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3.7 INSTRUCTIONS FOR BLOCK-STRUCTURED LANGUAGES
A mídia e a narrativa mítica apresentam grande influência na maneira como os indivíduos em geral enxergam a natureza até os dias atuais: uma concepção de ambiente selvagem e intocado, com predominância de animais e plantas. O contexto do ser humano inserido na natureza é associado à ideia de supressão da vegetação, desequilíbrio e degradação ecológica, no entanto, esta associação é válida na perspectiva do ser humano predador, mas pode ser simplista na medida em que não considera determinadas relações milenares entre povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, entre outros, com os seres viventes e as inúmeras maneiras de coevolução e de equilíbrio que desenvolveram com o meio ambiente (CARVALHO, 2004).
A educação ambiental surge em um período que a dicotomia ser humano e natureza estavam presentes na sociedade, na qual não havia uma concepção de integração, no entanto, esta ciência com o passar do tempo passou a se orientar por uma visão socioambiental e multidisciplinar, relacionando cultura, sociedade e processos biológicos e físicos, que se integram de maneira dinâmica e mútua (CARVALHO, 2004).
Em 1977 ocorreu a importante Conferência Intergovernamental sobre educação ambiental em Tbilisi, que além de ser considera um marco teórico teve como saldo a elaboração de um relatório que apresenta sua origem, definição, objetivos, propósitos, estratégias, princípios e recomendações que auxiliam no desenvolvimento de uma educação ambiental crítica que inclui a responsabilidade
do ser humano tanto na prevenção como na solução de problemas ambientais (UNESCO, 1997; NOVICHI; SOUZA, 2010).
Esta é uma perspectiva que se opõe à visão naturalista-conservacionista, pois percebe o valor das interações ocorrentes entre ambiente e sociedade, como relações naturais que propiciam um aumento da biodiversidade local; como exemplo, consta a relação positiva com o ecossistema, nos quintais agroflorestais, que se encontram no interior de algumas comunidades tradicionais (quilombolas, ribeirinhos, caiçaras, indígenas) que apresentam práticas que preservam os recursos naturais e as dinâmicas ecológicas locais (PENEIREIRO, 2003).
Para não cair no senso comum, é importante se atentar que os seres humanos não estão integrados à natureza e de que esta é, por sua vez, concebida como algo intocável e não interdependente. Todos pertencem ao meio ambiente, estejamos dentro de um escritório ou no interior da Mata Atlântica; a interação mútua e constante entre a esfera humana e a ambiental ocorre a todo instante. Quando relacionamos natureza não somente com o aspecto biológico, mas também com a face social, cultural e até econômica, conseguimos obter uma melhor amostragem das conexões complexas e reais existentes na sociedade.
A visão holística de inter-relação natureza e sociedade, relação entre os seres vivos e ecossistema (conceito surgido anos mais tarde e cunhado pelo ecólogo Arthur Tansley) são objetos de estudo da ecologia, que passou a ser usada como conceito na literatura científica em 1866, por Ernest Haeckel, biólogo alemão. A ecologia como ciência passou a se aproximar de outras áreas do conhecimento, como as ciências humanas, relacionando o bem- estar social com a preservação ambiental e, desta forma, surgiram as chamadas lutas ecológicas, com cunho político e viés de uma relação mais amistosa entre sociedade e meio ambiente. Tais ações deram origem a um movimento social, chamado de movimento ecológico; esse “ecologismo” torna-se a origem da educação ambiental e da formação de sujeitos ecológicos, que passam a se preocupar com o presente e o futuro (CARVALHO, 2004).
O movimento ecológico emergiu no final dos anos 1960, se consolidando em 1970 em diversos locais, tais como: Estados Unidos, Alemanha, Austrália, Nova Zelândia, Brasil, entre outros. No Brasil o movimento ecológico surgiu de maneira discreta em 1970. Há um paralelo entre movimentos sociais e o movimento ecológico, pois ambos emergem da insatisfação de alguns grupos sociais com a degradação ambiental e/ou social e seus impactos; a organização ocorre a partir de determinado viés político e ideológico para suprir certas demandas, tal organização ocorre também a partir da institucionalização de uma parcela do movimento social, por meio da criação de partidos, como exemplo, os chamados Partido Verde (PV), que existem em diversos países (LELES; VIANA, 2018).
A educação ambiental surgiu em meio ao contexto supracitado de descontentamento perante a problemática ambiental global, no entanto são notáveis algumas características, que a torna interessante do ponto de vista ecológico e social, podendo ser: uma educação política, crítica, democrática e ética, incluindo alguns princípios de ampliação da cidadania, autonomia e aliberdade de escolha e de ação dos cidadãos. São estes os agentes principais de mudança, e é por meio da educação ambiental e do senso de coletividade incorporado pelos indivíduos, que é possível alguma mudança positiva, no que diz respeito à justiça social, atividades de autogestão e de relações éticas no âmbito da interação ser humano e ser humano e ser humano e natureza (REIGOTA, 2009).
O surgimento e implementação da educação ambiental no Brasil como política pública ocorreu através do Ministério da Educação e Cultura (MEC) e Ministério do Meio Ambiente (MMA), que reforçaram o sentido de atuação no âmbito formal e não formal da educação, baseando-se nos princípios de educomunicação, educação ambiental crítica e emancipatória, além de todos os outros no parágrafo supracitado. A educação ambiental prevê uma transformação na sociedade, na qual, o modelo capitalista gera desigualdades sociais (pobreza, miséria e concentração de riqueza), riscos ambientais, prejuízos sociais e econômicos; a superação dessas adversidades pode ocorrer por meio de uma revolução política (SORRENTINO et al., 2005).
É a necessidade de mudança que gera o ensejo de uma revolução política, com mudanças profundas de paradigmas, para uma sociedade menos individualista, pautada em ideais mais solidários, participativos e igualitários. A participação da sociedade civil, juntamente com a compreensão da dinâmica social, implica em um senso de pertencimento, identidade e de corresponsabilidade que, de maneira conjunta, visam à superação dos problemas ambientais, conservação ambiental com objetivo de geração de um Estado de bem-estar social (SORRENTINO et al., 2005).