A música é a manifestação artística do homem que mais o atinge diretamente, e para a maioria das pessoas, a vivência musical, seja ouvida ou tocada, proporciona sensações relaxantes e prazerosas. Não é incomum observarmos a presença da música no dia a dia das pessoas e o quanto ela proporciona prazer e relaxamento, aliviando tensões, emocionando, sensibilizando nossos sentidos e sentimentos mais profundos.
Para Leinig (1977), a música pode influenciar o organismo humano, pela via tálamo- hipotálamo, a autora relata pesquisas com a utilização da música e comprovou-se que o tálamo é a sede das sensações e através do ritmo musical seriam provocadas respostas automáticas, realizadas no Wisconsin Psyquiatric Institute, nos Estados Unidos (1943).
O tálamo é um centro subcortical do cérebro, sendo o principal núcleo de transmissão do grupo de emoções e sensações. Quanto aos sentimentos estéticos, acredita-se que sejam funções do córtex. O cerebelo controla a coordenação muscular e as sensações do tato, audição e visão. Uma vez despertado o córtex, há um envio de impulsos para o tálamo e então um circuito de reverberação é colocado em movimento. Neste ponto, a música mostra sua influência, pois não depende do córtex cerebral para penetrar no organismo; ela estimula o indivíduo através do tálamo e, conseqüentemente, o córtex cerebral é alcançado.
Segundo Leinig (1977), os fundamentos da musicoterapia originam-se nos diversos campos do conhecimento humano, por ser uma ciência com bases estruturais em diversas disciplinas. De acordo com a utilização de cada um desses campos, é que iremos diferenciar os diversos modelos de musicoterapia. A musicoterapia é uma disciplina, cujas técnicas agem diretamente nos aspectos psicológico, social e físico do ser humano, ajudando-o em seu problema específico.
Na visão da autora, os efeitos da música podem ser de ordem psicológica no sentido desenvolver a auto-estima, a sociabilidade, a comunicação, estimula a catarse, concentração, memorização, facilita a expressão corporal, aumenta a atividade voluntária, diminui o impacto dos estímulos sensoriais, melhora ou diminui a energia muscular segundo o ritmo, acelera o ritmo respiratório, ou altera sua regularidade, produz efeito marcado ou variável na pulsação, na pressão sanguínea e na função endócrina, reduz ou retarda a fadiga, incrementando o endurecimento muscular.
De acordo com Zárate e Díaz, (2001), a música vem sendo utilizada com funções diferenciadas, como na redução do estresse, aumento da auto-estima, mudanças de condutas inapropriadas, diminuição da dor. O objetivo é ajudar o ser humano na busca do autoconhecimento e deste modo, contribuir para uma sociedade melhor.
A musicoterapia é um ramo da ciência e estuda os efeitos da música no ser humano, ligadas a promoção de saúde e a prevenção primária, secundária e terciária em enfermidades como Parkinson, Alzheimer, Demência, pacientes psiquiátricos, problema de conduta. Estudos apontam os efeitos positivos no tratamento à pacientes com distúrbios neurológicos, demonstrando que a música os ajuda, pois há na conquista do controle sobre o ritmo de caminhar, o resgate da memória retrógrada, o aumento da auto-estima, estimulando novas formas de relacionamento sociais e um novo método de contato com a realidade.
Em Ferreira, Remedi e Lima (2006) as pesquisadoras analisaram diversos artigos em locais diferentes e com pacientes também diversificados, como por exemplo, crianças e adolescentes internados em hospitais pediátricos com ferimentos na medula espinhal (11); crianças submetidas a procedimentos dolorosos (12); com traumas acidentais [em unidades de urgência-emergência] (13) e traumas músculos-esqueléticos (14); com câncer, submetidas à punção lombar e em tratamento quimioterápico (15-17). Outros exemplos referem-se à violência contra crianças como abuso, privação e negligência (19).
Os resultados demonstram que a intervenção musical ajuda na redução e controle da dor e comportamentos causados por diminuição da agitação e comportamentos agressivos (26,31); desenvolvimento de novas estratégias de enfrentamento (20, 21); redução da ansiedade (9,12, 20, 31, 32, 42); relaxamento (20, 24, 31, 42), redução de náuseas e vômitos (9, 15, 17); diminuição do medo e sofrimento (13); melhora nas habilidades sociais, cognitivas e físicas (28, 29); indução do sono (9, 20, 24); modulação do humor (24, 31, 35); expressão de sentimentos (20, 30); distração e divertimento (16, 20, 33); socialização (24, 30, 31, 42); reabilitação (40); satisfação do cliente e familiares com o cuidado prestado (14).
Neste artigo, chegou-se a conclusão que a intervenção musical durante a assistência à criança hospitalizada possibilita que esta verbalize seus estresses e ansiedades e a partir daí, desenvolva estratégias de enfrentamento para as suas dificuldades. Elas ressaltam que o estudo de número (20), realizado por enfermeiras americanas, demonstrou que a música auxilia no processo de enfrentamento da hospitalização, da doença e de eventos traumáticos, pois serve de estímulo para que as crianças expressem seus sentimentos, contem suas histórias.
Segundo a pesquisa, ao utilizar a música, além de estimular o relaxamento, a comunicação de medos e frustrações, existe o incentivo no que concerne à aderência ao tratamento. Concluíram que se a enfermaria pediátrica utilizar a música no seu atendimento, tal ação pode propiciar bem estar e satisfação aos clientes e familiares. Constatou-se, ainda, que a música, é uma intervenção de baixo custo, não-farmacológica e não-invasiva, podendo deste modo, ser empregada no espaço hospitalar visando promover os processos de desenvolvimento e a saúde da criança.
Outra pesquisa que destaca o uso da música como recurso terapêutico refere-se à pesquisa de Troice e Sosa (2003), no Instituto Nacional de Psiquiatria Ramón de La Fuentes, no Programa de Reabiliatação integral de pacientes com esquizofrenia. Eles selecionaram 15 pacientes esquizofrênicos na fase crônica, e utilizaram uma das técnicas de musicoterapia ativa, denominada improvisação musical. O objetivo da utilização desta técnica era propiciar melhora na comunicação verbal e não verbal do paciente, facilitar a auto-expressão, estimular o controle sensório-motor, desenvolver a interação e a criatividade grupal e também observar mudança na sensação de bem estar dos pacientes.
Concluíram que a técnica da musicoterapia revelou-se como uma intervenção que gera resultados positivos no funcionamento dos pacientes esquizofrênicos, pois os mesmos relataram sentir- se melhor com o emprego da musicoterapia no tratamento, parecendo que os sintomas negativos diminuíram. Os autores destacam que esta percepção de melhora por parte dos pacientes facilitou o comportamento de adesão ao tratamento e enfatizam que a experiência em grupo com a técnica ativa de improvisação musical num ambiente de aceitação de acolhimento, pode ser um fator que propicia a sensação de bem estar e melhora dos aspectos psicossociais destes pacientes. Por fim, consideram que a improvisação musical pode ser uma estratégia interventiva curativa com pacientes com esquizofrenia crônica.