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A primeira linha de sugestões traz sugestões para a construção da sala de aula como um espaço em que o professor possa garantir a confrontação co- letiva e a aprendizagem colaborativa inspiradas no construtivismo e no in- teracionismo. De acordo com esses referenciais, a aprendizagem acontece na interação dos aprendizes entre si e na interação com os conteúdos, com os objetos de aprendizagem. Os autores aqui enfocados não se ocupam com uma teoria da interatividade, embora tratem de uma “pedagogia interati- va”. Entretanto, quando dizem “interativo” e “interatividade” estão na esfera ampla da “interação social”, do “interacionismo” e não propriamente no uni- verso da teoria da comunicação na cibercultura ou cultura digital. Inicial- mente, a abordagem construtivista. Em seguida, a abordagem interacionista.

abordagem construtivista

M. Hardy e colaboradores (1991) se propõem a definir as ideias funda- mentais sobre as quais repousa sua pedagogia de inspiração construtivista e caracterizar as práticas educativas que a acompanham. O fazem enfatizando sua posição contrária à transmissão de conhecimentos onde o professor se limita ao discurso pré-construído, sem troca verdadeira com os estudantes.

Eles criticam o professor que expõe, explica e interroga, enquanto os es- tudantes devem escutar, compreender e responder. Em oposição a esse perfil de professor, os autores dão atenção às interações e evocam a autoria do professor na promoção de mais e melhores interações.

A crítica dos autores é válida, mas revela algo inaceitável sob o ponto de vista dos fundamentos da interatividade. Eles sustentam que não são mais os estudantes que devem seguir o mestre. Este é que tem de seguir os estudan-

tes para poder se inserir no urdir do seu pensamento e trazer no momento propício elementos de conhecimento ajustados às questões que se colocam os estudantes.

Sabemos que colocar o aluno no centro do processo é fazer a mudança de um polo a outro e recair em simplificação: antes o professor, agora o aluno no centro da cena.

Ainda assim, suas contribuições são valiosas. Elas podem ser reunidas em cinco:

a. Aprender é construir o saber em interação com outrem; b. Suscitar a expressão e a confrontação;

c. Interpretar as atitudes dos estudantes; d. Trabalhar em pequenos grupos interativos;

e. Trabalhar com outros professores, atores e gestores da instituição e da comunidade.

aprender éconstruirosabereminteração comoutrem

Hardy e colaboradores (1991) fazem esta sugestão baseados em uma con- cepção de aprendizagem construtivista, a partir de J. Piaget e L. Vygotsky. Sua abordagem tem como princípio: há a contribuição do sujeito nas suas trocas com o objeto e com o meio e há também o papel destes na estrutura- ção colaborativa do conhecimento e das condutas do sujeito. É por meio da interação com o meio que o sujeito constrói suas estruturas mentais e seu conhecimento, sendo ambos indissociáveis. É estruturando o universo que o sujeito se estrutura.

O sujeito conhece na interação e não na recepção passiva submetida ao falar-ditar do mestre. Na sala de aula, as estratégias do professor podem ser:

a. Fornecer material para análise e pesquisa que implique posiciona- mentos compartilhados, tomada de decisões em grupo;

b. Estimular os estudantes a resolver coletivamente com autonomia os problemas apresentados;

c. Reagir às colocações dos grupos, dialogar, esclarecer, dar a sua opi- nião, agregar;

d. Interferir nas diferentes etapas de elaboração do trabalho. Deixar transparecer sua opinião sobre o assunto.

suscitaraexpressãoeaconfrontação

Os autores formulam perguntas básicas do tipo: quais práticas operar para favorecer a construção interativa dos saberes nas instituições educati- vas? quais situações propor aos estudantes?

Começando sua ação por essas perguntas, o professor deve ter claro que o ponto essencial é o das interações entre os estudantes e que estes não são copos vazios que os docentes deveriam encher. A prioridade à livre expres- são dos estudantes não deve ser somente autorizada, mas encorajada.

Não há dúvida: “suscitar a expressão e a confrontação” é sugestão opor- tuníssima, mas falta o tratamento da comunicação. Ela é decisiva tanto como ambiência onde se dá a expressão e a confrontação, quanto como condição de motivação dos alunos à expressão e confrontação.

O professor favorece a reação e o debate entre os estudantes. Entre as ações que podem ser colocadas em prática estão:

a. Encorajar os estudantes a exprimir seu ponto de vista e a confron- tá-lo com o de outras pessoas;

b. Criar na classe um clima de democracia, cooperação e confiança que favoreça a troca de experiências entre os estudantes e os grupos; c. Estimular a autoexpressão dos estudantes;

d. Estimular os estudantes a defender seus pontos de vista.

interpretarasatitudesdosestudantes

Essa sugestão diz respeito ao aguçamento do olhar do professor de modo que sua apreensão das atividades desenvolvidas pelos estudantes se torna cada vez mais pertinente. É preciso que o professor possa ver que tudo que os estudantes fazem tem um sentido. Cabe a ele aprender a cavar essa signi- ficação.

Os autores concluem em suas pesquisas que os professores têm frequen- temente uma representação dos processos de aprendizagem que não corres- pondem às atitudes reais dos estudantes. O aguçamento do olho pode modi-

ficar essa conduta, pode levar a surpresas diante dos saberes já adquiridos e das capacidades insuspeitas de aprender que os estudantes manifestam.

A capacidade de olhar e de interpretar as atitudes dos estudantes pode ser aguçada por meio de algumas ações:

a. Valorizar e incorporar as atitudes dos estudantes;

b. Reagir às atitudes solicitadas e não solicitadas dos estudantes.

Aceitar as atitudes e proposições dos estudantes, mesmo que à primeira vista lhes pareçam esdrúxulas.

trabalharempequenosgrupos interativos

Trata-se de outra sugestão valiosa com que os autores definem a sala de aula em que não é mais o professor que ocupa sempre o espaço defronte da cena. A prioridade é concedida à expressão dos estudantes e ao desenrolar de suas atividades da maneira que eles mesmos são capazes de conduzi-la.

Os “pequenos grupos interativos” configuram o meio que favorece ao professor suscitar a expressão e a confrontação dos estudantes, aprender a observar e a interpretar suas condutas. E favorece aos estudantes a expressão individual e a confrontação dos parceiros.

Ao adotar a estratégia de trabalhos em grupo, o professor pode propor- cionar aos alunos um meio de eles se expressarem e conduzirem suas ativi- dades. O professor pode também atuar de várias formas:

a. Identificando a dinâmica que melhor funciona para a formação dos grupos: de forma espontânea ou arbitrária;

b. Prestando atenção ao que acontece nos grupos;

c. Estimulando a expressão de cada um e a confrontação de parceiros; d. Intervindo nas atividades dos grupos (cessando ou estimulando uma

discussão).

trabalharcomoutrosprofessores

,

atoresegestoresda instituiçãoedacomunidade

Esta sugestão refere-se ao entendimento coletivo dos professores e ou- tros profissionais da mesma escola que proporciona a cada professor maior

conhecimento da rede de interações que transcendem sua sala de aula. Ou seja, todos se encontram em situação de pesquisa e aprendizagem. E des- se “trabalho” coletivo depende o progresso da atenção às interações e pro- moção de mais e melhores interações.

Cada professor deve cuidar de envolver-se com o entorno de sua sala de aula, inclusive com o entorno de sua escola. Ele tem necessidade de se con- frontar com outras pessoas implicadas na mesma realidade.

O professor atua além de sua sala de aula em proveito dela mesma. Os caminhos podem ser vários, a começar por:

a. Envolver-se com os outros profissionais (professores, diretor, funcio- nários) da escola onde atua;

b. Envolver-se com a comunidade a que sua escola pertence, por meio de, por exemplo, projetos em que os alunos pesquisem, promovam palestras e debates.

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