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Criam-se categorias de análise para aferir dados que se apresentam por meio de enquadramentos. ​A teoria de enquadramentos (​frames​) deriva de uma sociologia preocupada em compreender como indivíduos classificam e organizam suas experiências de vida e como produziam ‘esquemas de interpretação’ ou ‘quadros’ (ANTUNES, 1999). Em geral, os ​frames são localizados no interior dos sistemas de mídia, nas relações entre jornalistas no ambiente das redações; junto aos receptores das mensagens midiáticas; e entre os grupos e organizações (ANTUNES, 1999) dos diferentes campos sociais.

Em uma das concepções de ​frames​, são lidos como formas ligadas na estruturação do discurso: uma espécie de ideia de fundo que, a partir de determinados elementos postos em destaque, organizam a construção e interpretação dos textos (ANTUNES, 1999). O

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fundamental é que, na perspectiva das Teorias do Jornalismo, o fator tempo aparece como um quadro explicativo para dizer porque uma dada comunidade profissional (jornalistas), em um dado ambiente organizacional (as organizações jornalísticas), no interior de um dado processo de produção (as práticas jornalísticas), produz um tipo específico de produto (as notícias) (ANTUNES, 1999). Há uma proposição de que a construção jornalística da notícia se dá no escopo dos enquadramentos, que se fazem presentes nas matérias para ajudar a compor seu processo de significação e instigar percepções da realidade de maneira similar (ANTUNES, 1999). Sendo assim, os elementos que compõem o dispositivo de enquadramento são diversos, como metáforas, exemplos, estabelecimentos de relações causais e frases ditas (ANTUNES, 1999) e não ditas.

Na apresentação de algumas ilustrações para debate teórico, identifica-se um significado tão dominante ou preferencial sugerido em um enquadramento particular da situação, que é mais fortemente apoiado pelo texto e congruente com os esquemas de audiência mais comuns (ENTMAN, 1993). A análise de conteúdo é uma das principais tarefas para determinar o significado textual (ENTMAN, 1993). Existem duas outras definições de

frames​: uma como ideia de organização central ou linha de história que dá sentido a uma faixa de eventos que se desdobra; o segundo gênero de definição define o que os quadros geralmente fazem, especialmente as emissões (ENTMAN, 1993) em quadros.

Os processos de enquadramento ocorrem em quatro níveis: na cultura; nas mentes das elites e dos comunicadores políticos profissionais; nos textos das comunicações; nas mentes individuais (ENTMAN, 1993). Um quadro invoca os mesmos objetos e traços com o uso de palavras e símbolos idênticos ou sinônimos em uma série de comunicações similares que estão concentradas no tempo. Enquadramentos funcionam para promover uma interpretação de uma situação (implícita ou explícita) pelo apoio de uma resposta desejável, muitas vezes junto com um julgamento moral que fornece uma carga emocional (ENTMAN, 1993). Em contraste com a pesquisa sobre enquadramento estratégico, sabe-se menos sobre as estruturas profissionais que orientam o processamento informacional e a produção jornalística de textos.

Como a literatura mostrou que o enquadramento pode ter um efeito significativo sobre como as pessoas tomam decisões e formulam opiniões sobre qualquer questão ou evento, é importante entender os processos psicológicos subjacentes a tais efeitos (ENTMAN, 1993). A pesquisa de enquadramento tem levantado preocupações críticas sobre a capacidade das elites de manipular o público de maneira contínua. Acredita-se que as elites não têm como

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determinar com precisão qual é a opinião pública ‘real’ e devem confiar em indicadores abreviados, como pesquisas e textos de notícias que são suscetíveis a efeitos de enquadramento (ENTMAN, 1993). A literatura ganharia muito com a expansão do escopo do enquadramento para além do foco nas opiniões individuais, para ser descrito como um processo diacrônico e sociopolítico (ENTMAN, 1993). O enquadramento não é uma teoria exclusiva da comunicação de massa (SÁDABA, 2008). Embora a sua maior divulgação tenha o fato de que muitos analistas de mídia voltam seu olhar para esta teoria, em suas origens,

el.framing está relacionado com a preocupação de psicólogos e sociólogos como formas de conhecimento.

A teoria do enquadramento tem sua origem no desenvolvimento da chamada sociologia interpretativa (SÁDABA, 2008). Através do interacionismo simbólico, corrente para a qual o importante é como as pessoas interpretam a realidade ( HEIDEGGER, 2008), o austríaco Alfred Schutz responde aos interesses próximos dessa corrente. A realidade faz parte das interpretações inquestionáveis ​​de uma ‘atitude natural compartilhada’, que aceita a existência de fenômenos como um conhecimento socializado. Ou seja, a realidade social é o produto de definições individuais e coletivas. Sob essa posição, também se argumenta que as pessoas são um produto social, na medida em que aprendem o que é considerado como a realização dos processos de socialização, ao mesmo tempo em que a sociedade é produzida pelas pessoas para institucionalizar (SCHUTZ, 2014) suas ações.

A teoria de ​frames ​pode colaborar para compreensão mais detalhada do funcionamento e presença da mídia, como um agente produtor de discursos dentro do escopo social. Enquanto um método de pesquisa, pode melhorar a apreensão de perspectivas no processo de construção das notícias. Por mais que possua origem sociológica, a teoria fomenta a análise jornalística de maneira interdisciplinar quando apresenta fatores a ser considerados como as representações de identidades e classificações de diferenças entre ambas, como se reflete nos Estudos de Gênero.

A análise de representações afetivo-sexuais e de gênero pelos enquadramentos jornalísticos se aplicou pela coleta do conteúdo - materialidade - para realizar a quantificação com base nas categorias de análise utilizadas na obra ‘Jornalismo, Homofobia e Relações de Gênero’ (CARVALHO ALBERTO, 2012). Propõe-se que, a partir de categorias semelhantes, é possível iniciar o trajeto de compreensão dos enquadramentos dos meios independentes

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delimitados. No caso, não como categorias fixas, mas como suportes que podem auxiliar em noções essenciais dos sentidos propostos em cada modalidade narrativa e plataforma.

Considerou-se como ​modalidades narrativas​: notícias, reportagens, entrevistas, editoriais, artigos, carta de leitores, charges, ilustrações etc; Os ​agentes foram identificados como as seguintes fontes: executivo, judiciário, legislativo, celebridades etc; Os ​assuntos foram lidos a partir de tópicos centrais como: união civil, comportamento sexual, comportamento afetivo, violência física, violência simbólica etc; As ​diversidades e identidades se demarcaram a partir de termos apresentados como: ​gay​, lésbica, bissexual, travesti, transexual etc; A ​natureza do acontecimento foi dividida entre produzida, programada ou acidental (CARVALHO ALBERTO, 2012).

Parte das categorias foram atualizadas conforme o conteúdo apreendido.

O recorte do material da pesquisa se refere aos anos de 2017, 2018 e o primeiro semestre de 2019. Os anos selecionados correspondem aos períodos em que ambos os meios independentes possuem publicações ou estavam disponíveis para acesso depois de suas inaugurações. A coleta de dados e análise aconteceu no segundo semestre de 2019.

A organização dos dados foi realizada em uma planilha para ambos os ​sites​. Foram identificadas predominâncias através das palavras-chave mais mencionadas em cada tópico categórico (em específico: fontes, assuntos e identidades). Foram criadas nuvens de palavras nas quais as palavras que possuem maior frequência de uso ficam sob destaque. O programa para realizar a nuvem de palavras foi a extensão gratuita chamada ‘​Word Cloud Generator​’.

Foram gerados gráficos para auxiliar no cruzamento entre os dados de cada ​site​. Apenas as palavras-chave predominantes foram comentadas e comparadas. Optou-se pela predominância por ser um fator de repetição - relevante ao jornalismo. Cada categoria de análise foi descrita qualitativamente em resumo pelas palavras-chave predominantes e cruzadas por exemplos significativos. Criou-se uma narrativa de demarcação que resulta diferenças entre os meios jornalísticos digitais. Trata-se do conteúdo dos jornais em si exposto a uma ótica de interpretação científica baseada em perspectiva de gênero, que pode se alterar em suas ramificações.

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