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IV Simulation d’autre modes d’imagerie

O desenvolvimento deste estudo revelou um conjunto de informações e ideias essenciais às respostas aos objetivos estabelecidos nessa pesquisa. Contudo, estas conclusões não se esgotam aqui, pois outras questões foram aguçadas estimulando a posteriores estudos. Nesse sentido é interessante ressaltar que o estudo mostrou-se pertinente e demorou mais que o tempo previsto, com o intuito de fazer uma investigação minuciosa para responder à questão da pesquisa: Constatar se há Inovação pedagógica na prática pedagógica desenvolvida na Escola Justino Amâncio da Silva, na localidade de Riacho da Fome, Quixabeira, Bahia.

A presente pesquisa trouxe contribuições tanto no campo científico, como também no campo social. Uma vez que emergiram novos conceitos e significações de uma postura diferenciada diante da realidade complexa que é a sala multisseriada.

Ressalta-se que para identificar, analisar e compreender a realidade pesquisada se adotou a etnografia como metodologia, precedida da abordagem qualitativa, por entender a importância de se fazer etnografia e ser este o método mais adequado de se aproximar do campo e objeto de estudo de forma mais detalhada. Procurou-se entender sobre a prática pedagógica desenvolvida na escola Justino Amâncio da Silva, considerando as relações sociais ali estabelecidas. A dialética permeou o processo de análise, com enfoque teórico-metodológico, tendo como foco a experiência cotidiana vivida pela professora e seus alunos.

Sabe-se que a etnografia é uma abordagem que abre espaço para uma visão ampla do processo de construção do conhecimento, uma vez que a pesquisa não se limita ao espaço da sala de aula. Insere-se no ambiente formal e não formal de aprendizagem apreendendo as relações e se estende ao contexto sócio-cultural dos alunos.

A motivação em investigar o espaço multisseriado começou quando em visitas de observação como professora de estágio, tive a oportunidade de conhecer aquela prática pedagógica, e uma vez ingressando nesse mestrado no momento de pesquisa remeti-me àquela experiência anteriormente vivida.

Esse estudo passou por diversas fases: A princípio foi feita a pesquisa bibliográfica para conhecer os princípios norteadores da educação do campo e subsidiar teoricamente esse estudo, ainda visto pelo sistema como um problema a ser vencido. Mas esta pesquisa aponta também outro horizonte, romper os padrões convencionais da escola fabril, precisa ser pensada No e Do contexto do campo, Caldart (2010).

Logo após, foram feitas visitas à localidade para conhecê-la, onde aconteceram conversas informais com as famílias daquela comunidade.

Posteriormente aconteceram as observações no espaço pesquisado e consecutivamente, realizaram-se as entrevistas com todos os sujeitos envolvidos na pesquisa.

Esse estudo aconteceu em torno da questão central dessa pesquisa: “Em uma educação do campo, em uma classe multisseriada, considerando a especificidade da classe, não se estaria diante de um campo aberto e convidativo a uma postura pedagógica inovadora”? Que naturalmente abre espaço para outras indagações. No entanto, não é possível tratar da prática pedagógica, na perspectiva de inovação pedagógica sem deter-se à realidade onde essa ação acontece – a escola.

Nesse sentido, procurou-se aprofundar os conhecimentos, partindo da análise da função da escola, tendo como referência estudos orientados por teorias que a põem como reprodutora da cultura dominante, cujos métodos utilizados colaboram para que alunos das classes de menor poder aquisitivo sejam excluídos. Desse modo, respaldou-se nos pensamentos de Snyders (2005), Toffler (1970, 2012), Arroyo (2011), Bourdieu e Passeron (2011), Freire (2011), Sousa (2004), Fino (2006) Morin (2007), cujos posicionamentos possibilitaram a esta pesquisa reflexões sobre o quanto é importante evoluir de uma consciência ingênua para uma consciência crítica e como a escola pode servir de instrumento que possibilita essa libertação, transformação e mudança diminuindo assim as desigualdades sociais.

Durante o processo de investigação, presenciou-se uma prática pedagógica diferente, com a perspectiva de desenvolver habilidades e competências necessárias para a formação dos alunos de forma integral. Os desafios são lançados o tempo todo e os mesmos cooperam entre si, se esforçam individual e coletivamente para responder a esses desafios. Ou seja: Não basta que envolva os alunos em uma tarefa cooperativa qualquer, é preciso que provoque conflitos sociocognitivos. E essa perspectiva sempre esteve presente na prática pedagógica desenvolvida naquele espaço educativo, isso responde a uma das questões dessa pesquisa, que a professora tem consciência do trabalho que desenvolve.

Ao analisar a prática pedagógica observada, constatou-se uma ação que valoriza o individual e o coletivo mutuamente, e ambas estão interligadas, pois uma depende da outra para a construção do conhecimento acontecer.

As investigações e análises contribuíram significativamente para reconhecer o importante papel que a professora exerce como mediadora na ação pedagógica desenvolvida na escola. Foi possível observar nas aulas de campo, nas atividades desenvolvidas em sala o propiciar aos alunos experiências e vivências que possibilitam descobertas e construções pessoais e coletivas, onde os mesmos constroem o conhecimento a partir do contado direto com o objeto de aprendizagem e também na troca de informações e saberes entre si. Nesse contexto os educandos são orientados a buscar novos caminhos, respeitar, valorizar e aprender com as diferenças, pois a eles é dada a condição de serem sujeitos da própria aprendizagem.

Nessa perspectiva a escola demonstrou pensar o aluno como sujeito da sua aprendizagem, ou seja, ele deve ser ator e autor do próprio conhecimento, da aquisição e sistematização dos saberes escolares por eles adquiridos. Este deve ser um processo ativo, reflexivo, dinâmico e significativo que os envolva completamente dando subsídios e possibilidades para agir no seu cotidiano, uma vez que os conteúdos aprendidos na escola precisam viabilizar a autonomia, a liberdade de pensamento e o exercício de uma vivência social autêntica, participativa, dado que, se estes não provocarem essa ruptura perdem o sentido de serem aprendidos.

Diante de tais considerações e reflexões é pertinente afirmar que, de fato a prática pedagógica da escola Justino Amâncio atende à perspectiva de inovação pedagógica, uma vez que os alunos desde cedo são desafiados a aprender, refletir, argumentar, construir uma consciência crítica e social do seu mundo.

É oportuno defender uma educação de qualidade para as pessoas que moram no campo, como forma de combater a desigualdade social. Não obstante, sabe-se que essas desigualdades entre o campo e o urbano, a configuração de classes seriadas e não seriadas, é resultado das políticas educacionais vigentes, que com essas iniciativas só contribuem para que essas disparidades se acentuem.

Confirma o nosso estudo a pertinência social e científica de sua realização. As Secretarias Municipais de Educação do Nordeste Brasileiro podem se apoiar no presente estudo em vista à criação de uma coordenação específica da educação do campo, com políticas próprias, e capazes de repensar a forma negativa como tem sido vista a sala multisseriada. Será então um caminho para substituir tanto o nome atribuído inapropriadamente ao conjunto de estudantes de múltiplas idades e níveis de saber como a tendência a ver na escola do campo um amontoado de séries desconexas e a se atropelarem. Nossa pesquisa apresentou processos de construção partilhada e coletiva do conhecimento, ensino contextualizado, articulação família/escola/ruralidade, o que confirma o caráter inovador da escola em estudo.

Sem dúvida, temos os limites da dificuldade em generalizar os resultados auferidos, mas se pode, a partir desta pesquisa, ampliar os espaços a serem mapeados e estudados, e sem dúvida muitos elementos aqui resgatados o serão de novo, já que a realidade e o contexto se dão em rede.

A pertinência social se encontra no fato de que nosso estudo engrossa as fileiras e iniciativas que buscam superar a solidão e a discriminação que vêm marcando secularmente o lugar dos povos do campo na sociedade brasileira. Reforçam-se assim as lutas seculares dos Movimentos Sociais e dos povos do campo em suas diversas perspectivas de existência.

Por fim, constatamos que as nossas questões de pesquisa e os nossos objetivos não encontraram o silêncio como resposta, mas sinalizaram que a escola do campo do nordeste do Brasil possui, embora de forma ainda não aprofundada nem sistematizada, a certeza de que ali se gesta uma prática pedagógica inovadora.

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