4.2.1 Mina de Conceição
Uma superfície estradal adequada proporciona, além de maior produtividade, segurança e conforto para os usuários das vias mineiras. Durante a realização do Diagnóstico Técnico, percebeu-se que as estradas operantes das minas não proporcionam essas situações, sendo necessária a aplicação de técnicas que amenizem os problemas sofridos por estas vias, decorrentes do mau planejamento e do uso de técnicas inadequadas de manutenção. O complexo minerário de Itabira possui um excelente pacote tecnológico voltado para várias áreas de atividades, mas tal mina não dispõe de um projeto estrutural adequado na realização de abertura e pavimentação das estradas, o que acarreta um maior desgaste da via, gerando gastos elevados com manutenção e afetando a produtividade da via.
Para sanar tais problemas, a metodologia de construção da via mineira deveria ser modificada, precedida de um projeto geométrico, estrutural e de drenagem. Com tais projetos em mãos, o primeiro passo seria a regularização e compactação do subleito, retirando deste todos os restos orgânicos provenientes da abertura inicial da estrada. Em seguida, deveriam ser colocadas as camadas de sub-base e base, com a preocupação voltada para a compactação, ou seja, deveria ser construída camada por camada com 30 a 40 cm de material, gnaisses/xistos (rochas estéreis) e quartzito alterado, que são materiais provenientes da própria mina e, em seguida, passar-se o rolo compactador até atender ao projeto estrutural.
O material de revestimento utilizado, o rejeito de jigue, proporciona uma excelente drenagem, mas o fato desse material ter que ser trocado por itabirito compacto a cada período chuvoso, aumenta o custo da obra. O recomendado seria, ou fazer uma mistura desse material com o próprio itabirito compacto, ou utilizar materiais como o cascalho britado, que fornece características adequadas, como citado no Capítulo 2, para a utilização no revestimento. Independente do material utilizado, uma compactação bem feita deve ser peça principal.
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Assim como o projeto estrutural, o projeto geométrico de Itabira também não foi elaborado. Desta forma, as vias constituintes da rede viária da mina foram abertas e construídas baseadas nas facilidades do terreno, sem nenhum tipo de estudo prévio. Portanto, antes da execução da estrada, deveria ter sido elaborado projeto em que constassem os elementos geométricos citados na seção 3.1 da presente dissertação, como distâncias de frenagem e visibilidade, esta última com distância mínima de 150 metros e largura da pista de rolamento, que deveria ser de no mínimo 3.5 vezes a largura do maior caminhão em circulação.
Também deveria ser observada a superelevação máxima de 3%, raio de curvatura, que deveria proporcionar a circulação segura dos caminhões nas curvas, abaulamento da estrada de aproximadamente 2%, grade (inclinação) constante para evitar o desgaste dos caminhões, presença de leiras de segurança, evitando a saída dos caminhões da pista, transição para superelevação e interseção entre os elementos geométricos, que propicia, se projetado corretamente, o funcionamento eficaz do sistema de drenagem.
4.2.2 Mina de Fábrica Nova
Os atuais problemas sofridos pelas vias da Mina de Fábrica Nova poderiam ter sido evitados ou minimizados, se algumas tecnologias construtivas relacionadas ao planejamento, concepção e construção das estradas tivessem sido aplicadas no processo de elaboração e construção da estrutura viária da Mina de Fábrica Nova.
Na verdade, etapas importantes foram negligenciadas no planejamento e construção dessas vias, causando os atuais defeitos, e incrementando os custos referentes ao transporte de minério e estéril proveniente da atividade de lavra. Portanto, deveriam ter sido implementadas técnicas referentes aos projetos geométrico, estrutural e de drenagem.
O projeto estrutural das vias de Fábrica Nova não foi elaborado de acordo com as técnicas existentes e, por isso, percebe-se hoje que as vias não possuem desempenho satisfatório, afetando a produtividade da mina.
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Assim, o projeto estrutural das vias de Fábrica Nova apresentou as seguintes deficiências: a) deveria ter sido realizado observando-se criteriosamente as etapas de construção e compactação das camadas; b) todo o material orgânico deveria ser retirado do leito da estrada na execução do subleito; c) uma camada de reforço do subleito deveria ser compactada com rolo compactador, caso o subleito não apresentasse condições favoráveis; d) a base deveria ter sido constituída de material granuloso adequado; e) para a execução da camada de revestimento, a escolha do material constituinte deveria ser baseada nas propriedades adequadas para o tráfego e condições das vias dessa mina.
Assim como o projeto estrutural, o projeto geométrico da Mina de Fábrica Nova também não foi elaborado. Da mesma forma que na mina de Conceição, as vias constituintes da rede viária dessa mina foram abertas e construídas baseadas nas facilidades do terreno, sem nenhum tipo de estudo prévio.
Antes da execução da estrada, também deveria ter sido elaborado projeto em que constassem os elementos geométricos citados na seção 4.1 da presente dissertação.
O projeto de Drenagem presente na Mina de Fábrica Nova exerce desempenho satisfatório, ou seja, foi elaborado e planejado evitando assim que ocorra a deterioração da estrada, decorrentes da falta de planejamento e elaboração dos projetos geométrico e estrutural da via.
Devido à falta de planejamento e elaboração dos projetos geométrico e estrutural e as técnicas inadequadas de manutenção, faz-se necessária a aplicação de tecnologias que minimizem os problemas sofridos pelas vias da mina.
Assim, as vias da mina de Fábrica Nova, onde a camada superficial de revestimento é constituída de itabirito, material que não proporciona um desempenho satisfatório para estrada, devem passar por processo de reforço da estrutura da estrada e de recolocação do material da superfície, onde o material atual, desgastado pelas intempéries, seria substituído por outro cujas propriedades fossem adequadas para a via.
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