Appendix B Sketching Tool
C.1 Interaction: A Rotating Face & a Translat- Translat-ing Face
A primeira em inferir categorias da análise de 130 produções de texto feitas por alunos do Ensino Médio e outras 60 produções divididas em dois grupos, um de alunos do Ensino Fundamental (3ª série) e outro do Ensino de Jovens e Adultos, que cumprem a função de “grupos de controle”. Estes textos tinham como objetivo avaliar a viabilidade do nosso objeto de pesquisa ainda na fase de percepção intuitiva do fenômeno.
A escolha recaiu sobre os alunos do Ensino Médio, em uma faixa etária que varia entre os 14 aos 18 anos, por três razões principais:
Ao escolher esta faixa etária estamos tentando isolar e minimizar questões derivadas do processo de aquisição de competências lógicas postulados pela Psicologia Genética que, como já mencionamos anteriormente, não é objeto desse trabalho.
a) Os alunos do final do Ensino Médio têm maior tempo de convivência com a disciplina de História.
b) Alunos mais velhos já estão confrontados com muitas questões próprias do mundo adulto, seja no convívio familiar ou social, seja no mundo do trabalho, o que permite que suas produções reflitam em parte essa condição.
As produções foram feitas com base na seguinte proposição: “Imagine que você pudesse fazer uma viagem para muito, muito longe no futuro. Como você acha que seria a vida das pessoas, da sociedade e do mundo?”.
Após uma leitura flutuante dos textos, e refletindo acerca dos temas centrais que foram invocados pelos estudantes, percebemos que estes poderiam ser decompostos em categorias de análise. Esse estudo piloto, que embora tenha pecado pela generalidade da questão indutora e pela pouca caracterização da amostra, pelo menos nos mostrou que uma aproximação das categorias que acabamos por construir para aplicar no estudo com os grupos
focais era possível. Em outras palavras, as percepções iniciais do nosso objeto de pesquisa se tornavam exeqüíveis porque surgiram naquele universo discursivo.
Para podermos efetuar uma análise de tais textos seguimos o seguinte esquema164:
Figura 5: Primeiro diagrama de design da pesquisa empírica
Fonte: O Autor (2007)
No momento em que fizemos esta primeira incursão empírica, ainda estávamos avaliando a viabilidade de aplicar um modelo similar em nossa pesquisa principal. Logo adiante acabamos por desenvolver um modelo modificado desta aproximação.
A população, já enunciada nos parágrafos anteriores foi convertida em amostra por um critério de conveniência, ou seja, pelas escolas que se dispuseram a reservar um tempo durante a aula para a produção do material a ser analisado. Neste aspecto, como sabemos, quase todo pesquisador em Educação é um “pedinte”.
A leitura flutuante do nos revelou alguns “temas” que formalizados por meio de uma aproximação teórica dentro dos quadros conceituais que já discutimos no capítulo anterior, e que já estavam sendo avaliados por nós naquele momento, conduziu à sua redução em “categorias”.
Estas categorias não chegaram a ser formalizadas ao mesmo nível do estudo principal, mas incluíam as noções de tempo, história como conhecimento cotidiano, História como conhecimento formalizado, de colocar as narrativas em um viés utópico ou distópico, entendendo estas categorias apenas como um par de tipos ideais analíticos.
Em seguida confeccionamos uma tabela de codificação para os textos através de um pequeno dicionário analítico de conceitos, também chamado de “thesaurus”. A escala usada foi 0 para “muito fraco” e 5 para muito forte.
Quadro 5: Tabela de Codificação para os textos
Categoria Subcategoria Média dos conceitos
Meios de comunicação 5 Família 4 Amigos 5 História no cotidiano Religião 1 Escola 2
História como conhecimento formalizado
Livros 1
Progresso (tecnológico) 1
“Simplificação” da vida 3
Diminuição da desigualdade social 3
Diminuição da violência 3
Utopia
Visão estereotipada da tecnologia 4 Progresso (em um sentido
ambivalente – a tecnologia se torna é onipresente e invasora)
5 Aumento da desigualdade social 4
Catástrofe ambiental 5
Segregação social (fisicamente) 4
Aumento da violência 4
Distopia
Visão estereotipada da tecnologia 4 Fonte: O Autor (2007)
Os resultados desta codificação nos deixaram profundamente instigados a investigar o tema. Alguns elementos se sobressaiam de forma clara: a pouca importância atribuída ao conhecimento histórico obtido pelos meios formais, a escola e os livros, em oposição aos meios de comunicação (TV principalmente), mostrados como grande provedora de saber histórico.
Outros aspectos que chamou nossa atenção foi o tom predominantemente pessimista das produções apontando a tecnologia e a “catástrofe ambiental” como elementos de um futuro de decadência para a humanidade.
Esse estudo piloto, que embora tenha pecado pela generalidade da questão indutora e pela pouca caracterização da amostra, pelo menos nos mostrou que uma aproximação das categorias que acabamos por construir para aplicar no estudo com os grupos focais era possível. Em outras palavras, as percepções iniciais do nosso objeto de pesquisa se tornavam exeqüíveis porque surgiram naquele universo discursivo.
A segunda etapa da inferência indutiva das categorias veio em colaboração com os elementos dedutivos na forma de subcategorias que colocamos em nossa agenda de codificação dos discursos presentes nos grupos focais.
No nosso caso houve uma preocupação em “ir para onde as fontes apontam”, porém sem torturá-las a fim de que apenas corroborassem um conceito construído a priori. Tentamos assim evitar o idealismo extremado de um lado e o indutivismo ingênuo de outro, procurando equilibrar os quadros conceituais com os indícios oferecidos pelas fontes.
É certo que as categorias dos dois eixos de análise que apresentamos derivaram dos referenciais teóricos, são, portanto dedutivas, mas não totalmente. Isso porque antes de lançarmos mão dos recursos que a teoria nos oferecia tivemos, em um primeiro momento, uma chance de observar como algumas categorias poderiam emergir e, em um segundo momento, deixamos a construção das subcategorias de análise para depois da avaliação do material fornecido pelos grupos focais com que trabalhamos.
Neste aspecto nos inspiramos, para construção do nosso instrumento de análise de conteúdo, na proposição de Philipp Mayring165 de modelos de pesquisa qualitativa, um de aproximação indutiva e outra dedutiva, como exposto nos diagramas a seguir:
Modelo Indutivo Modelo Dedutivo
Questão de pesquisa, Objeto
Definição das categorias (critérios de seleção) níveis de abstração para categorias indutivas
Formulação passo a passo das categorias indutivas no material, levando em consideração as definições das categorias e os
níveis de abstração
Revisão das categorias depois de 10-50 % material
Checagem de confiabilidade
Trabalho final com os textos
sumarizar a checagem de confiabilidade
Interpretação dos resultados
Questão de pesquisa, Objeto
Formulação teórica de definições, exeplos e regras de codificação para cada categoria elaboração da agenda de codificação Modelo teórico dos aspectos da análise
principais categorias e sub-categorias
Revisão das categorias e codificação
Checagem de confiabilidade
Trabalho final com os textos
sumarizar a checagem de confiabilidade
Interpretação dos resultados
Figura 6: Modelos indutivo e dedutivo para pesquisa qualitativa
Fonte: Adaptado de Mayring (2000, p. 243).