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O trabalho de campo teve seu início desde o ano 2003, quando da fase de elaboração do projeto. Naquela época, foi elaborado um plano de pesquisa documental55 com a finalidade de 55 Vários foram os documentos pesquisados e analisados; entre tantos, destacamos os seguintes: Programa Saúde

da Família: saúde dentro de casa; Saúde da Família - uma estratégia para a reorientação do modelo assistencial (respectivamente primeiro e segundo documentos oficiais do programa); Plano de Ação do Ministério da Saúde – 1995-1999; Plano Plurianual de Governo 1996-1999; 1997 O Ano da Saúde no Brasil – ações e metas

catalogar os principais documentos técnico-científicos que versavam sobre o PSF no Brasil. Artigos, documentos normativos, instrucionais, relatórios, entre outros compuseram o “acervo” de publicações governamentais e não governamentais analisadas nesta pesquisa. Portanto, esta atividade integrava-se a outras no decorrer da realização de trabalho de campo. Nessa etapa foram elaborados os instrumentos para coletas de dados primários - roteiros de entrevistas semi-estruturadas, roteiro grupos focais, roteiro semi-aberto de entrevistas individuais e dados secundários - ficha de levantamento bibliográfico e formulário padronizado, para leitura e análise documental: documentos normativos, instrumentais, pesquisas, avaliativos, artigos e outros.

Em fevereiro de 2005 iniciou-se a solicitação e realização das entrevistas com os sujeitos estratégicos dessa pesquisa. Por meio eletrônico, foram enviados roteiro e ofício. Estes sujeitos, para efeito de cadastro e análise das informações, foram agrupados em três extratos: Nacional - dois Ex-Presidentes da República Federativa do Brasil, dois Ex-Ministros de Estado da Saúde, dois Ex-Secretários de Assistência à Saúde e dois Coordenadores da Atenção Básica (um deles ex-coordenador e o outro em exercício). Estadual - 27 Secretários e 27 Coordenadores Estaduais da Atenção Básica/PSF56. Municipal - os 12 Secretários

Municipais de Saúde e os 12 Coordenadores Municipais da Atenção Básica/PSF. Foram entrevistadas ainda 72 pessoas, escolhidas mediante abordagem casual dentre as pessoas atendidas nas 24 unidades básicas de saúde da família, visitadas nos 12 municípios pesquisados, ao final do mês de agosto.

As visitas aos 12 municípios pioneiros da implantação do PSF iniciaram em 19 de junho de 2006. Curitiba, no estado do Paraná, foi a primeira cidade visitada, e nela tivemos uma estada que durou quatro dias úteis de trabalho. Serviu de referência para o planejamento dos outros municípios. O tempo de permanência naquela cidade possibilitou realizar as entrevistas, o grupo focal, a visitação as unidades básicas de saúde/PSF e as entrevistas com os usuários. Durante os meses de junho a agosto de 2006, em um trabalho intensivo, foram realizadas as demais visitas aos municípios de Joinville e Criciúma em Santa Catarina; Juiz de Fora e Além Paraíba, em Minas Gerais; Niterói no Rio de Janeiro; Quixadá no Ceará; Neópolis em Sergipe; Campina Grande na Paraíba; Bragança no Pará, Planaltina de Goiás e Goiânia, no estado de Goiás.

prioritárias; Norma Operacional Básica SUS 01/96; Manual para a organização da atenção básica, Manual do Sistema de Informação da Atenção Básica, Plano Plurianual de Governo 2003-2006 e Revistas Brasileiras de Saúde da Família. As razões para seleção desses documentos se deram por serem elementos essenciais à compreensão do objetivo 3 dessa tese.

56 No Total de 27 Estados, somente 11 responderam o roteiro de entrevista, com respostas de 06 Secretários de

Estados da Saúde; e 09 respostas dos coordenadores estaduais da Atenção Básica/PSF.

Para realização das visitas aos municípios, previamente foi feito um entendimento com o Presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde - CONASEMS, com a finalidade de solicitar apoio para nossa entrada nos municípios. Foi remetido aos 12 municípios ofício registrando a importância da pesquisa. Em seqüência ao ofício do CONASEMS, ligamos para cada coordenador municipal da Atenção Básica/PSF, explicando em detalhes do que se trata a pesquisa, quais as demandas para o município e solicitando uma agenda de trabalho de campo.

Na oportunidade da solicitação de agendamento, construiu-se um cronograma de trabalho prevendo horários para sua execução. Deixamos a critério dos municípios a dinâmica de desenvolvimento do cronograma proposto. Em sua maioria, as atividades foram cumpridas, segundo acordo prévio. Entretanto, ocorreram algumas exceções, em função de compatibilidade dos compromissos internos a cada município. Estes “descompassos” não trouxeram prejuízos ao desenvolvimento das atividades propostas, e sim, apenas deslocamento de dia e horários entre elas.

Novos entendimentos foram feitos para solicitar apoio à realização do trabalho de campo, a exemplo das Secretarias de Estados da Saúde de Minas Gerais, Ceará, Paraíba, Sergipe, Santa Catarina e Pará. Estas tiveram o papel de mobilizar apoio junto às regionais de saúde, para facilitar a logística da pesquisa. Nossa permanência em cada cidade teve a variação entre dois a quatro dias.

A recepção em cada município, embora diferente entre si, foi de muita disponibilidade, demonstrando que, em pesquisa qualitativa, sobretudo a interação entre o pesquisador e os sujeitos pesquisados é essencial. Reafirmando o que nos ensina Minayo, no trabalho de campo, pesquisador e sujeitos da investigação desenvolvem uma relação intersubjetiva cujo produto será o resultado do encontro entre a realidade concreta e os pressupostos teóricos num processo mais amplo de construção de conhecimento. (MINAYO, 2006).

Esta interação facilitou o cumprimento de nossa agenda, plano de pesquisa, nos 12 municípios citados acima, e os ajustes necessários à execução das seguintes atividades:

a) Entrevista com o Secretário Municipal de Saúde; b) Entrevista com o Coordenador da Atenção Básica/PSF;

c) Realização do Grupo Focal com os profissionais que compõem as equipes do PSF; d) Visitas a duas ou três unidades básicas de saúde, que operarem na lógica organizativa

do PSF;

e) Entrevistas com a população “usuária” do PSF em horário de funcionamento das Unidades Básicas do PSF.

Estas atividades ocorreram das três seguintes formas:

Para a realização das entrevistas com os Secretários Municipais de Saúde e Coordenadores Municipais Atenção Básica/PSF, foi fornecido um roteiro para cada um, constituído de 15 e 19 questões respectivamente, para que eles pudessem responder e nos remeter por meio eletrônico, em prazos combinados entre nós. Na oportunidade da entrega do instrumento nos apresentamos e discorremos sobre os objetivos da pesquisa e a importância de suas participações. A escolha de não fazer ao “vivo” as entrevistas ocorreu em função do limite do tempo de nossa permanência em cada cidade.

Esta fase foi concluída na segunda semana de outubro de 2006, quando tivemos que enfrentar as dificuldades no retorno dos roteiros de entrevistas dos Secretários Municipais de Saúde e Coordenadores Municipais Atenção Básica/PSF, o que nos exigiu inúmeros contatos telefônicos e/ou eletrônicos.

A realização dos Grupos Focais ocorreu nos 12 municípios acima citados, com os profissionais que compõem as equipes do PSF das unidades básicas de saúde, no total de 10 a 15 participantes em cada cidade. O desenvolvimento da sessão foi moderado por mim e contei com ajuda de um relator/observador, numa discussão que teve por objetivo revelar experiências, sentimentos, percepções, preferências acerca do PSF, entre aqueles profissionais.

Os grupos foram formados com participantes que têm características em comum, ou seja, serem profissionais das equipes do PSF atuante nos 12 municípios da pesquisa, de preferência, que trabalhem nessa estratégia desde a sua implantação ou com um tempo mínimo de trabalho de 12 meses. Iniciamos os trabalhos nos apresentando, esboçando o propósito e o formato da reunião para que os participantes soubessem o que esperávamos das discussões e pudessem ficar à vontade. Informamos que as discussões eram informais, sigilosas, e que se espera a participação de todos com o máximo de espontaneidade possível. Entregamos o termo de consentimento livre e esclarecido, solicitando que todos lessem e assinassem se assim concordassem. (Vide APÊNDICE E). Informamos ainda que a sessão estava sendo gravada e fotografada, e que estas atividades poderiam ser interrompidas se assim desejasse qualquer um dos participantes.

A sessão foi conduzida de forma a incentivar o diálogo entre os participantes, segundo roteiro orientador - conteúdo descrito acima - possibilitando a troca de experiências e interação em torno das idéias, sentimentos, valores, dificuldades que permeiam os processos de implantação e funcionamento do PSF nas unidades básicas de saúde e por conseqüência nos demais espaços do sistema municipal de saúde. Promovi a participação de todos, evitando a

dispersão dos objetivos da discussão e a monopolização de alguns participantes sobre outros. O relator/observador da sessão registrou as discussões, anotou as questões complexas no tocante ao conteúdo e comportamento dos participantes.

No decorrer da execução dos trabalhos dos Grupos Focais, tomamos os cuidados de não deixar aparecer os vieses dos nossos pontos de vista, enquanto moderadores da sessão. Ao final de cada sessão foi entregue uma lista de presença, seguida de agradecimentos pela disponibilidade dos profissionais em participar, solicitando que indicassem seus contatos para que pudéssemos remeter no futuro os produtos deste trabalho.

As atividades de visitas às unidades básicas de saúde, entre duas ou três, tiveram por finalidade nesta pesquisa aproveitar o horário de funcionamento para poder entrevistar os usuários. Em todas as visitas realizadas fomos acompanhados por profissionais representantes das Secretarias Municipais de Saúde, os quais nos apresentavam aos gerentes daquelas unidades, facilitando com isto, nossa entrada na rede. A cada usuário, escolhidos por abordagem casual, solicitávamos a permissão para realizar a gravar entrevista e tomar imagem do entrevistado. A entrevista seguia um roteiro semi-aberto, contendo seis questões que discorriam sobre o acesso aos serviços básicos de saúde.

Estas atividades no conjunto e ou separadas,apresentaram dificuldades relativas que foram enfrentadas e superadas com apoio de um grupo de auxiliares de pesquisa, do Núcleo de Estudos de Saúde Pública - NESP, da Universidade de Brasília, e de pessoas, físicas e institucionais, abertas, colaboradoras com a disposição de assegurar o cumprimento das atividades previstas no plano de pesquisa de campo.