• Aucun résultat trouvé

Introduction ...................................................................................... 1-4

A análise das vozes presentes nas notícias foi feita de forma breve, observando em que discursos os juntores se encontravam. Tal análise se mostrou relevante conforme foi percebido que a distribuição dos domínios conceituais se comportava diferentemente de acordo com quem assumia a responsabilidade enunciativa. Esse

Cond. D. Temporal Cond. D. Epistêmico Cond. D. Deôntico Finalidade D. Temp/Deôt. AGORA RN 0,230120174 0,042614847 0,042614847 1,022756328 TRIBUNA DO NORTE 0,081619327 0 0,032647731 1,134508652 NOVO JORNAL 0,159795462 0,007989773 0,031959092 0,942793225 PORTAL NO AR 0,128545031 0,016068129 0,032136258 1,052462441 0 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2

Domínio das relações semânticas

comportamento evidencia o surgimento de discursos de grupos sociais diferentes e aponta para as diferentes TD que compõem as notícias online. Isso é, à medida que determinados juntores, em determinados domínios, se faziam recorrentes nos discursos de políticos da base aliada, ou da oposição, por exemplo, pôde-se observar uma tendência da forma tradicional de falar desses grupos e, portanto, identificar outras TD.

No gráfico 5, é possível visualizar a diferença de uso dos domínios conceituais em oito diferentes grupos nas notícias do Agora RN:

Gráfico 5: responsabilidades enunciativas no Agora RN

Fonte: autoria própria

Começando a leitura do gráfico pela relação de condicionalidade no domínio temporal percebemos que os grupos que mais fazem uso são os políticos opositores (6 ocorrências) e os manifestantes contrários ao impeachment (6 ocorrências). Em seguida temos os políticos da base aliada do governo (5 ocorrências) e o próprio jornal (4 ocorrências). Juristas e especialistas, e neutro e outros, empatam com 3 ocorrências cada, enquanto que não há presença das vozes de ministros e manifestantes pró- impeachment nesse domínio.

4 63 5 1 14 6 3 3 18 3 3 5 1 1 11 1 6 1 7 1 0 10 20 30 40 50 60 70 Cond. Temporal Cond. Epistêmica

Cond. Deôntica Finalidade Temp/Deô Jornal Políticos aliados Políticos opositores Juristas e especialistas Neutros / Outros Ministros Manifestantes contra- Impeachment Manifestantes pró-Impeachment

No que tange à relação de condicionalidade nos domínios epistêmico e deôntico, fica notória a ausência da voz do próprio jornal, enquanto que se destacam as vozes dos políticos opositores. A voz do jornal se ressalta nas relações de finalidade (63 ocorrências), muito superior ao segundo colocado (políticos opositores) com 18 ocorrências. Para ilustrar a análise trazermos dois recortes:

(1) O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, afirmou, há pouco, que o afastamento de um presidente eleito no regime presidencialista só pode ocorrer em ―situações extremas‖ e ―hipóteses excepcionalistas‖. (AGRN028-D04.04.2016-NP285) (2) Na avaliação de Araújo, o ―conformismo‖ em relação à saída de Dilma tende a desaparecer ao longo das próximas semanas. Para ele, a questão por trás do atual cenário político brasileiro é uma tentativa de impedir uma nova eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. ― Se não fosse 2018, não tinha impeachment, não tinha nada‖, disse. ― Se Lula morresse hoje, se houvesse essa desgraça, não haveria impeachment‖. (AGRN038-D04.05.2016-NP311)

No recorte (1), o advogado-geral da União, que em nossa análise se enquadra no grupo de juristas e especialistas, detêm a responsabilidade enunciativa, atribuída pelo próprio jornal. Além de citado nominalmente, o jornal também usa a expressão ―afirmou que”, uma das formas prototípicas para parafrasear um discurso. O juntor de finalidade ―em‖, se faz presente na paráfrase da fala do advogado em questão.

No recorte (2), há três relações de condicionalidade no domínio temporal introduzidas pelo juntor ―se”. Nesses casos, a responsabilidade enunciativa é atribuída a Araújo, pertencente ao grupo de manifestantes contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Nas três ocorrências o juntor aparece no discurso direto introduzido por aspas.

A distribuição da responsabilidade enunciativa no Agora RN demonstra um amplo número de fontes que perpassam as notícias. O gráfico 13 também revela a ausência do uso do domínio epistêmico e deôntico pelo jornal, contribuindo para a ideia de imparcialidade no que diz respeito às marcas linguísticas evidentes. A distribuição também apresenta um relativo equilíbrio entre as vozes da oposição e da base aliada, com leve destaque da primeira.

O gráfico 6 mostra a distribuição da responsabilidade enunciativa no Tribuna do Norte:

Gráfico 6: responsabilidades enunciativas no Tribuna do Norte

Fonte: autoria própria

Nesse jornal, a voz mais saliente na relação de condicionalidade no domínio temporal é do próprio Tribuna do Norte (6 ocorrências), com a presença de apenas dois juntores nas vozes de políticos opositores, um nas vozes de políticos aliados e um nas vozes de manifestantes contra o impeachment. Não há casos no domínio epistêmico e apenas quatro casos no domínio deôntico, estando um juntor no discurso dos políticos da base aliada, um no dos políticos da oposição e dois nos manifestantes contra o impeachment.

O maior destaque está nas relações de finalidade cuja predominância é da voz do próprio jornal (89 ocorrências). É também nessa relação que se encontram a maioria das vozes externas das notícias em questão. Isso evidencia, mais uma vez, a preferência do jornal pelas relações de finalidade, tanto na voz do próprio jornal, como nas vozes que perpassam as notícias. 6 89 1 1 14 2 1 17 3 1 2 5 1 9 1 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Cond. Temporal Cond. Epistêmica

Cond. Deôntica Finalidade Temp/Deô Jornal Políticos aliados Políticos opositores Juristas e especialistas Neutros / Outros Ministros Manifestantes contra- Impeachment Manifestantes pró-Impeachment

Vejamos dois dados recortados do corpus que podem ilustrar a análise:

(3) O vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), foi à residência de Renan mas deixou o local antes mesmo da reunião acontecer para abrir a sessão plenária nesta tarde. De acordo com ele, a decisão da comissão especial do impeachment, que aprovou a abertura do processo na semana passada, não será lida em plenário, como estava agendada, até uma decisão final de Renan. O petista defendeu ainda que, se o presidente da Casa não quiser devolver o processo à Câmara, como determinou Maranhão, Renan deveria consultar o STF [Supremo Tribunal Federal] sobre o trâmite do caso no Senado. (TN061-D09.05.2016-NP339)

(4) Ao final da reunião de hoje (6), o presidente da comissão especial que aprovou a admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, Raimundo Lira (PMDB-PB), disse que o próximo passo do processo – votação do relatório de Antonio Anastasia (PSDB-MG) em plenário – pode levar dois dias. Com isso, a expectativa é que a conclusão dessa etapa só ocorra na quinta-feira (12). A demora deve-se ao fato de que, na próxima votação, cada um dos 81 senadores terá 15 minutos para se manifestar, o que pode resultar em pelo menos 20 horas de debates. (TN060-D06.05.2016-NP352)

No dado (3), a responsabilidade enunciativa recai sobre o vice-presidente do Senado, Jorge Viana. O jornal evidencia isso a partir dos marcadores ―de acordo com ele” e “O petista defendeu ainda que”. Quando a relação de condicionalidade é introduzida na quinta linha, o jornal deixa claro se tratar de uma paráfrase do que disso o petista. O PdV continua o mesmo até o final do recorte.

No recorte (4), temos um exemplo da voz do próprio jornal expressando relação de finalidade. Embora a expressão ―disse que” expresse uma paráfrase do que foi dito por Raimundo Lira, ao usar ―com isso‖ o jornal negocia as vozes e assume o PdV e a responsabilidade enunciativa da conclusão do que vem adiante. O juntor para, portanto, se encontra na voz do próprio jornal.

Gráfico 7: responsabilidades enunciativas no Novo

Fonte: autoria própria

Nesse jornal, a voz própria ressalta aos olhos, tanto nas relações de condicionalidade, no domínio temporal, como nas relações de finalidade, no domínio temporal/deôntico. Há, contudo, uma variedade de vozes que cruzam o texto, muitas delas se encaixam na categoria neutros/outros, referentes a policiais e relatores do processo de impeachment, cujos posicionamentos não são explícitos no discurso, como pode ser visto no recorte (5):

(5) Sobre a possibilidade de o parecer ser contestado judicialmente, o relator afirmou que essa possibilidade faz parte do ―jogo político‖.

―Não [tenho receio]. Essa é uma demanda do game [jogo] político. Quem achar que não deve, quem achar que não foi, mas as coisas estão sendo feitas transparentemente, às claras, em conjunto no colégio de líderes. Então, não acredito que possa haver qualquer questionamento judicial, a não ser que seja uma questão absolutamente partidária‖, disse o relator. (NOV086-D05.04.2016-NP431)

No segmento acima, o juntor de condicionalidade no domínio epistêmico ―a não ser que” está presente no discurso do relator que é trazido pelo jornal por meio de

14 1 72 2 2 19 1 5 1 1 2 1 14 1 2 5 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Cond. Temporal Cond. Epistêmica

Cond. Deôntica Finalidade Temp/Deô Jornal Políticos aliados Políticos opositores Juristas e especialistas Neutros / Outros Ministros Manifestantes contra- Impeachment Manifestantes pró-Impeachment

aspas. Dessa forma, o jornal se abstém da responsabilidade enunciativa da crença de que só pode haver um questionamento judicial se, e somente se, for uma questão absolutamente partidária.

Nos recortes (6) e (7) temos ocorrências das relações condicionais no nível deôntico: (6) "Essa foi uma atitude revanchista do presidente da Câmara", afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS). "O anúncio é resultado do abuso de poder que o presidente da Câmara vem praticando desde que assumiu a Casa. O argumento justificado por ele não se sustenta", disse o deputado Wadih Damous (PT-RJ).

O petista ressaltou que, se preciso, o PT "baterá a porta do Supremo" para barrar o processo. "Cunha, associado a partidos da oposição, quer dar o golpe", afirmou, lembrando que a sigla estudará medidas internas para barrar o processo também no plenário da Câmara. (NOV078-D02.12.2015-NP463)

(7) O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, reforçou o coro do governo de que o vazamento de delações premiadas da Operação Lava Jato neste momento tem o objetivo de fragilizar a presidente Dilma Rousseff no processo de impeachment. "Achei estranhíssimo o vazamento da delação (da Andrade Gutierrez). Eu não consigo não ver uma associação entre os fatos Alguém vazou ilegalmente, criminalmente, e eu não sei se é verdade aquilo que está lá. Por que fez isso?", questionou. Cardozo também defendeu que, se for identificada a pessoa que vazou o suposto conteúdo da delação, ela terá que ser punida porque cometeu um crime. (NOV088-D08.04.2016-NP370)

Em (6) a intenção do PT bater a porta do supremo é atribuída ao petista, Paulo Pimenta, pertencente ao grupo de políticos aliados. Em (7) a intenção de punir os responsáveis pelo vazamento do conteúdo da delação é atribuída ao advogado-geral da União, Eduardo Cardozo, pertencente ao grupo de juristas e especialistas no gráfico 15. Em ambos o PdV é atribuído a um terceiro por meio dos marcadores ―ressaltou que” e “defendeu que”, servindo como marca linguística para delimitar as vozes e tirar a responsabilidade enunciativa do próprio jornal.

No exemplo (8), acontece algo um pouco diferente:

(8) O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ameaçou nesta segunda, 9, adiar a votação do afastamento da presidente Dilma Rousseff, prevista para ocorrer na

quarta-feira, 11, se a votação da cassação do senador Delcídio Amaral (PT-MS) não for votada em plenário antes. Para Renan, o "problema" Delcídio - que o delatou e uma série de integrantes do PMDB, do PT e do PSDB - tem de ser apreciado anteriormente em plenário do que o caso de Dilma. (NOV094-D09.05.2016-NP472)

No recorte (8), o jornal assume a responsabilidade enunciativa da condicionalidade expressa, pois não atribui o discurso ao presidente do Senado, Renan Calheiros, mas apenas descreve a ação realizada por ele. Outro ponto a se notar é o uso do verbo ―ameaçar‖, com carga negativa de valor, deixando claro uma interpretação do próprio jornal.

O gráfico 8 apresenta a responsabilidade enunciativa no Portal no Ar: Gráfico 8: responsabilidades enunciativas no Portal no Ar

Fonte: autoria própria

O gráfico do Portal no Ar mostra um amplo número de vozes nas relações de finalidade, com destaque para a voz do próprio jornal (88 ocorrências). Também chama atenção o relativo equilíbrio entre as vozes dos políticos da base aliada e da oposição, com 14 ocorrências cada nas relações de finalidade e uma ocorrência (políticos aliados)

8 1 88 1 1 2 14 2 1 14 3 5 5 4 1 3 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Cond. Temporal Cond. Epistêmica

Cond. Deôntica Finalidade Temp/Deô Jornal Políticos aliados Políticos opositores Juristas e especialistas Neutros / Outros Ministros Manifestantes contra- Impeachment Manifestantes pró-Impeachment

e duas ocorrências (políticos opositores) nas relações de condicionalidade no domínio temporal. O jornal apresenta poucas vozes no domínio epistêmico e deôntico. Distingue-se aqui o recorte (9) no qual a relação de condicionalidade no domínio deôntico é criada pelo próprio jornal:

(9) Para o senador, no entanto, a saída para a crise política não é o impeachment ou novas eleições, mas respeitar o resultado das urnas de 2014. Humberto Costa acredita, no entanto, que caso sobreviva, tanto Dilma como o PT terão que mudar.

―Independentemente do que venha a acontecer no próximo domingo, o PT precisa se reformar, se modificar, ter uma nova maneira de fazer politica‖, disse Costa, em referência ao processo de impeachment de Dilma no plenário da Câmara, previsto para ter a admissibilidade votada no domingo (17). (PORT122-D13.04.2016-NP417)

Em (9) a voz do próprio jornal pode ser ouvida na relação de condicionalidade no domínio deôntico atribuída ao senador Humberto Costa. Ao introduzir o discurso com ―Para o senador” o jornal busca se isentar da responsabilidade enunciativa do que vem a seguir. Porém, no enunciado seguinte o jornal diz que Humberto Costa acredita que tanto Dilma como o PT terão que mudar, caso sobreviva. Essa relação de condicionalidade não é vista no discurso direto que vem em seguida e é adicionada pelo próprio jornal, como uma informação extra na notícia. Isso só fica evidente, todavia, quando comparados o discurso direto e a paráfrase feita pelo jornal. Dessa forma, é possível perceber o jornal mobilizando a informação de modo subjetivo, introduzindo uma condicionalidade na paráfrase que não foi originária do senador Humberto Costa, quase que dizendo ―caso sobreviva, também concordamos que Dilma e o PT devem mudar‖. Validando, o discurso de Humberto Costa.

Outros dois exemplos de análises podem ser vistas em (10) e (11):

(10) No início da tarde, o clima esquentou em um restaurante próximo ao local da manifestação. Participantes do ato favorável à presidente Dilma e ao ex-presidente Lula que almoçavam no local foram hostilizados por um grupo de jovens, na esquina da Avenida Paulista com a Alameda Casa Branca. Os agressores tentaram intimidar dois fotógrafos que registraram o princípio de confusão. ― Se você publicar essa foto eu vou atrás de você‖, disse um deles. Em seguida os jovens foram embora. (PORT114- D18.03.2016-NP450)

(11) Para o líder do DEM, Mendonça Filho (PE), o 13 de março deve anteceder o ―ápice do debate sobre o impeachment‖. ―Devemos votar a admissão entre 15 e 16 de março, se houver o recesso‖, afirmou. A exemplo de outros oposicionistas, o deputado fez uma observação. ―Antes, o Congresso estava submetido ao calendário das ruas; agora, os movimentos precisam ficar atentos ao ritmo do Congresso‖, disse o líder do DEM. (PORT109-D14.12.2015-NP453)

Em (10) o juntor de condicionalidade no domínio deôntico aparece no discurso direto atribuído aos agressores dos fotógrafos. Já em (11) temos um juntor de condicionalidade no domínio epistêmico também no discurso direto.

A análise das vozes nas notícias dos quatro jornais aponta para uma maior recorrência dos domínios epistêmico e deôntico no discurso sob responsabilidade enunciativa de terceiros, seja por meio do discurso indireto, mas, principalmente, por meio do discurso direto. A voz do jornal se sobressai nas relações de finalidade em todos os quatro jornais do corpus. O Agora RN se mostrou o que traz mais vozes diferentes para a construção das suas notícias, com relativo equilíbrio entre os políticos opositores e aliados e leve prevalência dos opositores, assim como o Tribuna do Norte. O Novo é o jornal do corpus que mais traz a voz dos políticos aliados e dos manifestantes contrários ao impeachment, o que pode relevar uma predisposição política do jornal a defender o governo nesse contexto. O Portal no Ar apresenta o maior equilíbrio entre as vozes dos políticos, mostrando maior imparcialidade no que tange à negociação das vozes.