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Introduction

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Para que a IU seja tratada com sucesso, é importante existir uma abordagem padrão com um profissional de saúde, para que se avalie atentamente a história clínica do doente e se efetuem exames físicos e testes diagnósticos básicos, sendo o paciente encaminhado para um especialista em casos de diagnósticos mal clarificados ou que necessitem de análises adicionais [73].

Para a abordagem da farmacoterapia utilizada para a IU, decidi focar-me naquela que é administrada na incontinência de esforço e na incontinência de urgência, pois são os dois tipos de incontinência mais comuns [74]. É importante referir que, apesar da sua eficácia em alguns utentes, o uso dos fármacos indicados para este fim é muitas vezes descontinuado por um período de tempo alargado devido aos seus efeitos secundários, pelo que é razoável afirmar que deverão ser considerados como adjuvantes à terapêutica conservadora e cirúrgica [73].

No caso da bexiga hiperativa, a administração dos antimuscarínicos apresentam um benefício clínico marcante, mas não existe um consenso acerca da administração de fármacos como tratamento de primeira, segunda ou terceira linha, pelo que deverá ser ponderado de forma individualizada e tendo sempre em consideração as co-morbilidades e a medicação do paciente, bem como o perfil farmacológico dos diferentes fármacos disponíveis [73]. Os mais utilizados são os anticolinérgicos como a solifenacina, a tolterodina, a oxibutinina ou o cloreto de tróspio, pois provocam redução das contrações não inibidas do músculo vesical em 50% a 80% dos casos. Também poderão ser administrados antidepressivos tricíclicos, como a imipramina, ou relaxantes musculares, como o flavoxato [67].

Contudo, no caso da incontinência de esforço, a farmacoterapia tem como intuito aumentar o efeito do encerramento uretral através do incremento do tónus dos músculos uretrais lisos e estriados. Vários fármacos possuem essa capacidade, mas a sua utilização tem sido limitada por serem pouco eficazes e/ou apresentarem efeitos secundários [73]. Perante isto, não existe muito interesse na terapêutica médica, mas alguns estudos recentes apontam para que a duloxetina, um inibidor da recaptação da serotonina e da

40 noradrenalina, possa tornar-se uma boa opção, pelo menos nas formas mais severas desta IU de esforço [67].

É importante realçar que, quando as medidas conservadoras e/ou a farmacoterapia falham e a incontinência perturba a qualidade de vida dos pacientes, existem cirurgias que deverão ser ponderadas de acordo com cada caso [67].

3.8. Considerações finais

Durante o meu estágio na Farmácia Maia, fui contactando com alguns utentes que sofriam de IU ou com alguns cuidadores destes utentes, pelo que reparei que, em alguns casos, este assunto ainda era um tabu ou abordado com muito constrangimento. Tal facto incomodou-me, porque sei que é um sintoma que, além de ser bastante comum, deverá ser devidamente acompanhado e que, em vários casos, pode ser curado.

Assim, decidi elaborar um folheto que ficou exposto nos balcões da farmácia (Anexo IX), para que fosse visualizado pelo utente aquando do seu atendimento, facilitando a abordagem do assunto com o farmacêutico. Este folheto apresentava, então, diferentes formas de IU, para que o utente pudesse identificar-se mais rapidamente com alguma das situações, e, além disso, destacava que a IU é um problema bastante comum e que não deve ser encarada como uma consequência do processo normal de envelhecimento, bem como o facto de que afeta pessoas de todas as idades e de que é necessário investir no tratamento desta condição para que o utente possa melhorar a sua qualidade de vida. Caso um utente abordasse este tema com o farmacêutico, além de poder tirar as suas dúvidas com o profissional de saúde, decidi elaborar um outro folheto com algumas medidas não farmacológicas que poderá ser impresso e entregue ao utente (Anexo X). Assim, a pessoa que possua este problema poderá ter um guia de como ir adotando um novo estilo de vida que o ajude a minimizar os transtornos causados pela IU, não desconsiderando a hipótese de que a consulta com um médico poderá ser necessária.

Infelizmente, durante a semana de exposição dos folhetos nos balcões de atendimento, apenas foi possível constatar a “leitura rápida” por parte de alguns utentes enquanto se encontravam à espera dos produtos pretendidos, não tendo surgido manifestações acerca do tema. Porém, penso que essa “leitura rápida” contribuiu, mesmo que em baixo número, para a sensibilização de alguns utentes e que o segundo folheto elaborado ainda poderá ter utilidade em atendimentos posteriores ao meu estágio.

Em suma, penso que este projeto se adequou ao contexto da farmácia comunitária onde estagiei, destacando o papel do farmacêutico na sensibilização das pessoas em relação a este tema, de forma a tentar combater o constrangimento em relação a este assunto que é tão comum e ainda tão reprimido na população.

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