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6. MRC DU GRANIT

6.1.4. Des jeunes en quête de loisirs et de services

Os dados obtidos com a pesquisa de campo foram cruzados com a pesquisa bibliográfica e de documentos. Para a construção desta análise, a organização dos dados seguiu os procedimentos da Análise Textual Discursiva (ATD). Com base no texto construído na ocasião da dissertação de mestrado da pesquisadora desta tese (VERDUM, 2010), retomam-se alguns aspectos sobre como se caracteriza tal metodologia.

Moraes e Galiazzi (2007, p. 7) definem que a ATD “[...] corresponde a uma metodologia de análise de dados e informações de natureza qualitativa, com a finalidade de produzir novas compreensões sobre os fenômenos e discursos”. Isto é, na Análise Textual Discursiva (ATD), seja partindo de textos já existentes ou produzindo o material para a análise, a intenção é a compreensão e a construção de novos significados.

A ATD consiste num processo auto-organizado, que envolve a sequência recursiva de três componentes: 1) a desconstrução dos textos do corpus, a unitarização; 2) o estabelecimento de relações entre os elementos unitários, a categorização; e 3) comunicação das novas compreensões atingidas. Na Figura 6 a seguir, podem-se visualizar como ocorre este processo:

108 Em maio de 2014, foi ofertado um curso de capacitação sobre o processo de avaliação dos cursos

superiores, pela Reitoria do IFRS. Nesse contexto, as diferentes modalidades de disciplinas ofertadas, entre elas as de licenciatura, tiveram um espaço de discussão em que os coordenadores foram convidados a debater sobre os aspectos positivos e negativos da oferta, e destacar proposições. Como participante deste evento, a autora foi relatora das discussões realizadas pelo grupo das licenciaturas, ficando responsável pelo registro deste debate. As considerações sobre o documento também foram utilizadas nesta tese, com autorização da Pró- Reitoria de Ensino. No anexo E, consta o certificado que comprova a participação no curso; e, no anexo F, o relato-síntese (construído na ocasião da oficina), do qual foi redatora.

Figura 6 - Ciclo da Análise Textual Discursiva

Fonte: Moraes e Galiazzi (2007, p.41).

O corpus é o conjunto de documentos analisados. Além de textos propriamente ditos, outras imagens e expressões linguísticas podem compor esse corpus. Os textos podem ser produzidos (entrevistas, questionários, registros de observação), ou já existentes (relatórios diversos, publicações de natureza variadas, entre outros). Para a sua definição e delimitação, é preciso selecionar um conjunto capaz de estabelecer resultados válidos e representativos, em relação aos fenômenos investigados. Quanto à necessidade (ou não) de inclusão de novas informações neste corpus, Moraes e Galiazzi (2003, p. 194) falam do uso do critério de saturação: “Entende-se que a saturação é atingida quando a introdução de novas informações nos produtos da análise já não produz modificações nos resultados anteriormente atingidos”. Neste estudo, o corpus para análise foi composto do material das entrevistas, dos questionários, e dos documentos sobre o IFRS.

Reunido o corpus, o primeiro passo da análise deve ser o da desfragmentação ou desconstrução do texto (momento de focar nas partes, nos detalhes), com o intuito de buscar unidades de análise, definidas em função do sentido pertinente aos propósitos de pesquisa. Sua definição pode partir tanto de categorias definidas a priori, como as emergentes. Essa prática de unitarização pode ser caracterizada em três momentos distintos:

a) fragmentação dos textos e codificação de cada unidade;

b) reescrita de cada unidade, de modo que assuma um significado mais completo possível em si mesma;

O segundo momento do ciclo de análise, consiste na categorização das unidades anteriormente construídas, aspecto central de uma análise textual discursiva. As categorias são constituintes da compreensão que emergem do processo analítico, melhor explicando:

A categorização é um processo de comparação constante entre as unidades definidas no processo inicial de análise, levado a agrupamentos de elementos semelhantes. Os conjuntos de elementos de significados próximos constituem as categorias. (MOARES; GALIAZZI, 2007, p. 197).

No processo de categorização podem ser construídos diferentes níveis; é partir delas que se produzirão as descrições e as interpretações que comporão o exercício de expressar as novas compreensões possibilitadas pela análise. A Figura 6, a seguir, demonstra o que envolve a organização das ideias, para a captação das categorias.

Figura 7 - Elementos envolvidos na construção das categorias de análise na ATD

Fonte: Moraes e Galiazzi (2007, p. 201).

Na ATD, as categorias de análise podem ser produzidas de diferentes maneiras: pelo método dedutivo: construir categorias antes mesmo de examinar o corpus de textos. São “caixas” nas quais as unidades de análise serão colocadas ou organizadas; pelo método indutivo: construir as categorias com base nas informações contidas no corpus, resultando no que se denomina “categorias emergentes”. Os dois métodos podem, também, ser combinados, num processo de análise misto. Há, ainda, pelo método intuitivo: categorias produzidas por intuição, que originam-se por meio de inspirações repentinas (insights), que representam

aprendizagens auto-organizadas, possibilitadas, ao pesquisador, a partir de seu envolvimento intenso com o fenômeno que investiga; procura superar a linearidade implícita, tanto no método dedutivo quanto intuitivo.

Nesta tese, trabalhou-se com a categorização indutiva emergente, que reúne elementos com aproximação estreita; em outros níveis, reagrupam-se as categorias iniciais em âmbitos cada vez mais abrangentes.

Figura 8 - Categorização indutiva emergente

Fonte: Moraes e Galiazzi (2007, p. 203).

Para chegar às categorias finais, foram construídos quadros de análise a partir do material coletado (entrevistas com os pró-reitores, diretores dos Campi, e coordenadores dos cursos investigados) e do questionário aplicado aos alunos109, buscando encontrar as convergências no corpus. Este processo teve como referência as questões norteadoras, elaboradas para a investigação empírica: Quais são os aspectos positivos e/ou potencialidades, e os desafios percebidos pelos gestores e professores coordenadores do IFRS na oferta de cursos de licenciatura? Como os alunos, que já vivenciaram a maior parte do curso de licenciatura no IFRS, avaliam a formação recebida? Que proposições para superar as dificuldades ressaltadas esse sujeitos têm? Assim, construíram-se as etapas de análise a partir

109 Para a síntese dos dados colhidos com os alunos, utilizaram-se, principalmente, as questões

abertas (propostas no questionário), que perguntavam sobre a avaliação que o aluno fazia da formação recebida e das sugestões para a melhora dos cursos.

de três grandes eixos: aspectos positivos e/ou potencialidades, desafios e

proposições.

Num primeiro momento, foram mapeadas as entrevistas com os pró-reitores

do IFRS, diretores do Campus, e coordenadores dos cursos de licenciatura das duas unidades investigadas. Com os fragmentos destacados de cada entrevista, foi constituído um quadro110.

Uma síntese do que apareceu no questionário aplicado aos alunos também foi construída111. Em função de apresentar questões fechadas e abertas, foram identificadas, nas questões fechadas, a quantidade de respostas para cada uma; e, nas questões abertas, realizou-se um resumo dos principais elementos, também considerando os eixos que guiaram as análises (aspectos positivos e/ou potencialidades, desafios e proposições).

Num segundo momento, foi realizada uma nova organização dos

fragmentos destacados nas entrevistas e nas questões abertas, propostas no questionário aplicado aos alunos, já com o intuito de separar tais fragmentos (conforme os três eixos mencionados anteriormente), e um novo quadro foi elaborado112. A partir disso, foram lidos outros documentos do IFRS (citados no Quadro 10, deste capítulo), com vistas a destacar os pontos convergentes e as questões identificadas no diagnóstico das entrevistas e do questionário. Após esse processo, emergiram os aspectos apontados no Quadro 11 (a seguir) como possíveis categorias a serem exploradas:

110 Ver Apêndice C.

111 Ver Apêndice D. 112 Ver Apêndice E.

Quadro 11 - Convergências entre as entrevistas com gestores,

professores/coordenadores de curso e o questionário aplicado com os alunos

Potencialidade Desafios

 A reconfiguração dos currículos  A verticalização do ensino

 O fomento a diferentes esferas de aprendizagem (pesquisa, extensão, docência)

 A ação prática como geradora de conhecimento

 A necessidade de uma identidade para as licenciaturas

 A necessidade de diagnósticos sobre a situação dos cursos de licenciatura da instituição

 A necessidade de valorização da carreira docente no contexto da instituição

Proposições

 Diagnósticos sobre a situação dos cursos de licenciaturas (evasão, egressos e perfil do estudante).  Planejamento Institucional: oferta de cursos de licenciatura com base em levantamento de demanda, e

que considere a experiência dos que já estão em andamento.

 Reconfiguração curricular: equilíbrio entre disciplinas pedagógicas e específicas.

 Reflexão sistemática sobre as licenciaturas: fóruns para o debate acerca dos desafios e de proposições para a qualificação dos cursos de licenciatura na instituição.

 Formação dos formadores: desenvolvimento do aspecto pedagógico na formação do corpo docente e do conhecimento das características do modelo institucional dos IFs.

 Planejamento Pedagógico: desenvolvimento das práticas, com base em planejamento coletivo.

 Práticas pedagógicas: propostas interdisciplinares, fortalecimento de ações pedagógicas que trabalhem com a verticalização aliada à tríade ensino, pesquisa e extensão, articulação entre teoria e prática.

Fonte: A autora (2014).

A partir da síntese expressa no Quadro 11, passou-se à próxima etapa da ATD, que consiste na produção de “metatextos”, com base nos produtos da análise. É importante ressaltar que a produção escrita não constitui expressão objetiva do conjunto de um corpus de análise, mas representa construções e interpretações pessoais do pesquisador, tendo sempre como referência a fidelidade e respeito às informações obtidas com os sujeitos da pesquisa e os documentos analisados.

7 A OFERTA DOS CURSOS DE LICENCIATURAS NO IFRS: ASPECTOS POSITIVOS E/OU POTENCIALIDADES, DESAFIOS E PROPOSIÇÕES

Este capítulo apresenta uma discussão com base nas análises dos dados coletados com as entrevistas junto aos gestores (pró-reitores e diretores de ensino das unidades), aos professores coordenadores, e aos alunos do último ano de Licenciatura em Matemática, dos Campi Caxias do Sul e Bento Gonçalves. Além desses dados, há também os documentos referentes ao IFRS, citados como fonte no Capítulo 6.

A discussão foi organizada com base nas grandes questões-chave, propostas na pesquisa empírica, a partir da qual se buscou compreender a avaliação que esses sujeitos fazem da oferta das licenciaturas no âmbito da Instituição (aspectos positivos e ou/potencialidades, desafios, e suas proposições para o aprimoramento). Dentro de cada um, foram explorados elementos convergentes que emergiram da análise das entrevistas e questionários, apresentados no Quadro 11, do Capítulo 6.