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Les Catégories ouvertes

4. La construction des dictionnaires DELA

4.2. Les Catégories ouvertes

Caminhos diversos foram percorridos para a coleta de dados, no sentido de buscar elementos que aprofundassem os fenômenos e movimentos imbricados nos diferentes espaços e tempos dos processos históricos da implantação do PSF nos 12 municípios pioneiros e no Brasil. Portanto, as técnicas e instrumentos que mediaram esta pesquisa foram:

3.1.3.1 Entrevistas - roteiros semi-estruturados gestores - registradas em meio eletrônico, junto aos sujeitos políticos e técnicos, em diferentes instâncias de governos Federal, Estaduais e Municipais, envolvidos na implantação do PSF. Com isso buscamos compreender e interpretar as motivações na decisão de implantar o PSF, para atender o objetivo 01 (Vide APÊNDICE A).

3.1.3.2 Análise documental - para coleta de informações referentes à evolução da implantação do PSF no Brasil (expansão das equipes e cobertura populacional - anos 1998 a 2006), e verificar os critérios e prioridades de exclusão nos 12 municípios pioneiros, recorremos ao banco de dados nacional do Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde do Departamento da Atenção Básica, por meio dos seus dados secundários e aos Discursos dos Sujeitos Coletivos com base de dados primários. Esta combinação auxiliou no alcance do objetivo 02. Para aprofundar a análise documental, foi elaborada uma ficha de levantamento bibliográfico - para auxiliar na sistematização das leituras dos materiais normativos, instrumentais e avaliativos, existentes nos registros gerenciais e administrativos do Departamento da Atenção Básica/SAS/MS, além de artigos, teses, dissertações, monografias e outros estudos publicados. Estas atividades apoiaram a verificação dos principais elementos (potencialidades e fragilidades) de governança institucional do PSF, aprofundando assim as respostas ao objetivo 03. (APÊNDICE B).

3.1.3.3 Grupos Focais - com base em roteiro semi-estruturado foram realizados os grupos focais com os profissionais das equipes do PSF, nos 12 municípios pioneiros, visando aprofundar a análise referente ao acesso nos serviços básicos de saúde (Vide APÊNDICE C). Com a finalidade de aprofundar os objetivos 01, 02, 03 e 04.

3.1.3.4 Entrevistas - com roteiros semi-estruturado usuários - foram realizadas junto aos usuários adscritos às equipes do PSF, nos 12 municípios pioneiros, para identificar a percepção desses sujeitos acerca do acesso aos serviços básicos de saúde compondo as respostas ao objetivo 04. (Vide APÊNDICE D).

Na coleta das informações foram trabalhadas basicamente duas técnicas: entrevistas semi- estruturadas e grupos focais, na tentativa de multiplicar as fontes de dados, e suas formas de abordagens.

As entrevistas semi-estruturadas foram realizadas com os sujeitos estratégicos - informantes -chave - por considerar a importância de suas vivências na decisão, formulação, implantação e implementação do PSF, o que possibilitou a recuperação de dados contextualizados. O conceito que temos de informante-chave e que é usado nesta pesquisa, ancora-se nas idéias formuladas por Minayo (2006), que os considera como informantes particularmente estratégicos para revelar os segredos de grupo. A escolha destes sujeitos se deu em função de suas representações institucionais, enquanto quadros decisórios, dirigentes, implementadores e usuários do PSF.

Os roteiros de entrevistas foram submetidos à avaliação do conteúdo e coerência interna do instrumento aos objetivos da pesquisa, por parte de gestores públicos do SUS (especialistas). Compartilhamos do entendimento de que o roteiro de entrevista é uma lista de temas que desdobram os indicadores qualitativos de uma investigação, apresentando alguns tópicos que guiem uma conversa com finalidade, nas seguintes condições: “(a) cada questão que se levanta, faça parte do delineamento do objeto e que todas se encaminhem para lhe dar forma e conteúdo; (b) permita ampliar e aprofundar a comunicação e não cerceá-la; (c) contribua para emergir a visão, os juízos e as relevâncias a respeito dos fatos e das relações que compõem o objeto, do ponto de vista dos interlocutores” (MINAYO, 2006, p.189).

Os roteiros de entrevistas dos três extratos sociais53 (Nacional, Estadual e Municipal) foram

elaborados com base nas premissas da autora citada, que nos alerta para duas questões: a primeira da importância de se pesquisar as idéias como parte da realidade social; e a segunda, a necessidade de se compreender que a ação humana é significativa, portanto deve ser assim investigada. Por isto, sua elaboração constituiu-se de um rico processo em torno dos objetivos da pesquisa, o que permitiu sucessivas aproximações com as questões constantes no elenco de perguntas, que teve variação de número entre os sujeitos entrevistados: o extrato nacional, entre 06-15 questões; o estadual, entre 10-14 questões; o extrato municipal, entre 15-19

53 O termo extrato social designado por esta pesquisa tem o sentido clássico usado nas ciências sociais, nessa

pesquisa foi utilizado para determinar a organização dos diferentes agrupamentos da pesquisas: Nacional, Estadual e Municipal, nesse, Grupo Focal e Usuários.

questões. Estas versaram sobre motivação e decisão de implantarem o PSF, opção política por essa estratégia, dificuldades e superação das mesmas, entre outras. No caso dos “usuários” foram elaboradas cinco questões, com a finalidade de verificar as percepções dos indivíduos acerca do acesso aos serviços básicos de saúde nas unidades organizadas pelas equipes do PSF. Todas as questões foram elaboradas, também, com a intenção de identificar elementos históricos na recomposição dos fatos, de forma a possibilitar o “confronto” e ou a interação entre a teoria e seu desdobramento empírico, no sentido de aprofundamento das categorias analíticas.

Os Grupos Focais foram realizados nos 12 municípios pesquisados, com os profissionais membros das equipes do PSF, entre eles médicos, enfermeiros, odontólogos e auxiliares de enfermagem.

Esta técnica é considerada por esta pesquisa como uma entrevista coletiva de grupos focais, de abordagem qualitativa, visando coletar informações não facilmente obtidas por meio de outras técnicas. Foi adotada para nós por ser uma técnica capaz de apreender impressões, opiniões, sentimentos e saberes entre os diferentes profissionais que compõem as equipes do PSF e potencial interativo que a técnica permite entre os participantes e o pesquisador na coleta de dados, a partir da discussão com foco, em tópicos específicos e diretivos.

As críticas mais comuns à técnica de grupo focal dizem respeito ao limite54 de rigor

quantitativo na análise e que os resultados não podem ser generalizados ou projetados para uma população maior, ou ainda que seriam diferentes se fossem reunidos outros participantes com outro moderador, utilizando outro guia de entrevista.

Autores como Chiesa e Ciampone (1999), Debus (1997), e Vaughn et al (1996), apontam o sucesso do grupo focal como uma técnica de natureza qualitativa que permite em pouco tempo e baixo custo investigar questões complexas e produzir conhecimento. Por estas razões escolhemos a técnica do Grupo Focal, e, sobretudo, pelo que nela pudemos ampliar e obter informações que não ficam limitadas a uma prévia concepção do roteiro.

Ainda assim, planejamos o roteiro, tendo em vista os conteúdos e a dinâmica do debate. Quanto aos conteúdos, foram elaborados em três blocos, a saber: Bloco I - Visão geral do PSF, com as seguintes questões: (1) em sua opinião qual (s) as principais finalidades do PSF? (2) dos objetivos do PSF quais consideram mais importante? (3) o PSF vem se constituindo

54 Limites da técnica: É susceptível ao viés do ponto de vista do moderador. As discussões podem ser desviadas

ou dominadas por algum participante. As informações podem trazer dificuldades para análise e generalizações. Neste sentido devem ser interpretadas no contexto do grupo e complementadas com dados coletados através de outros instrumentos.

efetivamente em uma estratégia de re-organização da Atenção Básica no Município? Bloco II - Implantação do PSF, foram feitas três perguntas (1) qual(is) experiência(s) influenciou(aram) em termos filosóficos e metodológicos a implantação do PSF? (2) quais foram os motivos que levaram o Município a implantar o PSF? (3) quais foram os critérios e prioridades adotados pelo Município para definição das áreas de implantação do PSF? E no Bloco III - Funcionamento do PSF, cinco foram as questões debatidas: (1) quais as ações de saúde passaram a ser ofertadas a partir da implantação do PSF? (2) dentre as ações ofertadas pelas Unidades Básicas de Saúde da Família, quais são as mais utilizadas? (3) quais as mudanças que você considera mais importantes na organização e na prestação da assistência, (atenção à Saúde) após a implantação do PSF? (4) quais foram as mudanças que o PSF trouxe para situação de saúde da população? E (5) o PSF amplia o acesso aos serviços de saúde? Quanto à dinâmica do debate, moderei sua realização e contei com a presença de observador/relator. Os Grupos tiveram a variação entre 10 a 15 participantes em cada um dos 12 municípios pesquisados. Mais adiante, na parte que explica o trabalho de campo, retomaremos como foram realizados os grupos focais.

Estes procedimentos foram realizados tendo por finalidade aprofundar e integrar as técnicas utilizadas nessa pesquisa, em um esforço dialógico de triangulação de métodos, compreendido como uma dinâmica de investigação em que a análise das estruturas, processos e dos resultados, a compreensão das relações envolvidas na implementação das ações e a visão que os atores diferenciados constroem sobre todo o projeto. (MINAYO, 2006, p.361). Nesta direção, articulamos as técnicas acima mencionadas, como forma de trilhar os caminhos teórico-metodológicos e empíricos à construção de uma síntese que possa expressar os objetivos específicos desse trabalho. Para tanto tomamos o seguinte caminho:

a) Formulamos o objeto e a pergunta central da investigação; b) Definimos o universo e os sujeitos da pesquisa;

c) Escolhemos o referencial de análise teórico-metodológica; d) Organizamos e realizamos o trabalho de campo;

e) Tratamos os dados e analisamos as informações coletadas.

Seguindo os passos sugeridos pela hermenêutica-dialética, ordenamos e classificamos os dados primários e secundários, com vistas à análise final, esta balizada pelos cuidados éticos em todos os momentos da realização da pesquisa.