DES OBJETS
Chapitre 1: LʼInformatique Ubiquitaire, une vision fondatrice de lʼInternet des Objets vision fondatrice de lʼInternet des Objets
4. LʼINFORMATIQUE UBIQUITAIRE: ENTRE IMAGINAIRE ET REALITE
A psicossomática refere-se à relação que existe entre a atividade psíquica e o funcionamento corporal, na qual a primeira altera o segundo, geralmente ocasionando sintomas somáticos (SCHÖDER; FINK, 2011). As doenças psicossomáticas com alterações gastrointesntinais correspondem a um subgrupo amplamente estudado na literatura cientifica (SCHRODER, 2011) e que possuem características distintas reconhecidas nos principais manuais diagnósticos de doenças mentais (APA, 1994; OMS, 1997). Do ponto de vista anatômico, esta interação entre fenômenos psicológicos e somáticos é mediada pelo Sistema Nervoso (HOLZER, 2001).
São vários os circuitos envolvendo o Sistema Nervoso (SN) e o Sistema Gastroenterológico (SGE), e eles podem ser classificados em três grandes grupos de acordo com as vias de sinalização empregadas : (a) vias aferentes e eferentes do SN para o SGE, (b) a porção entérica do Sistema Nervoso Autônomo e (c) a atuação da regulação neuroendócrina no SGE (GUYTON, 1997) .
A regulação do comportamento alimentar e do fluxo intestinal é coordenada pela ação do SN através de circuitos reflexos e somáticos (GUYTON , 2006) que utilizam os nervos como vias de condução, que são feixes de axônios de neurônios que ligam o SN ao SGE. As principais vias aferentes e eferentes do encéfalo envolvem o nervo vago (Nervo X) e nervos espinhais (MACHADO, 2000).
Outra importante via de sinalização entre o SN e o SGE ocorre através da porção entérica do Sistema Nervoso Autônomo (SNA). O SNA, ou Sistema Nervoso Neurovegetativo, é uma parte do Sistema Nervoso dedicada à regulação de órgãos e sistemas de modo a manter o organismo vivo. É dividido em simpático e parassimpático, que diferem do ponto de vista anatômico e farmacológico, e possuem ações antagônicas nos mesmos alvos. Um destes alvos é uma porção do Sistema Nervoso Periférico localizado dentro do tubo gastrointestinal e consiste de duas camadas com neurônios sensoriais e motores em cada uma. O sistema entérico participa da produção de muco, das enzimas digestivas e peristaltismo (BEAR et al., 2002).
Finalmente, a regulação neuroendócrina, diz respeito à ação do hipotálamo sobre a hipófise produzindo hormônios que circulam na corrente sanguínea e que têm como alvos glândulas e células (BEAR et al., 2002). Alguns hormônios possuem ação no SGE, como é o caso do cortisol, por exemplo. O cortisol é um hormônio relacionado com a resposta ao estresse e a sua ação prolongada tem sido associada com efeito oxidativo (KANDEL et al., 2000). Pacientes com Desordens Gastrointestinais Funcionais apresentaram alterações em
concentrações do cortisol basal e durante estimulação do eixo hipotalâmico-hipofisário quando comparados a controles (BO¨HMELT et al., 2005). A ação do estresse psicológico sobre eixo hipotalâmico-hipofisário alterando seu funcionamento está também associada com a Síndrome do Intestino Irritável (DINAN et al., 2006).
Dessa forma, a comunicação cérebro-intestino e suas variáveis influenciam-se reciprocamente (SZIGETHY et al., 2011). A partir da exposição, desde o início da vida, a experiências estressantes e emoções negativas, a pessoa pode tornar-se cronicamente
vulnerável aos estímulos estressantes futuros e seus efeitos, provocando inadaptação
psicossocial bem como disfunções intestinais – alterações da motilidade, do sistema imune e hipersensibilidade viceral. Isto pode permanecer desde a infância até a vida adulta. Nesse processo de defesa do organismo, a resposta do sistema imune dirige-se ao agressor (estímulos acima citados) e também à própria pessoa - na tentativa de protegê-la dos estímulos negativos – através da coordenação dos sistemas psíquico, nervoso e endócrino. (KELLOW et al., 2006; MOTTA et al., 2012). O distúrbio funcional, então, pode desencadear-se no próprio intestino ou quando a agressão provém do estresse social ou psicoemocional (MOTTA et al., 2012).
Atualmente a constipação intestinal funcional é compreendida como uma doença na qual fatores biológicos, psicossociais e psicológicos (OUDENHOVE et al., 2010) contribuem para a desregulação do eixo encefálico-intestinal, alterando o funcionamento dos sistemas entérico, nervoso, autonômico e endócrino, produzindo anormalidades periféricas (ÖHMAN e SIMRÉN, 2006). Este entendimento é validado com dados de pesquisas nas quais se observa que o tratamento psicoterapêutico isolado produz considerável remissão dos sintomas (JONES et al., 2007).
Pode-se pensar, então, que o corpo e a mente interpenetram-se e, nesse sentido, não se sofre apenas no corpo nem apenas na mente. A psicossomática pode ser representada pela Banda de Moebuis (um objeto paradoxal explorado pelo matemático Ferdinand Moebius, 1861). A Banda de Moebius pode ser um interessante recurso para dar uma visão mais integral do ser humano que vai buscar ajuda para o seu sofrimento, respeitando-se, contudo, as especificidades nas diversas esferas – biológica, físico-química, assim como as simbólicas formadas pelos aspectos sociais e culturais. A psicanálise pode contribuir com mais uma ferramenta no campo da psicossomática: um meio de investigar-se sobre a presença dos fatores invisíveis emocionais e subjetivos em sintomas que se expressam no corpo como os gastrintestinais (ÁVILA, 1997). Farias (2007), por exemplo, realizou, em sua dissertação de
mestrado, uma leitura psicanalítica sobre três pacientes portadores de DII (Doenças Inflamatórias Intestinais), mais especificamente a RCUI (Retocolite Ulcerativa Idiopática) e a DC (Doença de Crohn). A questão central do seu estudo foi investigar a função específica da doença na relação mãe-filho. E ainda, de que forma o sintoma orgânico pode fazer o enlaçamento entre o psiquismo, o corpo e o outro. A autora observou como as mães se apropriavam do corpo dos seus filhos (já adultos) como se fossem objetos, impossibilitando posicionamento subjetivo e a fala dos pacientes.
A exemplo de uma criança de cinco anos de idade portadora de CIF, apresentando fortes dores abdominais, escape fecal e histórico de diversas hospitalizações sem resposta ao tratamento médico exclusivo. Genioso, irritadiço – o que denunciava a sua dificuldade em lidar com a própria agressividade, essa criança encontrava-se demasiadamente identificada à mãe: baixa autoestima, confusão psicoafetiva e exigência excessiva. Filho de pais separados, a mãe expressava sua dificuldade em dar limites ao filho; o pai era, por sua vez, ausente, e recusava-se a comparecer às entrevistas psicanalíticas. Através do tratamento psicanalítico – quando essa criança pôde elaborar a sua alienação à mãe, e o desejo de separar-se dela, bem como a raiva do pai, e ao mesmo tempo, o desejo de aproximar-se dele – é que o sintoma da constipação desapareceu em seis meses de tratamento, dando lugar a novas significações sobre a sua sexualidade e a agressividade (MOTTA et al., 2010).
2.4 O DESENVOLVIMENTO INFANTIL E CONSTIPAÇÃO INTESTINAL