Atendendo à crescente integração de Terapeutas da Fala em Agrupamentos de Escolas, seria interessante pedir a sua colaboração, com o intuito de aplicar o TACF a um número tão grande quanto possível de crianças de idade pré-escolar e do 1º ano do 1º CEB, de modo a obter uma amostra representativa da nossa realidade nacional. Ainda que fosse difícil de concretizar, poder-se-ia pensar, numa fase posterior, em estandardizar este instrumento de avaliação e disponibilizá-lo aos diferentes técnicos de educação que lidam com crianças daquela faixa etária – Educadores, Professores e Terapeutas da Fala.
Deste modo, obter-se-iam dados normativos para a população portuguesa, sendo que a futura aplicação deste teste permitiria uma avaliação detalhada das competências fonológicas de crianças de idade pré-escolar e escolar, possibilitando, desta forma, uma intervenção atempada, através da delineação e aplicação de um programa de intervenção adequado. O processo de identificação dos níveis de consciências e de tarefas metafonológicas nas quais as crianças apresentam maiores dificuldades é facilitado em virtude da própria estrutura do TACF.
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Importava, contudo, fazer algumas alterações ao teste de avaliação apresentado, nomeadamente ao nível da prova divisão da sílaba em ataque e rima: para além de palavras com ataque e rima simples, seria importante incluir palavras com ataque vazio, palavras com ataque não ramificado simples e núcleo ramificado, palavras com ataque simples, rima ramificada, núcleo ramificado e coda não ramificada. Esta inclusão poder- nos-ia dar informações importantes, não só em termos do conhecimento do comportamento metafonológico das crianças perante esses estímulos, como também no confronto dos vários tipos de respostas obtidos nesta prova.
Ainda no sentido de melhorar o instrumento de avaliação proposto no presente estudo, parece-nos também relevante que, futuramente, se correlacione o nível sócio- económico e cultural dos pais com o desempenho das crianças da amostra nas tarefas de consciência fonológica.
Em termos de possíveis trabalhos futuros (alguns dos quais já iniciados), destaca-se a realizações de acções de sensibilização sobre a área da consciência fonológica, nas escolas do Agrupamento de Tondela e de Agrupamentos vizinhos, de modo a sensibilizar os Técnicos da Educação sobre o desenvolvimento fonológico das crianças.
Segundo definição do CPLOL (Comité Permanent de Liaison dês Orthophonistes/Logopèdes de L’Union Européenne) «O terapeuta da fala é o profissional
responsável pela prevenção, avaliação, tratamento e estudo científico da comunicação humana e perturbações relacionadas. <este contexto, a comunicação humana envolve todos aqueles processos associados com a compreensão e produção oral e escrita da linguagem, bem como as formas apropriadas da comunicação não verbal.»
De acordo com esta definição, o Terapeuta da fala tem um papel preponderante e de grande responsabilidade junto da população pré-escolar e escolar em risco de apresentar dificuldades no processo de aprendizagem de leitura e escrita, o que reforça a importância de um despiste adequado a este nível.
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Para além do contributo deste estudo para o aumento de conhecimentos, parece-nos ser de primordial importância para a sensibilização da classe dos Terapeutas da fala, nomeadamente no que respeita à abordagem mais adequada no tratamento das perturbações de fala de origem fonológica. Esta deve ultrapassar a intervenção baseada no treino da motricidade orofacial – eficaz no tratamento de perturbações de fala de origem fonética – visto considerar-se inadequada no tratamento das perturbações fonológicas. Dada a tomada de consciência que este tipo de actividades metafonológicas implica, o processo de automatização de fonemas poderia ser encurtado temporariamente e os resultados esperados pela terapia poderiam fazer-se sentir mais cedo.
Além disso, julga-se que a concretização deste estudo foi importante, na medida em que teve como base o desenvolvimento de um instrumento de avaliação muito requerido em Portugal. Dada a diversidade de tarefas que alberga, este permite uma avaliação cuidadosa e detalhada da capacidade metafonológica das crianças em fase final da pré- escola e início do 1º CEB, permitindo a realização de um despiste de eventuais dificuldades a este nível.
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