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The kind of types

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3. PER and ω -Set

3.4 The kind of types

Em 15 de junho de 2015, a empresa lançou a pedra fundamental de sua segunda linha de produção no município de Três Lagoas, denominada “Projeto Vanguarda 2.0”. A nova fábrica previa capacidade produtiva de 2,3 milhões de toneladas de celulose anuais. Somando as duas linhas de produção, a empresa passaria a ter capacidade produtiva anual de 4 milhões de toneladas, fato que tornaria seu complexo industrial o maior do mundo, no que se refere à produção de celulose.

Para isso, o projeto iria custar cerca de R$ 10 bilhões, sendo boa parte financiada com dinheiro público, entretanto, conforme exposto anteriormente, o projeto de ampliação foi adiado em razão das investigações sobre a família Batista, principal acionária da Eldorado Brasil por meio da holding J&F. Até o presente momento (outubro de 2019), inexistem novidades sobre a continuação ou não das obras de ampliação.

A Eldorado Brasil e a Fibria são empresas centrais do circuito espacial produtivo de celulose em Mato Grosso do Sul. Em consequência da grandiosidade, as duas companhias possuem números expressivos relacionados à área ocupada para a produção florestal, à produção e à exportação de celulose, entre outros indicadores, configurando-se como as principais responsáveis pelas mudanças econômicas, sociais e ambientais relacionadas ao CEPC no estado.

As instalações das duas companhias em Mato Grosso do Sul, mais precisamente na região Leste, proporcionaram a inserção desse estado no circuito espacial produtivo global de papel, interligando-o com outras regiões do mundo. Nesse sentido, o próximo capítulo será dedicado a apresentar o processo produtivo da celulose, enfatizando a complementaridade entre os circuitos espaciais produtivos, bem como as interações locais-globais, dando destaque à multiescalaridade geográfica dos circuitos espaciais produtivos de celulose e de papel.

4 A COMPLEMENTARIDADE ENTRE OS CIRCUITOS ESPACIAIS PRODUTIVOS E A MULTIESCALARIDADE GEOGRÁFICA

Neste capítulo, apresenta-se a discussão teórica sobre a noção de circuitos espaciais produtivos complementares. Ademais, também são apresentadas as diversas etapas, agentes, equipamentos, insumos e recursos do circuito espacial produtivo de celulose presente em Mato Grosso do Sul.

A partir da observação da interação existente entre os elementos mencionados no parágrafo anterior, será possível averiguar a multiescalaridade geográfica do CEPC, destacada por meio de fluxos materiais e imateriais, de diferentes ordens, intensidades e conteúdos, que interligam o Mato Grosso do Sul a países de todos os continentes do mundo.

4.1 A complementaridade entre os circuitos espaciais de produção

Parte-se do pressuposto que os circuitos espaciais de produção possuem circuitos complementares. Esses, por sua vez, também podem ser subordinados. A partir dessa linha de raciocício, entende-se que o circuito espacial produtivo de celulose é um circuito complementar subordinado ao circuito espacial produtivo de papel, haja vista que sua produção serve apenas como matéria-prima para o abastecimento de fábricas de papel. Contudo, o circuito espacial produtivo de celulose também possui dois circuitos complementares, o de produção de mudas e o de produção de eucaliptos.

Diferente do circuito espacial produtivo de celulose, subordinado em decorrência de sua finalidade única, os circuitos complementares de produção de mudas e de eucaliptos podem ser subordinados ou não.

O circuito espacial de mudas torna-se subordinado quando as empresas visam apenas à produção de mudas de eucalipto. Isso ocorre com as companhias produtoras de celulose em MS, pois produzem mudas de eucalipto visando exclusivamente o plantio para o abastecimento de suas respectivas fábricas. Desse modo, é possível afirmar que a produção de mudas de eucalipto pelas empresas fabricantes de celulose possui uma única finalidade e, por isso, configura-se como um circuito espacial produtivo complementar subordinado.

No entanto, também existem os viveiros tradicionais, não especializados, que produzem diversos tipos de mudas, com várias finalidades. Nesse caso, os viveiros, devido à variedade de plantas, constituem-se como circuito espacial produtivo complementar, mas não subordinado. Destarte, de uma maneira geral, pode-se dizer que o circuito espacial produtivo

de mudas pode ser complementar subordinado ou apenas complementar, e o nível de especialização é o definidor da condição apresentada pelo circuito espacial produtivo.

Um caso de circuito espacial de produção de mudas que imprime a característica de complementar, mas não subordinado, pode ser verificado no viveiro localizado no assentamento 20 de Março. Esse viveiro produz grande variedade de mudas de espécies nativas do Cerrado, é subsidiado pela Fibria, entretanto, as mudas produzidas não são utilizadas para a formação dos monocultivos de eucalipto que abastecerão as fábricas, não sendo, portanto, integrantes do CEPC. As mudas produzidas nesses viveiros possuem diversas finalidades e, por isso, esse circuito espacial de produção pode ser considerado complementar a outros circuitos, mas não subordinado.

A produção de eucalipto também se enquadra na mesma situação: quando produzido com uma única finalidade, o circuito espacial produtivo de eucalipto é complementar subordinado, mas quando produzido com finalidades diversas é apenas complementar a outros circuitos espaciais produtivos. O caso da produção de eucalipto realizada pela Fibria e pela Eldorado Brasil é uma evidência de um circuito espacial produtivo complementar subordinado, pois o eucalipto é produzido apenas com a finalidade de abastecer as fábricas de celulose. Porém, no caso de a produção de eucalipto ter outra finalidade além da produção de celulose, como, por exemplo, a indústria moveleira, o circuito espacial produtivo torna-se complementar.

É relevante deixar claro que, além dos circuitos de mudas e de eucaliptos existem outros circuitos complementares ao circuito espacial produtivo de celulose, como o de insumos, o de máquinas e o de equipamentos, no entanto, entendemos que esses são apenas circuitos complementares, pois suas produções possuem mais de uma finalidade. A Figura 7 ilustra os argumentos expostos nos parágrafos anteriores.

Figura 7. A complementaridade do circuito espacial produtivo de papel Viveiros de mudas de eucalipto Monocultivos de eucalipto Produção de papel Produção de celulose Máquinas Equip. industriais Pesquisa Transporte Recursos naturais Mão de obra Estado Financ. privado Atividades complementares Recursos Agentes Circuitos complementares Circuitos compl. subordinados Assoc./ Orgs. norm. Insumos

Fonte: ELABORADO PELO AUTOR, 2017.

Como verificado na Figura 7, os circuitos espaciais de produção de mudas, de eucalipto e de celulose são complementares ao circuito espacial produtivo de papel e, na forma como são desenvolvidos no Leste de Mato Grosso do Sul, também são subordinados. A Figura 7 também evidencia que, além de outros circuitos espaciais produtivos, como o de insumos, o de máquinas e o de equipamentos, existem outros agentes, atividades complementares e recursos, que participam dos diversos circuitos espaciais produtivos.

Na forma como está apresentado o esquema anterior, o primeiro circuito complementar seria o de mudas, o segundo o de eucalipto, o terceiro o de celulose e, por fim, polarizando todos os circuitos, o circuito espacial produtivo de papel. No entanto, esta pesquisa, conforme a figura demonstra, abordará até o circuito espacial produtivo de celulose, pois a produção de papel em Mato Grosso do Sul é reduzida. Prova disso é que mais de 80% da celulose produzida no estado tem como destino o mercado externo.

Vale salientar, entretanto, que isso não significa que se desconsidera a complementaridade existente entre os circuitos. Pelo contrário, reconhece-se a complementaridade, como ficou nítido até então, pois o circuito espacial produtivo de celulose existente em Mato Grosso do Sul é movido a partir da lógica global do circuito

espacial produtivo de papel. Essa ideia corrobora com a teoria marxista de que não há produção sem consumo (MARX, 2011).

Na Figura 7, foi possível observar que cada circuito espacial produtivo complementar possui uma série de agentes, atividades complementares e recursos. No circuito espacial produtivo de mudas, por exemplo, estão presentes a pesquisa, o Estado, o financiamento privado, a mão de obra, o transporte, os insumos, as máquinas, os equipamentos, as associações setoriais, as organizações normalizadoras e os recursos naturais. Portanto, somente esse circuito espacial produtivo complementar possui grande variedade de elementos. O mesmo pode ser aplicado aos circuitos espaciais produtivos de eucalipto e de celulose, pois nesses estão presentes os mesmos elementos do circuito espacial produtivo de mudas, ou seja, a pesquisa, o Estado, o financiamento privado, a mão de obra, o transporte, os insumos, as máquinas, os equipamentos, as associações setoriais, as organizações normalizadoras e os recursos naturais. No entanto, esses elementos estão presentes de diferentes maneiras devido às peculiaridades de cada circuito.

Tomando como base a ideia de Marx (2011), que defende que o processo produtivo capitalista, além da produção propriamente dita, envolve a distribuição, a circulação (troca) e o consumo, e que esses processos, embora distintos, são interdependentes e compõem a totalidade da produção capitalista, e, partindo do princípio da complementaridade entre os circuitos, identificaram-se os diferentes elementos, bem como os fluxos materiais e imateriais necessários para a análise geográfica do circuito espacial produtivo de celulose em Mato Grosso do Sul.

Os elementos (agentes, recursos, atividades complementares, etapas) identificados estão presentes em todos os processos de produção da celulose, tanto por meio de fluxos materiais (insumos, equipamentos etc.) como por fluxos imateriais (ordens, normas, capitais, informações). Entre os elementos presentes no circuito espacial produtivo de celulose, foram identificados os seguintes: Estado, financiamento privado, transporte, mão de obra, pesquisa, associações setoriais, organizações normalizadoras, insumos (mecânicos, químicos e biológicos), equipamentos industriais, empresas prestadoras de serviços, recursos naturais, planejamento florestal, viveiros, eucaliptais, produção florestal, produção industrial, celulose, subprodutos, mercado interno, mercado externo, centros de distribuição e clientes (consumo). Apresentados os elementos, a seguir demonstra-se como ocorrem as relações materiais e imateriais existentes entre eles.

O Estado, nas instâncias federal, estadual e municipal, é o principal viabilizador do circuito espacial produtivo de celulose em Mato Grosso do Sul, estando presente em todos os processos do circuito espacial de celulose, devido à criação ou do melhoramento da infraestrutura, da concessão de financiamentos, dos incentivos fiscais e de suas normas. Desse modo, o Estado encontra-se presente na pesquisa, na produção florestal, na produção industrial, na exportação e na comercialização da celulose, como será descrito na sequência do texto.

O processo produtivo da celulose inicia-se com a pesquisa, ou seja, antes mesmo das atividades nos viveiros. Esse estágio é fundamental para o circuito espacial de celulose, pois é por meio da pesquisa que o setor encontra uma de suas bases para seu desenvolvimento. A pesquisa está presente em todas as etapas do circuito espacial produtivo de celulose, inclusive no setor de logística e transporte. Assim como a pesquisa influencia o processo produtivo, também é influenciada por diversos agentes, como o Estado, as associações setoriais, as organizações normalizadoras e o financiamento privado.

O Estado fomenta financeiramente as pesquisas, além de criar normas que devem ser respeitadas pelos pesquisadores. O financiamento privado também viabiliza financeiramente o desenvolvimento de pesquisas no setor florestal. As associações setoriais também fomentam o desenvolvimento de pesquisas, dentre outras ações que influenciam nas pesquisas do setor. As organizações normalizadoras estabelecem normas que devem ser seguidas pelos pesquisadores. Além disso, para a realização das pesquisas são necessários trabalhadores (próprios e terceiros) e insumos (equipamentos de laboratório, produtos químicos etc.).

Após ou concomitantemente a pesquisa, ocorre o planejamento florestal, estreitamente vinculado aos recursos naturais, aos viveiros, aos eucaliptais e à produção florestal. Durante o planejamento, é decidida qual área será ocupada pelos eucaliptais. Desse modo, é necessário o conhecimento sobre os recursos naturais, como, por exemplo, o tipo de solo e a disponibilidade hídrica da área em que será realizado o plantio. A partir disso, os trabalhadores dos viveiros são informados sobre as espécies e as quantidades de mudas de eucalipto que serão utilizadas nos próximos plantios. No planejamento florestal, como não poderia deixar de ser, a mão de obra também aparece. Esta necessita de uma série de equipamentos, com destaque para computadores e softwares especializados, fundamentais para o planejamento florestal.

Os viveiros possuem relação com a pesquisa, Estado, financiamento privado, planejamento florestal, insumos, transporte e mão de obra. As mudas produzidas nos viveiros

são frutos de pesquisas desenvolvidas em laboratórios e centros de pesquisas. O Estado financia boa parte dos recursos necessários para a implementação dos viveiros, além de criar as normas que esses devem seguir. Para a instalação dos viveiros, além do financiamento estatal, também foi necessário o financiamento privado. A partir do planejamento florestal as espécies de mudas são escolhidas e reproduzidas nos viveiros. Os insumos (químicos, biológicos e mecânicos) são essenciais para o desenvolvimento das atividades nos viveiros. Após o período nos viveiros, as mudas são transportadas até a área de plantio. A mão de obra aparece no manuseio e no transporte das mudas, dentre outros processos existentes nos viveiros.

Após o plantio os eucaliptais são formados. Os eucaliptais estão relacionados a praticamente todos os processos e agentes, podendo ser considerado central juntamente com a produção florestal e a produção industrial. O monocultivo de eucalipto está diretamente ligado ao Estado (financiamento, infraestrutura, normas), ao financiamento privado, às associações setoriais, às organizações normalizadoras, à pesquisa, ao planejamento florestal, aos recursos naturais, aos viveiros, à produção florestal44, à mão de obra, ao transporte, aos prestadores de serviços, aos insumos (mecânicos, químicos e biológicos) e aos clientes.

É o Estado quem viabiliza financeiramente parte do capital necessário para a expansão dos eucaliptais e para a aquisição de maquinários por meio de linhas de financiamento. Além disso, o Estado também influencia a instalação de áreas de plantio de eucalipto em virtude de suas normas. O financiamento privado também aparece no financiamento de maquinários utilizados durante o plantio. As associações setoriais e organizações normalizadoras, por meio de seus fluxos imateriais, influenciam as áreas de produção de eucalipto em decorrência de suas normas.

A pesquisa é fundamental para o desenvolvimento de espécies mais produtivas e resistentes a pragas e doenças. O planejamento florestal, como mencionado anteriormente, constitui-se, junto com a pesquisa, como o momento pré-produtivo, quando os eucaliptais se originam imaterialmente. Os recursos naturais são fundamentais para o desenvolvimento dos eucaliptais, pois todo planejamento florestal leva em consideração os tipos de solo e a disponibilidade hídrica para a formação dos eucaliptais. Nos viveiros são produzidas as mudas, ou seja, a origem material dos eucaliptais que serão formados.

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Os eucaliptais foram considerados separadamente da produção florestal, pois se entende que os eucaliptais restringem-se apenas a floresta, enquanto a produção florestal está ligada à colheita e ao transbordo. No entanto, a produção florestal também pode ser entendida como a totalidade dos processos e etapas que englobam os recursos naturais, o planejamento florestal, os viveiros e os eucaliptais, ou, então, a etapa final destes processos.

No plantio, no monitoramento, na colheita e no transporte das toras de eucalipto até a fábrica são necessários insumos e trabalhadores (próprios e terceiros). Nos eucaliptais, a presença de empresas prestadoras de serviços é muito comum, diferente do processo industrial, que possui apenas trabalhadores próprios. As empresas terceirizadas estão concentradas, principalmente, na prestação de serviços relacionados ao plantio e ao manejo dos eucaliptais, além dos serviços de transporte e logística.

Além da fiscalização por parte do poder público, das organizações normalizadoras e das ONGs, no mundo contemporâneo, as empresas do setor de florestas plantadas têm suas práticas ambientais e sociais cada vez mais monitoradas por seus clientes. Portanto, os clientes, responsáveis pelo consumo produtivo da celulose, influenciam as empresas a optarem por melhores práticas ambientais e sociais, afetando a utilização dos recursos naturais e o manejo florestal, dentre outras etapas da produção florestal.

A produção florestal pode ser entendida como a etapa seguinte ou complementar aos eucaliptais. Esta etapa consiste na colheita e no baldeio dos eucaliptos. A produção florestal está ligada diretamente ao Estado, financiador de tratores, colheitadeiras, dentre outros insumos mecânicos. Novamente, o financiamento privado aparece para complementar o capital necessário para a realização da produção florestal em consequência de financiar parte do capital necessário para a aquisição de maquinários. A pesquisa, no que se refere à produção florestal, está ligada ao melhoramento dos processos.

As associações setoriais e as organizações normalizadoras, com suas normas, novamente interferem em uma etapa do circuito espacial pesquisado. Na produção florestal, a presença de empresas prestadoras de serviços é recorrente. Estas participam da colheita, do baldeio e do transporte dos eucaliptos até a fábrica. Toda a engrenagem existente na produção florestal somente funciona por conta da presença de trabalhadores (próprios e terceiros).

Também central, a produção industrial de celulose mantém relações diretas com praticamente a totalidade dos elementos. Destarte, suas relações diretas ocorrem com: Estado, financiamento privado, pesquisa, associações setoriais, organizações normalizadoras, mão de obra, insumos, equipamentos industriais, recursos naturais (água), transporte e clientes.

O Estado foi responsável por financiar parte do montante necessário para a instalação das fábricas de celulose, além de criar ou melhorar a infraestrutura necessária para a instalação das unidades industriais e conceder benefícios fiscais. Foi por meio do financiamento estatal que grande parte dos equipamentos industriais foram adquiridos pelas empresas do circuito espacial produtivo. Além disso, suas normas também afetam as

atividades industriais do processo produtivo de celulose. O financiamento privado, por seu turno, complementou o capital necessário para a instalação das fábricas de celulose.

Importante salientar que parte do montante necessário para a instalação dos projetos de celulose não utilizam apenas o financiamento público e privado nacional, pois bancos públicos e privados de outros países também atuam no setor. Como as principais tecnologias e equipamentos do processo industrial da celulose são importados de empresas de países tradicionais nesse tipo de produção, como Finlândia, Suécia, Noruega, Suíça, Áustria e Alemanha, bancos públicos e privados desses países constantemente financiam projetos em diversos países do mundo.

Do montante necessário para a ampliação da Eldorado Brasil, por exemplo, que custaria cerca de R$ 10 bilhões, cerca de 70% seria obtido por meio de financiamentos públicos e privados. Os financiamentos seriam oriundos das Agências de Crédito de Exportação45, do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI- FGTS)46, do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO) e do BNDES (O PAPEL, 05/2016).

Os financiamentos internacionais para aquisição de equipamentos importados seriam obtidos junto a Agências de Crédito de Exportação. Esse tipo de financiamento também ocorreu na construção da primeira fábrica da companhia. Na oportunidade, a Eldorado Brasil contou com financiamentos de ECA’s da Finlândia, Suécia e Áustria, tradicionais países do setor de celulose e papel. Para o projeto atual, além desses países, a companhia também estava avaliando a possibilidade de adquirir equipamentos da Alemanha e da China. O montante necessário para a aquisição dos equipamentos poderia atingir US$ 700 milhões (O PAPEL, 05/2016).

O capital proveniente do FI-FGTS deveria variar entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão. Do FDCO, seriam obtidos cerca de R$ 1,5 bilhão. O restante dos 70% de capital necessário para a construção da segunda linha de produção seriam oriundos do BNDES, que também foi fundamental para a construção na linha 1 de produção da Eldorado (O PAPEL, 05/2016).

45 Em inglês: Export Credit Agencies (ECA). Estas agências apoiam a inserção internacional de empresas que fabricam produtos de alto valor agregado, como equipamentos industriais, navios, sondas, aeronaves, locomotivas etc.

46 O FI-FGTS tem por objetivo proporcionar a valorização das cotas por meio da aplicação de seus recursos na construção, reforma, ampliação ou implantação de empreendimentos de infraestrutura em rodovias, portos, hidrovias, ferrovias, aeroportos, energia e saneamento.

A pesquisa visa obter o melhoramento dos processos e dos produtos industriais. As associações setoriais e as organizações, em decorrência de suas normas, também influenciam a produção industrial de celulose.

Durante o processo industrial, os insumos (mecânicos e químicos), os equipamentos industriais, a água e a mão de obra são fundamentais para a obtenção do produto final, a celulose. Assim como na produção florestal (incluindo os recursos naturais, os eucaliptais etc.), os clientes também influenciam na produção industrial, tendo em vista que as companhias são cobradas para que os impactos de seus processos industriais sejam reduzidos. Os clientes, dessa maneira, não são apenas meros receptores dos produtos, pois influenciam as ações florestais e industriais desenvolvidas pelas companhias.

Apesar de a celulose ser o produto principal das agroindústrias estudadas, sendo responsável pela formação de um circuito espacial produtivo, vale destacar que existem subprodutos obtidos a partir das operações florestais e industriais, ampliando o lucro das companhias. O subproduto de maior relevância é a energia elétrica produzida pelas fábricas, pois além de torná-las autossuficientes em energia, também pode proporcionar lucro devido à comercialização do excedente.

Após a produção industrial, a celulose é comercializada em fardos, com clientes do Brasil e do exterior. No processo logístico, existem diversos elementos, como o Estado

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