• Aucun résultat trouvé

INTRODUCTION: MAURITIUS STUDY

Dans le document African women's work in the informal sector (Page 47-60)

A professora 03 foi a única que na entrevista enxergou a composição coreográfica como sendo algo a mais que movimentos organizados numa dança, ela afirmou que a dança é muito mais do que isso, podendo ser um conteúdo, uma metodologia de trabalho, que nem sempre é feita para apresentação, mas para estudar os movimentos, para preparação corporal, o que depende da forma como o professor ou o coreógrafo gostaria de trabalhar.

Essas diferentes formas de trabalhar permitem que o corpo, que é o protagonista da cena, também experiencie uma multiplicidade de modos de atuar. As cenas contemporâneas têm expandido suas possibilidades de criação, dependendo da sua necessidade. Num espetáculo de dança pode-se cantar, falar, realizar elementos acrobáticos do circo, pintar telas, pintar os próprios corpos, tocar algum instrumento, contar piada, comer alguma coisa, dentre outras inúmeras e infindas opções para o enriquecimento da cena, que surgem nos momentos de criação.

Cria-se um emaranhado de linguagens que parte da literatura para o cinema, para as artes visuais, ou outras, que permitem o “entendimento da interdisciplinaridade como atitude não preconceituosa e de reciprocidade, que todo conhecimento é igualmente importante” (COIMBRA, 2015, p. 302). São novas conexões entre essas linguagens que provocam novos diálogos e interações. Um mundo de possibilidades surge a cada novo processo.

Além desse fator das necessidades de um espetáculo que determina as técnicas que serão utilizadas para sua criação, a dança no contexto atual também se caracteriza por ser

concebida, na grande maioria das vezes, como uma sequência de passos associada a uma música e que conta uma história por meio das frases de movimento dançadas. A dança contemporânea tenta mudar e criar novas noções e valores que divergem do que esse modo de compreender do senso comum sustenta.

Trago a seguir três desses fatores importantes que são a relação da Dança com a música, a relação da Dança com coreografias narrativas e, por último, a dança e a técnica. O primeiro fator aborda questões sobre as relações da Dança com a Música, ou outras artes. Mas, numa coreografia, a dança não precisa estar em função de uma música, atrelada e dependente dela ou de qualquer fundo musical especifico.

Essa questão é quase um saber comum que a maioria das pessoas compartilham: dançar é alguém movendo-se seguindo algum som. Contudo, essa dança pode ter sido construída sem música e apenas ser reproduzida com ela, ou pode ser realizada sem ter música alguma, ou fazer seus próprios ruídos, a partir dos movimentos corporais, pois não existe essa noção de que a dança é menor que a música por ter sido criada a partir dela. Nenhuma arte é subjugada a outra. As artes precisam aliar-se, fundir-se, trabalhar em conjunto, somar-se.

No espetáculo de Merce Cunningham, chamado Torse, criado na década de setenta, ele afirma que não buscou ligação da música com os movimentos da coreografia que dura 55 minutos. Ele montou as movimentações e apenas escolheu Maryanne Amacher12 para compor a música, graças a uma sugestão de John Cage13. O coreógrafo não fez nenhuma indicação de como deveria ser a música. Em entrevista a Jacqueline Lesschaeve, Cunningham assim se refere sobre a música da sua obra: “não sei como descrevê-la, ela quase não se ouve. Às vezes não há som algum. De vez em quando ouço um trem de ferro. São quase sons subliminares. É muito silencioso. Meio parado” (CUNNINGHAM, 2014, p. 21).

Laban também pensava a dança como algo independente da música. Nas suas aulas do curso de verão, no Monte Verità, em Acona, Suiça, nos anos de 1913 e 1914, havia aulas da arte do movimento, arte da palavra, arte do som e arte da forma (GUIMARÃES, 2006), onde eram realizados exercícios corporais, exercícios de improvisação e composição de

12Maryanne Amacher (1938-2009) foi uma compositora norte americana que trabalhava com música eletrônica e

música experimental. Ela se interessava pela experiência e a percepção de sons em locais específicos, por isso

criou algumas instalações de site especific. Fonte:

http://www.foundationforcontemporaryarts.org/recipients/maryanne-amacher acesso em 15 de julho de 2017.

13John Cage (1912 – 1992) foi um compositor, teórico musical, escritor e artista norte americano que trabalhava

com música eletroacústica. Revolucionou a arte de compor ao colocar o silêncio como parte fundamental e geradora de criação musical. Criou o “piano preparado”. Fonte: https://educacao.uol.com.br/biografias/john- cage.htm acesso em 15 de julho de 2017.

movimentos; exercícios de fonética, aulas de ritmo, de canto, de composição musical, de pintura, de escultura, além de outros.

Isso demonstra que ele considerava que tão importante quanto qualquer outra área da arte, a Dança não precisava das outras para existir, ela bastava em si mesma, mas também dialogava com as outras artes. O objetivo de Laban era oferecer as bases para que a Dança se tornasse tão valorizada quanto outras artes como a Música e as Artes Visuais. E sempre afirmava, que o principal elemento da Dança era o movimento. Seus estudos repercutiram na Teoria do Movimento que a analisa, a define e o denomina.

O segundo fator que gostaria de abordar é o da dança e da narrativa. Bastante comum nos espetáculos de balé clássico, as narrativas nos espetáculos se caracterizam pela ideia de uma história contada de forma linear, com cenas sequenciadas e seguindo um padrão de construção da dramaturgia, com início, meio e fim.

Como por exemplo o “La Fille Mal Guardée”14 cujo enredo conta a história de um casal chamado Lise e Colas que se amam e querem se casar, mas a mãe de Lise, dona Simone, quer que ela se case com Alain, um rapaz rico, filho de Thomas, com quem já havia combinado o matrimônio. Nesse balé, as cenas são construídas para contar a história de amor entre os dois, de forma clara e sequencial, para que o público entenda a trama, acompanhando o raciocínio da narrativa.

Já alguns espetáculos de dança, numa visão mais contemporânea, podem abordar temas dos mais gerais aos mais específicos, sem precisar contar uma história do ponto de vista comum, seguindo uma trajetória sequenciada. Podem até se basear numa história, mas tem a liberdade de trabalhar com ela como quiser.

Carolina Garcia (2017) aborda o tema da subjetividade do mundo da dança em que o público constrói as próprias narrativas, a partir das movimentações dos bailarinos, das imagens apresentadas nas cenas, e que por mais que não seja a intenção do coreógrafo ou dos intérpretes criarem uma narrativa, o público acaba fazendo, e quando não consegue construir, afirmam que não entenderam a obra.

Por exemplo, no espetáculo Ego (2015)15, em que eu pude dançar e acompanhar o processo de construção das coreografias, o tema geral, assim como, o título, era o ego pessoal, as relações de poder e de influência entre as pessoas. Estudamos e nos baseamos no mito do

14 Concebido e coreografado por Jean Dauberval, estreou em 1798 e é considerado o balé de repertório mais

antigo dançado atualmente. Fonte: http://lojaanabotafogo.com.br/la-fille-mal-gardee/ acesso em 16 de julho de 2017.

15Ego é um espetáculo do Grupo de Dança da UFRN estreado em maio de 2015, com direção artística de

Narciso16 para a criação de uma cena coreográfica. Apesar de ter a narrativa do mito fazendo parte do espetáculo, o conteúdo abordado era mais muito mais abrangente e não nos limitamos a contar essa história em cena, a trouxemos a cada bailarino com sua visão, de forma contemporânea e individual.

Nesse ponto em que falávamos sobre narrativas, vale a pena abrir um parêntesis para abordarmos a dramaturgia em dança. Lembro de uma vez, no início dos meus estudos universitários na área, de perguntar a um professor de teatro o que seria a dramaturgia. Ouvia- o, por diversas vezes, mencionando essa palavra e não a compreendia como um todo. Nas minhas aulas de dança, mal se falava em dramaturgia. O professor, por mais acostumado que esteja com o termo, e por mais que entendesse completamente seu sentido, teve algumas dificuldades em traduzi-lo em palavras, outros colegas também tentaram auxiliá-lo nessa tarefa.

O termo dramaturgia surgiu na área do teatro e possuía duas acepções, uma era relacionada à arte de escrever peças de teatro, um fazer mais textual; a outra tem a ver com o sentido que se dá na construção das cenas da obra, as tessituras de uma passagem de cena para a outra. Mas, a partir da contemporaneidade, esse termo extrapolou o nível do teatro e se encontra em diversas outras áreas, como a área da Dança. “A dramaturgia surge em práticas artísticas que, de alguma forma, desviam-se dos materiais, processos e metodologias tradicionais das disciplinas em que emergem” (PAIS, 2016, p. 29), os encontros de diferentes linguagens artísticas recriam os modos de fazer arte e de criar.

Carolina Garcia (2017) afirma que Jean-Jacques Noverre (1727-1810) é considerado o primeiro dramaturgo da dança, por incentivar nos seus bailarinos a expressão corporal, por meio do seu “balé de ação”, mas a relação da dança com a dramaturgia se dá de maneira complexa, sendo realizada de forma colaborativa pelos intérpretes-criadores, diretores e coreógrafos, principalmente num contexto mais contemporâneo de produção de dança. A criação da dramaturgia se dá durante o processo a partir da investigação do corpo e do movimento, aliada a reflexões e referencias teóricas de outras áreas de conhecimento (SOARES, 2015, p.267).

Cada novo processo criativo necessita de estruturas dramatúrgicas diferentes, elas são feitas pelo dramaturgista, que tem a função de selecionar o material, saber articular e

16O mito grego de Narciso retrata a história de um jovem que teve seu destino predito por um oráculo afirmando

que ele teria uma longa vida se nunca visse seu reflexo. Após crescido, rejeitara o amor de muitas moças, que pediram aos deuses para as vingarem. Então Narciso acabou vendo seu reflexo nas águas de um lago e se apaixona perdidamente por si mesmo e joga nas águas para encontrar seu objeto de desejo, morrendo afogado, consequentemente. A deusa Afrodite o transforma numa flor.

ordenar os elementos escolhidos, dando lógica e coerência para as cenas. Antes da apresentação do espetáculo, a dramaturgia está invisível, mas ela é indissociável dele já que “participa de todas as escolhas que o estruturam” e é “o outro lado do espetáculo, o aspecto invisível de toda extensão do visível, firmando a representação no espaço e no tempo em que ela acontece” (PAIS, 2016, p. 42).

A dramaturgia não é o roteiro de um espetáculo, nem uma forma de ligar com as cenas dele, é uma “fabulação de sentido” (ROCHA, 2016, p. 49), é uma escrita de sentido da/para criação. É “inventar modos de acompanhar processos, mais do que descrever estados de coisas. Não o produto, mas a produção. Não o desenho, mas as linhas em seu pleno exercício de composição. O processo em obra na obra” (ROCHA, 2016, p. 49).

Voltando aos fatores mencionados anteriormente, citamos agora o terceiro que levanta questões sobre a Dança e sua relação com a técnica. A dança na contemporaneidade sugere que as movimentações não precisam seguir ou fixar-se numa técnica específica. Segundo Arnaldo Alvarenga (2015), o bailarino está buscando práticas que descodifiquem e descontruam seu corpo de modelos e técnicas prévias, “ganhou-se uma maior democratização dos corpos nessa arte, dando maiores oportunidades e maior perenidade ao trabalho do dançarino no palco” (ALVARENGA, 2015, p.63).

Essa busca promove uma ampliação de variados biótipos na dança, o que resulta em espetáculos mais espontâneos, movimentações com muita personalidade, além de ampliar a criatividade dos bailarinos que passam a construir possibilidades de pesquisa de movimento, resultando em processos de criação mais fundamentados, concisos e, principalmente, conscientes.

Outro aspecto que perpassa a dança na contemporaneidade diz respeito ao espectador como aquele que possui o desejo interno de se reconhecer numa obra artística, de se identificar com alguma coisa, mas por muitas vezes, um espetáculo de dança ou de teatro não tem a intenção de comunicar histórias com personagens e situações cotidianas, ele quer tocar o público de outra forma “não é para tornar inteligível ao expectador uma concepção de dança, e, sim, para tornar-lhe sensível à dança em pleno acontecimento” (ALMEIDA, 2015 p. 113).

As artes nos permitem trabalhar/criar/construir significados sem que necessitemos utilizar a linguagem falada para expressarmos isso, nossos sentimentos e emoções são suficientes para refletir essa experiência, exprimimos nossas emoções pelo que a arte mostra e não pelo que ela diz.

Podemos usar como exemplo o espetáculo “Nó” da companhia de dança Deborah Colker, mencionado anteriormente. Esse é o sétimo espetáculo da Cia e trabalha com o tema do desejo. Em meio a um emaranhado de cordas, do primeiro ato e uma caixa enorme transparente, do segundo ato, os bailarinos realizam movimentações brutais e delicadas, de atração, repulsa, fetiche, relações interpessoais, dominação, dentre outros aspectos que o espectador livremente consegue enxergar, e não apenas pelos movimentos realizados pelos bailarinos, mas na música, na intepretação, no figurino, cenário, iluminação.

O apreciador é convidado a desfrutar de uma nova experiência com esse tipo de espetáculo e extrai das cenas a sua própria interpretação pessoal, que é reconhecida e valorizada na dança. De forma em que sua visão passa a interagir com a cena, o expectador ganha voz, mesmo que internamente, e essa experiência de apreciação muda a cada espetáculo; mesmo que ele veja o mesmo espetáculo várias vezes, cada dia, ele pode ter um novo olhar, pois essa é uma das características da dança contemporânea em seus espetáculos não narrativos.

O compor trabalha com olhares, o olhar do criador, o olhar do expectador. E esses olhares influenciam significativamente a criação de determinada obra. Pensando na contemporaneidade, essa questão dos olhares se altera, uma vez que é possível criar olhares multifocados a diversos pontos de apreciação distintos, em que o público escolhe para onde direcionar seu próprio olhar. Se a cena estiver acontecendo num palco arena, com diversos bailarinos realizando movimentações diferentes em pontos distintos, aquele público terá outros focos, se o espectador ver o espetáculo, repetidas vezes e de pontos variados do palco, ele desfrutar múltiplas experiências sobre o espetáculo, e, a cada nova visão, vai gerando outras perspectivas, as quais trazem à experiência um novo significado.

E isso não ocorre apenas no teatro, ou na dança. Numa escultura contemporânea, que se utiliza da técnica de assemblage17, onde se incorpora vários materiais e elementos, formando um todo e um heterogêneo conjunto de sobreposições, o olhar se multiplica. Numa instalação, o olhar ganha a dimensão da experiência, assim como, numa performance, ou um

site specific18, e faz com que a arte contemporânea dê ao espectador o poder de escolher como ter a experiência desse olhar.

17 O termo assemblage trazido pelo pintor francês Jean Dubuffet (1901-1985) foi incorporado às artes em 1953,

e faz referência a obras de arte que ultrapassam a técnica de colagem e se aproxima da acumulação, numa justaposição de elementos, onde se vê cada uma das peças no interior da obra. Fonte:

http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo325/assemblage acesso em 01 de agosto de 2017.

18 O site specific ocorre quando obras de arte são pensadas e realizadas precisamente para e num determinado

Para onde direcionar seu olhar implica determinar, ele mesmo, sua própria vivência com aquela obra. Dessa forma, a obra será única para cada um deles. Marly Meira deduz essas questões em sua citação quando fala que “o ato criador de olhar torna-se um tipo de construtividade criadora para qualificar as interações humanas” (2009, p. 17).

A autora Thereza Rocha chama a atenção para um aspecto dizendo que: “os acontecimentos de dança não se ligam uns aos outros por nenhuma outra casualidade que não seja uma casualidade sensível” (ROCHA, 2016, p. 49), sendo, portanto, a sensibilidade que sustenta, conecta, realiza, traz coesão e dá sentido aos movimentos, que a mesma autora chama de acontecimentos de dança.

O compor em dança é processual, e é da sua natureza fazê-lo, o que é também inegável, pois não há uma programação, um modelo, um método, um código que fixe o modo de criar na dança contemporânea. “A graça reside em descobrir o meio de fazer no meio do fazer” (ROCHA, 2016, p.49), pois é quando estamos imbricados no processo, investindo nas sequências, na investigação constante, nas repetições e nas incansáveis tentativas que as peças começam a se encaixar, estando sempre atentos ao que nos toca, nos sensibiliza. Essa investigação para compor tem sua espera própria, que caminha com suas próprias pernas. A autora enxerga então a composição como uma busca sem objeto, que tem o artista como agente e não como o autor, pois não controla os passos, mas maneja o sentido.

Desse modo, não há uma linearidade na construção da obra que se concretiza no próprio ato criador, onde o pensamento se transforma em ação que se direciona à estrutura que está tomando forma, pois “O desenvolvimento continuo da obra deixa claro que não há ordenação cronológica entre pensamento e ação: o pensamento se dá na ação, toda ação contém pensamento” (SALLES, 2013, p. 59).

É como se fosse um quadro de imagem abstrataque o artista tenta juntar pedaços os quais estavam separados, não há uma ordem de encaixe específica, a imagem continuará abstrata, mas há um processo criativo de composição que se dá por meio da relação entre operações sensíveis e de lógica.

Isso nos leva a refletir sobre uma discussão muito pertinente para a área das artes que é a de conteúdo e forma. Nós não entraremos muito nessas falas, apenas gostaríamos de apontar a de Cecilia Salles (2015) que aborda as questões de conteúdo e forma, afirmando que “o conteúdo manifesta-se através da forma, sendo que a forma é aquilo que constitui o conteúdo” (p.78), e isso é valido para diversas manifestações de arte.

voltar para o espaço - incorporando-o à obra e/ou transformando-o. Fonte:

O que chamamos de forma, no caso da dança, são os movimentos coreográficos provenientes da expressão do artista ao acessar o seu projeto poético. O próprio processo de composição coreográfica já é imbricado de materialização das formas, logo, a forma e o conteúdo que é a motivação que se materializa na forma (LOBO e NAVAS, 2007) estão sempre numa relação de interdependência, por isso não são dicotômicas, pois a composição acaba não existindo se elas não casarem entre si.

Conforme Salles (2013)

A criação surge, sob essa perspectiva, como uma rede de relações, que encontra nessas imagens um modo de penetrar seu fluxo de continuidade e em sua complexidade. Na busca humana de origem, o artista tenta detectar, muitas vezes, a ponta do fio que desata o emaranhado de ideias, formas e sensações que tornam uma obra possível (SALLES. 2013, p. 61).

Merce Cunningham (2014) construía essa rede de relações entre seus movimentos de maneira aleatória, no que ele chamava de “sistema do acaso”. Para criar suas composições, o bailarino/coreógrafo selecionava uma quantidade de movimentos ou sequências e lançava moedas para descobrir a ordem em que os movimentos apareceriam nas coreografias, depois, ensaiava para decorar essa estrutura, mesmo sem música. Trabalhando nessa perspectiva, ele reorganizava seu sistema de coordenação e se forçava a tornar possível aquilo que antes acreditava que não seria viável.

É aqui que entra a questão da improvisação visto que, por meio dela, se é capaz de produzir diversos materiais para uma obra específica, num trabalho de parceria essencial à criação. No geral, a improvisação pode ser usada de três formas: como formação do ator/bailarino; para a construção de espetáculos e sendo o próprio espetáculo.

Como formadora, a improvisação é utilizada em exercícios de preparação do ator/bailarino, cujo corpo é seu instrumento de trabalho, que precisa estar em prontidão. Pode ser aplicada como técnica, mas não para limitar o fazer e enrijecer, como preparação artística, e mecanismo de autoconhecimento, que segundo Coimbra (2015) é “um meio que se utiliza para chegar a determinado fim, de forma consciente, como uma ferramenta que possibilita a execução do fazer poético” (COIMBRA, 2015, p.305).

Na minha prática na qualidade de bailarina, pude perceber, no trabalho com a máscara neutra19, essa característica de forma muito latente. Sua utilização prepara o

Dans le document African women's work in the informal sector (Page 47-60)