3. ASSESSMENT OF FOOD SECURITY IN WEST AFRICA
3.2 Brief Profile of WAIGO’s
3.2.6 Interstate Committee for Drought Control in the Sahel
No esforço de revisão de literatura, encontram-se diversos conceitos de voluntário (indivíduo) e da expressão voluntariado (qualidade, caráter do que é voluntário). Entretanto, não raras vezes, essas expressões são associadas “pelo senso comum à idéia de altruísmo, solidariedade, fraternidade e abnegação” (TEODÓSIO; VENEROSO; PENA, 2006, p. 185), além de ser percebida como sinônimo automático de cidadania. Ademais, por trás dos seus significados e significantes, foram construídas uma série de iniciativas originadas ou impulsionadas tanto pelo governo quanto na sociedade civil e no campo empresarial.
Pontuando esses conceitos, Garay (2003a; 2003b) sinaliza que, no Brasil, os sentidos subjetivos que se tem do trabalho voluntário ainda estão associadas a valores religiosos, de caridade e concepções de assistencialismo.
Citando Kohan (1965), Garay (2003a, p. 98) coloca que
“o trabalho voluntário tem sido definido como o esforço oferecido espontaneamente, ou a pedido, e sem remuneração, por qualquer pessoa que deseja colaborar com amor, benevolência, afeto, compreensão e responsabilidade em organismos que trabalham em favor do bem estar da comunidade, nascendo de uma vontade própria”.
Com base em Drucker (1997), Garay (2003a; 2003b) menciona o elo a um ideal ou uma missão e a importância do valor social como elementos fundamentais desse tipo de trabalho. Cita também Ribeiro et al (1996), para quem o trabalho voluntário seria um espaço para o investimento narcísico renovar-se (ego).
Dhome (2001, p. 17) cita que voluntário é aquele “que doa o seu trabalho, suas potencialidades e talentos em uma função que o desafia e gratifica em prol da realização de uma ação de natureza social”.
Por vezes, o conceito é associado ao exercício da cidadania. Neste sentido, para Domeneghetti (2002, p. 329), “ser voluntário, doar-se a uma causa, é ter no coração o dom do amor, o dom da caridade, da solidariedade, enfim, o dom de servir. É ter consciência de estar prestando um serviço à sociedade, ao seu próximo, cumprindo o papel de cidadão consciente”.
Por sua vez, de acordo com a Lei 9608/98, que regulamenta o trabalho voluntário no Brasil, o voluntário é “a pessoa física que realiza atividade não remunerada junto à entidade pública de qualquer natureza ou à instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutualidade” (SOUZA; MEDEIROS; FERNANDES, 2006, p. 4).
Do extrato desses autores, pode-se aferir que o ser voluntário implica numa ação não remunerada, na qual dedica seu tempo, trabalho e talentos em iniciativas variadas. No entanto, as abordagens conceituais ora citadas podem dissimular o papel e a prática do voluntariado, ao restringi-la a uma percepção positiva e emancipatória.
Sob este ponto de vista, Teodósio (2002) alerta que o voluntariado é um tema extremamente atual e importante, entretanto, assume muitas vezes um caráter utópico, quando se atribui ao
mesmo potencial intrinsecamente transformador tanto do indivíduo que o exerce quanto das estruturas sociais que geram as agravantes desigualdades sociais.
Há que se ressalvar, ainda, que essa ação se dá por motivos diversos, de acordo com os sentidos que o trabalho voluntário assume para aqueles que, de forma espontânea ou induzida, o realizam – principalmente quando se trata da participação no voluntariado empresarial.
Este, por sua vez, relaciona-se a uma nova prática adotada pelas organizações privadas, com vistas a promover, gerir, mobilizar e apoiar a participação voluntária de seus empregados e outros atores com os quais se relacionam.
O voluntariado empresarial pode ser definido como “qualquer apoio formal ou organizado de uma empresa a empregados ou aposentados que desejam servir, voluntariamente, uma comunidade, com seu tempo e habilidades” (Points of Light Foundation, apud Fischer e Falconer, 2001, p. 16). Ressalta-se que a participação no voluntariado deve ser facultativa e não recompensada, de forma direta ou indireta, por qualquer tipo de remuneração financeira.
Sob o manto da atuação socialmente responsável, muitas têm sido as iniciativas adotadas pelas empresas, interna e externamente. No que tange a ações voltadas para o público externo – seja pelo estabelecimento de fundações e institutos próprios ou uma atuação mais direta –, as organizações privadas subsidiam projetos sociais com recursos humanos, materiais e financeiros. Neste ínterim, o trabalho voluntário dos empregados também é estimulado, como relata Fischer e Falconer (2001), seja pelo apoio informal para que se dediquem ao voluntariado fora do horário de trabalho até a criação de programas formais da empresa, onde são „convidados‟ a participar utilizando algum tempo da jornada de trabalho ou outros recursos organizacionais.
Entretanto, esses programas podem se apresentar sob uma variedade de formas, conforme os parâmetros, critérios e políticas organizacionais. Assim, uma maior precisão das diversas concepções de participação no interior desses programas exige que seja considerado, ao mesmo tempo, “os objetivos visados, os métodos escolhidos e os domínios onde a participação se aplica” (MELO, 1984, p. 11).
Em cada um desses espaços serão produzidos sentidos subjetivos diferenciados da participação no voluntariado, conforme as influências recíprocas entre as subjetividades individuais dos sujeitos e as formas complexas de organização social que estão por trás dos vários espaços de ação social (GONZÁLEZ REY, 2004).
Garay (2003b) pontua que ainda são raros os estudos que procuram entender este fenômeno de forma mais aprofundada (em sua dimensão de sentido). Além disso, vale notar que o contexto econômico e social implica novas configurações ao trabalho voluntário ao longo do tempo e que, nos últimos anos em especial, essa atividade ganhou destaque no âmbito público, privado e na sociedade civil (face à reestruturação do capital).
A partir desse aporte teórico, abre-se espaço para apresentar alguns sentidos da participação no voluntariado identificados na (escassa) literatura sobre o tema.