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A indústria nacional de base florestal (formada pelos segmentos de madeira serrada, laminada, compensados, aglomerados, celulose, papel e chapas de fibra) é responsável por uma receita anual superior a US$ 11 bilhões (equivalente a 4% do PIB). Tem gerado divisas na ordem de US$2,3 bilhões anuais e proporciona seiscentos mil empregos diretos e 3,5 milhões empregos indiretos.

No período de incentivos fiscais (Anexo 1) que foi do final da década de 60 até 1986, foram reflorestados seis milhões de hectares em pinus e eucalyptus. Atualmente, por conta da iniciativa privada, são reflorestados 250 mil hectares/ano (volume insuficiente para suprir a futura demanda de matéria-prima).

O Brasil conta com dois poios florestais bem diferenciados: a) a região norte (madeira proveniente de florestas nativas); b) a região sul (madeiras reflorestadas). A oferta anual dos três estados do sul (RGS, SC, PR) é de aproximadamente 36 milhões de metros cúbicos para uma demanda de 45 milhões de metros cúbicos (o que significa um déficit anual médio de 9 milhões de metros cúbicos).

Para que se possam estudar as correlações entre terceirização e flexibilidade, é fundamental que sejam identificados os setores compradores dos produtos florestais.

fábrica de papéis e papelão exportação setor moveleiro setor da construção civil setor siderúrgico consumo urbano

Figura 16 - Setores consumidores dos produtos florestais.

O setor celulose é o grande comprador do setor florestal e, paralelamente, o setor florestal é o grande responsável pela alta competitividade do setor de celulose no Brasil. No Anexo

1, ponto 2, mostra-se como diferentes autores (Coutinho e Ferraz, 1994; Bekerman, 1995; Araújo, Correia e Castilhos, 1992; Z e n i, 1996) concordam em que os baixos custos de produção do setor de celulose são os principais fatores de competitividade. Estes baixos custos são em função de a)

condições climáticas favoráveis a florestas (ciclo de vida médio de sete anos contra vinte anos no norte da Europa e América do Norte); b) patamar tecnológico em que se encontra o setor florestal.

Zeni (1996), estudando o setor de celulose como um todo, afirma textualmente que, "dos avanços tecnológicos registrados pelo complexo celulose e papel, dois destacam-se como os mais importantes: o desenvolvimento tecnológico, que possibilitou a obtenção da celulose de fibra curta, e o domínio da tecnologia florestal"(p213). A autora, inclusive, vai mais longe na sua avaliação e afirma que as inovações, que alavancaram o setor da celulose, lançando-o de forma competitiva no mercado internacional, não estão localizadas dentro da "fábrica", e sim na "floresta". Diz ela:

"...as maiores inovações no processo e no produto ocorrem na área florestal" (Zeni, 1996;p213)

Uma outra característica muito importante do setor de celulose é sua grande vinculação com o mercado externo (exportação). Em uma economia mundial cada vez mais globalizada, manter um produto crescentemente competitivo na pauta de exportações, como é o caso, exige incorporação de modificações permanentes tanto no produto como no processo de fabricação.

Resumindo, tem-se que o setor florestal é fortemente dependente do setor de celulose que por sua vez é fortemente dependente do mercado externo. Isto posto, é fácil entender porque são as empresas de celulose as grandes responsáveis pela introdução de melhoramentos (novos processos, e novos produtos dentro do mesmo patamar tecnológico) e inovações tecnológicas (novos processos e novos produtos que utilizam novos patamares tecnológicos).

Os melhoramentos dos processos e dos produtos florestais, na sua maioria, são conseqüência da imposição do setor de celulose. Os melhoramentos são, basicamente, função da introdução de: a) novos equipamentos e ferramentas (moto-serra, descascador, etc.); b) novas formas de plantio (espaçamento das árvores, preparação do solo, etc.); c) melhorias genéticas (desenvolvimento de espécies com maior crescimento, maior rendimento, maior adaptabilidade ao clima e ao solo, etc.).

Figura 17 - Melhoramentos no setor florestal.

As inovações tecnológicas (exemplo: mudança da tecnologia de corte a machado para corte com moto-serra; mudança do processo de corte e preparação como etapas distintas para corte e preparação feitos por um equipamento apenas, etc.) não serão aqui considerados, pois a preocupação do presente trabalho foi com a flexibilidade estática (e não com a flexibilidade dinâmica).

Outra característica importante do setor de celulose é sua forma de consumo da matéria- prima “madeira”. Como as plantas industriais das empresas que fabricam celulose precisam ser grandes (se comparadas com outros setores industriais) para se tomarem competitivas e como a madeira é quase que exclusivamente a única matéria-prima destas empresas, a quantidade de madeira consumida possui as seguintes características: a) quantidade elevada; b) abastecimento

contínuo. Estes dois motivos acima citados são determinantes para que as empresas de celulose possuam as suas próprias florestas (que funcionam, muitas vezes, como reservas estratégicas).

O setor de processamento mecânico, que fornece matéria-prima tanto para o setor moveleiro como para a construção civil, é menos importante (quanto ao volume consumido) do que o setor de celulose. Paralelamente, o setor de processamento mecânico possui as seguintes características: a) o volume consumido é variável ao longo do tempo; b) o valor da madeira serrada e beneficiada é alto (em termos mundiais) apesar da oferta abundante e barata da matéria-prima “madeira”, o que demonstra falta de competitividade do processo de beneficiamento.

O setor energético é o menos importante dos três setores consumidores de produtos florestais. As empresas do setor siderúrgico que usam carvão vegetal são em número muito reduzido e estas empresas, em função da pouca estrutura do setor florestal que fornece carvão vegetal, possuem suas próprias florestas e seus próprios fomos. O consumo urbano (padarias, olarias, piscinas, etc.) formam um grande grupo de pequenos consumidores que podem rapidamente migrar para outra alternativa energética dependendo da política de incentivos do govemo (no início dos anos 80 muitos consumidores de “lenha” trocaram para o “óleo diesel” durante alguns anos, tomando a consumir “lenha” no final dos anos 80).