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INVESTIGACIONES SOBRE LA MUERTE :

Diante da extensão do acervo de Eulálio Motta, delimitou-se como corpus dessa pesquisa de doutorado as publicações de textos em prosa, escritos em vida ou publicados postumamente, sendo: 36 textos publicados na coluna Rabiscos do jornal Mundo Novo (1931 a 1932); 17 textos publicados no jornal O Lidador (1933 a 1935); 45 textos publicados no jornal O Serrinhense (1950 a 1951); 24 textos publicados no jornal Gazeta do Povo (1960- 1961); 43 panfletos escritos de 1949 a 1983 (BARREIROS, P., 2015) e 50 causos que compõem Bahia Humorística escritos de 1933 a 1934 (BARREIROS, L., 2016). Entende-se que essa seleção de 215 textos em prosa atende aos diversos suportes utilizados por Eulálio Motta para veiculação e divulgação de seus escritos, possibilitando inventariar o vocabulário usado pelo escritor durante um período de mais de 50 anos (de 1931 a 1983).

A acessibilidade ao acervo do escritor otimizou o trabalho da pesquisa, tornando-a viável. A princípio, foram necessários alguns procedimentos metodológicos, antes do levantamento do vocabulário do corpus destacado, como:

i) busca nos acervos de jornais do interior da Bahia, a partir de indícios deixados pelo escritor em suas anotações como, por exemplo, as viagens à cidade de Serrinha-BA para reunir os exemplares do jornal O Serrinhense, que, até então, não faziam parte do acervo de Eulálio Motta;

ii) reprodução mecânica dos jornais2;

iii) edição semidiplomática dos 122 textos de Eulálio Motta publicados nos jornais selecionados Mundo Novo, O Lidador, O Serrinhense e Gazeta do Povo3; i) consulta aos manuscritos dos 50 causos e dos 43 panfletos para a realização da

collatio das edições publicadas4 (BARREIROS, L., 2016) e (BARREIROS, P., 2015); ii) descrição dos 215 textos;

iii) estabelecimento de um código de identificação para otimizar a consulta e a referência no decorrer do trabalho;

iv) compilação do corpus, com a organização dos textos de forma contínua, sem a quebra de linhas e sem o uso de operadores, salvo em formato PDF;

v) conversão do arquivo em PDF para o formato TXT, compatível com os programas AntConc e FieldWorks Language Explorer (FLEx)5.

Na elaboração do código de identificação para os textos publicados nos jornais adotaram-se os seguintes critérios: uso da letra maiúscula J, seguida das iniciais referentes ao respectivo jornal, do número da edição consultada e do ano de publicação entre colchetes:

Figura 1 – Modelo do código de identificação do jornal Mundo Novo

Fonte: Elaborado pela pesquisadora.

Desse modo, tem-se: JMN180[1931] a JMN223[1932] para o jornal Mundo Novo (cf. Quadro 1, na seção 3.1.1, f. 49), JL3[1933] a JL96[1935] para o jornal O Lidador (cf. Quadro

2 Reprodução mecânica “é a que se faz por procedimentos mecânicos, isto é, através da fotografia, [...] que

reproduz com muita fidelidade as características do original: o formato, o papel, as ilustrações, as margens e até a cor e o tamanho. [...] Enfim, a reprodução fotográfica, xerográfica, do original resulta no chamado fac-símile; daí a denominação edição fotomecânica ou fac-similar (SPINA, 1994, p. 84).

3 A edição semidiplomática é uma transcrição conservadora, que “o editor atua de forma mais interventiva, através

de operações como desenvolvimento de sinais abreviativos, inserção ou supressão de elementos por conjectura, dentre outras (embora qualquer uma dessas operações fique explicitamente assinalada na reprodução)” (CAMBRAIA, 2005, p. 95). “Com esse tipo de edição pretende-se possibilitar o acesso e a preservação do texto editado, a partir de critérios que restituirão e fixarão a sua forma genuína, garantindo a fidedignidade e a acessibilidade necessárias” (TELLES, 2012, p. 139).

4 Collatio é um um procedimento cuidadoso, que consiste em comparar os manuscritos com as edições

publicadas.

5 Na seção 3.2 Ferramentas computacionais utilizadas na elaboração do vocabulário, aborda-se a estrutura e o

2, na seção 3.1.2, f. 53), JS1[1950] a JS49[1951] para o jornal O Serrinhense (cf. Quadro 3, na seção 3.1.3, f. 58) e JGP64[1960] a JGP105[1961] para o jornal Gazeta do Povo (cf. Quadro 4, na seção 3.1.4, f. 63).

Nas ocorrências de mais de um texto de Eulálio Motta publicado na mesma edição de um periódico, acrescentaram-se as letras minúsculas do alfabeto, após o número da edição, para distinguir:

Figura 2 – Modelo do código de identificação de textos diferentes na mesma edição do jornal

Fonte: Elaborado pela pesquisadora.

Os textos selecionados foram elencados de acordo com a data de publicação, em ordem crescente e os títulos foram padronizados com as iniciais maiúsculas. Adotou-se esse procedimento por se tratar de publicações em jornais e os títulos dos textos apresentarem uma grande variedade de formatos e tamanhos como: alternância de letras maiúsculas e minúsculas, com ou sem negrito, aspas, sublinhadas ou com um espaçamento maior entre as letras. Esses recursos gráficos são utilizados pela mídia impressa para torná-la mais atrativa aos leitores.

3.1.1 Jornal Mundo Novo

O território de Mundo Novo foi desbravado em 1833, pela tropa de boiadeiros liderada pelo José Carlos da Mota (LIMA, 1988). A região despertou o interesse da tropa por causa da farta vegetação nativa, da qualidade do solo, dos mananciais de água potável e do clima de mata atlântica em meio à caatinga. Para fugir dos efeitos da seca, grandes criadores de gado de Ipirá e Feira de Santana, investiram na derrubada das matas e exploração do local, que foi elevado à condição de cidade pela lei estadual nº 144, de 08/08/1896.

Apesar do rápido crescimento de Mundo Novo, “a terra que gozava da reputação de reunir no seio de sua sociedade ilustres intelectuais, poetas e oradores brilhantes, não possuía, até 1920, um veículo próprio para externar as suas ideias” (LIMA, 1988, p. 71). A criação de um jornal local era pensamento constante entre os mundonovenses e assim se fez. No dia 12

de setembro de 1920, foi lançado o jornal Mundo Novo pelo Vicente Ângelo de Lima. Em 1926, o jornal passou à propriedade do Manoel Dias de Souza que, posteriormente, o vendeu ao Nemésio Lima.

Figura 3 – Cabeçalho do jornal Mundo Novo, de 7 de agosto de 1931

Fonte: Acervo do escritor Eulálio Motta.

O surgimento e o crescimento das tipografias no interior do estado só foram possíveis porque nas décadas de 1910 e 1920 ocorreu uma modernização das máquinas e equipamentos de imprensa nos grandes centros urbanos. Consequentemente, as velhas foram vendidas para as cidades do interior da Bahia. De acordo com Sodré (1999), “o equipamento dos jornais acompanhava a etapa empresarial; os velhos equipamentos eram encontrados ou vendidos a folhas do interior” (SODRÉ, 1999, p. 281). Nesse período, surgiram no Piemonte da Chapada Diamantina os jornais A Primavera, em Jacobina-BA, O Correio do Sertão, em Morro do Chapéu-BA, e Mundo Novo, na cidade homônima. Todos ganharam importância nos meios socioeconômicos em que circularam e contribuíram para a divulgação de autores locais como Eulálio Motta, Liberato J. M. Barreto, Eurycles Barretto, Umberto de Santiago, Nicanor Carvalho, por exemplo. Além disso, serviram de meio de divulgação de ideologias políticas e de críticas partidárias.

A coleção do jornal Mundo Novo, que integra o acervo de Eulálio Motta, é importantíssima para compreender a atuação do escritor no início da década de 1930, período em que não se dispõe de muitas fontes sobre ele. De acordo com P. Barreiros (2013a), “ao que parece, trata-se dos únicos exemplares existentes” (BARREIROS, P., 2013a, f. 57). Essa coleção contém todos os números publicados entre 24/07/1931 a 24/06/1932, perfazendo um total de 44 exemplares, sendo que em 36 edições constam publicações em prosa de Eulálio Motta, como vai indicado no Quadro 1:

Quadro 1 – Relação dos textos publicados por Eulálio Motta no jornal Mundo Novo