domicílio” (BRASIL, 2008, p. 169).

Trata-se, para a maioria dos idosos, de valor proveniente da aposentadoria, a qual complementa o orçamento familiar obtido a partir do trabalho e da produção (BRASIL, 2002, p. 30). Ainda, a partir de alterações na Lei n.º 8.742/93 - Lei Orgânica de Assistência Social – (LOAS) (BRASIL, 1998), o orçamento familiar passa a contabilizar a quantia atinente à concessão do benefício de um salário mínimo “para os maiores de 70 anos de idade pertencentes às famílias com renda mensal per capita inferior a ¼ do salário mínimo, e, posteriormente de 67 anos, em 1998 e 65 anos em 2004" (BRASIL, 2008, p. 168).

A partir disso, verificou-se que, em 2007, 53% dos domicílios brasileiros com a presença de idosos nesses perfis, receberam essa colaboração no orçamento familiar, como “mais da metade do total” deste (BRASIL, 2008, p. 169). Todavia, “a distribuição dos responsáveis idosos por classes de rendimento ainda se encontra extremamente concentrada nos estratos de renda mais inferiores” (BRASIL, 2002, p. 30).

Deste modo, a renda (ou a ausência desta) pode ser determinante para atribuir, reforçar ou até mesmo retirar a autoridade do idoso no âmbito da convivência familiar. No entanto, o rendimento auferido por este não pode ser isoladamente considerado para se identificar o seu grau de participação ou, ainda, de outras pessoas que estejam envolvidas nas decisões intra familiares.

Dentre vários fatores, o desenvolvimento emocional que se inicia “antes do nascimento e continua pela vida toda, até (com um pouco de sorte) a morte por velhice”

(WINNICOTT, 1980, p. 174), traz implicações para o âmbito familiar, que serão administradas de acordo com as fases vivenciadas nas respectivas trajetórias individuais.

Também a maneira como se dá a dinâmica dos ciclos de vida familiar, na qual coexistem várias gerações, é hábil para definir na seara doméstica as vozes que ali são ouvidas e as opiniões que então prevalecem.

A compreensão de ciclo de vida, segundo Segalen (1999, p. 216/217) pode se dar de dois modos. É possível, de um lado, combinar critérios como a posição dentro do grupo doméstico (p.ex., pai, filho), idade e desempenho de papéis e, de outro lado, estabelecer marcos significativos da vida do indivíduo (como o início de um trabalho) e conjugá-los às transformações familiares e sociais. Independentemente da forma como pode ser encarado, a relevância do ciclo de vida evidencia-se na transmissão de valores entre gerações que coexistem, de modo que as experiências individuais de cada um dos integrantes de um arranjo familiar contribui para a “construção da trajectória familiar” (SEGALEN, 1999, p. 220) e esta igualmente interferirá naquelas, ocorrendo assim um movimento circular. É este contato entre gerações que, ao compor uma memória familiar, ajuda a forjar a identidade pessoal e os elos sociais que vão se formando fora desse espaço privado (SEGALEN, 1999, p. 222). O que não significa dizer que restarão ausentes conflitos e contradições nessa coexistência de gerações em uma mesma família, ressaltando-se, todavia, que:

A presença simultânea de gerações assegura a transmissão de modelos culturais, desenvolve trocas numerosas e, mais geralmente, contribui para assegurar a reprodução social. Mas os fluxos não são de sentido único; são antes múltiplos e reforçam-se circularmente em etapas diversas da vida de uns e outros. A transmissão assegura uma espécie de redistribuição social (SEGALEN, 1999, p. 222).

É perceptível que, muito mais que imputar autoridade a alguém, esse raciocínio sociológico vem demonstrar a reciprocidade que permeia o ciclo de vida familiar, imprescindível para dar continuidade ou romper com a respectiva genealogia.

Dans le document Rapport de gestion en images et en sons (Page 76-81)