DES APPLICATIONS PAR LES UTILISATEURS
1. CREATION DʼOUTILS DE CONCEPTION DʼAPPLICATIONS
Para Capra (2002), o “padrão de organização” básico de todo ser vivo é em rede, sistemas vivos organizados em redes, redes dentro de redes. Para este autor, (CAPRA, 2006) “a sustentabilidade não é uma propriedade individual, mas de toda a rede”. Assim, desde os
processos metabólicos de uma célula, sua estrutura de moléculas, como em um nível maior, a teia alimentar está organizada em rede. Capra, de forma complementar, alerta que os componentes de uma rede são responsáveis por transformar ou substituir outros componentes, criando ou recriando-se a si mesmas, “Sofrendo mudanças estruturais contínuas ao mesmo tempo que preservam seus padrões de organização” (CAPRA, 2002, p. 27).
3.3.2.1.2 Sistemas Aninhados
Segundo Capra (2006), em todas as escalas da natureza, encontramos sistemas vivos “aninhados” dentro de outros sistemas vivos, e “embora os mesmo princípios básicos de organização operem em cada escala, os diferentes sistemas representam níveis diferentes de complexidade”. De forma semelhante, Bill Mollison (1988, p. 60) considera que no mundo natural existem muitas assembleias de plantas e animais de diferentes espécies, e chama a atenção para o que denomina “guild”: “uma harmoniosa assembleia de espécies agrupadas em torno de um elemento central (planta ou animal)”. Para este autor, essa assembleia ajuda na saúde, auxilia no trabalho de gestão, ou melhora os efeitos adversos do ambiente29 .
3.3.2.1.3 Diversidade
Conforme os estudos de Capra (2002), a diversidade é um princípio de sustentabilidade de todo sistema vivo, e por meio da riqueza das teias ecológicas, os ecossistemas alcançam a estabilidade e a capacidade de recuperar-se dos desequilíbrios. Além disso, “um ecossistema saudável tende para a diversidade”30 (SALE, 1985, p. 104). De acordo com Viktor Schauberger,
A condição suprema da Natureza é a de constante mudança e transformação e sua maior lei afirma que a repetição do idêntico é proibida. 1 + 1, portanto, não produz 2, porque não há dois sistemas naturais totalmente idênticos e, portanto, não podem ser somadas31 (COATS, 1996, p. 36).
29 “an harmonious assembly of species clustered around a central element (plant or animal)” (MOLLISON, 1988, p. 60).
30 “a healthy ecosystem usually tends toward diversity” (SALE, 1985, p. 104).
A diversidade está estreitamente ligado às estruturas de rede dos sistemas, para Capra, e “por conter muitas espécies com funções ecológicas sobrepostas que podem substituir umas às outras, o ecossistema diversificado é capaz de se recuperar rapidamente” (CAPRA, 2006, p. 53). A existência da diversas fortalece as condições para interação, realizando trocas, assim como, Mollison ensina que o estabelecimento de condições complexas de bordas, limites, “é outra estratégia primária para a geração de sistemas complexos de vida”32 (MOLLISON, 1988, p. 76). Desta forma, uma borda é um lugar rico para localização de organismos e através dela criam-se condições para relações de trocas e o surgimento do novo e continuação da vida.
3.3.2.1.4 Cooperação
Outro princípio da ecologia, de acordo com Capra (2002), aponta que as relações de trocas de energia e de recursos materiais num ecossistema são sustentadas por cooperação. Coats ressalta que, com o avanço das guerras e ganância do homem, a Mãe-Terra foi violada e despojada de todos os seus tesouros, de forma que “não só levou à aceitação da competição como uma das principais estratégias que regem a vida e o comportamento, mas também para a visão de que o funcionamento da Mãe-Natureza é igualmente competitivo”33 (COATS, 1996. p. 297). Entretanto, Bill Mollison (1988, p. 2) é claro ao falar que “cooperação, não competição, é a maior base dos sistemas de vida existentes e sua sobrevivência futura”34.
Capra (2002) ensina ainda que a existência de uma membrana é uma característica universal da vida, ela que proporciona as trocas. Toda troca ocorre entre os diferentes, não há troca entre iguais. E a partir do momento que realmente são diferentes, então podem transpor seus limites ou bordas e partilhar seus recursos, assim como nos ecossistemas naturais: “Quando um limite separa duas coisas que diferem, existe a oportunidade para a troca, states that Repetition of the identical is forbidden. 1 + 1 does therefore not make 2, because no two natural systems are wholly identical and thus cannot be summated” (COATS, 1996, p. 36).
32 “the establishment of complex boundary conditions is another primary strategy for generating complex life assemblies” (MOLLISON, 1988, p. 76).
33 “which has not only led to acceptance of competition as one of the principle strategies governing life and behavior, but also to the view that the workings of Mother-Nature are equally competitive” (COATS, 1996, p. 297).
34 “Cooperation, not competition, is the very basis of existing life systems and of future survival” (MOLLISON, 1988, p. 2).
transações, ou a translação através da borda”35 (MOLLISON, 1988, p. 78). Para autores como Capra (2002), Mollison (1988) e Schauberger (COATS, 1996), a cooperação é uma característica das relações de trocas de energia e de recursos num ecossistema.
3.3.2.1.5 Interdependência
Segundo Capra, tanto a sustentabilidade das diferentes populações quanto a sustentabilidade de todo o ecossistema são interdependentes, de forma que “Nenhum organismo individual pode existir isoladamente. […] Junto, as plantas, os animais e os micro- organismos regulam toda a biosfera e mantêm as condições propícias à vida” (CAPRA, 2006, p. 53). Portanto, Capra afirma que um ecossistema não é uma reunião de espécies, mas uma comunidade, e “sejam elas ecossistemas ou sistemas humanos, são caracterizadas por séries ou redes de relações” (CAPRA, 2006, p. 49). Ainda de acordo com este autor, os sistemas vivos são autônomos, mas não independentes. Estes estão sempre em um intenso relacionamento com o meio, porém seu comportamento “não é determinado por forças exteriores, mas pela cessão de mudanças estruturais autônomas, assim o comportamento do organismo vivo é ao mesmo tempo determinado e livre” (CAPRA, 2002, p. 52).
3.3.2.1.6 Fluxo
Segundo Capra, todos os organismos vivos, para permanecerem vivos, têm de alimentar-se de fluxos contínuos de matérias e energia com ambiente em que vivem. Capra faz uma relação do fluxo com a energia, que dependemos de uma constante afluência, ao mostrar que a própria energia não se recicla, “Quando ela é convertida de uma forma de energia em outra […], parte dela – com frequência uma grande parte – escoa para fora e inevitavelmente se dispersa na forma de calor” (CAPRA, 2006, p. 54 e 55).
3.3.2.1.7 Ciclos
Todos os organismos vivos produzem resíduos continuamente e os resíduos de uma
35 “when a boundary separates two things which differ, there is an opportunity for trade, transactions, or translation across the border” (MOLLISON, 1988, p. 78).
espécie são os alimentos de outra, de maneira que, para Bill Mollison (1988) a reciclagem de nutrientes e energia na natureza é uma função de muitas espécies. Desta forma, um ecossistema considerado em seu todo, não gera resíduo nenhum e “a matéria circula continuamente dentro da teia da vida” (CAPRA, 2002, p. 239). Se referindo aos estudos sobre a cadeia alimentar, Capra reforçar que não se trata de sistemas lineares, mas circulantes, “já que os organismos maiores acabam sendo comidos pelos organismos desintegradores, os insetos e as bactérias” que participam do início da cadeia novamente (CAPRA, 2006, p. 54).
A partir dos estudos de Schauberger, Coats (1996, p. 39) mostra que a
vida é criada a partir de diferenças, de um estado de não-equilíbrio irradiando pulsação de energias mentais etéreas em diversas frequências. No processo de emissão, a interação entre essas várias frequências produz certos periodicidades ou efeitos cíclicos36.
3.3.2.1.8 Equilíbrio Dinâmico
Os ecossistemas possuem uma dinâmica autogeradora que busca a evolução para o desenvolvimento da vida. Capra (2002) retoma os estudos de Humberto Maturana e Francisco Varela para integrar a estes princípios da vida a ideia da “autocriação” (ou, como os próprios autores denominaram: “autopoiese”). Para eles, uma rede autogeradora (autocriativa) apresenta-se em um estado dinâmico de desenvolvimento e aprendizado, sendo a criatividade uma propriedade fundamental para o surgimento do novo, sempre com a finalidade de evolução e perpetuação da vida.
Continuando com os ensinamentos de Maturana e Varela, através da teoria da cognição de Santiago, Capra apresenta uma expansão do conceito de cognição e mente. Para os autores, a atividade organizadora dos sistemas vivos é uma atividade mental (cognitiva), sejam as interações entre vegetais, animais ou humanos. São estas atividades que garantem a autogeração e autoperpetuação das redes vivas (CAPRA, 2002).
Assim, de forma semelhante, Bill Mollison reforça que o significado de “estabilidade em um ecossistema é a auto-regulação, em vez de um clímax (ponto final). [...] É o processo
36 “life is created out of differences, out of a state of non-equilibrium radiating pulsation of ethereal mind energies at diverse frequencies. In the process of emission, the interaction between these various frequencies produces certain periodicities or cyclical effects” (COATS, 1996, p. 39).
de feedback constante e da resposta que caracteriza tais esforços37“ (MOLLISON, 1988, p. 33). Seria também o que Capra (2002, p. 239) sugere para o ecossistema como uma rede flexível em permanente flutuação, e “Sua flexibilidade é uma conseqüência dos múltiplos elos e anéis de realimentação que mantêm o sistema num estado de equilíbrio dinâmico.”
3.3.2.1.9 Desenvolvimento
Os sistemas vivos se desenvolvem e evoluem, conforme alertado por Capra, de forma que “o entendimento das estruturas vivas está inextricavelmente ligado à renovação, mudança e transformação” (CAPRA, 2006, p. 49). Ainda para este autor, os indivíduos e o meio ambiente adaptam-se mutuamente, co-evoluem numa “dança contínua”, e por não serem lineares, “jamais podemos predizer ou controlar de que maneira os processos que iniciamos irão se desenvolver. Pequenas alterações podem causar efeitos profundos” (CAPRA, 2006, p. 55). Durante o seu desenvolvimento, conforme Capra entende, um ecossistema passa por diferentes estágios “que vão de um crescimento rápido, mudança e expansão da comunidade pioneira, até ciclos ecológicos mais lentos e um ecossistema explorado de maneira mais completa e estável” (CAPRA, 2006, p. 55).
As diferentes linhas de pensamento em torno do desenvolvimento sustentável tem evidenciado a importância de entender a forma que a economia se estrutura e como está relacionada com os ecossistemas. Um estudo sobre economia substantiva e sustentabilidade ecológica trás novas possibilidades para estudar esta temática, que passa aspectos subjetivos da relação entre seres humanos e destes com natureza. Isto não significa que tudo precisa ser transformado, mas que é fundamental um cuidado nesta renovação, pois “cada lugar tem uma história, um registro de como as possibilidades humanas e naturais da região têm sido exploradas, e esta deve ser estudado com novos olhos38“ (SALE, 1985, p. 45).
Formas harmoniosas de organização humana integradas aos ecossistemas naturais foram desenvolvidas por comunidades tradicionais, no entanto, estas foram submetidas a um modelo de sociedade linear, rígido e fragmentado, que resulta em um sistema industrial destrutivo
37 “stability in an ecosystem is self-regulation rather than a climax (end-point). [...] it is the process of constant feedback and response that characterises such endeavours” (MOLLISON, 1988, p. 33). 38 “Every place has a history, a record of how both the human and natural possibilities of the region have been explored, and this must be studied with new eyes” (SALE, 1985, p. 45).
sustentado por fortes relações de consumo. Este sistema arruína comunidades inteiras causando diversos efeitos nocivos à vida humana na terra, fortalecendo uma relação destruidora e utilitária com o ambiente natural e desestruturando a dimensão social do trabalho. Com os resultados do relatório IPCC/ONU, comprovando a insustentabilidade do modelo de desenvolvimento de sociedade praticado atualmente, se iniciam discussões mais sérias sobre a necessidade de repensar as formas de organização da vida humana na Terra.
Deste modo, Capra (2002) sugere uma nova abordagem para operacionalizar a construção de comunidades humanas sustentáveis a partir da compreensão e internalização dos princípios de organização que os ecossistemas desenvolvem para sustentar a Teia da Vida. Para tanto, é preciso integrar os princípios dos ecossistemas à teorias que pensem as formas organização social, com o objetivo de desenvolver organizações humanas também vivas que compreendam e internalizem tais princípios em sua forma, estrutura, processos, objetivos e estratégias.
Algumas práticas avançam nesta perspectiva, a exemplo das Redes Locais de Economia Solidária que, através da cooperação e solidariedade, buscam a articulação de soluções locais para a sustentabilidade de um território. Desta forma, no capítulo seguinte, será aprofundado o olhar sobre essas iniciativas solidárias com o objetivo de perceber suas limitações e possibilidades em contribuir para um desenvolvimento sustentável.
4 REDE LOCAL DE ECONOMIA SOLIDÁRIA: UMA PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTO
Dentro da necessidade de alteração da relação entre seres humanos e destes com a natureza, será aprofundado neste momento as Redes Locais de Economia Solidária enquanto proposta de desenvolvimento territorial. Para tanto, será feito primeiro uma recuperação acerca do entendimento da economia solidária, trazendo autores de correntes de pensamento diferentes, para em seguida adentrar mais especificamente no tema das RLES e suas experiências de incubação na Bahia.