• Aucun résultat trouvé

Simple Program Run Under Executive Control

Dans le document EXEC UNIVAC (Page 37-0)

Esta pesquisa aborda a qualidade térmica urbano-ambiental com enfoque na variável ambiental da temperatura de superfície, analisando especificamente como essa se comporta na relação com a vegetação e com sua distribuição intraurbana.

3.3.1 Clima Urbano e Qualidade Térmica Urbano-ambiental

Muitos especialistas brasileiros em climatologia urbana vêm contribuindo para a compreensão da temática, bem como na criação de teorias, técnicas e métodos para seu embasamento científico, especialmente a partir da metade da década de 70. Nesse cenário, Monteiro (1976; MONTEIRO e MENDONÇA, 2003), em seu trabalho Teoria e Clima Urbano, inicia uma nova etapa da pesquisa científica climatológica no Brasil com a proposição do Sistema de Clima Urbano (SCU), como um grande sistema aberto de inter-relações dinâmicas. Para facilitar a compreensão da qualidade térmica urbano-ambiental, no desenvolvimento do presente trabalho, o clima urbano foi abordado na perspectiva do “canal de percepção termodinâmico” (MONTEIRO e MENDONÇA, 2003, p. 19-26) que se pauta nos seguintes enunciados básicos:

Dentro do esquema do S.C.U., esse canal atravessa toda a sua estrutura, pois que é o insumo básico, é transformado na cidade e pressupõe uma produção fundamental no balanço de energia líquida atuante no sistema. O uso do solo, a morfologia urbana, bem como suas funções, estão intimamente implicados no processo de transformação e produção (MONTEIRO e MENDONÇA, 2003, p. 44).

A teoria desenvolvida por Monteiro tornou-se referência para vários pesquisadores, que desenvolveram trabalhos de significativa relevância para a compreensão do tema, tais como Ribeiro (1993), Mendonça (2003), Jesus (2008), Alves et al. (2011), Lombardo (2009), Sant’Anna Neto (2013), Andrade et al. (2002, 2015), Nery et al. (2017) dentre outros pesquisadores de destaque na temática climática urbano-ambiental brasileira. Desse modo, segundo os autores Alves et al. (2013):

O conceito de clima diz respeito a um comportamento padrão dos elementos climáticos quantificáveis ao longo do período de um ano. Gerado a partir de fatores globais, tais como a latitude e a circulação atmosférica, segue sofrendo alterações nas diversas escalas devido às interações com os diversos fatores naturais ou geomorfológicos até chegar à escala do clima urbano. Nesta escala, o clima é modificado por fatores antrópicos que, em última instância, referem-se à urbanização (...) (ALVES et al., 2013, p. 43).

Em síntese, este trabalho se remete à teoria desenvolvida por Monteiro e Mendonça (2003) sobre o canal termodinâmico na composição do clima urbano. Porém está fundamentado na contribuição científica dos estudos mais recentes supracitados, integrando a temática da discussão da relação da qualidade térmica urbano-ambiental com a cobertura vegetal no meio urbano. Assim sendo, o desenvolvimento deste estudo transcorre no nível da microescala geográfica, espaço onde se manifesta o dinamismo da escala climática local, que envolve o clima urbano gerado a partir da interferência antrópica nas condições específicas do município de Salvador.

3.3.2 Cobertura Vegetal como Indicador de Qualidade Térmica Urbano-ambiental

A supressão da vegetação resulta da ação antrópica de conquista e apropriação da superfície terrestre, comprometendo a qualidade ambiental em especial nas cidades onde sua redução ocorre com maior intensidade. A percepção das consequências danosas provocadas pela ausência de cobertura vegetal urbana passou a desempenhar um papel de destaque no âmbito da gestão, como nos estudos sobre qualidade ambiental. Tal visão é compartilhada pelos pesquisadores Moura e Nucci (2008, p. 1683) ao apontarem que “a cobertura vegetal urbana deve ser um item primário e de extrema relevância no planejamento urbano como qualquer outra infraestrutura”. Desse modo, enfatizam que a distribuição espacial da cobertura vegetal urbana nos aspectos qualitativo e quantitativo deve ser criteriosamente considerada na avaliação da qualidade ambiental urbana.

Dentre os autores dedicados ao tema, que vêm apontando as consequências da falta de planejamento ambiental do verde urbano, Lima (2013) destaca que mudanças na temperatura, na direção dos ventos e na umidade, se correlacionam com a forma de organização da cidade por meio do uso do solo, das taxas de ocupação, da ausência de cobertura vegetal e dos padrões construtivos.

Em sua tese sobre análise de padrões e processos no uso do solo, o pesquisador Henke- Oliveira (2001) ressalta que os elementos do clima como vento, umidade relativa do ar, chuva, dentre outros, sofrem influência da presença da cobertura vegetal, dando ênfase sobre sua função na amenização das temperaturas:

O efeito dos parques urbanos sobre estas variáveis também é foco de pesquisa que mostram que as áreas arborizadas de grandes extensões são

responsáveis por uma atenuação térmica geralmente não inferior a 2 e 3°C, podendo atingir valores próximos a 6-8°C (HENKE-OLIVEIRA, 2001, p. 4).

O efeito de atenuação térmica promovida pela presença da vegetação ocorre, dentre outras formas, pela absorção da radiação solar nas plantas, liberada para a atmosfera sob a forma de calor latente, e não sensível, contido na evapotranspiração, segundo Freire et al. (2012). Da mesma forma, completa Duarte (2015, p.39), apontando que nas superfícies urbanas a presença de cobertura vegetal influencia indiretamente no balanço energético tendendo “a reduzir as temperaturas máximas durante o dia, reduzindo as trocas radiativas”, assim como interferem diretamente por meio do resfriamento evaporativo.

De acordo com Mascaró e Mascaró (2002) a cobertura vegetal interfere nos microclimas urbanos, notadamente no que se refere à qualidade térmica urbano-ambiental, amenizando a radiação solar na estação quente por sombreamento, modificando a temperatura e a umidade relativa do ar do ambiente. Os autores acrescentam que as árvores, em especial as de maior porte, são capazes de provocar a redução da amplitude térmica diurna. Desse modo a carga térmica recebida pelos indivíduos, emitida dos materiais construtivos, veículos, entre outros, é minimizada em ambientes arborizados. Além disso, a evapotranspiração das folhas e do solo permeável contribui com a umidade relativa do ar. Por esses motivos os autores consideraram que uma única árvore exerce influência na qualidade do ambiente:

Árvores plantadas isoladas tem potencial para amenizar o desconforto do microclima urbano. Os efeitos de sombreamento, diminuição da temperatura e elevação da umidade relativa do ar, só serão sentidos sobre sua copa (MASCARÓ; MASCARÓ, 2002, p. 26).

Conforme visto, muitos trabalhos científicos enfatizam a relação da redução da cobertura vegetal nas cidades com a intensificação das alterações microclimáticas urbanas. Nesse sentido Lombardo (2009), acrescenta:

Nas áreas urbanas, os espaços verdes constituem uma importante forma de adaptação às alterações climáticas, pela sua contribuição para a melhoria das condições microclimáticas da área envolvente e para a mitigação da ilha de calor, e pelo seu papel potencial na assimilação de carbono e outros poluentes atmosféricos (LOMBARDO, 2009, p. 112).

Segundo Andrade et al. (2015) desde o início do século XX os estudos científicos vêm se utilizando da proposição de índices e escalas de conforto, na interpretação de variáveis ambientais e individuais, para análise da sensação térmica. O presente estudo parte do pressuposto de que a vegetação urbana pode ser utilizada como um importante indicador de

qualidade térmica urbano-ambiental, atuando como um atenuador das amplitudes térmicas dos diversos microclimas gerados na malha urbana, a partir de uma distribuição qualitativa e quantitativa da cobertura vegetal no território intraurbano.

3.4 COBERTURA VEGETAL, QUALIDADE TÉRMICA URBANO-AMBIENTAL E TST

Dans le document EXEC UNIVAC (Page 37-0)

Documents relatifs