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As ferramentas de análise de dados, de colaboração e as novas maneiras de comunicar agitam todo o cenário jornalístico (jornais, revistas, rádio, tv e ​sites de notícias), pois desloca profissionais das observações iniciais para uma função de verificação e interpretação da quantia de textos, áudios, fotos e vídeos disponíveis ​on-line​(ANDERSON; BELL; SHIRKY, 2013). De qualquer forma, essa apropriação de técnicas e ferramentas devem manter alguns dos valores ético-profissionais enquanto serviço público (porque publicar): “O jornalismo

29 ​A versão ​streaming da ​Netflix (2007) caracterizou a TV-OTT (PÁEZ; RUBINI, 2017). No Brasil, a tv aberta

adere ao serviço TV-OTT com a oferta do Globo ​Play ​(2015) e ​Play Plus ​(2018), da Rede Globo & Rede Record, respectivamente. ​Vimeo​ (2004), ​Youtube ​(2005) & ​IGTV ​(2018) são exemplos populares da TV-OTT.

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expõe a corrupção, chama a atenção para a injustiça, cobra políticos e empresas por promessas e obrigações assumidas. Informa cidadãos e consumidores, ajuda a organizar a opinião pública, explica temas complexos e esclarece divergências fundamentais” (ANDERSON; BELL; SHIRKY, 2013, p.33). Tal ligação aos valores jornalísticos não se rompe apesar que o acesso à informação vislumbra um perfil de profissional sedentário (SILVA MOREIRA, 2013), que pouco apura fora da redação. Isso pode ser resultado de como as pessoas se informam graças aos novos hábitos difundidos pelo uso das mídias sociais, que alteram os processos de produção e distribuição (como publicar e onde publicar) de conteúdo.

A rede social ​Facebook - mais popular em escala global (REUTERS, 2018) privilegia assuntos interpessoais e temáticas domésticas para diminuir o alcance de postagens de sites noticiosos, com base em uma alteração em seu algoritmo desde junho de 2017 (MAGNONI; MIRANDA, 2018). A medida derruba as expectativas de democratização, mas estimula as políticas globais sobre a regulamentação (SOUZA VERGARA; SOLAGNA; LEAL, 2014), como também a neutralidade da rede, a privacidade e os direitos autorais. “No fim das contas, o enquadramento de plataformas de mídias sociais e curadores de conteúdo digital puramente como empresas de tecnologia marginaliza as cada vez mais proeminentes dimensões políticas e culturais de suas operações [...]” (NAPOLI; CAPLAN, 2018, p.149). ​Apesar disso, as redes sociais, pelo nível de inserção de conteúdo, colaboram para interpretações semânticas do público, tanto ao âmbito científico (EMPINOTTI, PAULINO, 2018) como também para a elaboração de pautas (jornalismo de dados) em alguma medida a partir de comentários nas redes sobre eventos repercutidos pela mídia. “Os dados pessoais passam por sistemas controlados por diferentes empresas, cada uma com sua própria política de privacidade” (DORNELAS, 2018, p.92). Através da comparação de dados entre países pelo gráfico interativo do Relatório de Notícias Digital , nota-se o crescimento do celular em comparação 30 ao computador como dispositivo principal ao acesso de notícias.

Seis tipos de passagens e formações culturais podem ser consideradas: a cultura oral, a cultura escrita, a cultura impressa, a cultura de massas, a cultura das mídias e a cultura digital (SANTAELLA, 2007). O processo de individualização de consumo se iniciou na cultura das massas, pela propagação e treinamento dos usos de fotocopiadoras, videocassetes etc (SANTAELLA, 2007). Quando se considera associações entre human@s e objetos não

30 "​Interactive - Reuters Institute Digital News Report​" ​http://www.digitalnewsreport.org/interactive/.

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human@s no mesmo nível (LATOUR, 2012), o crescimento do uso de mídias sociais aliado aos dispositivos móveis (como os celulares inteligentes) ganha predominância, pois refletem ainda mais no modo como @ cibernauta interage com a informação, fora de horários estabelecidos, mas dentre as tarefas do dia.

Internautas deixam se consumir notícia, começam a produzir informação (pois possuem dispositivos móveis aptos para registros textuais e visuais a qualquer momento) e, pouco a pouco, recebem aberturas de redações comerciais hegemônicas para ‘colaborar’ e divulgar seu conteúdo em meios jornalísticos, mas passam por crivos de seleção e edição, sendo considerada como uma participação de vanguarda (MAGNONI; MIRANDA, 2012). Tal processo caracteriza a teoria ​gatewatching​. “[...] Uma nova postura de jornalistas/editores que, na ​web​, possuem muito mais espaço disponível para publicar e, por isso, atuam como observadores atentos da rede, não deixando passar informações relevantes que emergem a todo o momento de diversos ambientes ​on-line​” (VENTURA; ITO, 2017, p.90). São questões envolvem os estudos da Quinta Geração do Jornalismo, elaborado por Barbosa (2013), que aponta a necessidade de inovar linguagens e produtos que se aproximem dos hábitos em dispositivos móveis ao invés de uma mera transposição de conteúdo ou a sua repetição. “[...] Encontra-se numa fase transpositiva dos conteúdos com a realização de adequação destes à interface, mas pouco avanço para uma exploração mais intuitiva dos potenciais dos sistemas operacionais móveis e de interatividade, em parte esperado pelo curto período de existência” (BARBOSA; SILVA; NOGUEIRA, 2013, p.261). Algumas tendências de inovação jornalística podem ser exemplificadas pela cultura da ​gameficação​, como jogos de imersão informacionais e públicos de nicho (CARVALHO, 2017) como experiências transmidiáticas, pois se deslocam e criam um novo lugar para o jornalismo (ALZAMORA; TÁRCIA, 2012). “O excesso de informação exige organização e contextualização, o aprendizado tecnológico demanda investimento corporativo e disponibilidade intelectual, a mobilidade e a proximidade solicitam novos formatos narrativos” (CORRÊA; BERTOCCHI, 2012, p.135). Quando se pensa a inovação jornalística, algumas tipologias (FONSECA, 2017) criam níveis diferentes para cada tipo de ação. “[...] A prática do ​repost – publicar mais de uma vez a mesma reportagem – tem se tornado cada vez mais comum nas páginas dos veículos nas redes sociais” (BARSOTTI, 2018, p.148-149). Outro emprego comum, como característica do jornalismo em rede, se dá pela organização da notícias em lista, apresentado em itens e

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parágrafos curtos ou visuais (prática profissional tradicional) devido ao resultado mensurado da reação do público simultaneamente nos processos de edição.

“A ​Internet ​permite a mais profunda e informada participação e representação que jamais foi possível, para que todos possam defender seus argumentos com informações, com conhecimento” (VIVAR, 2017, p.21). Há uma série de tendências que podem comprometer a qualidade do serviço em prol da satisfação econômica e a adesão, como a caça aos ​cliques (NGUYEN, 2016) ou a construção textual a favor de ranqueamento dentre os resultados de buscadores. “Em termos éticos, trata-se de uma controvérsia entre a integridade da informação e a ampliação artificial do interesse que a notícia deve gerar” (VIEIRA, 2018, p.232). Caso também é a inserção de programas robóticos de computador (não human@s), que dialogam com agentes human@s programador@s, jornalistas e cientistas de dados (D'ANDRÉA; DALBEN, 2018) para a escrita de notícias em redações. “As tecnologias, enfim, não têm demonstrado ser um substituto para os jornalistas, mas um formidável complemento. Nunca o jornalismo contou com semelhantes possibilidades para cumprir melhor a função social que lhe corresponde” (SALAVERRÍA, 2015, p.83). Por isso, a inconstância permanece ao lado dos acertos e erros, adaptações e atualizações, que dá base à interdependência entre a informação e a tecnologia.